Há trajetórias políticas que nascem como espetáculo e se encerram como silêncio. Tiririca, o humorista cearense que em 2010 se tornou o deputado federal mais votado do Brasil com mais de 1,3 milhão de votos, tentou em 2026 recomeçar pelo Ceará, sua terra natal — e recebeu apenas 5.523 votos. Dezesseis anos separam o auge do fim, e entre eles há uma lição sobre a natureza efêmera da popularidade quando ela não se transforma em enraizamento político.
De 1,3 milhão a 5 mil votos: Tiririca perde vaga após 16 anos como deputado
De 1,3 milhão de votos a 5 mil: a queda que encerra uma carreira
Como um deputado que foi o mais votado do Brasil em 2010 chega a receber apenas 5 mil votos dezesseis anos depois?
É uma queda que não aconteceu de repente. Você vê nos números: 1,3 milhão em 2010, depois 1 milhão em 2014, 453 mil em 2018, 71 mil em 2022. Cada eleição perdia força. Quando chegou em 2026, tentando pelo Ceará, já não tinha mais base.
Mas por que caiu? O texto não explica as razões. Ele perdeu apoio porque o eleitorado mudou? Porque sua marca envelheceu? Porque não fez o trabalho na Câmara? Não sabemos.
É verdade. O que sabemos é que a persona que funcionou em 2010 — o humorista, o bordão "Pior que tá, não fica" — não sustentou uma carreira política de longo prazo.
E quando ele mudou para o Ceará, tentou algo diferente?
Mudou de estado, mudou de partido, saiu do PL para o PSD. Mas chegou tarde demais, ou a estratégia não funcionou. Os números falam por si.
Aqui está o ponto: não sabemos se a queda em São Paulo foi porque as pessoas deixaram de gostar dele, ou porque o sistema político mudou, ou porque ele não se reinventou. A gente vê o resultado, mas não a causa.
Então é possível que ele tenha sido um fenômeno de momento?
Parece que sim. Um humorista que virou deputado em um momento específico, com uma campanha específica, e que não conseguiu manter aquela energia ao longo dos anos.
E vale notar: ele foi questionado pelo Ministério Público Eleitoral sobre sua alfabetização em 2010, foi submetido a teste, e foi absolvido. Mas essa controvérsia inicial não aparece conectada à sua queda posterior. Não sabemos se afetou sua reputação ou não.
Então quando ele sai em janeiro de 2027, é realmente o fim?
Por enquanto, sim. Mas "ao menos por enquanto" é o que a reportagem diz. Deixa a porta aberta.
Il Polso
- A tentativa de reinvenção foi radical: Tiririca mudou de estado, de partido e de identidade eleitoral, apostando que as raízes cearenses poderiam salvar uma carreira em colapso.
- Os números, porém, eram implacáveis — de 1,3 milhão de votos em 2010, ele havia caído para 71 mil em 2022, uma erosão que nenhuma mudança de domicílio conseguiria reverter.
- Os 5.523 votos recebidos no Ceará representam uma queda de mais de 99% em relação ao seu pico, tornando a derrota não apenas eleitoral, mas simbólica.
- Sem mandato a partir de fevereiro de 2027, Tiririca encerra uma das carreiras políticas mais incomuns da história recente do Brasil — iniciada no entretenimento e dissolvida nas urnas.
Há trajetórias políticas que nascem como espetáculo e se encerram como silêncio. Tiririca, o humorista cearense que em 2010 se tornou o deputado federal mais votado do Brasil com mais de 1,3 milhão de votos, tentou em 2026 recomeçar pelo Ceará, sua terra natal — e recebeu apenas 5.523 votos. Dezesseis anos separam o auge do fim, e entre eles há uma lição sobre a natureza efêmera da popularidade quando ela não se transforma em enraizamento político.
O humorista Tiririca encerrou sua trajetória na Câmara dos Deputados da mesma forma que a construiu: com números que falam por si. Mas desta vez, eles contam uma história de declínio. Após dezesseis anos representando São Paulo, ele tentou recomeçar pelo Ceará, seu estado natal, nas eleições de 2026. Recebeu 5.523 votos. Não foi suficiente.
Em 2010, Tiririca havia conquistado 1.353.820 votos e se tornado o deputado federal mais votado do Brasil, transformando sua persona cômica em força política real. O bordão "Pior que tá, não fica" levou às urnas um eleitorado que via nele algo diferente. Eleito pelo então Partido da República, iniciou quatro mandatos consecutivos.
O que se seguiu foi uma erosão constante. Em 2014, ainda em São Paulo, recebeu pouco mais de 1 milhão de votos. Em 2018, menos de 454 mil. Em 2022, apenas 71.754. A cada ciclo, o eleitorado que o havia elevado ao topo se afastava com velocidade crescente.
Em 2025, aos 61 anos, Tiririca apostou na reinvenção: mudou o domicílio eleitoral para Itapipoca, sua cidade natal, e trocou o Partido Liberal pelo Partido Social Democrático. Era um retorno às origens — e uma última tentativa. A aposta não funcionou. Ele deixará o cargo em 31 de janeiro de 2027, encerrando em silêncio o que começou como um dos maiores fenômenos eleitorais já registrados no país.
O humorista cearense Tiririca saiu da Câmara dos Deputados como entrou: marcado por números que contam uma história. Mas desta vez, a história é de queda. Depois de dezesseis anos representando São Paulo, ele tentou retomar sua carreira política pelo Ceará, seu estado natal, nas eleições de 2026. Recebeu 5.523 votos. Não foi suficiente.
Em 2010, quando se candidatou pela primeira vez, Tiririca conquistou 1.353.820 votos e se tornou o deputado federal mais votado do Brasil naquele ano. O resultado foi extraordinário — um fenômeno eleitoral que transformou o personagem de televisão em força política real. Ele havia construído sua campanha em torno do bordão "Pior que tá, não fica", levando para as urnas a mesma persona que o tornara conhecido no entretenimento. Eleito pelo então Partido da República, iniciou uma sequência de quatro mandatos consecutivos.
Mas a trajetória que se seguiu foi de declínio constante. A cada eleição, seus números encolhiam. Em 2014, ainda em São Paulo, recebeu 1.016.796 votos — uma queda de mais de trezentos mil. Em 2018, caiu para 453.855. Em 2022, o colapso se aprofundou: apenas 71.754 votos. A progressão era clara e irreversível. Dezesseis anos após seu pico, o eleitorado que o havia elevado ao topo o abandonava, lentamente no início, depois com velocidade crescente.
Diante desse cenário, Tiririca tomou uma decisão em 2025: mudaria de domicílio eleitoral e tentaria reconstruir sua carreira política no Ceará, onde havia nascido, em Itapipoca. Aos 61 anos, ele também trocou de legenda, deixando o Partido Liberal para disputar a eleição pelo Partido Social Democrático. Era uma tentativa de reinvenção, um retorno às origens.
A aposta não funcionou. Os 5.523 votos que recebeu no Ceará não apenas o deixaram fora da Câmara, mas também encerraram, ao menos por enquanto, sua carreira política. Ele deixará o cargo ao término da legislatura, em 31 de janeiro de 2027. O que começou como um dos maiores fenômenos eleitorais já registrados no país terminou em silêncio, com números que não deixam margem para interpretação. Entre 2010 e 2026, Tiririca perdeu mais de 99% de seus votos.
Citazioni salienti
Pior que tá, não fica— Bordão de campanha de Tiririca em 2010