Desmatamento na Amazônia cai 36%, mas cerrado segue sob pressão

Perda de 160 milhões de árvores e destruição de habitat de biodiversidade em 2.874 km² de floresta amazônica e 5.119 km² de cerrado.
160 milhões de árvores desapareceram em um ano
Mesmo com a redução de 36%, o desmatamento amazônico continua em escala devastadora.
Mark

Por que o cerrado sofre tanta mais pressão que a Amazônia, se ambos são biomas brasileiros?

Mimi

A Amazônia ganhou proteção internacional e visibilidade política. O cerrado é onde o agronegócio está expandindo. A lei permite remover 80% da cobertura lá, contra 20% na floresta. É uma escolha política, não uma realidade geográfica.

Mark

Então a redução de 36% na Amazônia é realmente uma vitória?

Mimi

É uma reversão clara da escalada anterior. Mas 2.874 quilômetros quadrados ainda significam 160 milhões de árvores em um ano. A vitória é relativa — é parar de piorar, não de resolver.

Mark

Os números do Deter são confiáveis?

Mimi

Vêm sendo aperfeiçoados. Convergem cada vez mais com o Prodes, que é a medição oficial. A tendência de queda é clara em ambos os sistemas, então sim, podemos confiar na direção.

Mark

O que impede o governo de aplicar o mesmo modelo no cerrado?

Mimi

Não é impedimento técnico. É político. O cerrado é território do agronegócio. Aplicar fiscalização agressiva lá encontraria resistência muito maior que na Amazônia.

Mark

Então o cerrado vai continuar sendo devastado?

Mimi

A menos que haja mudança de prioridade política. Os instrumentos existem. O que falta é vontade de usá-los com a mesma intensidade.

  • A Amazônia perdeu mais de 160 milhões de árvores em doze meses — mesmo com a maior queda no desmatamento em uma década, a escala da destruição diária permanece perturbadora.
  • O cerrado sofre uma crise desproporcional e quase invisível: com metade da extensão da Amazônia, registrou 78% mais supressão vegetal no mesmo período, totalizando 5.119 km².
  • A legislação agrava o desequilíbrio — enquanto na Amazônia só é permitido cortar 20% da cobertura, no cerrado a lei autoriza remover até 80%, abrindo caminho para o avanço do agronegócio.
  • O governo já tem um modelo comprovado: fiscalização ativa, embargo de áreas ilegais e restrição de crédito funcionaram na Amazônia — o desafio urgente é transpor essa receita para o cerrado antes que seja tarde.

Sob o governo Lula, a Amazônia registrou em agosto de 2026 o menor índice de desmatamento em uma década — 2.874 km², uma queda de 36% —, sinalizando que políticas de fiscalização ativa podem dobrar a curva da destruição. Mas enquanto a floresta tropical ganha proteção e visibilidade, o cerrado, coração do agronegócio brasileiro, sangra em silêncio: proporcionalmente à sua área, a devastação é quase quatro vezes maior. A vitória parcial revela tanto o poder da vontade política quanto o custo de escolher quais paisagens merecem ser salvas.

Em agosto de 2026, o governo Lula divulgou um resultado que poucos esperavam ver tão cedo: o desmatamento na Amazônia caiu 36% entre agosto de 2025 e julho de 2026, chegando a 2.874 km² — o menor índice desde 2015, quando o Inpe começou a série histórica. Para entender a dimensão da virada, basta lembrar que nos últimos meses do governo Bolsonaro a devastação atingiu 8.590 km², quase o triplo do número atual.

Os dados vêm do sistema Deter, que monitora o desmatamento em tempo real. Não são a medição oficial — essa cabe ao Prodes, publicada normalmente em novembro —, mas as duas metodologias convergem cada vez mais, e a tendência de queda é inegável. Ainda assim, a magnitude da perda impressiona: cada km² de floresta amazônica abriga cerca de 56 mil árvores, o que significa que mais de 160 milhões delas desapareceram nos doze meses medidos — uma média de 443 mil por dia.

A sombra sobre essa conquista tem nome: cerrado. Enquanto a Amazônia concentra atenção e recursos de fiscalização, a savana brasileira sofreu uma redução de apenas 8% no desmatamento, com 5.119 km² de supressão vegetal. O cerrado tem metade da extensão da Amazônia, mas foi proporcionalmente quatro vezes mais devastado. A legislação explica parte do problema: na Amazônia, proprietários podem cortar 20% da cobertura; no cerrado, a lei permite 80%, refletindo o peso político do agronegócio que avança sobre o bioma.

O governo já conhece as ferramentas que funcionam — fiscalização ativa, embargo de áreas com cortes ilegais, restrição de crédito para desmatadores, repasse de recursos a municípios. Tudo foi testado e comprovado na Amazônia. O desafio agora é adaptar esse modelo ao cerrado, antes que a aniquilação acelerada de um dos biomas mais ricos do planeta se torne irreversível.

O governo Lula anunciou em agosto de 2026 uma redução significativa no desmatamento da Amazônia: a floresta perdeu 2.874 quilômetros quadrados entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma queda de 36% em relação ao período anterior. É o menor índice registrado desde 2015, quando começou a série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Para colocar o número em perspectiva, durante os últimos meses da administração Bolsonaro, a devastação atingiu 8.590 quilômetros quadrados — quase o triplo do que se vê agora.

Os dados vêm do sistema Deter do Inpe, que monitora o desmatamento em tempo real e orienta operações de fiscalização. Não é a medição oficial — essa responsabilidade cabe ao programa Prodes, que usa diferentes imagens de satélite e publica seus números normalmente em novembro. Mas o Deter vem sendo aperfeiçoado ao longo dos anos, e as duas metodologias agora convergem mais. A tendência de queda é inegável, e marca uma reversão clara da escalada que ocorreu durante o governo anterior.

A magnitude da destruição, porém, permanece assustadora mesmo com a redução. Cada quilômetro quadrado de floresta amazônica contém aproximadamente 56 mil árvores com tronco de pelo menos 10 centímetros de diâmetro. Nos doze meses medidos, mais de 160 milhões de árvores desapareceram — uma média de 443 mil por dia. O número é ao mesmo tempo uma vitória de política ambiental e um testemunho contínuo da escala do problema.

Mas há uma sombra sobre essa notícia. Enquanto a Amazônia recebe atenção e recursos de fiscalização, o cerrado segue sob pressão muito maior. A redução no cerrado foi de apenas 8%, com 5.119 quilômetros quadrados de supressão vegetal. O problema é desproporcional: o cerrado tem metade da extensão da Amazônia, mas sofreu 78% mais desmatamento no mesmo período. Proporcionalmente à sua área, a devastação é quase quatro vezes maior.

A legislação explica parte dessa disparidade. Na Amazônia, proprietários podem cortar 20% da cobertura vegetal. No cerrado, a lei permite remover 80%. Essa diferença legal reflete uma realidade política: o cerrado é o coração do agronegócio brasileiro, e a pressão para expandir pastagens e plantações é imensa. Enquanto a floresta tropical ganhou visibilidade internacional e proteção institucional, a savana brasileira segue sendo tratada como espaço disponível para exploração.

O governo já conhece a receita para conter o desmatamento. Fiscalização ativa funciona. Embargo de áreas que sofreram cortes ilegais funciona. Restrição de crédito para desmatadores funciona. Repasse de recursos para municípios combaterem o problema funciona. Tudo isso foi testado e comprovado na Amazônia. O desafio agora é adaptar esse modelo — no que for viável — para o cerrado, antes que a aniquilação acelerada do bioma se torne irreversível.

A boa-nova exige contextualização para aquilatar-lhe o devido significado, mas não desmerece o sucesso nessa área sensível
— Análise editorial
A receita para conter o desmatamento já se conhece: fiscalização atuante, embargo de áreas produtivas com derrubadas ilegais, restrição de crédito a desmatadores
— Análise editorial
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