DGAV confirma vírus Shamonda na Península Ibérica; vigilância reforçada

Potencial impacto económico significativo no setor bovino com redução de produção leiteira e risco de abortos e malformações em animais gestantes.
O vírus ultrapassa a barreira placentária e provoca abortos ou malformações
Fêmeas gestantes infetadas podem transmitir o Shamonda ao feto, com consequências graves para os rebanhos.
Mark

Porque é que este vírus, que existe desde 1960, de repente se torna uma preocupação europeia agora?

Mimi

A variante que surgiu na Europa Central este ano parece ser diferente das que circulavam em África. Ninguém sabe ainda exatamente por que razão ou como chegou à Suíça, mas uma vez lá, propagou-se rapidamente através dos insetos vetores.

Luke

Espera — ninguém sabe como entrou na Europa? Isso é um buraco importante. Pode ter vindo no gado importado, pode ter sido transportado por insetos infetados, pode ter sido outra coisa qualquer. A DGAV não esclarece isto.

Mark

E em Portugal, qual é o risco real neste momento?

Mimi

Espanha já tem casos confirmados. Os insetos culicoides não respeitam fronteiras. O risco é concreto, por isso a vigilância foi reforçada.

Luke

Mas a DGAV não disse quantos casos há em Espanha, nem em que regiões. Não sabemos se estão perto da fronteira portuguesa ou se estão longe. Isso muda tudo.

Mark

Se um bovino apanhar o vírus, qual é o impacto económico para um criador?

Mimi

Numa exploração leiteira, uma queda de 10 a 20% na produção é séria. Além disso, se as fêmeas gestantes abortarem ou tiverem vitelos com malformações, perdem-se gerações de animais. Alguns criadores podem sofrer perdas significativas.

Luke

Verdade, mas a DGAV também não quantificou isto. Não sabemos quantos casos há em Espanha, não sabemos qual é a taxa de aborto, não sabemos qual é o impacto económico real. Temos cenários, não temos números.

Mark

Há alguma forma de proteger os rebanhos?

Mimi

Não há vacina. O controlo passa por vigilância, isolamento de animais infetados se possível, e redução da exposição aos insetos — o que é difícil em explorações ao ar livre.

Luke

Exatamente. Não há solução rápida. Isto é contenção e espera, e a DGAV está a fazer o que pode com as ferramentas que tem.

  • Um vírus desconhecido na Península Ibérica até esta semana atravessou as fronteiras ibéricas após varrer nove países europeus em menos de dois meses.
  • Os criadores de bovinos enfrentam quedas de 10 a 20% na produção leiteira e o risco de abortos e malformações em animais gestantes, com impacto económico potencialmente severo.
  • A transmissão por insetos culicoides torna o controlo difícil: não há forma de bloquear o vetor nas fronteiras, e a via vertical ameaça as gerações futuras dos rebanhos.
  • A DGAV ativou protocolos reforçados de vigilância epidemiológica, correndo contra o tempo para detetar casos antes que o vírus se instale definitivamente em Portugal.
  • Com Espanha confirmada como país infetado e o comércio de gado entre os dois países a ser intenso, as autoridades consideram a entrada do vírus em Portugal provável, não apenas possível.

Um vírus com décadas de história em África e no Japão chegou, pela primeira vez, à Península Ibérica: a DGAV confirmou a presença do Shamonda em explorações bovinas espanholas, depois de uma expansão silenciosa por grande parte da Europa Central ao longo do verão. Transmitido por insetos minúsculos e capaz de atravessar a barreira placentária, o agente patogénico recorda-nos que as fronteiras sanitárias são, muitas vezes, mais permeáveis do que as políticas. Portugal reforça agora a vigilância, consciente de que a proximidade geográfica e o comércio de gado tornam a chegada do vírus uma questão de tempo, não de possibilidade.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária anunciou esta semana uma confirmação inédita: o vírus Shamonda foi detetado em explorações bovinas na Península Ibérica, depois de Espanha reportar casos nos seus rebanhos. O agente patogénico, que circulava há meses pela Europa Central, chegou finalmente à região ibérica — um passo que as autoridades de saúde animal temiam, mas antecipavam.

O vírus propaga-se pela picada de insetos culicoides, vetores de pequena dimensão que inviabilizam o controlo nas fronteiras. Existe ainda uma via de transmissão vertical: fêmeas gestantes podem passar o vírus ao feto, com risco de abortos ou malformações congénitas nos vitelos. Bovinos são os mais vulneráveis, embora ovelhas e cabras também possam ser infetadas, geralmente sem sintomas visíveis.

Nos rebanhos afetados, a doença manifesta-se com febre, diarreia e uma quebra de produção leiteira entre 10% e 20%. A maioria dos adultos recupera sem sequelas, mas o impacto económico nos animais gestantes pode ser considerável.

O Shamonda não é novo: foi identificado pela primeira vez em 1960, na Nigéria, e permaneceu durante décadas confinado a África e ao Japão. Este ano, uma variante emergiu na Europa Central — a Suíça registou o primeiro caso europeu em julho — e desde então o vírus foi confirmado em França, Alemanha, Áustria, Bélgica, Países Baixos, Liechtenstein, Itália e agora Espanha.

Perante este avanço, a DGAV reforçou os protocolos de vigilância em Portugal. A fronteira com Espanha e o intenso comércio de gado entre os dois países tornam a chegada do vírus ao território nacional uma perspetiva que as autoridades já não tratam como hipótese remota, mas como cenário a gerir com urgência.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária confirmou, esta semana, a presença do vírus Shamonda em explorações bovinas na Península Ibérica — a primeira vez que a infeção foi identificada na região. A notícia chega após Espanha ter reportado casos em rebanhos, confirmando que o agente patogénico, que circula há meses pela Europa Central, atravessou finalmente as fronteiras ibéricas.

O vírus propaga-se através da picada de insetos do género culicoides, pequenos vetores que não deixam margem para transmissão direta significativa entre animais. Existe, porém, uma via de contágio vertical: fêmeas gestantes podem transmitir o vírus ao feto durante a gravidez, com consequências potencialmente graves. Os bovinos são os mais vulneráveis à infeção, embora ovelhas e cabras também possam ser afetadas, ainda que frequentemente sem manifestações clínicas visíveis.

Nos rebanhos bovinos, a doença aguda apresenta-se com febre, diarreia e uma queda na produção leiteira que oscila entre 10% e 20%. Apesar da morbilidade ser elevada — muitos animais adoecem — a maioria dos adultos recupera sem deixar sequelas permanentes. O cenário muda drasticamente para as gestantes: quando o vírus ultrapassa a barreira placentária, pode provocar abortos ou malformações congénitas nos vitelos, impondo um custo económico significativo aos criadores.

O Shamonda não é uma ameaça recente. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1960, na Nigéria, e permaneceu confinado a surtos esporádicos em África e Japão durante décadas. Este ano, porém, uma variante emergiu na Europa Central. A Suíça registou o primeiro caso europeu no final de julho, abrindo uma cascata de deteções. Desde então, o vírus foi confirmado em França, Alemanha, Áustria, Bélgica, Países Baixos, Liechtenstein, Itália e agora Espanha — uma expansão geográfica rápida que apanhou as autoridades de saúde animal em alerta.

Perante este avanço, a DGAV reforçou os protocolos de vigilância epidemiológica em Portugal. O objetivo é detetar precocemente qualquer caso suspeito e conter a propagação antes que o vírus se estabeleça nos rebanhos nacionais. A confirmação em Espanha, país fronteiriço e com intenso comércio de gado, torna o risco de entrada em Portugal não apenas possível, mas provável — o que explica a urgência das medidas de monitorização agora em vigor.

Confirmada a detenção do vírus Shamonda em vários países da União Europeia. Também Espanha informou a detenção deste vírus em explorações bovinas, constituindo a primeira identificação desta infeção na Península Ibérica
— DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária)
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