Defesa de ex-assessor critica investigação de Moraes sobre vazamento de mensagens

Se ele não é vítima, é uma boa testemunha
Advogado de Tagliaferro nega vazamento e reposiciona cliente como potencial aliado da investigação.
Mark

Por que um ministro do Supremo estaria investigando um caso em que ele próprio é vítima? Isso não é um conflito óbvio?

Mimi

Formalmente, porque o inquérito foi classificado como relacionado ao das fake news, que já estava sob relatoria de Moraes. Mas a defesa de Tagliaferro questiona exatamente isso — a acumulação de papéis.

Luke

Espera. Ele é vítima, investigado, juiz, promotor e delegado? Preciso ver como isso está documentado. A crítica do advogado é clara, mas a questão legal de se isso é permitido ou não ainda está em aberto?

Mimi

Sim. O que sabemos é que Moraes abriu o inquérito, que Tagliaferro foi intimado, que um celular foi apreendido. A defesa nega o vazamento.

Mark

E quanto ao primeiro celular? Por que foi apreendido?

Mimi

Pela Polícia Civil, em um caso de violência doméstica. Quando devolvido, Tagliaferro achou que estava adulterado — travas, bateria ruim — então descartou e comprou um novo.

Luke

Então temos dois aparelhos apreendidos em contextos diferentes. O primeiro por violência doméstica, o segundo por ordem de Moraes nesta investigação. Isso é relevante para entender se há ou não evidência de vazamento?

Mimi

Ainda não sabemos. A PF está investigando. O que temos é a negação de Tagliaferro e a crítica do advogado à condução.

Mark

O advogado também representa ex-assessores de Bolsonaro em casos de Moraes. Isso muda algo?

Luke

Muda a percepção de parcialidade, mas não muda os fatos do caso. É um detalhe importante para contexto, mas não é prova de nada.

Mimi

Exatamente. E há apoio público de Barroso e Gilmar Mendes a Moraes, o que sugere que a questão não é vista como tão clara assim por outros ministros.

  • Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da assessoria antidesinformação do TSE, teve seu segundo celular apreendido em semanas — desta vez por ordem do ministro Moraes, figura central no caso que ele próprio investiga.
  • O inquérito nasceu após a Folha revelar que o gabinete de Moraes teria ordenado informalmente ao TSE a produção de relatórios para embasar decisões contra bolsonaristas em 2022, tocando num nervo sensível sobre a fronteira entre coordenação institucional e ilegalidade.
  • A defesa de Tagliaferro nega o vazamento e aponta uma contradição incômoda: Moraes ocupa ao mesmo tempo os papéis de vítima, investigado, juiz, promotor e delegado do caso.
  • Enquanto Moraes afirmou publicamente que nenhuma reportagem o preocupa e que tudo está documentado, a questão sobre quem deveria conduzir esse inquérito permanece sem resposta clara.
  • A investigação segue aberta, com a PF buscando a origem do vazamento e a natureza das comunicações entre as duas instituições — e o debate sobre a propriedade do arranjo institucional ganha força a cada novo desdobramento.

Em São Paulo, um ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral voltou a ter seu celular apreendido pela Polícia Federal, desta vez por ordem do próprio ministro cujo gabinete está no centro da controvérsia. O caso revela uma tensão mais profunda sobre os limites entre instituições e os papéis que um mesmo agente pode acumular num Estado de direito — ser vítima, juiz e condutor de uma mesma investigação é uma equação que a democracia raramente resolve sem custo.

Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, compareceu à Polícia Federal em São Paulo para prestar esclarecimentos sobre mensagens vazadas que envolvem seu antigo gabinete e assessores do ministro Alexandre de Moraes no STF. Ao sair da delegacia, teve um novo celular apreendido — o segundo confiscado em poucas semanas — por ordem do próprio Moraes.

O inquérito foi aberto sob sigilo após a Folha revelar que o gabinete de Moraes teria ordenado informalmente ao TSE a produção de relatórios para embasar decisões contra bolsonaristas no inquérito das fake news em 2022. A investigação toca numa questão delicada: se houve coordenação irregular entre as duas instituições e se essa coordenação ultrapassou os limites da legalidade.

O advogado Eduardo Kuntz, ao sair da PF, afirmou que seu cliente nega categoricamente o vazamento e o descreveu como alguém que, ao questionar seus superiores sobre a legalidade das tarefas, foi orientado a prosseguir e simplesmente cumpriu o que lhe foi solicitado. Kuntz foi além e criticou duramente a condução do caso: segundo ele, Moraes acumula simultaneamente os papéis de vítima, investigado, juiz, promotor e delegado — uma concentração de funções que o advogado considera excessiva e problemática.

O primeiro celular de Tagliaferro havia sido apreendido pela Polícia Civil após sua prisão por suspeita de violência doméstica. Devolvido com defeitos, foi descartado e substituído — e foi esse novo aparelho que Moraes ordenou entregar à polícia. O inquérito sobre o vazamento está formalmente sob relatoria de Moraes por ter sido classificado como conexo ao inquérito das fake news, já de sua responsabilidade. Na véspera, durante sessão do STF, o ministro afirmou que nenhuma reportagem o preocupava e que a lisura dos procedimentos estava garantida. Os ministros Barroso e Gilmar Mendes manifestaram apoio público ao colega.

A questão central — se houve ou não coordenação irregular entre as instituições, e se Moraes deveria conduzir um inquérito no qual é figura simultaneamente central e investigadora — permanece em aberto.

Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral, compareceu à Polícia Federal em São Paulo na quinta-feira para prestar esclarecimentos sobre um vazamento de mensagens que envolveu seu antigo gabinete e assessores do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal. Ao sair da delegacia, teve um novo celular apreendido por ordem do próprio Moraes — o segundo aparelho seu a ser confiscado em poucas semanas.

O inquérito que investiga esse vazamento foi aberto por Moraes na segunda-feira anterior, sob sigilo, após a Folha de S.Paulo revelar que o gabinete do ministro havia ordenado, de forma não oficial e por mensagens, que o TSE produzisse relatórios destinados a embasar decisões de Moraes contra bolsonaristas no inquérito das fake news em 2022. A investigação toca em questão delicada: se houve ou não uma operação coordenada entre as duas instituições, e se essa coordenação ultrapassou os limites da legalidade.

Eduardo Kuntz, advogado de Tagliaferro, saiu da sede da PF e conversou com jornalistas em frente ao prédio. Segundo ele, seu cliente nega categoricamente ter vazado as mensagens. Kuntz foi além: afirmou que, se Tagliaferro não é vítima nesse processo, então é uma testemunha valiosa para a investigação. O advogado também descreveu o trabalho de seu cliente no TSE de forma a minimizar qualquer intenção irregular — Tagliaferro teria questionado seus superiores sobre se aquele tipo de operação era realmente competência da Justiça Eleitoral ou do Supremo, mas, uma vez orientado a prosseguir, cumpriu as tarefas e produziu os documentos solicitados.

O primeiro celular de Tagliaferro havia sido apreendido pela Polícia Civil de São Paulo após sua prisão por suspeita de violência doméstica. Quando devolvido, o aparelho apresentava problemas — travas e bateria defeituosa — levando Tagliaferro a descartar o telefone e adquirir um novo. Foi esse segundo celular que Moraes ordenou que fosse entregue à polícia, e que agora foi apreendido novamente.

Kuntz não poupou críticas à condução da investigação. Afirmou que Moraes está, simultaneamente, na posição de vítima, investigado, juiz, promotor e delegado do caso — uma acumulação de papéis que o advogado considera excessiva e problemática. "Moraes está pagando o dobro, sustentando a condução de inquérito em que ele é vítima", disse Kuntz, expressando perplexidade com o que chamou de "excesso de condução para quem é vítima". O advogado também representa ao menos dois ex-assessores de Jair Bolsonaro que foram alvo de operações da PF em casos relatados por Moraes.

O inquérito sobre o vazamento é formalmente relatado por Moraes porque foi classificado como relacionado ao inquérito das fake news, que já estava sob sua responsabilidade. Na quarta-feira anterior, durante sessão do plenário do STF, Moraes havia afirmado que nenhuma das reportagens o preocupava e que a lisura dos procedimentos estava garantida, com tudo documentado. O presidente da corte, Luís Roberto Barroso, e o decano, Gilmar Mendes, manifestaram apoio público ao colega.

O caso permanece em investigação, com a PF buscando esclarecer a origem do vazamento e a natureza exata das comunicações entre o gabinete de Moraes e os auxiliares do TSE. A questão central — se houve coordenação irregular entre as instituições — segue em aberto, assim como a avaliação sobre a propriedade de Moraes continuar conduzindo um inquérito no qual é, simultaneamente, figura central e autoridade investigadora.

Moraes está pagando o dobro, sustentando a condução de inquérito em que ele é vítima
— Eduardo Kuntz, advogado de Tagliaferro
Nenhuma das matérias preocupa meu gabinete, me preocupa, ou a lisura dos procedimentos
— Alexandre de Moraes, durante sessão do plenário do STF
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