Após oito décadas de ausência, o Brasil retorna a um dos postos mais influentes da ciência global: Denise Pires de Carvalho, médica, reitora pioneira e presidente da Capes, foi indicada para Vice Diretora-Geral de Ciências da Unesco. A escolha não é apenas simbólica — ela projeta o país para o centro das decisões sobre cooperação científica internacional, ética da inteligência artificial e equidade no acesso ao conhecimento. Em tempos em que a ciência é disputada como instrumento de soberania, a trajetória de Carvalho sugere que o Brasil chega a essa mesa com uma voz própria e uma visão de mun
Denise Pires de Carvalho é primeira brasileira a ocupar cargo de vice-presidente de ciências da Unesco
Quem nega a ciência, nega o desenvolvimento da nação
Por que essa nomeação importa agora, especificamente?
Porque o Brasil nunca havia ocupado esse cargo em 81 anos. É a primeira vez desde 1945 que um brasileiro chega a essa posição na Unesco. Isso não é apenas simbólico — é uma oportunidade de influenciar como a ciência global é pensada e financiada.
Mas qual é exatamente o poder dessa vice-diretoria? Ela tem orçamento próprio? Pode tomar decisões unilaterais?
A Diretoria-Geral para Ciências coordena programas de cooperação internacional e implementa iniciativas das Nações Unidas em ciências naturais e sociais. Não é poder executivo puro, mas é influência sobre prioridades globais.
E o que Denise traz de específico para esse cargo?
Ela tem experiência em gestão de pesquisa, cooperação sul-sul, e trabalhou com questões de equidade e governança inclusiva. A Unesco destacou exatamente isso na indicação.
A fonte menciona que ela defende cooperação sul-sul e internacionalização dos programas brasileiros. Mas há números? Quantos acordos foram feitos? Quanto cresceu a cooperação?
A fonte não fornece números específicos. Ela cita que a Capes "defendeu a interação sul-sul" e "internacionalizou cada vez mais" os programas, mas sem métricas concretas.
E quanto à questão da ética da inteligência artificial que você mencionou?
É uma das responsabilidades da Diretoria-Geral para Ciências — fazer recomendações sobre ética da IA. É um tema crescente nas discussões globais.
Mas não sabemos ainda qual será a posição do Brasil ou de Denise especificamente sobre isso?
Não. A fonte não detalha sua visão sobre IA ou como ela pretende abordar essas questões na Unesco.
Qual é o histórico dela que a qualifica melhor?
Médica, professora titular em Biofísica na UFRJ, primeira mulher reitora da universidade em 2019, passou pela Secretaria de Educação Superior do MEC, e agora preside a Capes desde fevereiro de 2024.
Então ela tem menos de dois anos como presidente da Capes quando recebe essa nomeação internacional. É rápido.
É. Mas a Unesco baseou a indicação na experiência dela em liderança e gestão de pesquisa — não apenas no tempo na Capes.
El Pulso
- Pela primeira vez desde 1945, o Brasil ocupará a vice-direção de Ciências da Unesco — uma lacuna de oito décadas que a indicação de Denise Pires de Carvalho agora encerra.
- A escolha recai sobre uma cientista que já quebrou barreiras antes: em 2019, Carvalho tornou-se a primeira mulher a ocupar a reitoria da UFRJ, uma das maiores universidades do país.
- A Unesco destacou especificamente seu compromisso com equidade de gênero, acesso inclusivo à ciência e cooperação sul-sul — dimensões que ganham peso crescente nas disputas sobre quem define as prioridades globais de pesquisa.
- O cargo coloca o Brasil no coração de debates urgentes, como as recomendações internacionais sobre ética da inteligência artificial, área em que a Unesco já exerce papel normativo central.
- Para Carvalho, a nomeação é extensão direta do que o Brasil construiu: ela vê na cooperação com América Latina, Caribe e África um modelo de multilateralismo científico que o país pode agora exportar ao mundo.
Após oito décadas de ausência, o Brasil retorna a um dos postos mais influentes da ciência global: Denise Pires de Carvalho, médica, reitora pioneira e presidente da Capes, foi indicada para Vice Diretora-Geral de Ciências da Unesco. A escolha não é apenas simbólica — ela projeta o país para o centro das decisões sobre cooperação científica internacional, ética da inteligência artificial e equidade no acesso ao conhecimento. Em tempos em que a ciência é disputada como instrumento de soberania, a trajetória de Carvalho sugere que o Brasil chega a essa mesa com uma voz própria e uma visão de mundo a oferecer.
Denise Pires de Carvalho está prestes a ocupar um posto que nenhum brasileiro havia alcançado em oito décadas. A cientista e atual presidente da Capes foi indicada para Vice Diretora-Geral de Ciências da Unesco — a primeira brasileira a chegar a essa posição desde a fundação das Nações Unidas, em 1945.
A Unesco justificou a escolha pela trajetória de Carvalho em liderança científica, gestão de pesquisa e cooperação internacional, com atenção especial às dimensões sociais da ciência: acesso equitativo, igualdade de gênero e governança inclusiva. Médica formada pela UFRJ, onde é professora titular de Biofísica, ela já havia marcado história em 2019 ao se tornar a primeira mulher a reitorar a universidade. Passou pelo Ministério da Educação entre 2023 e 2024 antes de assumir a presidência da Capes em fevereiro de 2024.
Ao comentar a indicação, Carvalho apontou o trabalho recente da Capes como antecipação do que levará à Unesco: o investimento em cooperação sul-sul na pós-graduação, a internacionalização dos programas brasileiros e o aprofundamento das relações com América Latina, Caribe e países africanos. Para ela, essa visão de ciência voltada para as pessoas e ancorada no multilateralismo é a contribuição que o Brasil pode oferecer ao organismo internacional.
A Diretoria-Geral para Ciências da Unesco, da qual Carvalho será vice-diretora, coordena a cooperação científica global e implementa programas nas áreas de Ciências Naturais e Ciências Sociais e Humanas — incluindo recomendações sobre ética da inteligência artificial, tema cada vez mais central nas discussões sobre tecnologia e sociedade.
O Ministério das Relações Exteriores celebrou a nomeação, expressando confiança de que Carvalho contribuirá para fortalecer o papel da ciência na promoção da paz, da equidade e do desenvolvimento humano. Além da Capes, ela preside o Conselho Científico do Institut de Recherche pour le Développement (IRD), da França. Sua chegada à Unesco posiciona o Brasil para influenciar as prioridades globais de pesquisa nos próximos anos — e recoloca o país no mapa da governança científica internacional.
Denise Pires de Carvalho está prestes a assumir um cargo que nenhum brasileiro havia ocupado em oito décadas. A cientista, atualmente presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foi indicada para Vice Diretora-Geral de Ciências da Unesco — a primeira brasileira a chegar a essa posição desde a fundação das Nações Unidas em 1945.
A Unesco justificou a escolha destacando a trajetória de Carvalho em liderança e gestão de pesquisa. A organização internacional ressaltou seu trabalho na avaliação de programas científicos e na cooperação internacional, bem como sua atenção às dimensões sociais da ciência: acesso equitativo, igualdade de gênero e governança institucional inclusiva. Médica formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também é professora titular do departamento de Biofísica, Carvalho traz uma carreira marcada por posições de destaque. Em 2019, tornou-se a primeira mulher a reitora da UFRJ. Depois passou pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação entre 2023 e 2024, antes de assumir a presidência da Capes em fevereiro de 2024.
Ao comentar a indicação, Carvalho descreveu o trabalho que a Capes desenvolveu nos últimos três anos como um reflexo do que ela levará à Unesco. Ela enfatizou o investimento em cooperação sul-sul no nível da pós-graduação, a internacionalização crescente dos programas brasileiros e a intensificação das relações com América Latina, Caribe e países africanos. Para ela, essa abordagem — que reforça o multilateralismo e uma ciência voltada para as pessoas — é o que o Brasil pode oferecer ao organismo internacional.
Carvalho também articulou uma visão clara sobre o papel da ciência no desenvolvimento nacional. Ela argumenta que não existe caminho para o Brasil se tornar um país desenvolvido que não passe pela ciência. Em suas palavras, negar a ciência é negar o desenvolvimento da nação. Ela observa que nenhum país é independente sem universidades, e que todos os países mais desenvolvidos do mundo chegaram aonde estão porque investiram em ciência. Para ela, o Brasil começou esse processo de verdadeira independência muito tardiamente.
A Diretoria-Geral para Ciências da Unesco, órgão que Carvalho agora integrará como vice-diretora, é responsável pela promoção da cooperação científica internacional e pela implementação de programas das Nações Unidas nas áreas de Ciências Naturais e Ciências Sociais e Humanas. Entre suas atribuições estão recomendações sobre ética da inteligência artificial — um tema cada vez mais central nas discussões globais sobre tecnologia e sociedade.
O Ministério de Relações Exteriores do Brasil celebrou a indicação, expressando confiança de que a atuação de Carvalho contribuirá para fortalecer as ciências e seu papel na promoção da paz, da equidade, da sustentabilidade e do desenvolvimento humano. Além da presidência da Capes, Carvalho também preside o Conselho Científico do Institut de Recherche pour le Développement (IRD), da França, e participa de redes de cooperação acadêmica e científica de alcance regional e global. Sua nomeação marca um reconhecimento internacional da expertise brasileira em gestão científica e, simultaneamente, posiciona o país para influenciar as prioridades globais de pesquisa e cooperação nos próximos anos.
Citas Notables
Nesses últimos três anos, o que o Brasil fez, a Capes fez, foi defender a interação sul-sul no nível da pós-graduação, internacionalizar cada vez mais os programas de pós-graduação do país— Denise Pires de Carvalho
Não há país independente sem universidades. Não há país independente sem ciência— Denise Pires de Carvalho