Nas águas de um lago fronteiriço entre os Estados Unidos e o Canadá, décadas de debate científico chegaram a um fim: os tumores que afligem 90% dos peixes da espécie Ameiurus nebulosus no lago Memphremagog não são fruto de contaminação química, mas de um câncer que aprendeu a saltar de corpo em corpo como um parasita. A descoberta, confirmada por análise genômica, coloca esse fenômeno ao lado do diabo-da-tasmânia como apenas o segundo caso conhecido de câncer infeccioso transmissível entre animais — e nos convida a repensar os limites entre doença, organismo e evolução.