Em Mato Grosso, o julgamento de um homem acusado de matar a ex-companheira e o namorado dela volta a ser colocado em suspenso pela engrenagem lenta e necessária da justiça: a defesa reivindica que a mente do acusado seja examinada antes que doze cidadãos decidam seu destino. Um psiquiatra forense levanta a hipótese de um transtorno delirante centrado no ciúme, lembrando que entre o crime passional e a doença mental existe uma fronteira que o direito é obrigado a investigar. Por trás dos procedimentos, duas vidas perdidas — Thays Machado e Adriano Balbinote — aguardam que o tribunal encontre, e
Defesa de Carlinhos Bezerra pede laudo de insanidade mental antes de júri por morte de casal
A pessoa compreende de forma distorcida o ciúme e pode ter comportamentos agressivos
Por que a defesa está pedindo essa avaliação agora, se o crime aconteceu há tanto tempo?
Porque quando assumiram o caso em junho, não havia qualquer laudo pericial sobre a saúde mental do acusado nos autos. Descobriram que existia um parecer de 2023, mas nenhuma avaliação oficial que pudesse ser usada na defesa.
E o psiquiatra forense — ele está dizendo que Bezerra é insano?
Ele identificou uma possível condição chamada transtorno delirante persistente centrado no ciúme. Não é exatamente insanidade no sentido legal, mas uma distorção na forma como a pessoa compreende e reage ao ciúme, que pode levar a comportamentos agressivos.
Isso muda o resultado do julgamento?
Potencialmente. Se a perícia oficial confirmar essa condição, pode afetar a culpabilidade ou a sentença. Por isso a defesa quer que seja feita antes do júri, não depois.
A defesa está apenas tentando ganhar tempo?
Eles negam isso. Argumentam que é um direito processual legítimo — garantir que todas as questões sobre a capacidade mental sejam resolvidas antes do julgamento. Mas o padrão de suspensões está criando uma dinâmica de atraso.
O que acontece agora?
O júri está marcado para 31 de julho. Mas há ainda o pedido de suspeição da juíza e um habeas corpus pendente. Se qualquer um desses for concedido, pode haver novas suspensões.
The Pulse
- O júri marcado para 31 de julho pende sobre o caso como uma data incerta: a defesa acumula pedidos — avaliação psiquiátrica, suspeição da juíza e habeas corpus — que podem adiá-lo mais uma vez.
- Um psiquiatra forense apresentou a hipótese de ciúme mórbido, sugerindo que o acusado pode ter agido sob uma percepção delirante da realidade, o que coloca em xeque sua plena responsabilidade penal.
- A defesa alega que assumiu o caso em junho sem encontrar qualquer laudo sobre a saúde mental de Bezerra, denunciando uma lacuna que, segundo os advogados, compromete o direito constitucional à ampla defesa.
- O Ministério Público sustenta que o crime foi premeditado, executado à luz do dia com pistola semiautomática, em contexto de feminicídio e violência doméstica — narrativa que contrasta diretamente com a tese da incapacidade mental.
- O tribunal já foi suspenso uma vez após os advogados deixarem o plenário alegando falta de acesso a documentos, e a tensão processual segue crescendo a cada novo pedido protocolado.
Em Mato Grosso, o julgamento de um homem acusado de matar a ex-companheira e o namorado dela volta a ser colocado em suspenso pela engrenagem lenta e necessária da justiça: a defesa reivindica que a mente do acusado seja examinada antes que doze cidadãos decidam seu destino. Um psiquiatra forense levanta a hipótese de um transtorno delirante centrado no ciúme, lembrando que entre o crime passional e a doença mental existe uma fronteira que o direito é obrigado a investigar. Por trás dos procedimentos, duas vidas perdidas — Thays Machado e Adriano Balbinote — aguardam que o tribunal encontre, enfim, o caminho entre a verdade dos fatos e a complexidade da condição humana.
A defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra chegou novamente ao tribunal esta semana com um pedido capaz de adiar mais uma vez o julgamento previsto para 31 de julho: uma avaliação formal da saúde mental do acusado antes que o júri se reúna. Bezerra responde pela morte de Thays Machado, sua ex-companheira, e de Adriano Balbinote, o namorado dela — crime que o Ministério Público classifica como feminicídio motivado pela inconformidade com o fim do relacionamento.
Os advogados afirmam que, ao assumirem o caso em junho, não encontraram qualquer laudo pericial sobre a condição mental do réu. Para sustentar o pedido, citam um parecer de 2023 elaborado pelo psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro, que identificou como hipótese diagnóstica principal um transtorno delirante persistente centrado no ciúme — o chamado ciúme mórbido. Segundo o médico, essa condição leva o indivíduo a interpretar a realidade de forma distorcida e pode resultar em comportamentos agressivos.
Este não é o primeiro tropeço do processo. Na semana anterior, a defesa alegou falta de acesso a documentos e deixou o plenário, forçando a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira a remarcar a sessão. Agora, além da avaliação psiquiátrica, os advogados protocolaram uma moção de suspeição contra a magistrada e aguardam decisão sobre um habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, está preso e é réu confesso. A acusação descreve os disparos contra Thays Machado como um ato premeditado, executado em plena luz do dia em área urbana movimentada, com pistola semiautomática. Pela morte de Adriano Balbinote, responde por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e surpresa. O julgamento permanece marcado para as 9 horas do dia 31 de julho, mas a tensão processual acumulada deixa sua realização longe de ser certa.
A defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra retornou ao tribunal nesta semana com um pedido que pode adiar novamente seu julgamento: uma avaliação formal da saúde mental antes do júri marcado para 31 de julho. Bezerra é acusado de matar Thays Machado, sua ex-companheira, e Adriano Balbinote, o namorado dela, em um crime que o Ministério Público caracteriza como feminicídio cometido por inconformidade com o fim do relacionamento.
Os advogados argumentam que quando assumiram o caso em junho, não encontraram qualquer laudo pericial sobre a condição mental do acusado — uma lacuna que, segundo eles, compromete o direito de defesa. Citam também um parecer de 2023 elaborado por um psiquiatra forense que, na avaliação deles, levanta questões suficientes sobre a capacidade mental de Bezerra no momento dos crimes. O pedido não é protelatório, insistem, mas necessário para garantir a ampla defesa prevista em lei.
Durante entrevista coletiva na quinta-feira, o médico psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro apresentou sua avaliação. A principal hipótese diagnóstica, explicou, é um transtorno delirante persistente centrado no ciúme — o que também é chamado de ciúme mórbido. Nessa condição, disse, o indivíduo compreende de forma distorcida a situação do ciúme e pode desenvolver comportamentos inadequados que chegam até desfechos agressivos.
O caso já havia sido suspenso uma vez. Na terça-feira anterior, a defesa alegou falta de acesso a documentos do processo e afirmou não ter condições de prosseguir. Os advogados deixaram o plenário, e a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira remarcou a sessão para a próxima semana. Agora, além do pedido de avaliação psiquiátrica, a defesa também protocolou uma moção de suspeição contra a magistrada e aguarda o julgamento de um habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Segundo os advogados, realizar o júri antes de resolver esses pedidos pode prejudicar a defesa.
Bezerra é filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra e está preso. Ele é réu confesso. Segundo a acusação, os disparos contra Thays Machado foram efetuados em plena luz do dia, em uma área urbana de grande circulação, com uma pistola semiautomática. O Ministério Público sustenta que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero, com o acusado utilizando sua condição de ex-companheiro e sua superioridade física para exercer controle e violência.
Pela morte de Adriano Balbinote, Bezerra foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação aponta que a ação foi premeditada e executada de forma a surpreender o casal, sem possibilidade de reação ou fuga. O julgamento, agora marcado para 31 de julho às 9 da manhã, permanece sob tensão processual, com múltiplas questões ainda pendentes de resolução antes que o júri possa finalmente se reunir.
Notable Quotes
O indivíduo tem alterações importantes de compreender de maneira distorcida a condição do ciúme, podendo ter comportamentos inadequados e até desfechos agressivos— Hewdy Lobo Ribeiro, psiquiatra forense
O pedido não é protelatório e busca garantir a ampla defesa prevista na legislação— Elson Marcelino, advogado da defesa