Desenrola 3.0 muda estratégia: União compra dívidas em leilões e repassa desconto mínimo de 90% diretamente ao devedor, diferente das fases anteriores. Programa elegível para dívidas de até R$ 10 mil com atraso entre 720 e 1.645 dias, podendo beneficiar até 15 milhões de pessoas com R$ 150 bilhões em dívidas.
Desenrola 3.0: governo compra dívidas em leilão e repassa até 90% de desconto
O governo repassa integralmente o desconto obtido ao devedor
Por que o governo decidiu entrar como comprador de dívidas agora? Nas fases anteriores funcionava bem.
Porque nas fases anteriores a negociação dependia de cada credor aceitar fazer desconto. Muitos não aceitavam, ou ofereciam descontos pequenos. Agora o governo compra a carteira inteira em leilão, força o desconto mínimo de 90%, e repassa tudo ao devedor. É mais eficiente.
Mas espera — o governo vai gastar R$ 15 bilhões para comprar R$ 150 bilhões em dívidas. Isso significa que os credores estão vendendo por 10% do valor nominal? Eles aceitam isso?
Sim, porque essas dívidas estão vencidas há dois anos ou mais. Para o credor, 10% de algo que não vai receber é melhor que zero. E o governo quer limpar o mercado de crédito.
E o devedor? Se a dívida dele era R$ 10 mil, ele paga R$ 1 mil?
Exatamente. Ou paga à vista e mantém o desconto, ou parcela o R$ 1 mil com juros que ainda vão ser definidos.
Mas aqui está o ponto — o governo está assumindo o risco de crédito. Se o devedor não pagar nem os R$ 1 mil, quem perde?
A União. É um programa de política pública, não uma operação de mercado. O objetivo é limpar a inadimplência e devolver essas pessoas ao mercado de crédito.
Quantas pessoas isso vai atingir realmente?
Até 15 milhões, segundo a estimativa. Mas isso é o potencial máximo. Depende de quantas dívidas os credores vão oferecer nos leilões.
E aí está a incerteza real. A gente não sabe se os credores vão oferecer as carteiras mais problemáticas ou se vão guardar as melhores. Os números do governo são estimativas, não garantias.
El Pulso
- Desenrola 3.0 publicado em 25 de setembro de 2026 por medida provisória
- Desconto mínimo de 90% em leilões de carteiras de dívidas inadimplidas
- Até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis, beneficiando até 15 milhões de pessoas
- Dívidas de até R$ 10 mil com atraso entre 720 e 1.645 dias
- 83,9 milhões de pessoas negativadas no Brasil em agosto de 2026
Desenrola 3.0 muda estratégia: União compra dívidas em leilões e repassa desconto mínimo de 90% diretamente ao devedor, diferente das fases anteriores. Programa elegível para dívidas de até R$ 10 mil com atraso entre 720 e 1.645 dias, podendo beneficiar até 15 milhões de pessoas com R$ 150 bilhões em dívidas.
O governo lança terceira fase do programa de renegociação de dívidas, comprando carteiras inadimplidas em leilões e repassando integralmente descontos de até 90% aos devedores, visando beneficiar até 15 milhões de pessoas.
Na sexta-feira 25 de setembro, o governo federal publicou uma medida provisória que muda fundamentalmente a forma como o Brasil vai lidar com suas dívidas familiares. O Desenrola 3.0, terceira fase de um programa de renegociação que já alcançou cerca de 25 milhões de pessoas, introduz um mecanismo inédito: a União vai comprar carteiras inteiras de dívidas inadimplidas em leilões e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido na operação. Nas duas fases anteriores, a negociação acontecia diretamente entre credores e devedores, sem intermediação estatal. Agora o governo entra como comprador, alterando completamente a dinâmica.
O programa tem escala ambiciosa. O governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis, com potencial para beneficiar até 15 milhões de pessoas. Para participar, a dívida precisa ter valor original de até R$ 10 mil, estar em atraso entre 720 e 1.645 dias (contados a partir de 25 de setembro de 2026), e pode ser tanto de origem bancária quanto não bancária. Essa última categoria inclui débitos com empresas de água, energia, telefonia e varejo — segmentos que representam cerca de 55% do estoque total de inadimplência.
O mecanismo funciona em seis etapas bem definidas. A União realiza leilões para comprar as carteiras de dívidas. Os credores apresentam propostas de desconto. As propostas são classificadas pelo maior deságio oferecido. O desconto obtido pela União é repassado integralmente ao devedor. O consumidor então escolhe entre quitar o saldo à vista ou parcelá-lo. No caso de parcelamento, as condições ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional. O deságio mínimo exigido nos leilões é de 90%, o que significa que uma dívida de R$ 10 mil, se adquirida pela União com esse desconto mínimo, seria renegociada por R$ 1 mil.
Os números que contextualizam essa iniciativa revelam a profundidade do problema de inadimplência no país. Em agosto de 2026, havia R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando débitos com até cinco anos de atraso. Esse montante afetava 83,9 milhões de pessoas negativadas, cada uma com média de quatro dívidas e valor médio de R$ 7 mil por pessoa. A dívida média individual era de R$ 1,7 mil. Entre os negativados, 56% eram mulheres. O programa Desenrola 3.0 vai trabalhar com uma parcela desse universo — os R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis representam apenas 25% do estoque total.
O cronograma de implementação está estruturado para começar imediatamente. Em novembro de 2026, será publicado o chamamento para apresentação das propostas. Em dezembro, os credores entregam as propostas. Em janeiro de 2027, as propostas selecionadas serão homologadas. Em fevereiro de 2027, os contratos serão assinados e o repasse dos descontos aos devedores terá início. A partir desse mesmo mês, os consumidores poderão começar a quitar o saldo à vista ou parcelá-lo conforme as regras que ainda serão estabelecidas.
O investimento necessário para essa operação é substancial. O governo estima um custo máximo de R$ 15 bilhões para a aquisição das carteiras pela União, com expectativa de que até R$ 75 bilhões em dívidas sejam efetivamente renegociadas. Os recursos deverão ser previstos nos Projetos de Lei Orçamentária Anual de 2027 e 2028. Essa estrutura de financiamento plurianual reflete a magnitude da operação e a necessidade de planejamento orçamentário cuidadoso.
O que distingue o Desenrola 3.0 das fases anteriores é exatamente essa mudança de lógica. Nas duas primeiras fases, o programa alcançou mais de 13,5 milhões de operações de renegociação e movimentou R$ 75 bilhões em dívidas. A primeira fase, voltada a dívidas negativadas desde 2019, beneficiou 15 milhões de pessoas com R$ 53 bilhões renegociados. A segunda fase, focada em dívidas bancárias com 90 dias a dois anos de atraso, atendeu 10 milhões de pessoas com R$ 22 bilhões renegociados. Agora, com a União como intermediária compradora, o governo busca ampliar ainda mais o alcance e garantir que o desconto obtido na compra chegue integralmente ao devedor, sem margem para intermediários.
Citas Notables
A União poderá comprar em leilões carteiras de dívidas inadimplidas e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido na operação— Medida provisória do Desenrola 3.0
Nas duas primeiras fases do programa, a renegociação dependia da negociação entre consumidores e credores. Na terceira etapa, a lógica muda: o governo passa a atuar diretamente na compra das carteiras de dívidas— Estrutura do programa