Nós vamos atrás de quem ainda não se vacinou
No Distrito Federal, a campanha de vacinação contra a covid-19 alcançou nesta terça-feira a última faixa etária autorizada no país: os adolescentes a partir dos 12 anos. Com a chegada de 28 mil doses da Pfizer — único imunizante aprovado para jovens no Brasil — e a extensão do reforço a idosos e imunossuprimidos, a capital federal avança em direção a uma cobertura que o próprio governo reconhece como ainda incompleta. Os números de transmissão recuam, mas a jornada coletiva em direção à proteção plena continua exigindo esforço e alcance.
- A vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos começa no DF com apenas 28 mil doses disponíveis para um público estimado em mais de 41 mil jovens.
- O governo admite que os pontos tradicionais não são suficientes e planeja levar a vacina a áreas rurais e terminais de ônibus para não deixar ninguém para trás.
- A dose de reforço para idosos com 80 anos ou mais e para imunossuprimidos foi aberta, mas a adesão é baixa — menos da metade das vagas disponíveis havia sido preenchida.
- O índice de transmissão RT caiu de 1,06 para 0,90 em uma semana, sinalizando desaceleração, mas a pandemia só é considerada controlada quando esse número fica abaixo de 1 por várias semanas seguidas.
- Com 71% da população com ao menos uma dose e apenas 38% com imunização completa, o DF ainda está distante da meta declarada de 90% de cobertura.
Na manhã desta terça-feira, o Distrito Federal abriu a vacinação contra a covid-19 para adolescentes a partir dos 12 anos, encerrando simbolicamente o ciclo de inclusão de faixas etárias na campanha. A medida foi viabilizada pela chegada de 28.080 doses da Pfizer, único imunizante com autorização no Brasil para essa faixa. Cerca de 41 mil jovens vivem na capital federal e passam a ser elegíveis.
O secretário de Saúde, general Manoel Pafiadache, anunciou que a administração pretende ir além dos postos fixos, expandindo a vacinação para zonas rurais e locais de grande circulação, como a rodoviária. A meta é vacinar ao menos 90% da população — com a ambição declarada de atingir cobertura total.
No mesmo dia, a dose de reforço foi estendida a idosos com 80 anos ou mais que completaram seis meses desde a segunda dose, e também a pessoas com alto grau de imunossupressão. A baixa procura chamou atenção: das quase 12 mil vagas abertas para imunossuprimidos, menos de 4.400 haviam sido agendadas até a tarde anterior. O agendamento é obrigatório pelo site vacina.saude.df.gov.br.
Os indicadores epidemiológicos apontavam melhora: o índice RT caiu para 0,90, abaixo do limiar de 1 que sinaliza desaceleração da transmissão. A ocupação de UTIs covid estava em 64,71%, com 17 pacientes aguardando vaga na tarde de segunda-feira — situação monitorada, mas sob controle segundo a secretaria adjunta de saúde.
Até aquela manhã, 71% da população do DF havia recebido ao menos uma dose, mas apenas 38,51% estava com o esquema completo. A expansão para adolescentes e a continuidade dos reforços representam os próximos passos de uma campanha que ainda tem terreno a percorrer.
Nesta terça-feira, o Distrito Federal abriu as portas da vacinação contra a covid-19 para adolescentes a partir dos 12 anos, marcando o momento em que a campanha alcança a última faixa etária autorizada a receber o imunizante no país. A decisão foi possível após a chegada de 28.080 doses da Pfizer, único fabricante com aprovação no Brasil para aplicação em jovens de 12 a 17 anos. Segundo a Secretaria de Saúde do DF, aproximadamente 41.211 adolescentes nessa idade vivem na capital federal.
O secretário de Saúde do Distrito Federal, general Manoel Pafiadache, anunciou durante coletiva de imprensa que o governo não se limitará aos pontos de vacinação tradicionais. A administração pretende buscar ativamente quem ainda não se vacinou, expandindo a oferta para áreas rurais e criando postos em locais estratégicos como a rodoviária. O objetivo declarado é alcançar pelo menos 90% da população vacinada, embora o secretário tenha deixado claro que o ideal seria atingir a cobertura total.
No mesmo dia, iniciou-se também a aplicação da dose de reforço para idosos com 80 anos ou mais que completaram seis meses desde a segunda dose. Essa ampliação ocorreu após baixa procura na semana anterior, quando o reforço havia sido disponibilizado apenas para maiores de 85 anos. Os idosos receberão prioritariamente a vacina da Pfizer, com possibilidade de substituição por Janssen ou AstraZeneca conforme disponibilidade.
Pessoas com alto grau de imunossupressão — incluindo aquelas com doenças renais, câncer e outras enfermidades graves — também passaram a ter acesso à dose de reforço. Das quase 12 mil vagas abertas para esse público, apenas 4.353 haviam sido preenchidas até as 15h do dia anterior. O agendamento é obrigatório através do site vacina.saude.df.gov.br, onde o paciente escolhe data, local e horário. O comprovante de agendamento informará se é necessário apresentar relatório médico.
Os números de transmissão do vírus no Distrito Federal apresentavam sinais de desaceleração. O índice RT, que mede quantas pessoas cada infectado transmite a doença, estava em 0,90 na segunda-feira — queda significativa em relação aos 1,06 registrados uma semana antes. A pandemia é considerada controlada quando esse índice permanece abaixo de 1 de forma estável por várias semanas seguidas.
A ocupação dos leitos de UTI dedicados à covid-19 estava em 64,71%, enquanto os leitos com suporte ventilatório pulmonar apresentavam taxa de 58,67%. Os leitos de UTI gerais na rede atingiam 90,85% de ocupação. Na tarde de segunda-feira, 17 pacientes com covid-19 aguardavam internação em UTI, com oito já direcionados a vagas e os demais em processo de alocação. A secretária adjunta de Assistência à Saúde, Raquel Beviláqua, ressaltou que havia leitos disponíveis para atender esses pacientes.
Até a manhã de segunda-feira, 2,172 milhões de pessoas no Distrito Federal haviam recebido pelo menos uma dose de vacina, representando 71,16% da população. A imunização completa — duas doses ou dose única — havia sido aplicada em 1,175 milhão de pessoas, correspondendo a 38,51% do público geral. Com a expansão para adolescentes e a continuação dos reforços, a capital federal prosseguia em seu esforço para ampliar a cobertura vacinal.
Notable Quotes
Nós vamos atrás de quem ainda não se vacinou e adotar uma série de medidas, juntamente com a Subsecretaria de Vigilância à Saúde, para alcançar esse público, seja na área rural, ou criando pontos em locais específicos, como na rodoviária— General Manoel Pafiadache, secretário de Saúde do DF
Isso é o mínimo. O ideal é que alcancemos 100%— General Manoel Pafiadache, sobre a meta de 90% de vacinação
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que apenas a Pfizer pode ser usada em adolescentes de 12 a 17 anos?
É uma questão de autorização regulatória. No Brasil, apenas a Pfizer recebeu aprovação das autoridades sanitárias para essa faixa etária. As outras vacinas disponíveis — Janssen, AstraZeneca, CoronaVac — ainda não têm essa liberação para menores de 18 anos.
O índice RT caiu de 1,06 para 0,90 em uma semana. Isso significa que a pandemia está acabando?
Não exatamente. Uma queda em uma semana é um sinal positivo, mas a pandemia só é considerada controlada quando o RT fica abaixo de 1 de forma estável por várias semanas seguidas. É preciso manter essa tendência.
Por que o governo decidiu ampliar o reforço para idosos de 80 anos quando havia sido oferecido apenas para maiores de 85?
Houve baixa procura entre os maiores de 85 anos na semana anterior. O governo percebeu que expandir a faixa etária poderia aumentar a adesão e proteger mais pessoas vulneráveis.
Das vagas abertas para imunossuprimidos, apenas um terço foi preenchido. O que isso sugere?
Pode indicar dificuldade de acesso à informação, problemas no sistema de agendamento ou simplesmente que essas pessoas ainda não procuraram. Por isso o governo oferece alternativas — a Ouvidoria e as Unidades Básicas de Saúde podem ajudar quem tem dificuldade.
Qual é o real objetivo do governo ao buscar 90% de vacinação?
Atingir imunidade de rebanho — o ponto em que a transmissão do vírus se torna muito difícil porque a maioria da população está protegida. Mas o secretário deixou claro que 90% é o mínimo; o ideal seria 100%.