Datafolha mostra Flávio Bolsonaro em ascensão, mas rejeição limita crescimento

Quarenta e cinco por cento nunca votariam nele — o mesmo que o ajudou agora o limita
A rejeição que acompanha o sobrenome Bolsonaro coloca um teto na campanha de Flávio, mesmo com seu crescimento rápido.
Mark

Como é possível Flávio ter ganho 12 pontos em três meses? Isso é movimento real ou volatilidade de pesquisa?

Mimi

Ele tinha praticamente zero de reconhecimento quando se lançou. O sobrenome Bolsonaro abriu portas na direita muito rapidamente. Mas a rejeição veio junto.

Luke

Espera — a margem de erro é de dois pontos. Então no segundo turno, a diferença de três pontos está tecnicamente fora da margem, não dentro. Não é exatamente um empate técnico.

Mimi

Verdade. Está muito perto, mas Lula ainda está numericamente à frente.

Mark

E aqueles sete por cento que não conhecem Flávio — eles vão para onde?

Mimi

Ninguém sabe. Pode ser rejeição, pode ser voto. É o grande ponto de interrogação.

Luke

Mas a rejeição dele já está em 45%. Se aqueles sete por cento virarem rejeição, ele ultrapassa Lula. Isso é um cenário real?

Mimi

É possível. Mas também é possível que ele conquiste alguns deles.

Mark

Lula perdeu 12 pontos desde dezembro. Ele está enfraquecido ou Flávio é que está forte?

Luke

Provavelmente os dois. Lula caiu, Flávio subiu. Mas não sabemos quanto dessa queda de Lula é movimento genuíno e quanto é volatilidade normal entre pesquisas.

Mimi

O que importa é que a corrida ficou muito mais aberta do que era em dezembro.

Mark

E Tarcísio? A equipe de Lula estava errada sobre ele?

Mimi

Parece que sim. Flávio se posicionou como a ameaça real, não Tarcísio.

  • Em apenas três meses, Flávio Bolsonaro saltou de 36% para 43% no segundo turno contra Lula, apagando uma vantagem que parecia confortável para o presidente petista.
  • A equipe de Lula havia apostado suas fichas em Tarcísio de Freitas como principal adversário — a pesquisa desfez esse cálculo e forçou uma releitura urgente da estratégia.
  • Com 45% de rejeição, Flávio carrega o desgaste do pai junto ao impulso do sobrenome, enquanto Lula enfrenta índice quase idêntico de 46%, tornando a disputa um confronto de rejeições espelhadas.
  • Sete por cento dos eleitores ainda não conhecem Flávio — um território em aberto que pode tanto ampliar sua base quanto elevar ainda mais sua rejeição conforme a campanha avança.
  • Ratinho Junior permanece como alternativa da direita com apenas 19% de rejeição, mas 38% de desconhecimento revelam que sua consolidação ainda está longe da de Flávio.

Em menos de três meses de pré-candidatura, Flávio Bolsonaro reduziu de 15 para 3 pontos percentuais sua distância para Lula num eventual segundo turno, segundo o Datafolha de março de 2026 — um movimento que surpreendeu estrategistas e reconfigurou o mapa da disputa presidencial. O sobrenome que o projetou rapidamente entre o eleitorado de direita carrega, porém, o mesmo peso que limita seu crescimento: 45% dos brasileiros afirmam que jamais votariam nele. A eleição que se desenha pode ser decidida menos pelo entusiasmo e mais pela rejeição mútua, num duelo em que os dois protagonistas compartilham tetos igualmente estreitos.

A pesquisa Datafolha divulgada em março de 2026 surpreendeu até os estrategistas do Palácio do Planalto. Em menos de três meses desde que Flávio Bolsonaro se lançou pré-candidato com o apoio do pai, o senador pelo PL transformou-se em ameaça concreta ao quarto mandato de Lula. No primeiro turno, a distância entre os dois varia de cinco a seis pontos — o presidente ainda à frente, mas sem a folga esperada.

O dado mais revelador está no segundo turno: Lula marca 46% e Flávio chega a 43%, diferença de três pontos dentro da margem de erro. É empate técnico. Em dezembro, o mesmo Datafolha apontava vantagem de 15 pontos para Lula — 51% contra 36%. Em noventa dias, Flávio recuperou 12 pontos percentuais. A equipe presidencial havia identificado Tarcísio de Freitas como o adversário mais perigoso. A pesquisa mostrou que o cálculo estava errado.

O otimismo de Flávio, porém, esbarra num número pesado: 45% dos entrevistados afirmam que jamais votariam nele. O sobrenome Bolsonaro acelerou sua ascensão na direita, mas trouxe consigo o desgaste acumulado pelo pai. A rejeição de Lula está no mesmo patamar — 46% —, configurando uma disputa que pode ser definida menos pelo que os eleitores querem e mais pelo que recusam.

Há ainda um espaço em aberto no mapa eleitoral de Flávio: 7% dos entrevistados disseram não o conhecer. Esse grupo pode converter-se em novos votos ou engrossar a rejeição conforme a campanha ganhe volume. Lula, por sua vez, é desconhecido por apenas 1% — seu teto está praticamente selado pela rejeição. Ratinho Junior, com 19% de rejeição e 38% de desconhecimento, representa uma direita mais ao centro, com mais espaço para crescer, mas também menos consolidada. Os próximos meses dirão qual dos caminhos Flávio percorrerá — e se aqueles sete por cento de desconhecidos se tornarão sua margem de vitória ou seu limite definitivo.

A pesquisa Datafolha divulgada no sábado passado desenha um cenário de movimento na corrida presidencial de 2026 que surpreendeu até os estrategistas de Lula. Em menos de três meses desde que Flávio Bolsonaro se lançou pré-candidato com o apoio do pai, o senador pelo PL conseguiu se consolidar como uma ameaça real ao quarto mandato do presidente petista. Nos cenários de primeiro turno, a distância entre os dois varia de cinco a seis pontos percentuais — Lula ainda à frente, mas não com a folga que sua equipe esperava.

O que mais impressiona está no segundo turno. Ali, a margem encolheu drasticamente. Lula marca 46% e Flávio chega a 43%, uma diferença de apenas três pontos que cai dentro da margem de erro de dois pontos percentuais da pesquisa. É um empate técnico. Para dimensionar o movimento: em dezembro, quando o Datafolha fez sua rodada anterior, Lula vencia por 15 pontos no segundo turno — 51% contra 36%. Em três meses, Flávio ganhou 12 pontos percentuais de terreno. A equipe presidencial havia identificado Tarcísio de Freitas, o governador de São Paulo, como o adversário mais competitivo. A pesquisa mostrou que estava errada.

Mas há um peso que puxa para baixo qualquer otimismo que Flávio possa sentir. Quarenta e cinco por cento dos entrevistados disseram que nunca votariam nele. É uma rejeição que acompanha o sobrenome Bolsonaro — o mesmo que o ajudou a ganhar terreno rapidamente em praticamente todo o espectro da direita também trouxe consigo o desgaste do pai. A rejeição de Lula está no mesmo patamar: 46% não votariam nele. Isso configura uma disputa que pode ser definida menos pelo que as pessoas querem e mais pelo que elas rejeitam.

O que torna a situação de Flávio particularmente aberta é um número que aparece na pesquisa: sete por cento dos entrevistados disseram que não o conhecem. Esse é o espaço em branco do mapa eleitoral dele. Parte desse desconhecimento pode se converter em rejeição conforme as pessoas aprendam mais sobre ele — e a rejeição dele ultrapassaria a de Lula. Mas há outra possibilidade: que Flávio consiga conquistar esse eleitorado restante assim que tomar conhecimento dele. Do outro lado, apenas um por cento dos entrevistados disse não conhecer Lula. O presidente tem praticamente nenhum espaço de crescimento por desconhecimento; seu teto está definido pela rejeição.

Ratinho Junior, o governador do Paraná pelo PSD, representa a direita de forma mais centrada na disputa. Ele carrega um perfil diferente: 19% de rejeição e 38% de desconhecimento. Tem mais espaço para crescer, mas também menos consolidação do que Flávio. Os próximos meses dirão se o filho do ex-presidente consegue transformar aqueles sete por cento de desconhecidos em votos, ou se eles se juntarão aos 45% que já o rejeitam. Qualquer um dos caminhos redefinirá o teto de sua campanha.

A equipe de Lula considerava Tarcísio de Freitas como o adversário mais competitivo, mas a pesquisa mostra que Flávio é quem de fato se posiciona como uma ameaça
— Análise da pesquisa Datafolha
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