De 1,3 milhão a 5 mil votos: Tiririca não consegue vaga no CE após 16 anos como deputado

De 1,3 milhão de votos para 5 mil em dezesseis anos
A trajetória eleitoral de Tiririca resume-se nesta queda vertiginosa, do auge em 2010 ao encerramento de sua carreira em 2026.
Mark

Como um deputado que foi o mais votado do Brasil em 2010 acaba recebendo apenas 5 mil votos dezesseis anos depois?

Mimi

É uma queda que não aconteceu de repente. A votação de Tiririca caiu progressivamente a cada eleição — de 1,3 milhão em 2010 para pouco mais de 71 mil em 2022. Quando ele tentou se reinventar no Ceará, já havia perdido quase toda a sua base eleitoral.

Luke

Mas por que caiu? O texto não explica as razões. Ele saiu de São Paulo, mudou de partido, tentou voltar ao Ceará. Isso pode ter contribuído, mas não sabemos ao certo o que causou a erosão inicial.

Mark

Ele era humorista. Isso ajudou ou prejudicou sua carreira política?

Mimi

Ajudou no começo. Ele levou para a política a persona que havia construído na televisão, usava o bordão "Pior que tá, não fica" como marca registrada da campanha. Isso funcionou em 2010, quando era novidade.

Luke

Mas a fonte não diz se o humor deixou de funcionar, se as pessoas se cansaram dele, ou se simplesmente a política mudou. Sabemos que a votação caiu, mas não sabemos por quê.

Mark

E a mudança para o Ceará? Era uma estratégia desesperada?

Mimi

Parecia ser uma tentativa de reconstrução. Em 2025, vendo que sua votação em São Paulo havia desabado para 71 mil votos, ele decidiu voltar ao seu estado de origem, Itapipoca, e tentar começar de novo com um novo partido, o PSD.

Luke

A gente não sabe se essa mudança foi bem recebida no Ceará ou se chegou tarde demais. Cinco mil votos é muito pouco para qualquer lugar, mas não temos contexto sobre como ele foi recebido lá.

Mark

Ele enfrentou alguma controvérsia durante esses dezesseis anos?

Mimi

No início da carreira, o Ministério Público Eleitoral o questionou sobre sua declaração de alfabetização. Havia suspeita de que pudesse ser falsa. Ele foi submetido a um teste de leitura e ditado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, mas foi absolvido.

Luke

Isso é interessante porque mostra que havia dúvidas sobre sua capacidade desde o início, mas não sabemos se isso afetou sua reputação ao longo dos anos ou se contribuiu para a queda de votos.

  • Tiririca recebeu 5.523 votos no Ceará em 2026, encerrando sua carreira política
  • Em 2010, foi o deputado federal mais votado do Brasil com 1.353.820 votos
  • Sua votação caiu progressivamente: 1.353.820 (2010) → 1.016.796 (2014) → 453.855 (2018) → 71.754 (2022) → 5.523 (2026)
  • Deixará a Câmara dos Deputados em 31 de janeiro de 2027

Tiririca recebeu 5.523 votos na tentativa de se eleger pelo Ceará, seu estado de origem, após 16 anos representando São Paulo. Em 2010, o humorista foi o deputado federal mais votado do Brasil com 1.353.820 votos, mas sua votação caiu progressivamente a cada eleição.

Humorista cearense Tiririca não conseguiu se eleger deputado federal pelo Ceará com apenas 5.523 votos, encerrando carreira política que começou com 1,3 milhão de votos em 2010.

Tiririca saiu do palco da política brasileira como entrou nela: como personagem. Mas desta vez, não foi com o bordão que o tornou famoso. Em outubro de 2026, o humorista cearense recebeu 5.523 votos em sua tentativa de se eleger deputado federal pelo Ceará, seu estado natal. Não foi suficiente. Aos 61 anos, depois de dezesseis anos consecutivos na Câmara dos Deputados representando São Paulo, ele não conseguiu renovar seu mandato.

A trajetória eleitoral de Tiririca é uma parábola sobre a volatilidade do voto no Brasil. Em 2010, quando se apresentou às urnas pela primeira vez, conquistou 1.353.820 votos por São Paulo — a maior votação registrada para deputado federal naquele pleito. Era o auge. Um humorista que havia construído sua carreira na televisão durante os anos 1990, conhecido pelo bordão "Pior que tá, não fica", havia transformado aquela frase em fenômeno eleitoral. Ele foi eleito pelo então Partido da República e iniciou uma sequência de quatro mandatos seguidos.

Mas o que sobe pode descer. A votação de Tiririca começou a cair de forma acentuada a cada eleição. Em 2014, recebeu 1.016.796 votos — ainda expressivo, mas já uma queda de cerca de 25%. Em 2018, o número caiu para 453.855. Em 2022, chegou a apenas 71.754 votos. A erosão foi progressiva e inexorável. Dezesseis anos depois de sua estreia triunfal, o fenômeno eleitoral havia se esvaziado.

Diante desse cenário, Tiririca tomou uma decisão em 2025: mudaria de domicílio eleitoral e tentaria reconstruir sua carreira política no Ceará, o estado onde nasceu, em Itapipoca. Também trocou de partido, deixando o Partido Liberal para disputar a eleição pelo Partido Social Democrático. Era uma tentativa de reinvenção, de voltar às origens e começar do zero. Não funcionou.

Os 5.523 votos que recebeu no Ceará representam não apenas uma derrota eleitoral, mas o encerramento de um capítulo político que havia começado com uma das maiores votações já registradas no país. A queda de 1.353.820 para 5.523 votos ao longo de dezesseis anos é uma medida da distância percorrida — não em quilômetros, mas em relevância política e conexão com o eleitorado.

Tiririca deixará a Câmara dos Deputados ao término da legislatura atual, em 31 de janeiro de 2027. Não há indicação de que ele tentará retornar à política. O humorista que uma vez transformou o humor em voto agora sai do cenário político sem a mesma luz que o iluminou quando chegou. É o fim de um ciclo que começou com uma pirueta e termina em silêncio.

Pior que tá, não fica
— Bordão de campanha de Tiririca em 2010
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