Há histórias políticas que começam como espetáculo e terminam em silêncio. Tiririca, o humorista cearense que em 2010 se tornou o deputado federal mais votado do Brasil com mais de 1,3 milhão de votos, encerrou sua trajetória de dezesseis anos na Câmara ao receber apenas 5.523 votos em 2026 — desta vez tentando se reeleger pelo Ceará, sua terra natal. A tentativa de reinvenção, com mudança de estado e de partido, não foi suficiente para reverter uma erosão que se acumulou mandato a mandato. O que resta é a pergunta que todo fenômeno eleitoral eventualmente provoca: o que sustenta uma votação q
De 1,3 milhão a 5 mil votos: Tiririca não consegue reeleição após 16 anos
De 1,3 milhão a 5 mil votos: o fim de um fenômeno
Como um deputado que recebeu 1,3 milhão de votos em 2010 termina com apenas 5 mil em 2026? Isso é uma queda de 99%.
Exatamente. E não foi de uma eleição para a outra — foi progressivo. A votação caiu a cada pleito. Ele manteve os mandatos, mas a base eleitoral encolhia.
A reportagem diz que caiu "progressivamente", mas não fornece os números intermediários. Sabemos o ponto de partida e o ponto final, mas não vemos a trajetória real.
E por que ele decidiu sair de São Paulo e ir para o Ceará?
Ele é natural de Itapipoca, no interior do Ceará. Talvez tenha pensado que voltando à origem conseguiria reconstruir. Mudou de legenda também — saiu do Partido Liberal para o PSD.
Mas a reportagem não explica a estratégia dele. Por que acreditava que isso funcionaria? Ele tinha base no Ceará? Isso não fica claro.
E quanto àquele episódio do teste de alfabetização? Isso voltou a ser um problema?
Não há indicação disso na cobertura. Ele foi absolvido em 2010, e a questão não aparece novamente. Parece ter sido superada naquela época.
Mas também não sabemos se isso afetou sua reputação a longo prazo, se virou uma piada que o acompanhou, ou se foi completamente esquecido. A reportagem não toca nisso.
Então ele sai da Câmara em janeiro de 2027. E depois?
A reportagem diz "ao menos por enquanto", sugerindo que a porta não está completamente fechada. Mas não há indicação de planos futuros.
Exatamente. "Ao menos por enquanto" é uma frase que levanta mais perguntas que respostas. O que ele fará depois? Voltará ao entretenimento? Tentará novamente em 2028?
O Pulso
- De 1,3 milhão de votos em 2010 para 5.523 em 2026 — a queda de Tiririca não foi colapso súbito, mas erosão lenta e implacável ao longo de quatro mandatos.
- Aos 61 anos, o humorista apostou na reinvenção: trocou São Paulo pelo Ceará natal e o Partido Liberal pelo Partido Social Democrático, numa tentativa de recomeço que não encontrou respaldo nas urnas.
- A persona que conquistou o Brasil na televisão — o bordão, o humor, o personagem — nunca se traduziu plenamente em atuação parlamentar, e o eleitorado foi, aos poucos, abandonando o que havia elegido.
- Com a derrota confirmada, Tiririca deixará a Câmara em 31 de janeiro de 2027, encerrando uma trajetória política que começou como fenômeno e termina quase em anonimato eleitoral.
Há histórias políticas que começam como espetáculo e terminam em silêncio. Tiririca, o humorista cearense que em 2010 se tornou o deputado federal mais votado do Brasil com mais de 1,3 milhão de votos, encerrou sua trajetória de dezesseis anos na Câmara ao receber apenas 5.523 votos em 2026 — desta vez tentando se reeleger pelo Ceará, sua terra natal. A tentativa de reinvenção, com mudança de estado e de partido, não foi suficiente para reverter uma erosão que se acumulou mandato a mandato. O que resta é a pergunta que todo fenômeno eleitoral eventualmente provoca: o que sustenta uma votação quando o espetáculo termina?
Em 2010, Tiririca entrou para a história eleitoral brasileira com 1.353.820 votos — o maior número já obtido por um candidato a deputado federal naquele ano. Em 2026, saiu das urnas com 5.523. Entre esses dois números, dezesseis anos de uma carreira política construída sobre os alicerces improváveis de uma carreira de entretenimento.
Natural de Itapipoca, no Ceará, o humorista havia conquistado projeção nacional na televisão durante os anos 1990. Em 2010, levou para a política a mesma persona consolidada nas telas: o bordão "Pior que tá, não fica" virou marca de campanha, e o humor funcionou como estratégia eleitoral. Ele se elegeu pelo Partido da República e cumpriu quatro mandatos consecutivos representando São Paulo na Câmara dos Deputados.
Mas a votação que o transformou em fenômeno não se sustentou. A cada pleito, os números recuaram. Não houve ruptura — foi desgaste. O personagem que funcionava na tela encontrou dificuldades no plenário, e o eleitorado foi, gradualmente, se afastando.
Em 2026, aos 61 anos, Tiririca tentou uma reinvenção: voltou ao Ceará, sua terra natal, e trocou o Partido Liberal pelo Partido Social Democrático. A aposta não se converteu em votos. Sua trajetória política — iniciada como um dos maiores fenômenos eleitorais do país — encerra-se em 31 de janeiro de 2027, quando deixará a Câmara ao término da legislatura. Se a queda foi desgaste natural, rejeição ao político que o personagem se tornou, ou simplesmente o fim de um ciclo, permanece em aberto.
Tiririca saiu das urnas em 2026 com 5.523 votos. Dezesseis anos antes, ele havia entrado nelas com 1.353.820 — o maior número de votos já recebido por um candidato a deputado federal naquele ano. A queda não foi gradual. Foi um despencar.
O humorista cearense, natural de Itapipoca, havia construído uma carreira política improvável sobre os alicerces de uma carreira de entretenimento. Na década de 1990, ganhou projeção nacional como comediante. Em 2010, levou para as urnas a mesma persona que havia consolidado na televisão — o bordão "Pior que tá, não fica" virou marca registrada daquela candidatura, e a campanha funcionava através do humor. Ele se elegeu pelo Partido da República, iniciando uma sequência de quatro mandatos consecutivos representando São Paulo na Câmara dos Deputados.
Mas a votação que o transformou em fenômeno eleitoral não se sustentou. A cada pleito, os números caíram. Não houve um colapso súbito — foi erosão. Dezesseis anos de desgaste político, de promessas não cumpridas ou esquecidas, de um personagem que funcionava melhor na tela que no plenário.
Em 2026, aos 61 anos, Tiririca tentou reconstruir. Mudou de estado — saiu de São Paulo e voltou ao Ceará, sua terra natal. Mudou de legenda também, deixando o Partido Liberal para disputar a eleição pelo Partido Social Democrático. Era uma tentativa de reinvenção. Não funcionou.
Antes de sua estreia política, Tiririca havia enfrentado questionamentos do Ministério Público Eleitoral sobre sua declaração de alfabetização. Havia suspeita de que pudesse ser falsa. Ele foi submetido a um teste de leitura e ditado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Ao final, foi absolvido. A questão não impediu sua eleição em 2010, quando a força de sua votação varreu qualquer dúvida sobre sua legitimidade.
Agora, com a derrota nas urnas, Tiririca deixará a Câmara dos Deputados ao término da legislatura, em 31 de janeiro de 2027. Sua trajetória política — que começou como um dos maiores fenômenos eleitorais já registrados no país — encerra, ao menos por enquanto, com um resultado que mal alcançou cinco mil votos. O que explica uma queda tão profunda permanece em aberto: se foi desgaste natural, se foi rejeição ao político que o personagem se tornou, ou se foi simplesmente o fim de um ciclo que nunca deveria ter durado tanto quanto durou.
Citações Notáveis
Pior que tá, não fica— Bordão de campanha de Tiririca em 2010