Quatro candidatos participaram do debate; Lucas Barreto (PSD) e Rayssa Furlan (Podemos) não compareceram nem justificaram ausência. Principais divergências sobre privatização da CEA e Caesa, royalties do petróleo e políticas de habitação e empreendedorismo marcaram os três blocos de discussão.
Debate no Amapá: candidatos ao Senado divergem sobre petróleo, privatizações e habitação
A cadeira vazia representa um mandato vazio, sem respostas
O que mais chamou atenção nesse debate foi a ausência de dois candidatos. Isso muda alguma coisa na disputa?
Muda bastante. Lucas Barreto e Rayssa Furlan foram convidados conforme a lei — partidos com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso — mas simplesmente não apareceram. Alliny até brincou que a cadeira vazia de Lucas representava um mandato vazio.
Mas a gente não sabe por quê eles faltaram. Não justificaram, segundo o texto. Pode ser doença, problema pessoal, estratégia de campanha. Sem saber o motivo, é difícil dizer se prejudica ou beneficia alguém.
E quanto ao tema do petróleo? Parece que foi o ponto mais quente.
Foi. Randolfe quer garantir que os royalties fiquem no Amapá e criou a Universidade Federal da Fronteira para capacitar a juventude. Capiberibe é mais cauteloso, quer focar na bioeconomia primeiro.
Mas nenhum deles disse exatamente como vai fazer isso acontecer em Brasília. Randolfe fala em PEC 47, que é real, mas a aprovação não depende só do senador. E Capiberibe não detalhou como a bioeconomia gera empregos imediatos.
E a privatização? Parece que dividiu os candidatos.
Dividiu mesmo. Alliny votou a favor da privatização da CEA e Caesa, e defendeu isso dizendo que fiscalizou as concessionárias. Randolfe e Capiberibe criticaram, dizendo que foi prejuízo para a população.
Mas Alliny não explicou por que votou a favor na época. E Randolfe não detalhou que medidas específicas ele tomaria para reverter as privatizações se eleito. Crítica é fácil; execução é outra história.
Sobre habitação, havia propostas bem diferentes?
Sim. Acácio propôs subsídios de até R$ 65 mil via FGTS. Alliny sugeriu aluguel social. Capiberibe relembrou bairros que criou — Zerão, Novo Horizonte. Cada um vendendo seu histórico.
E nenhum deles respondeu à pergunta mais óbvia: quantas pessoas estão sem moradia no Amapá agora? Quantas casas precisam ser construídas? Os números não apareceram.
Então o debate foi mais sobre confronto político do que sobre soluções concretas?
Teve dos dois. Houve críticas diretas — Capiberibe chamou a anulação dos votos de Randolfe em 2018 de injustiça. Mas também houve propostas: Randolfe mencionou o Credbox, o Carrinho de Oportunidades, o Festival Equinócio. Coisas que já existem.
Que é o ponto. Eles estão vendendo o que já fizeram, não o que vão fazer. E a eleição é em 4 de outubro. Faltam dias para o eleitor saber realmente qual é o plano de cada um para os próximos quatro anos.
O Pulso
- Debate realizado em 25 de setembro pela Rede Amazônica em Macapá
- Quatro candidatos presentes: Acácio Favacho (MDB), Alliny Serrão (União Brasil), João Capiberibe (PSB), Randolfe Rodrigues (PT)
- Lucas Barreto (PSD) e Rayssa Furlan (Podemos) não compareceram nem justificaram
- Eleição para Senado no Amapá em 4 de outubro, com escolha de dois senadores
- Principais temas: privatização de energia e saneamento, petróleo na Foz do Amazonas, habitação, funcionalismo público
Quatro candidatos participaram do debate; Lucas Barreto (PSD) e Rayssa Furlan (Podemos) não compareceram nem justificaram ausência. Principais divergências sobre privatização da CEA e Caesa, royalties do petróleo e políticas de habitação e empreendedorismo marcaram os três blocos de discussão.
Candidatos ao Senado pelo Amapá debateram privatização de saneamento e energia, exploração de petróleo na Foz do Amazonas, funcionalismo público e habitação em debate transmitido pela Rede Amazônica.
Na noite de sexta-feira, 25 de setembro, quatro candidatos ao Senado pelo Amapá se encontraram em um estúdio da Rede Amazônica em Macapá para debater os rumos do estado. A transmissão ao vivo, mediada pela jornalista Daniela Branches e retransmitida pelo g1 Amapá e pela Rádio CBN, revelou divisões profundas sobre temas que definem o futuro amapaense: a privatização de serviços essenciais, a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, políticas de habitação e o papel do funcionalismo público. Dois candidatos convidados — Lucas Barreto, do PSD, e Rayssa Furlan, do Podemos — não compareceram e não justificaram suas ausências.
Os quatro presentes foram Acácio Favacho, do MDB; Alliny Serrão, do União Brasil; João Alberto Capiberibe, do PSB; e Randolfe Rodrigues, do PT. O debate seguiu um formato estruturado em três blocos, com perguntas de 30 segundos, respostas de 1 minuto e 30 segundos, e direito a réplica e tréplica. No primeiro bloco, de tema livre, emergiu rapidamente a questão das tarifas de água e luz. Acácio Favacho abriu questionando Randolfe sobre as altas contas que pesam no bolso dos amapaenses. Randolfe respondeu criticando as privatizações da energia e do saneamento, citando emendas para conter reajustes, enquanto Acácio defendeu a energia solar em habitações populares e cobrou ação contra repasses à distribuidora.
A privatização voltou à tona quando João Capiberibe questionou Alliny Serrão sobre seu voto favorável à privatização da CEA e da Caesa. Capiberibe classificou as concessões como prejuízo financeiro à população. Alliny respondeu destacando sua trajetória de fiscalização sobre as concessionárias e reafirmou o compromisso com a redução das tarifas. Já sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, Randolfe questionou Capiberibe sobre os impactos ambientais e econômicos. Capiberibe defendeu cautela e foco na bioeconomia para gerar empregos imediatos, enquanto Randolfe destacou a criação da Universidade Federal da Fronteira para capacitar a juventude e garantir o retorno dos royalties ao estado.
No segundo bloco, com temas sorteados pela produção, as propostas específicas ganharam espaço. Sobre funcionalismo público, Alliny destacou a reestruturação de mais de 30 carreiras na Assembleia Legislativa e defendeu usar royalties do petróleo para valorizar salários. Acácio propôs subsídios de até R$ 65 mil via FGTS para moradia de servidores. Na habitação, Capiberibe relembrou a criação de bairros como Zerão e Novo Horizonte em suas gestões, com entregas de lotes a mulheres. Randolfe citou investimentos de R$ 18 milhões no Parque Aeroportuário e em outras áreas de Macapá. Sobre empreendedorismo, Randolfe mencionou o Credbox, o Carrinho de Oportunidades e o Festival Equinócio, além do fim do visto na fronteira com a Guiana Francesa. Alliny defendeu incentivos fiscais e linhas de crédito. No setor primário, Acácio destacou sua relatoria na lei de regularização fundiária e criticou barreiras de crédito no Baza, enquanto Capiberibe alertou para a praga da mandioca e defendeu sistemas de irrigação.
No terceiro bloco, as tensões políticas ressurgiram. Capiberibe questionou Randolfe sobre a anulação de seus votos na eleição de 2018, um episódio que Capiberibe classificou como injustiça. Randolfe lamentou a decisão e defendeu a soberania popular. Acácio perguntou a Alliny sobre habitação, e ela sugeriu aluguel social e uso de royalties do petróleo. Alliny depois questionou Acácio sobre o petróleo, e ele afirmou que Oiapoque não arrecadou impostos locais pelas regras do setor. Randolfe encerrou o debate questionando Capiberibe sobre a ampliação da transposição dos servidores, citando a PEC 47 para beneficiar 13 mil famílias e a equiparação das forças de segurança.
Nas considerações finais, cada candidato reafirmou suas prioridades. Randolfe agradeceu sua militância e sua família, encerrando com uma passagem bíblica sobre ter combatido o bom combate. Capiberibe destacou sua trajetória como secretário de Agricultura, prefeito, governador duas vezes e senador duas vezes, prometendo converter o fundo partidário em placas solares para os pobres. Alliny enfatizou sua presença no debate, contrastando com a cadeira vazia de Lucas Barreto, e se apresentou como representante das mulheres do Amapá. Acácio não teve fala final registrada no material disponível. A eleição para Senado ocorrerá em 4 de outubro, quando os eleitores amapaenses escolherão dois senadores entre os candidatos apresentados.
Citações Notáveis
Eu não sou novo, eu sou inovador. E nessa campanha eu voltei a inovar fazendo uma campanha sem fundo partidário. E eu vou transformar esse fundo partidário em placas solares para o povo pobre do meu estado.— João Capiberibe (PSB)
O nosso trabalho está na Universidade da Fronteira criada no dia de hoje pelo governo do presidente Lula, que vai ser a Universidade do Futuro, a Universidade do Petróleo.— Randolfe Rodrigues (PT)