De morador de rua a empreendedor: app de transporte fatura R$ 120 mil/mês

Eu queria voltar como vencedor
Sergio Brito, após três anos morando na rua, sobre seu retorno à casa e à vida.
Mark

Como um cara que viveu na rua consegue levantar R$ 35 mil para investir em um aplicativo?

Mimi

Ele trabalhou doze horas por dia durante oito meses como motorista de aplicativo. Juntou tudo que ganhava.

Luke

Mas ele já tinha sete anos de experiência em um hotel antes disso. Não começou do zero absoluto.

Mimi

Verdade. Tinha estabilidade, tinha aprendido a trabalhar em um ambiente estruturado. Quando perdeu o emprego na pandemia, pelo menos tinha essa base.

Mark

E por que o aplicativo dele cresceu tão rápido? R$ 120 mil por mês em dois anos é bastante.

Mimi

Porque ele oferece aos motoristas uma taxa de 15%, enquanto os concorrentes cobram até 40%. Além disso, oferece benefícios: aulas de inglês, cartão de saúde, carro de apoio em caso de acidente.

Luke

Mas a gente não sabe se esses números de faturamento foram auditados. É o que o Brito diz que ganha.

Mimi

Certo. E também não sabemos a margem de lucro dele. Faturar R$ 120 mil não é a mesma coisa que ganhar R$ 120 mil.

Mark

A fila de espera de 1.100 motoristas — isso é real ou é marketing?

Mimi

Ele diz que existe. É um sinal de que a demanda por integrar a plataforma é maior que a oferta de vagas.

Luke

Mas não sabemos por quanto tempo essa fila existe, se é estável ou se cresce. É um número em um momento.

Mark

E quanto à expansão? Ele vai crescer para outras cidades?

Mimi

Não há informação sobre planos de expansão no que foi divulgado. Ele está consolidando as seis cidades onde já opera.

  • Após três anos dormindo nas ruas e uma pandemia que destruiu seu emprego em um hotel, Brito se viu novamente sem chão — desta vez dentro de um carro alugado, entregando corridas para plataformas que ficavam com até 40% de cada viagem.
  • A indignação com as condições impostas aos motoristas de aplicativo se transformou em combustível: ele estudou tecnologia do zero e trabalhou doze horas por dia durante oito meses para reunir os R$ 35 mil necessários para lançar sua própria plataforma.
  • O Te Levo Mobile chegou ao mercado em 2022 com uma proposta radicalmente diferente — taxa de apenas 15%, aulas de inglês, cartão de saúde e um carro de apoio para emergências na estrada.
  • Mais de 1.100 motoristas estão na fila de espera para entrar na plataforma, enquanto a frota já conta com 170 veículos distribuídos por seis cidades mineiras — sinal de que a demanda por um modelo mais humano é real e crescente.

Das margens de uma cidade desconhecida, onde dormiu por quase três anos sem teto, Sergio Brito construiu uma plataforma de transporte que hoje opera em seis cidades do interior de Minas Gerais e movimenta R$ 120 mil por mês. O que o distingue não é apenas a ascensão improvável, mas a escolha deliberada de edificar um negócio a partir da memória da precariedade — oferecendo aos motoristas condições que as grandes plataformas nunca consideraram necessárias. Sua história é um lembrete de que a experiência da vulnerabilidade, quando não apagada pela chegada ao topo, pode se tornar a fundação de algo mais justo.

Sergio Brito comanda hoje uma plataforma de transporte que fatura R$ 120 mil por mês e opera em seis cidades do interior de Minas Gerais. Mas quem o vê agora dificilmente imagina que, há alguns anos, ele dormia nas ruas.

Aos vinte e poucos anos, Brito deixou o interior paulista para trabalhar na colheita de café em Minas. As condições eram precárias, os ganhos insuficientes. Sem rumo, passou quase três anos em situação de rua, até ser encontrado pela família. "Eu queria voltar como vencedor", disse ele — uma frase que carrega o peso de quem conhece a diferença entre desistir e recomeçar.

A virada começou de forma inesperada: um concurso de modelos em Franca lhe rendeu um curso de gastronomia, que abriu as portas de um hotel em Araxá, onde trabalhou por sete anos. A pandemia de 2020 fechou esse capítulo. Desempregado, Brito virou motorista de aplicativo — e foi dentro do carro que enxergou o problema: as grandes plataformas retinham até 40% de cada corrida, deixando os motoristas com ganhos magros e nenhum suporte.

Ele decidiu mudar isso. Estudou tecnologia, entendeu a lógica por trás dos aplicativos e trabalhou doze horas diárias durante oito meses para juntar os R$ 35 mil necessários para lançar sua própria plataforma. Em 2022, nasceu o Te Levo Mobile — com taxa de 15% para os motoristas parceiros, aulas de inglês, cartão de saúde e um serviço de carro de apoio para emergências na estrada.

O impacto foi imediato. Hoje, mais de 1.100 motoristas aguardam na fila para integrar a plataforma. Para Brito, a explicação é simples: ele construiu o negócio a partir de quem dirige, não apesar de quem dirige. A história é notável não por ser improvável, mas por mostrar o que acontece quando alguém que conheceu a precariedade decide, ao chegar ao topo, não esquecer de onde veio.

Sergio Brito dirige um aplicativo de transporte que movimenta R$ 120 mil por mês. A plataforma, lançada em 2022, opera em seis cidades do interior mineiro — Araxá, Sacramento, Ibiá, Monte Carmelo, Catalão e Patos de Minas — com uma frota de 170 veículos. Ninguém que o vê hoje, porém, imagina o caminho que o trouxe até aqui.

Aos 20 e poucos anos, Brito deixou o interior de São Paulo para trabalhar na colheita de café em Minas Gerais. O trabalho no campo oferecia pouco: condições precárias, ganhos insuficientes, perspectivas nenhumas. Ele saiu de lá, mas não tinha para onde ir. Durante quase três anos, dormiu na rua. Só voltou para casa quando a família o encontrou. "Eu queria voltar como vencedor", lembra ele, e essa frase carrega o peso de quem conhece a diferença entre desistir e recomeçar.

O primeiro passo veio de um concurso de modelos em Franca, São Paulo. Brito ficou em segundo lugar e ganhou um curso de gastronomia. Com aquela qualificação, conseguiu trabalho em um hotel em Araxá, onde permaneceu sete anos. Era estabilidade. Era dignidade recuperada. Mas em 2020, a pandemia de Covid-19 fechou as portas do hotel. Brito perdeu o emprego e, como tantos outros naquela época, virou motorista de aplicativo — dirigindo para plataformas já estabelecidas, ganhando o que essas empresas deixavam sobrar.

Foi ali, dentro de um carro alugado, que ele viu o problema. As grandes plataformas cobram dos motoristas uma taxa que chega a 40% do valor de cada corrida. Os ganhos são magros. Os benefícios, inexistentes. Brito começou a estudar tecnologia, a entender como funcionava o código, a estrutura, a lógica de um aplicativo. Precisava de R$ 35 mil para lançar sua própria plataforma. Trabalhou doze horas por dia durante oito meses para juntar esse dinheiro.

Quando o Te Levo Mobile saiu do ar, em 2022, oferecia algo diferente. A taxa cobrada dos motoristas parceiros é de apenas 15%. Além disso, a plataforma oferece aulas de inglês, cartão de saúde e um serviço de apoio que funciona assim: se o motorista tem um pneu furado ou sofre um acidente, liga para a central e um carro de apoio é enviado. Não é um detalhe menor — é a diferença entre um motorista que trabalha com segurança e um que trabalha com medo.

O resultado é visível na fila de espera. Mais de 1.100 motoristas aguardam para integrar o aplicativo. Brito explica: "Ele vai ligar para a central e a central vai mandar um carro de apoio. É por isso que hoje existem mil e cem motoristas na fila de espera". A demanda não é acaso. É consequência de uma escolha deliberada de colocar o motorista no centro do negócio, não nas margens.

De morador de rua a empresário que fatura R$ 120 mil por mês em seis cidades. A história é notável não porque é improvável — histórias assim existem — mas porque mostra algo que raramente aparece nos aplicativos de transporte: alguém que conhece a precariedade do lado de quem dirige, e decidiu construir algo diferente.

Eu passei quase três anos morando na rua
— Sergio Brito
Eu queria voltar como vencedor
— Sergio Brito
Ele vai ligar para a central e a central vai mandar um carro de apoio. É por isso que hoje existem mil e cem motoristas na fila de espera
— Sergio Brito
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