Em Pernambuco, a disputa pelo governo estadual revela aquilo que as democracias frequentemente escondem sob números: não há um povo unificado, mas muitos eleitorados sobrepostos. A pesquisa Datafolha de julho de 2026 coloca a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos em empate técnico no segundo turno simulado — 49% contra 45% —, sinalizando que a definição do próximo mandato dependerá menos de uma maioria clara e mais de qual candidato consegue mobilizar com maior eficiência seus próprios redutos. A campanha, ainda em curso, permanece genuinamente aberta.
Datafolha: Raquel Lyra e João Campos empatam tecnicamente no 2º turno em PE
A distância caiu de sete para quatro pontos em três meses
Por que essa queda de sete para quatro pontos percentuais entre maio e agora importa tanto se ainda há empate técnico?
Porque mostra movimento. Lyra não está crescendo — está caindo. Campos está ganhando terreno. A trajetória é tão importante quanto o número no momento.
E por que Campos lidera entre pessoas com menos educação formal?
Essa é uma pergunta que a campanha dele provavelmente está fazendo também. Pode ser mensagem, pode ser história pessoal, pode ser que ele esteja conectando com quem se sente mais distante da política tradicional.
Os evangélicos com 62% para Lyra — isso é decisivo?
Em Pernambuco, evangélicos são um bloco significativo. Sessenta e dois por cento é uma vantagem real. Mas não é tudo. Campos compensa em outros lugares.
E aquele 1% que ainda menciona Eduardo Campos, o pai dele, morto em 2014?
É um fantasma. Mostra que a morte dele deixou um vazio que nunca foi totalmente preenchido. Alguns eleitores ainda pensam nele quando pensam em Pernambuco.
Por que 78% não sabem em quem votar para o Senado?
Porque o Senado é invisível. As pessoas votam para governador, para presidente. Senador é distante. E com seis, sete candidatos viáveis, não há um rosto claro.
Então a eleição se decide mesmo no segundo turno?
Provavelmente. O primeiro turno vai definir quem vai, mas o segundo turno é onde a coisa fica real.
The Pulse
- A vantagem de sete pontos que Lyra detinha em maio encolheu para quatro no primeiro turno e praticamente evaporou na simulação de segundo turno, indicando que Campos recuperou terreno de forma consistente.
- A margem de erro de três pontos percentuais transforma qualquer leitura dos números em exercício de incerteza — nenhum dos dois candidatos pode reivindicar liderança segura neste momento.
- A disputa se fragmenta por identidade: Lyra domina entre evangélicos e bolsonaristas, enquanto Campos concentra força entre eleitores de menor escolaridade e lulistas, revelando uma eleição que espelha as fraturas do país.
- No Senado, a desorientação é ainda maior — 78% dos eleitores declaram não saber em quem votarão, e os candidatos mais bem colocados estão todos dentro da margem de erro entre si.
- Os próximos meses definirão se Lyra consolida sua liderança estrutural ou se Campos transforma vantagens segmentadas em uma coalizão capaz de vencer no geral.
Em Pernambuco, a disputa pelo governo estadual revela aquilo que as democracias frequentemente escondem sob números: não há um povo unificado, mas muitos eleitorados sobrepostos. A pesquisa Datafolha de julho de 2026 coloca a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos em empate técnico no segundo turno simulado — 49% contra 45% —, sinalizando que a definição do próximo mandato dependerá menos de uma maioria clara e mais de qual candidato consegue mobilizar com maior eficiência seus próprios redutos. A campanha, ainda em curso, permanece genuinamente aberta.
A corrida pelo governo de Pernambuco entrou em território incerto. O Datafolha divulgado na última sexta-feira mostra Raquel Lyra e João Campos em empate técnico no segundo turno simulado — 49% contra 45% —, diferença que cabe inteiramente dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
O cenário se transformou desde maio. Naquela pesquisa, Lyra tinha sete pontos de vantagem. Agora, a distância caiu para quatro pontos no primeiro turno e quase desapareceu na simulação de segundo turno. A pesquisa ouviu 1.022 eleitores e foi registrada no TSE sob o número PE-04519/2026.
Os números revelam uma campanha que se decide por redutos, não por maioria geral. Lyra vence entre evangélicos com 62% a 31% e entre eleitores de Bolsonaro com 70% a 23%. Campos lidera entre quem estudou até o ensino fundamental, com 54% a 40%, e entre votantes de Lula, com 57% a 40%. Entre mulheres, empate técnico; entre homens, Lyra abre 53% a 42%.
Na pesquisa espontânea, Lyra é citada por 38% dos eleitores e Campos por 25%, com um quarto dos entrevistados sem indicar nenhum nome. Curiosamente, 1% ainda mencionou Eduardo Campos, ex-governador morto em 2014 — sinal de que a memória política da família ressoa no estado.
A disputa pelo Senado, com duas vagas em jogo, apresenta quadro ainda mais fragmentado. Marília Arraes lidera numericamente com 18%, mas está empatada tecnicamente com Humberto Costa, Mendonça Filho e outros. O dado mais revelador: 78% dos eleitores afirmam não saber em quem votarão para o Senado. A definição do próximo governo estadual permanece, por ora, genuinamente em aberto.
A corrida pelo governo de Pernambuco entrou em território incerto. Uma pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira mostra a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito do Recife João Campos em empate técnico caso cheguem ao segundo turno — ela com 49% das intenções de voto, ele com 45%. A margem de erro de três pontos percentuais torna a disputa praticamente indecisa neste estágio da campanha.
O cenário mudou desde maio. Naquela época, Lyra tinha 51% e Campos 44%, uma vantagem de sete pontos. Agora, a diferença caiu para quatro pontos no primeiro turno — onde Lyra marca 48% e Campos 42% — e praticamente desapareceu na simulação de segundo turno. A pesquisa ouviu 1.022 eleitores entre terça e quinta-feira e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-04519/2026.
Os números revelam uma campanha que se define menos por preferência geral e mais por quem consegue mobilizar seus redutos. Entre evangélicos, Lyra vence com folga: 62% contra 31%. Entre eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 2022, a vantagem é ainda maior, 70% a 23%. Campos, por sua vez, lidera entre quem estudou apenas até o ensino fundamental, com 54% contra 40%, e entre votantes de Lula em 2022, com 57% contra 40%. Entre as mulheres, o empate é técnico — Campos com 47% e Lyra com 46%. Entre os homens, Lyra abre 53% a 42%.
Na pesquisa espontânea, onde os nomes não são sugeridos aos entrevistados, Lyra é mencionada por 38% dos eleitores, enquanto Campos aparece para 25%. Um quarto dos entrevistados não conseguiu indicar um candidato. Seis por cento disseram que votariam em branco ou nulo. Houve ainda 1% que mencionou Eduardo Campos, ex-governador e pai de João Campos, morto em 2014 — um sinal de que a memória política da família ainda reverbera no estado.
No primeiro turno, outros candidatos aparecem com votação marginal. Ivan Moraes, do PSOL, e Camila Falcão, da UP, registram 1% cada. Renan Hallais, da Missão, não pontuou. Votos em branco, nulo ou em nenhum dos nomes somam 5%, com 2% não sabendo responder.
A disputa pelo Senado, onde duas vagas estão em jogo, mostra um quadro ainda mais fragmentado. Marília Arraes, do PDT, aparece numericamente à frente com 18%, mas está tecnicamente empatada com Humberto Costa, do PT, que marca 15% em um cenário e 14% em outro. Mendonça Filho, do PL, tem 10% e também está tecnicamente empatado com Humberto. Miguel Coelho, do União Brasil, aparece com 9%, e Eduardo da Fonte, do PP, com 7%. Os demais candidatos pontuam abaixo de 5%. Votos em branco, nulo ou em nenhum candidato chegam a 21%, e 9% não souberam responder. O dado mais revelador: 78% dos eleitores afirmam que não sabem em quem vão votar para o Senado.
Com a campanha ainda em andamento e as margens de erro permitindo múltiplos cenários, a definição do próximo governo estadual permanece aberta. Os próximos meses dirão se Lyra consegue consolidar sua liderança ou se Campos consegue converter sua força entre segmentos específicos em uma vitória geral.
Notable Quotes
Na pesquisa espontânea, Raquel é citada por 38% dos eleitores, enquanto Campos aparece para 25%— Datafolha