Dez morrem em tombamento de ônibus clandestino na BR-040; entre vítimas, grávida e criança

Dez pessoas morreram, incluindo uma criança de 7 anos e uma gestante de 19 anos; 49 vítimas foram atendidas no local, com feridos distribuídos entre hospitais de Petrópolis, Duque de Caxias e Rio de Janeiro.
O motorista perdeu o controle do veículo
Relato de sobrevivente que estava no ônibus quando o veículo saiu da estrada na Serra de Petrópolis.
Mark

Por que um ônibus clandestino estava operando uma rota tão perigosa como essa, descendo a serra de madrugada?

Mimi

A Estrela Guia oferecia esses passeios regularmente — bate e volta de Belo Horizonte a Copacabana. Era um negócio. Mas ninguém estava fiscalizando. A ANTT nem conseguiu localizar a empresa como habilitada. O ônibus tinha adesivos de outras empresas também inaptas. Era uma operação fantasma.

Mark

Gabriel disse que o motorista estava em alta velocidade nas curvas. Isso foi negligência ou algo estrutural?

Mimi

Provavelmente ambas as coisas. Um motorista dirigindo rápido demais em uma serra à noite é negligência clara. Mas ele estava operando para uma empresa clandestina, sem fiscalização, sem regulação. Ninguém estava verificando se ele tinha experiência, se o veículo estava em condições, se havia limites de velocidade sendo respeitados.

Mark

Ketelyn pediu para parar e o motorista não parou. Ela tinha dezenove anos, estava grávida.

Mimi

Sim. Gabriel estava lá, ouviu as passageiras pedindo para parar. O motorista perdeu o controle logo depois. Não sabemos se teria feito diferença se ele tivesse diminuído a velocidade mais cedo, mas o fato é que ninguém tinha autoridade para forçá-lo a fazer isso.

Mark

Como uma criança de sete anos acaba em um ônibus clandestino descendo uma serra de madrugada?

Mimi

Lavínia estava com sua família, provavelmente. Eles compraram passagens para um passeio que parecia legítimo — a Estrela Guia tinha um nome, tinha operações regulares. Os pais não sabiam que era clandestino. Ninguém sabia.

Mark

E agora? O que acontece com a empresa?

Mimi

A investigação está em andamento. Mas a empresa tem um advogado que já disse que não vai se manifestar. Vai tudo para as vias administrativa e judicial. Enquanto isso, quarenta e nove pessoas foram atendidas, dez morreram, e as famílias estão tentando entender por que ninguém estava fiscalizando isso.

  • Um ônibus superlotado perdeu o controle nas curvas da BR-040 às quatro da manhã, deixando passageiros presos às ferragens em meio à escuridão da serra.
  • Dez pessoas morreram — incluindo uma criança de sete anos e uma gestante de quatro meses —, e o número de óbitos foi subindo hora a hora ao longo do domingo.
  • Sobreviventes relataram que passageiras chegaram a pedir ao motorista que diminuísse a velocidade antes do tombamento, pedidos que não foram atendidos.
  • A ANTT confirmou que o ônibus operava de forma clandestina: nenhuma das empresas associadas ao veículo possuía habilitação para transporte interestadual de passageiros.
  • Quarenta e nove vítimas foram atendidas no local e distribuídas entre hospitais de três cidades; a investigação corre na 105ª DP de Petrópolis para apurar responsabilidades.

Na madrugada de um domingo de agosto, cinquenta e seis pessoas seguiam de Belo Horizonte para Copacabana quando o ônibus que as transportava tombou nas curvas da Serra de Petrópolis. Dez não chegaram ao destino — entre elas uma menina de sete anos e uma jovem grávida de dezenove. O veículo operava à margem da lei, sem habilitação para o transporte interestadual, e sobreviventes relatam que pedidos para o motorista reduzir a velocidade foram ignorados. O acidente coloca em evidência, mais uma vez, o custo humano do transporte clandestino e a distância entre a regulação existente e sua efetiva aplicação.

Na madrugada de domingo, um ônibus de turismo tombou na Serra de Petrópolis, na BR-040, enquanto fazia o trajeto de Belo Horizonte a Copacabana com cinquenta e seis pessoas a bordo. Dez morreram. Entre as vítimas estavam Lavínia Eduarda, de sete anos, a mais jovem, e Ketelyn Polyane, de dezenove, grávida de quatro meses. Outras quatro mulheres também foram identificadas entre os mortos.

Gabriel Bernardes, companheiro de Ketelyn e pai do bebê que ela esperava, estava no segundo andar do ônibus. Ele sobreviveu e, mais tarde, na porta do IML de Petrópolis, descreveu o que viveu: o motorista seguia em alta velocidade pelas curvas da serra, algumas passageiras pediram para ele parar, e então o veículo saiu do controle. Gabriel recebeu alta ainda naquele domingo. Ketelyn não.

Os bombeiros chegaram às quatro e quarenta e dois da manhã e encontraram passageiros presos às ferragens. Em alguns pontos, foi preciso escavar para retirar os corpos. Duas pessoas foram resgatadas em estado grave. Os feridos foram distribuídos entre hospitais de Petrópolis, Duque de Caxias e Rio de Janeiro. O número de mortos foi crescendo ao longo do dia — sete confirmados de manhã cedo, chegando a dez até as dez horas.

A ANTT confirmou que o ônibus não tinha habilitação para transporte interestadual. O veículo estava registrado em nome de uma empresa e com comunicação de venda para outra — nenhuma delas autorizada. O adesivo da agência afixado no ônibus pertencia a uma terceira empresa, igualmente inapta. A Estrela Guia Turismo, apontada como responsável pela viagem e conhecida por organizar passeios frequentes entre Belo Horizonte e o Rio, não foi localizada como habilitada pela ANTT. Seu advogado informou que a empresa não se manifestaria publicamente.

A investigação segue na 105ª Delegacia de Petrópolis. Os corpos foram encaminhados para exames periciais em duas unidades diferentes. A pista foi liberada às sete e quarenta e cinco da manhã, após a remoção do veículo.

Na madrugada de domingo, um ônibus de turismo saiu da estrada na Serra de Petrópolis, na BR-040. Dez pessoas morreram. Entre elas estava Lavínia Eduarda Souza Dias, sete anos, a vítima mais jovem. Estava também Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, dezenove anos, grávida de quatro meses. Havia ainda Jhennifer Ferreira Carvalho, trinta e três anos; Luciana Ferreira Carvalho, cinquenta e três; Keyla Perucci da Silva, trinta e cinco; e Priscilla de Souza Braz, trinta e três. Seis das dez vítimas já haviam sido identificadas quando as famílias receberam a notícia. O veículo transportava cinquenta e seis pessoas — passageiros, motorista e dois ajudantes — saindo de Belo Horizonte com destino a Copacabana. Quarenta e nove vítimas foram atendidas no local do acidente.

Gabriel Bernardes estava no segundo andar do ônibus quando tudo aconteceu. Ele era o companheiro de Ketelyn e pai do bebê que ela esperava. Depois, na porta do Instituto Médico Legal de Petrópolis, Gabriel descreveu o que viveu: o veículo seguia em alta velocidade pelas curvas da serra. Algumas passageiras pediram ao motorista para parar. Ele perdeu o controle. Gabriel sobreviveu, foi atendido em uma unidade de saúde e recebeu alta à tarde daquele domingo. Ketelyn não sobreviveu.

Os bombeiros foram acionados às quatro e quarenta e dois da manhã. Encontraram passageiros presos às ferragens. Em alguns casos, precisaram fazer escavações para conseguir acessar e retirar os corpos. Duas pessoas foram resgatadas em estado grave. Outras doze apresentavam ferimentos moderados. Os feridos foram distribuídos entre hospitais de Petrópolis, Duque de Caxias e Rio de Janeiro. O Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, recebeu nove pacientes. O Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, recebeu quatorze vítimas, uma das quais morreu após a chegada.

O número de mortos subiu ao longo do dia. A Polícia Rodoviária Federal confirmou sete mortos às sete e cinco da manhã. Às oito e onze, confirmou a oitava morte. Depois o número subiu para nove e, às dez da manhã, chegou a dez. O Corpo de Bombeiros contabilizou apenas as mortes constatadas no local, portanto não incluiu vítimas que morreram durante o transporte ou após a chegada aos hospitais.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres confirmou que o ônibus não estava habilitado para realizar transporte interestadual de passageiros. O veículo, de placa AKY-3454, estava registrado em nome da Dinna Ellles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. Nenhuma das duas empresas era habilitada pela ANTT. O ônibus apresentava um adesivo da agência em nome da empresa Samara, que também estava inapta. A ANTT não localizou empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo, apontada como responsável pela viagem. A operação foi caracterizada como transporte clandestino de passageiros.

A Estrela Guia Turismo oferecia com frequência passeios de bate e volta entre Belo Horizonte e o Rio, com roteiros que incluíam a Praia de Copacabana. A empresa também organizava viagens em períodos de grande procura, como o réveillon, para passageiros que queriam acompanhar a virada do ano na orla. Cabo Frio estava entre os outros destinos oferecidos. O advogado Aroldo Leão Braz, que defende a Estrela Guia Turismo, afirmou que a empresa não faria manifestação sobre o caso e que eventuais posicionamentos seriam feitos apenas pelas vias administrativa ou judicial.

A investigação está em andamento na 105ª Delegacia de Polícia de Petrópolis. Os corpos de nove das vítimas fatais foram encaminhados ao Posto Regional de Polícia Técnico-Científica de Petrópolis para exames periciais. A décima vítima, ainda não identificada, foi socorrida com vida mas não resistiu aos ferimentos. Seu corpo foi encaminhado ao PRPTC de Nova Iguaçu. A Polícia Civil afirmou que diligências estão em andamento para apurar todas as circunstâncias do acidente. O prefeito de Petrópolis, Hingo Hammes, informou que a operação de socorro e resgate envolveu equipes do Samu de Petrópolis, Samu da Baixada, concessionária Elovias, Corpo de Bombeiros e Polícia Rodoviária Federal. A pista foi interditada no quilômetro 91 para a remoção do ônibus e liberada às sete e quarenta e cinco da manhã.

Eu estava no segundo andar e ele estava em alta velocidade, passando pelas curvas. Fiquei com medo e algumas passageiras pediram para parar o ônibus, mas aí ele perdeu o controle do veículo
— Gabriel Bernardes, companheiro de Ketelyn e sobrevivente do acidente
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