De Dudu Urucubaca ao pão com leite condensado: as excentricidades dos presidentes brasileiros

De perto, ninguém é normal—nem mesmo quem governa o país
A história dos 38 presidentes brasileiros revela que líderes políticos carregam as mesmas manias e excentricidades que qualquer pessoa comum.
Mark

Por que as marchinhas de Carnaval se tornaram tão importantes na crítica aos presidentes?

Mimi

Porque era uma das poucas formas que o povo tinha de falar sobre seus líderes de forma criativa e até divertida. Antes da internet, as charges e as marchinhas eram o espaço de crítica e sátira.

Luke

Mas precisamos lembrar que nem todos tinham acesso a isso. A maioria da população era analfabeta, então essas críticas circulavam principalmente entre as elites urbanas que iam aos bailes de Carnaval.

Mark

Jânio Quadros proibiu rock, biquíni e brigas de galo. Como alguém conseguia implementar essas proibições?

Mimi

Ele tinha poder presidencial e uma visão muito conservadora do que era apropriado para a sociedade. Mas durou pouco porque ficou apenas sete meses no cargo.

Luke

A questão é: essas proibições foram realmente implementadas ou eram mais declarações de intenção? O texto não deixa claro o alcance real dessas medidas.

Mark

Por que Bolsonaro ofereceu cloroquina para emas?

Mimi

Porque ele acreditava, ou dizia acreditar, que a cloroquina curava Covid-19, e estava testando isso em animais do palácio presidencial.

Luke

O texto diz que ele "falsamente afirmava" que curava, então essa era uma crença sem base científica. Mas não fica claro se era uma brincadeira, um teste real ou apenas uma excentricidade para câmeras.

Mark

Floriano Peixoto se recusou a receber seu sucessor. Isso era comum?

Mimi

Não era a norma, mas acontecia. O texto sugere que essa "desfeita" vem desde o começo da República, então havia precedentes de presidentes que não aceitavam bem a transição de poder.

Luke

Mas o texto não dá outros exemplos além de Floriano e Bolsonaro. Seria útil saber quantas vezes isso aconteceu realmente para entender se era um padrão ou exceção.

Mark

Getúlio Vargas era muito baixo. Isso afetava sua autoridade?

Mimi

Provavelmente sim, porque a altura era algo que as pessoas notavam e comentavam. Mas Getúlio foi um dos presidentes mais influentes da história brasileira, então talvez não tenha sido um impedimento real.

Luke

O texto não oferece evidência de que a altura afetava a autoridade. É especulação nossa. O que sabemos é que era notado e comentado, nada mais.

  • 38 presidentes passaram pela cadeira presidencial brasileira desde 1889
  • Hermes da Fonseca foi apelidado de Dudu Urucubaca e teve seu mandato marcado por crises econômicas e morte da esposa
  • Jânio Quadros proibiu rock, biquíni e brigas de galo durante seus sete meses de governo
  • João Batista Figueiredo declarou preferir o cheiro de cavalos ao cheiro do povo
  • Bolsonaro se recusou a passar a faixa presidencial para Lula após perder a eleição de 2022

Presidentes brasileiros tiveram apelidos memoráveis: Hermes da Fonseca era 'Dudu Urucubaca', Rodrigues Alves era 'Soneca' e Castelo Branco era chamado de 'Quasímodo'. Jânio Quadros proibiu rock, biquíni e brigas de galo; Bolsonaro comia pão com leite condensado; João Batista Figueiredo preferia cheiro de cavalos ao de pessoas.

Artigo explora hábitos, manias e características peculiares dos 38 presidentes do Brasil, desde Deodoro da Fonseca até Lula, revelando anedotas sobre comportamentos excêntricos e apelidos ganhos ao longo da história republicana.

Existe uma máxima que diz: de perto, ninguém é normal. E ela se aplica até mesmo aos homens e à mulher que ocuparam a presidência do Brasil. Ao longo de 137 anos de República, 38 líderes passaram pela cadeira presidencial, cada um carregando suas próprias manias, excentricidades e peculiaridades que marcaram não apenas suas administrações, mas também a forma como a população os via e os ridicularizava.

Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente, era marechal do Exército quando participou da Proclamação da República em 15 de novembro de 1889. Ironicamente, ele não acreditava que a República funcionaria no Brasil. Numa carta a um sobrinho, escreveu que os brasileiros estavam mal-educados demais para serem republicanos e que a monarquia era o único sustentáculo do país. Mudou de ideia apenas na última hora. Além de suas convicções políticas contraditórias, Deodoro tinha um hábito peculiar: passava perfume de violetas em sua vasta barba.

Ao longo da história presidencial, a população encontrou formas criativas de criticar seus líderes. Antes das redes sociais e dos memes, isso acontecia por meio de charges, notinhas maldosas nos jornais e, especialmente, nas marchinhas de Carnaval. Rodrigues Alves, o quinto presidente, ganhou o apelido de Soneca porque tinha fama de dorminhoco, reforçada pelo fato de gostar de ficar em casa. Hermes da Fonseca, que começou seu mandato 116 anos atrás, não teve melhor sorte: era considerado pouco inteligente e extremamente azarado. Seu governo coincidiu com crises econômicas, a morte de sua primeira esposa e uma viagem a Portugal que ocorreu justamente quando a monarquia portuguesa caía. Os jornais o apelidaram de Dudu Urucubaca, e uma marchinha de Carnaval zombava: "Ai Filomena, se eu fosse como tu/Tirava a urucubaca da careca do Dudu".

As marchinhas carnavalescas eram implacáveis com características físicas. Arthur Bernardes, com seu rosto longo e fino, virou Seu Mé numa marchinha porque sua aparência lembrava um carneiro. Castelo Branco, presidente durante a ditadura, era chamado de Quasímodo por ser baixo, cabeçudo e sem pescoço. Eurico Dutra foi alvo de uma marchinha porque trocava o "c" pelo "x" ao falar, resultando em "Voxê que Xabe". Quanto à altura, Jair Bolsonaro é o mais alto com 1,85 m, enquanto Getúlio Vargas era um dos menores, com cerca de 1,60 m a 1,62 m. Dilma Rousseff, a única mulher presidente, com 1,68 m, é mais alta que 11 de seus antecessores.

Além das características físicas, os presidentes se notabilizaram por comportamentos excêntricos. Jânio Quadros, que permaneceu no cargo apenas sete meses, implementou medidas conservadoras surpreendentes: proibiu brigas de galo, o uso de biquínis em concursos de miss e corridas de cavalo de segunda a sexta. Quando era governador de São Paulo, havia vetado o rock nos bailinhos locais, considerando o ritmo nocivo às famílias brasileiras. Durante sua campanha presidencial, fingia desmaiar de cansaço nos discursos e jogava talco no paletó para simular caspa, buscando parecer mais próximo do povo.

João Batista Figueiredo, o último presidente da ditadura, deixou um legado de frases grosseiras e insensíveis. Quando um estudante de dez anos lhe perguntou o que faria se fosse criança e seu pai recebesse salário mínimo, respondeu que daria "um tiro no coco" e sugeriu que a criança trabalhasse para ajudar o pai. Em outra ocasião, declarou preferir o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo. Jair Bolsonaro, mais recentemente, ofereceu uma caixa de cloroquina para emas que vivem no palácio presidencial, medicamento que falsamente afirmava curar a Covid-19. Também se deixou filmar comendo pão francês com leite condensado, um hábito que dividiu opiniões entre os brasileiros.

A história presidencial também revela padrões de má conduta na transição de poder. Bolsonaro se recusou a passar a faixa presidencial para Lula após perder a eleição de 2022, um comportamento que não era inédito. Floriano Peixoto, o segundo presidente, era descrito como destemperado e se negou a receber Prudente de Morais, o primeiro presidente não militar e o primeiro eleito por voto, embora naquela época do final do século 19 apenas uma pequena parcela da população pudesse votar, excluindo todas as mulheres e os homens analfabetos. Essas excentricidades, apelidos e comportamentos peculiares formam um retrato vívido de como a República Brasileira foi construída por homens e uma mulher com todas as suas imperfeições, manias e contradições.

República no Brasil é coisa impossível, porque será uma verdadeira desgraça. Os brasileiros estão e estarão muito mal-educados para tornarem-se republicanos.
— Deodoro da Fonseca, em carta a um sobrinho
Eu dava um tiro no coco
— João Batista Figueiredo, respondendo a um estudante de dez anos sobre o que faria se fosse criança e seu pai recebesse salário mínimo
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