No domingo à noite, cinco candidatos ao governo de Minas Gerais se encontraram pela primeira vez em debate televisionado, revelando não apenas propostas, mas temperamentos e estratégias que moldarão uma disputa singular — aquela que, mesmo inserida num país polarizado, insiste em se resolver em torno de estradas, energia elétrica e segurança. O palco foi a TV Bandeirantes; o subtexto, a difícil arte de governar um estado endividado sem perder o eleitor que olha tanto para Brasília quanto para o próprio quintal.
Debate em MG: Simões, Kalil e Gabriel atacam; Cleitinho concilia e Roscoe fica discreto
Não adianta brigar com o governo federal, apontar e ficar brigando
Por que Cleitinho manteve esse tom conciliador o tempo todo, mesmo sendo o líder nas pesquisas?
Porque ele está tentando consolidar uma posição de centro. Liderança em pesquisa não significa vitória garantida. Ele precisa parecer presidenciável, alguém que governa para todos, não apenas para sua base.
E por que Simões atacou tanto Lula se a campanha é sobre Minas?
Porque Simões é governador e precisa se diferenciar. Atacar Lula o posiciona como alternativa ao PT, mesmo que indiretamente. É um cálculo nacional dentro de uma campanha estadual.
Kalil foi o mais agressivo com Simões. Isso significa que ele vê Simões como seu principal rival?
Provavelmente. Kalil tem experiência como prefeito de Belo Horizonte e conhece bem o estado. Atacar o governador em exercício é estratégia clássica de quem quer mostrar que tem alternativa.
A ausência de Patrus Ananias muda algo no debate?
Muda tudo. Sem o PT presente, ninguém precisava defender Lula. Todos puderam criticar ou ignorar o governo federal sem parecer desleais. Patrus teria trazido outra dinâmica.
Roscoe foi discreto porque está fraco nas pesquisas?
Ou porque está esperando. Ele é empresário, ex-presidente da federação industrial. Talvez esteja medindo forças, deixando os outros se desgastarem enquanto ele constrói uma imagem de moderação.
O que o Propag representa nesse debate?
É o nó da questão mineira. Todos os candidatos precisam lidar com ele porque afeta arrecadação, investimento, tudo. Mas ninguém tem solução fácil. Por isso as respostas foram tão cuidadosas.
Le Pouls
- Três candidatos chegaram ao debate com postura ofensiva — Simões, Kalil e Gabriel Azevedo trocaram acusações sobre segurança pública, privatização da Cemig e gestão das rodovias, elevando a temperatura desde os primeiros blocos.
- O confronto mais aceso foi entre Simões e Kalil: o ex-prefeito de BH chamou o governador de habitante de Nárnia ao apontar que Minas tem a polícia mais mal paga do país, enquanto Simões rebateu citando a nomeação de mulheres para comandar forças policiais.
- Cleitinho, líder nas pesquisas Quaest, navegou o debate em tom conciliador — evitou confrontos diretos, fez acenos ao campo bolsonarista e comparou o Propag a uma quimioterapia necessária, buscando parecer pragmático sem antagonizar ninguém.
- A ausência de Patrus Ananias, do PT, que trocou o debate pelo lançamento da campanha de Lula em São Bernardo do Campo, sinalizou a posição periférica do partido na disputa mineira — e nenhum candidato presente ousou elogiar o presidente.
No domingo à noite, cinco candidatos ao governo de Minas Gerais se encontraram pela primeira vez em debate televisionado, revelando não apenas propostas, mas temperamentos e estratégias que moldarão uma disputa singular — aquela que, mesmo inserida num país polarizado, insiste em se resolver em torno de estradas, energia elétrica e segurança. O palco foi a TV Bandeirantes; o subtexto, a difícil arte de governar um estado endividado sem perder o eleitor que olha tanto para Brasília quanto para o próprio quintal.
O primeiro debate entre candidatos ao governo de Minas Gerais, realizado no domingo à noite pela TV Bandeirantes, expôs temperamentos distintos entre os cinco participantes. Mateus Simões, do PSD, Alexandre Kalil, do PDT, e Gabriel Azevedo, do MDB, adotaram postura agressiva. Flávio Roscoe, do PL, manteve-se discreto. Cleitinho, do Republicanos e líder nas pesquisas, buscou conciliar, evitando o confronto mesmo quando provocado.
As discussões giraram em torno de temas locais: o Propag, programa federal de refinanciamento de dívidas estaduais, as condições das rodovias, a segurança pública e o futuro da Cemig. Kalil defendeu renegociação dos termos do Propag, afirmando que a adesão tornou o estado ingovernável. Cleitinho o comparou a um câncer que exige quimioterapia — um mal necessário. Gabriel Azevedo aproveitou o tema para criticar subsídios concedidos a grandes empresas em governos anteriores.
O embate mais direto foi entre Simões e Kalil sobre feminicídio. Kalil ironizou o adversário — que é o governador em exercício — dizendo que ele parecia habitar Nárnia ao propor soluções para um problema gerado por sua própria gestão. Simões citou a nomeação de mulheres para comandar forças policiais; Kalil respondeu que isso não equivale a cuidar das mulheres. Na discussão sobre a Cemig, Gabriel Azevedo acusou os governos de Zema e Simões de lotear cargos da estatal.
Cleitinho, questionado sobre sua proposta de não apreender veículos por atraso no IPVA, manteve o tom ameno mesmo nos embates diretos com Simões e Roscoe — todos disputando uma fatia do voto bolsonarista. A polarização nacional apareceu apenas em momentos pontuais: Simões criticou Lula pela falta de retorno proporcional dos investimentos federais, e chamou candidatos alinhados ao presidente de consórcio do atraso.
A ausência mais simbólica da noite foi a de Patrus Ananias, do PT, que havia confirmado presença mas foi a São Bernardo do Campo acompanhar o lançamento da campanha de Lula à reeleição. Nenhum dos candidatos presentes fez referência positiva ao presidente — um retrato fiel de como a disputa mineira prefere, por ora, caminhar com os próprios pés.
O primeiro debate entre candidatos ao governo de Minas Gerais aconteceu no domingo à noite pela TV Bandeirantes, e revelou dinâmicas bem definidas entre os cinco participantes. Mateus Simões, do PSD, Alexandre Kalil, do PDT, e Gabriel Azevedo, do MDB, chegaram dispostos a atacar. Flávio Roscoe, do PL, manteve-se à margem das trocas mais acaloradas. Cleitinho, do Republicanos, adotou uma postura que buscava conciliar, evitando o confronto direto mesmo quando provocado.
O debate girou em torno de questões que importam ao estado: a adesão de Minas Gerais ao Propag, o programa federal de refinanciamento de dívidas estaduais; as condições das rodovias; a segurança pública; e o futuro da Cemig. Diferentemente do que ocorre em campanhas presidenciais, a polarização nacional não dominou a conversa, embora tenha aparecido em momentos pontuais. Simões criticou o presidente Lula por não retornar investimentos federais proporcionais ao que Minas paga pelo Propag. Cleitinho, por sua vez, fez acenos a Flávio Bolsonaro, lamentando não ter conseguido viabilizar o apoio formal do PL, mas mantendo um tom que evitava confrontação.
Sobre o Propag, as posições divergiram. Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, afirmou que a adesão tornou o estado ingovernável e defendeu uma renegociação dos termos. Cleitinho classificou o programa como um mal necessário, comparando-o a um câncer que exige quimioterapia, e argumentou que não adiantava brigar com o governo federal, apontando culpados. Roscoe também pediu renegociação. Gabriel Azevedo aproveitou o tema para criticar os subsídios concedidos a grandes empresas nos governos anteriores.
O embate mais direto ocorreu entre Simões e Kalil sobre feminicídio e segurança pública. Simões questionou o adversário sobre propostas para combater feminicídio, e Kalil respondeu com ironia: você está em Nárnia, perguntou, apontando que Simões é o governador e mantém a polícia mais mal paga do país. Simões retrucou dizendo que nomeou mulheres para comandar as forças policiais, mas Kalil não cedeu, respondendo que colocar uma comandante mulher não é cuidar de mulher.
Na discussão sobre a privatização da Cemig, Gabriel Azevedo acusou os governos de Zema e Simões de lotear cargos da estatal. Fez uma crítica velada ao ex-secretário Marcelo Aro, mencionando um político mineiro cujo sobrenome rimaria com o do banqueiro Daniel Vorcaro. Sobre as rodovias, Simões voltou a atacar Lula, citando as péssimas condições das estradas federais, e chamou os candidatos alinhados ao presidente de consórcio do atraso. Gabriel Azevedo criticou projetos de mineração na serra do Curral e prometeu criar um parque metropolitano na região. Roscoe também se posicionou contra a exploração mineral, mas reclamou do excesso de burocracia no setor.
Cleitinho, que lidera as pesquisas Quaest divulgadas em julho, foi questionado sobre sua proposta de deixar de apreender veículos por atraso no pagamento do IPVA, e qual seria o impacto na arrecadação dos municípios. Simões respondeu com cautela, dizendo que entendia o desejo de redução de impostos, mas que isso exigiria responsabilidade. Quando Cleitinho, Simões e Roscoe tiveram embates diretos, adotaram tom cordial, refletindo a disputa por uma parcela do voto bolsonarista. Cleitinho fez críticas pontuais ao ex-governador Romeu Zema, enquanto Kalil e Gabriel foram mais incisivos nos ataques a Simões.
Um detalhe marcou a noite: o deputado federal Patrus Ananias, do PT, havia confirmado presença mas não compareceu. Estava em São Bernardo do Campo acompanhando o lançamento da campanha de Lula à reeleição. Nenhum dos candidatos presentes fez referência positiva ao presidente.
Citations marquantes
Você está em Nárnia? Você é o governador e mantém a polícia mais mal paga do país— Alexandre Kalil, criticando Mateus Simões sobre segurança pública
Colocar comandante mulher não é cuidar de mulher— Alexandre Kalil, retrucando resposta de Simões sobre feminicídio