Em setembro de 2026, a disputa pela presidência do Brasil permanece suspensa entre dois projetos de país: Lula, com 40% no primeiro turno, recupera fôlego após semanas de avanço de Flávio Bolsonaro, que marca 36%. A pesquisa Datafolha, realizada em 125 municípios, revela menos uma virada do que um reequilíbrio — a campanha petista respira, mas o segundo turno, com 47% contra 45%, continua a lembrar que nenhum dos lados pode celebrar antes do tempo.
Datafolha traz alívio a Lula; Flávio aposta em voto útil na reta final
O ritmo de erosão parou, mas a disputa segue aberta
Por que essa oscilação de um ponto percentual representa alívio para Lula se ele já estava à frente?
Porque Flávio vinha avançando semana após semana. Lula tinha dez pontos de vantagem quatro meses atrás e isso caiu para três. Um ponto de recuperação significa que o ritmo de erosão parou.
Mas dentro da margem de erro de dois pontos, essa diferença de um ponto não é estatisticamente significativa, certo?
Correto. Numericamente, eles estão em empate técnico. Mas a direção importa — Lula parou de cair.
E no segundo turno? Lá a diferença é maior.
Dois pontos — Lula com 47%, Flávio com 45%. Também dentro da margem de erro, mas novamente com probabilidade estatística maior de que Lula esteja à frente.
A questão é: quanto desse movimento se deve à campanha de Lula e quanto se deve ao desgaste natural de Flávio? A fonte não separa isso.
A equipe de Lula atribui ao ajuste de estratégia e à comparação direta com Flávio. Mas você tem razão — não sabemos o peso de cada fator.
E quanto ao Bolsa Família? Lula gastará R$ 22,7 bilhões em 2027 com esse aumento.
Entre beneficiários, Lula subiu de 52% para 53% e Flávio caiu de 28% para 27%. Movimento pequeno.
Mas a equipe de Flávio diz que é cedo para medir o impacto real — que ele virá quando todos receberem o reajuste pela primeira vez.
Exatamente. Essa é uma incerteza legítima. O efeito eleitoral pode não estar totalmente capturado ainda.
Então estamos em um empate técnico que pode ir para qualquer lado?
Sim. A reta final é aberta.
El Pulso
- Após meses vendo Flávio Bolsonaro reduzir uma diferença de dez pontos para apenas três, a campanha de Lula vivia um estado de alerta silencioso — e a nova pesquisa interrompe essa sangria.
- O anúncio de R$ 22,7 bilhões em reajuste do Bolsa Família foi a aposta mais cara do governo para reconquistar eleitores, mas aliados de Flávio minimizam seu efeito, chamando de irrisória a oscilação de um ponto obtida pelo presidente.
- A equipe petista atribui a recuperação a ajustes operacionais na campanha e a uma estratégia deliberada de comparação direta entre Lula e o senador, que teria tirado o presidente de uma situação de sufocamento.
- Flávio mantém sua aposta no voto útil da direita fragmentada — Caiado com 4%, Renan Santos com 3% — como reservatório decisivo para o segundo turno.
- O segundo turno, com apenas dois pontos de diferença dentro da margem de erro, permanece uma disputa aberta: qualquer evento — escândalo, debate, crise institucional — pode ainda redefinir o resultado final.
Em setembro de 2026, a disputa pela presidência do Brasil permanece suspensa entre dois projetos de país: Lula, com 40% no primeiro turno, recupera fôlego após semanas de avanço de Flávio Bolsonaro, que marca 36%. A pesquisa Datafolha, realizada em 125 municípios, revela menos uma virada do que um reequilíbrio — a campanha petista respira, mas o segundo turno, com 47% contra 45%, continua a lembrar que nenhum dos lados pode celebrar antes do tempo.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira trouxe alívio à campanha de Lula. Depois de semanas em que Flávio Bolsonaro vinha ganhando terreno, o petista recuperou um ponto percentual, ampliando sua vantagem no primeiro turno para 40% contra 36% do senador. A margem de erro de dois pontos mantém o cenário dentro do limite estatístico de empate, mas a probabilidade de que Lula esteja à frente voltou a crescer. No segundo turno, o quadro permanece acirrado: 47% para Lula e 45% para Flávio.
O levantamento, realizado nos dias 22 e 23 de setembro com 2.002 eleitores em 125 municípios, foi encomendado pela Folha e pela TV Globo e está registrado na Justiça Eleitoral. Para aliados do presidente, os números confirmam o que monitoramentos internos do PT já indicavam. O ministro José Guimarães afirmou que o partido ajustou o rumo e que há chances de vitória no primeiro turno, desde que a militância leve a campanha às ruas. O coordenador da campanha em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, avaliou que a estratégia de comparação direta entre Lula e o filho de Jair Bolsonaro surtiu efeito.
Do lado de Flávio, a leitura foi diferente. Assessores do senador viram nos resultados mais estabilidade do que avanço petista, e questionaram o impacto eleitoral do reajuste do Bolsa Família — que custará R$ 22,7 bilhões em 2027 —, argumentando que uma oscilação de apenas um ponto é pequena diante do esforço do governo. A equipe mantém a aposta no voto útil de eleitores de outros candidatos da direita, como Caiado e Renan Santos, para a reta final.
Flávio havia caído nas pesquisas após o escândalo do 'Dark Horse', mas se recuperou em meio à crise no Supremo Tribunal Federal envolvendo o caso Master. Agora, a revelação de que voou dos Estados Unidos ao Brasil em jato do Banco Master representa novo desgaste, ainda de impacto incerto. Entre beneficiários do Bolsa Família, Lula subiu de 52% para 53%, enquanto Flávio oscilou de 28% para 27%. A distância entre os dois, que havia caído de dez para três pontos em quatro meses, voltou a quatro — e a disputa segue aberta.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira trouxe respiro à campanha de Lula. Depois de semanas vendo Flávio Bolsonaro ganhar terreno, o petista recuperou um ponto percentual, ampliando sua vantagem no primeiro turno para 40% contra 36% do senador. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos, o que significa que numericamente a distância entre eles voltou a quatro pontos — ainda dentro do limite estatístico de empate, mas com probabilidade maior de que Lula esteja à frente.
O levantamento foi realizado nos dias 22 e 23 de setembro, ouvindo 2.002 eleitores em 125 municípios. Encomendado pela Folha e pela TV Globo, está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-00304/2026. No segundo turno, porém, o quadro permanece acirrado: Lula marca 47% e Flávio 45%, mantendo um cenário de disputa aberta.
Para a equipe de Lula, os números refletem o que monitoramentos internos do PT já previam. Aliados do presidente atribuem a desaceleração do avanço de Flávio às estratégias de campanha implementadas nas últimas semanas, incluindo ajustes que resolveram atrasos na distribuição de materiais de propaganda para os estados. O ministro José Guimarães afirmou que o partido ajustou o rumo e que tem chances de vencer no primeiro turno se a militância levar a campanha às ruas. Ele caracterizou a campanha de Flávio como baseada em mentiras e disse que o Brasil agora conhece quem é o senador.
Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha em São Paulo, considerou que houve uma estratégia bem-sucedida de comparação entre Lula e o filho de Jair Bolsonaro. Um auxiliar do governo corroborou essa percepção, descrevendo a pesquisa como reflexo de um realinhamento da campanha que tirou o petista de uma situação anterior de certo sufocamento.
A equipe de Flávio, por sua vez, viu nos resultados mais estabilidade do que mudança favorável ao petista. Mantém a aposta no voto útil de eleitores de outros candidatos da direita para atrair votos na reta final. Um interlocutor do senador questionou o impacto eleitoral do aumento do Bolsa Família anunciado por Lula, que custará R$ 22,7 bilhões em 2027. Segundo esse assessor, uma oscilação de um ponto para cima do presidente é muito pequena diante de todo o esforço e energia gastos pelo governo com esses anúncios, levando-o a concluir que o cenário é ruim para Lula.
Auxiliares de Flávio afirmam que o momento ainda é de maré favorável ao senador, apesar de novos desgastes, como a revelação de que ele voou dos Estados Unidos ao Brasil em 2025 em um jato de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio havia caído nas pesquisas após o escândalo do "Dark Horse", mas se recuperou em meio à crise instalada no Supremo Tribunal Federal devido ao caso Master, que atingiu também o ministro Alexandre de Moraes.
Entre beneficiários do Bolsa Família, Lula tinha 52% na semana anterior e agora marca 53%, enquanto Flávio oscilou de 28% para 27%. A simulação do primeiro turno inclui ainda Augusto Cury com 5%, Ronaldo Caiado com 4% e Renan Santos com 3%. Romeu Zema e Samara aparecem com 1% cada. Cinco por cento optam pelo voto branco ou nulo, e 2% estão indecisos.
Numericamente, Flávio não manteve a ascensão gradual que havia reduzido a diferença entre ele e Lula de dez para três pontos em quatro meses. Agora, com a recuperação de um ponto do petista, essa distância voltou a quatro pontos. A avaliação entre integrantes do centrão se divide: alguns dizem que o pacote de benefícios de Lula não terá efeito eleitoral, enquanto outros acham cedo para medir esse impacto, que viria apenas quando todos os beneficiários do Bolsa Família tiverem recebido o reajuste pela primeira vez.
Citas Notables
Ajustamos o rumo. Temos chances de vencer no primeiro turno se a militância levar nossa campanha às ruas nessa reta final— Ministro José Guimarães (Relações Institucionais)
O Datafolha mostra o crescimento do presidente Lula e a estagnação do nosso adversário que faz uma campanha baseada na mentira— José Guimarães