Campopiano, afilhada política de Lucas Pavanato, recebeu 1.956.238 votos e planeja disputar vaga na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. A deputada eleita defende agenda conservadora: oposição ao aborto, endurecimento de penas, direito ao porte de armas e rejeição à tipificação de feminicídio.
Deputada mais votada de SP promete confronto com feministas na Assembleia
A guerra tá só começando, diz deputada de 23 anos eleita com 1,9 milhão de votos
Como uma deputada de 23 anos consegue 1,9 milhão de votos em São Paulo? Isso é incomum?
Ela tinha uma máquina de campanha bem financiada — 755 mil reais, 90% do diretório nacional do PL — e focou tudo em impulsionamento na internet. Sua equipe era jovem, principalmente pessoas nos 20 anos. Parece que conectou com um eleitorado específico.
Mas qual eleitorado? O texto diz que ela representa "Deus, pátria, família e liberdade", mas não explica quem votou nela. Sabemos os números, mas não sabemos o perfil demográfico ou geográfico dos eleitores.
Ela promete "barrar" propostas feministas. Isso é poder que uma deputada tem?
Não exatamente. Uma deputada pode votar contra propostas, pode não apoiar, pode fazer discursos contra. Mas "barrar" sugere um poder de veto que ela não tem sozinha. Precisa de maioria.
Exato. E o texto não diz qual é a composição atual da Assembleia. Quantos deputados conservadores ela tem ao lado? Quantos feministas? Sem isso, a promessa dela soa mais como posicionamento político do que como plano viável.
Ela rejeita a categoria de feminicídio. Qual é o argumento dela?
Ela diz que esses crimes são passionais, motivados por posse, não por misoginia. E usa um argumento lógico: se as mulheres fossem mortas apenas por serem mulheres, as mães e irmãs dos agressores seriam vítimas também.
Esse argumento tem um problema. Ela está confundindo "motivação" com "categoria legal". Feminicídio não significa que o homem mata porque odeia todas as mulheres — significa que mata porque a vítima é mulher, dentro de uma relação de poder. Mães e irmãs não estão na mesma posição de vulnerabilidade que uma parceira. O texto não deixa claro se ela entende essa diferença.
Ela defende porte de armas como proteção para mulheres. Isso funciona?
Ela acredita que sim. Mas o texto não traz dados sobre efetividade. É uma posição ideológica.
E é uma posição que contrasta com sua rejeição ao feminicídio como categoria. Se ela quer que mulheres se protejam com armas, está reconhecendo que há um risco específico. Mas se nega que haja um padrão de violência contra mulheres por serem mulheres, há uma contradição aí que o texto não explora.
Qual é a próxima batalha dela na Assembleia?
Ela quer disputar uma vaga na Mesa Diretora e barrar o projeto de criminalização da misoginia. Também quer atuar contra o aborto e as cotas raciais.
Mas novamente — o texto não diz se esses projetos têm chance de passar, se há apoio para eles, ou qual é o cenário político real. Sabemos o que ela quer fazer, mas não sabemos em que contexto ela vai tentar fazer.
Der Puls
- Eduarda Campopiano, 23 anos, eleita deputada estadual mais votada de SP com 1.956.238 votos
- Afilhada política de Lucas Pavanato (PL), vereador paulistano
- Campanha arrecadou R$ 755 mil, 90% do diretório nacional do PL, focado em internet
- Promete barrar propostas feministas, rejeita tipificação de feminicídio e defende porte de armas
- Eleita vereadora de Praia Grande em 2024 com 3.583 votos; não declarou bens ao TSE
Campopiano, afilhada política de Lucas Pavanato, recebeu 1.956.238 votos e planeja disputar vaga na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. A deputada eleita defende agenda conservadora: oposição ao aborto, endurecimento de penas, direito ao porte de armas e rejeição à tipificação de feminicídio.
Eduarda Campopiano (PL), 23, eleita deputada estadual mais votada de São Paulo com 1,9 milhão de votos, afirma que vai barrar propostas feministas e se opor à criminalização da misoginia durante seu mandato.
Eduarda Campopiano tinha 23 anos quando se tornou a deputada estadual mais votada de São Paulo, acumulando 1.956.238 votos nas eleições de 2026. Na noite de domingo, 4 de outubro, conversando com a reportagem numa estrada entre Praia Grande e a capital, ela foi direto ao ponto: "A guerra tá só começando", disse, referindo-se ao confronto que pretende travar com parlamentares que defendem pautas feministas durante seu mandato na Assembleia Legislativa.
Campopiano, afilhada política do vereador paulistano Lucas Pavanato, do PL, prometeu barrar o que classifica como propostas "absurdas" de deputadas alinhadas ao movimento feminista. Citou especificamente o projeto de criminalização da misoginia, em discussão no Congresso, como exemplo de iniciativa à qual faria oposição. Também sinalizou interesse em disputar uma vaga na Mesa Diretora da casa legislativa. Seu resultado eleitoral superou suas próprias expectativas — ela e sua equipe só consultaram a apuração quando 96% das urnas já estavam contabilizadas.
A deputada eleita definiu sua agenda como representante de um eleitorado conservador, identificado com o lema "Deus, pátria, família e liberdade". Sustenta que o feminismo é um movimento político e ideológico de esquerda, e atribui os ataques que recebe à divergência ideológica com suas integrantes. "Todo mérito que qualquer mulher conquista, as feministas tentam usurpar para elas", afirmou. "Eu discordo disso, eu acredito que o mérito é individual." Essa visão permeia suas prioridades legislativas: oposição ao aborto em todas as circunstâncias, endurecimento de penas, direito ao porte de armas e rejeição à tipificação de feminicídio como crime específico.
Sobre o aborto, Campopiano foi precisa em sua formulação: "Eu não quero que o aborto seja proibido, eu quero que o aborto seja impensável". Planeja viabilizar atendimento a gestantes para desistirem do procedimento, divulgar a entrega legal para adoção e atuar contra clínicas clandestinas. Quanto aos assassinatos de mulheres por parceiros, ela rejeita a categoria de feminicídio, argumentando que esses crimes devem ser compreendidos como crimes passionais, motivados pelo sentimento de posse dentro do relacionamento. "Se as mulheres fossem mortas de fato apenas por serem mulheres, provavelmente as mães, as irmãs desses homens que cometem esse crime seriam as primeiras vítimas", disse. Reconhece a necessidade de combater essas mortes, mas sustenta que a resposta deve se concentrar no endurecimento de penas.
Campopiano também defende o direito ao porte de armas de fogo como medida de proteção das mulheres contra a violência, é contrária às cotas raciais e se opõe a iniciativas para reconhecer formalmente a prostituição como profissão. Sua campanha para deputada estadual arrecadou aproximadamente 755 mil reais, dos quais mais de 90% vieram do diretório nacional do PL. A maior parte dos gastos foi destinada ao impulsionamento de conteúdo na internet. A organização da campanha foi formada principalmente por pessoas na faixa dos 20 anos — seu noivo, de 21 anos, coordenou os trabalhos.
"É uma geração nova. A gente sabia que a gente ia chegar com força, mas a gente não sabia que a gente ia chegar com tanta força", afirmou. Campopiano havia sido eleita vereadora de Praia Grande em 2024 com 3.583 votos. Não declarou bens ao Tribunal Superior Eleitoral. Seu mandato na Assembleia Legislativa começará com essa promessa de confronto direto com a bancada feminista — uma posição que ela apresenta não como oposição ao direito das mulheres, mas como defesa de uma visão alternativa sobre como as mulheres devem ser representadas e protegidas.
Bemerkenswerte Zitate
Todo mérito que qualquer mulher conquista, as feministas tentam usurpar para elas. Eu discordo disso, eu acredito que o mérito é individual.— Eduarda Campopiano
Eu não quero que o aborto seja proibido, eu quero que o aborto seja impensável.— Eduarda Campopiano