A dez dias do primeiro turno, a disputa pela maior prefeitura do Brasil permanece suspensa num equilíbrio que nem a violência física entre bastidores conseguiu romper. Ricardo Nunes lidera com 27%, Guilherme Boulos o segue com 25% e Pablo Marçal avança para 21%, tornando o segundo lugar uma zona de incerteza estatística. O eleitorado paulistano, ainda com quase um terço indeciso, parece observar a campanha com uma distância que desafia os candidatos a encontrarem algo capaz de mover corações — e não apenas manchetes.
Datafolha mostra estabilidade na disputa pela Prefeitura de São Paulo
A violência na campanha não reconfigurou as escolhas dos paulistanos
Por que essa pesquisa importa se os números praticamente não mudaram?
Porque a estabilidade em si é a notícia. Uma semana com agressão física, confrontos diretos — e nada se mexeu. Isso diz que o eleitorado já formou sua opinião.
Mas Marçal subiu dois pontos. Nunes e Boulos oscilaram um ponto cada. Dentro da margem de erro de dois pontos, isso é movimento ou ruído?
Ruído, provavelmente. O padrão geral — Nunes na frente, Boulos colado, Marçal terceiro — permanece intacto.
E o soco? Como um assessor bate em outro e ninguém liga?
Ou o eleitorado já esperava agressividade dessa campanha, ou a violência não muda voto. A pesquisa sugere a segunda opção.
Ou ambos os candidatos envolvidos — Nunes e Marçal — já tinham seus votos consolidados. Quem ia votar neles continuou votando.
Então estamos vendo um segundo turno entre Nunes e Boulos?
Os números apontam para isso. As estratégias dos candidatos também. Nunes corteja evangélicos, Boulos trabalha a periferia com Lula.
Mas 28% ainda não sabem em quem votar. Isso é muito voto em jogo. Qualquer coisa pode acontecer no segundo turno.
E Marçal? Ele desistiu?
Não desistiu, mas estagnou. Tentou mudar de tom na sexta, voltou à agressividade na segunda. Não conseguiu sair do terceiro lugar.
A questão é se ele consegue crescer nos próximos dez dias. Os números não mostram trajetória de alta — mostram estagnação desde meados de setembro.
El Pulso
- Um soco desferido por assessor de Marçal contra marqueteiro de Nunes dominou a semana, mas não moveu um único ponto percentual nas pesquisas.
- Marçal ensaiou uma virada de postura moderada no SBT, mas voltou aos ataques dois dias depois e foi expulso ao vivo do debate do Flow.
- Boulos sofreu revés com o cancelamento da visita de Lula a São Paulo, adiando para véspera do primeiro turno o reforço mais esperado de sua campanha.
- Nunes avança em igrejas evangélicas ao lado de Tarcísio de Freitas, mas 44% dos seus próprios eleitores não sabem seu número de urna, apesar de ele dominar 65% do tempo em rádio e TV.
- Com 28% dos eleitores ainda indecisos e Marçal colado em Boulos dentro da margem de erro, o segundo lugar segue tecnicamente em disputa a menos de duas semanas do voto.
A dez dias do primeiro turno, a disputa pela maior prefeitura do Brasil permanece suspensa num equilíbrio que nem a violência física entre bastidores conseguiu romper. Ricardo Nunes lidera com 27%, Guilherme Boulos o segue com 25% e Pablo Marçal avança para 21%, tornando o segundo lugar uma zona de incerteza estatística. O eleitorado paulistano, ainda com quase um terço indeciso, parece observar a campanha com uma distância que desafia os candidatos a encontrarem algo capaz de mover corações — e não apenas manchetes.
A campanha pela Prefeitura de São Paulo chegou à sua reta final sem que o cenário se movesse. O Datafolha divulgado nesta quinta-feira mostrou Ricardo Nunes, do MDB, com 27% das intenções de voto, Guilherme Boulos, do PSOL, com 25% — uma oscilação de um ponto para baixo — e Pablo Marçal, do PRTB, subindo dois pontos para 21%. A proximidade entre Boulos e Marçal, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, torna o segundo lugar uma zona de incerteza real.
O episódio mais comentado da semana foi a agressão física de Nahuel Medina, assessor de Marçal, contra Duda Lima, marqueteiro de Nunes, durante o debate do Flow na segunda-feira — incidente que resultou na expulsão de Marçal do programa. Os números, porém, sugerem que a violência não reconfigurou as escolhas dos paulistanos. A pesquisa, que entrevistou 1.610 eleitores entre terça e quinta-feira, também revelou que 28% ainda não sabem em quem votar, o mesmo índice da semana anterior.
Na pergunta espontânea, sem lista de opções, Boulos liderou com 21%, Nunes manteve 16% e Marçal subiu de 15% para 16%. Já quando questionados sobre quem acreditam que vencerá, 41% apostam em Nunes — uma diferença significativa entre preferência e percepção de viabilidade.
Marçal havia ameaçado a liderança no fim de agosto, mas estagnou desde meados de setembro. Sua tentativa de adotar um tom mais moderado durou pouco: após um debate mais contido no SBT, voltou aos ataques no Flow e terminou expulso. Nunes, por sua vez, concentrou esforços no eleitorado conservador e evangélico, percorrendo igrejas ao lado de Tarcísio de Freitas. Boulos apostou na periferia e na associação com Lula, mas sofreu revés com o cancelamento da visita presidencial, adiada para o dia 5 de outubro, véspera do primeiro turno.
O levantamento também apontou lacunas no conhecimento dos eleitores sobre os números dos candidatos. Apesar de dominar 65% do tempo em rádio e TV, Nunes tem apenas 48% de acertos entre seus eleitores, com 44% sem saber seu número. Boulos e Marçal lideram nesse quesito, com 61% de acertos cada. A avaliação da gestão de Nunes permanece estável: 27% aprovam, 23% desaprovam e 47% consideram regular.
A campanha pela Prefeitura de São Paulo entrou em sua reta final com um cenário que se recusa a se mover. Uma semana marcada por confrontos físicos entre assessores dos candidatos não alterou as preferências dos eleitores, segundo levantamento do Datafolha divulgado nesta quinta-feira. Ricardo Nunes, do MDB, mantém 27% das intenções de voto, enquanto Guilherme Boulos, do PSOL, oscilou um ponto para baixo e agora marca 25%. Pablo Marçal, do PRTB, subiu dois pontos e chegou a 21%, aproximando-se perigosamente de Boulos — tão perto que ambos estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, tornando um empate entre eles tecnicamente possível.
O episódio mais comentado da semana foi o soco desferido por Nahuel Medina, assessor de Marçal, contra Duda Lima, marqueteiro de Nunes, durante o debate do Flow na segunda-feira. O incidente, que resultou na expulsão de Marçal do programa, não parece ter abalado o eleitorado. Os números desta quinta-feira sugerem que a violência na campanha não reconfigurou as escolhas dos paulistanos, e tampouco alterou as estratégias dos principais candidatos, que já se comportam como se disputassem um segundo turno entre si.
O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e registrado na Justiça Eleitoral sob o código SP-06090/2024, entrevistou 1.610 eleitores paulistanos entre terça e quinta-feira. No segundo pelotão, Tabata Amaral, do PSB, marcou 9%, enquanto José Luiz Datena, do PSDB, permaneceu em 6%, em empate técnico. Marina Helena, do Novo, caiu de 3% para 2%. Seis por cento dos entrevistados declararam voto branco ou nulo, e 3% não responderam — exatamente os mesmos índices da semana anterior.
Quando perguntados espontaneamente em qual candidato votariam, sem ver uma lista de opções, os eleitores revelaram um padrão ligeiramente diferente. Boulos liderou com 21%, caindo de 23% uma semana antes. Nunes manteve 16%, enquanto Marçal subiu de 15% para 16%. A dez dias do primeiro turno, 28% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar — o mesmo percentual da semana anterior.
Quando questionados sobre quem acreditam que vencerá a eleição, uma pergunta distinta da de intenção de voto, 41% apostam em Nunes. Boulos aparece em 22% das respostas, e Marçal em 20%. Essa diferença entre quem as pessoas votariam e quem elas acham que vai ganhar sugere uma leitura do eleitorado sobre a viabilidade dos candidatos que não necessariamente coincide com suas preferências.
Marçal chegou a ameaçar a liderança de Nunes e Boulos no fim de agosto, mas estagnou desde meados de setembro. Na sexta-feira passada, ensaiou uma mudança de postura, anunciando que abandonaria o tom agressivo e se comportaria como um governante. O debate do SBT pareceu confirmar essa virada, mas durou pouco. Na segunda-feira, voltou aos ataques, confrontou Nunes no Flow e terminou expulso do programa — exatamente quando a agressão de seu assessor ocorreu.
Nunes, por sua vez, tem investido nos últimos dias em público conservador, concedendo entrevistas a canais bolsonaristas onde se declarou contrário à obrigatoriedade da vacina da Covid. Percorreu igrejas evangélicas frequentemente acompanhado por Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que se consolidou como seu principal cabo eleitoral na ausência de Jair Bolsonaro em atos de campanha. Boulos concentrou seus esforços em Nunes, buscando crescimento na periferia através de carreatas e associação com o presidente Lula. Essa estratégia sofreu um revés com o cancelamento da visita de Lula à capital paulista no sábado — o presidente só deve chegar no dia 5, véspera do primeiro turno. Boulos e seus aliados esperam uma participação mais intensa do presidente caso haja segundo turno.
O Datafolha também investigou o conhecimento dos eleitores sobre os números dos candidatos. Quarenta e oito por cento responderam corretamente, uma melhora em relação aos 42% da semana anterior. Ainda assim, 42% não sabem o número de seu candidato, e 10% erraram. Boulos e Marçal levam vantagem nesse quesito, com 61% de acertos cada um. Nunes, apesar de dominar 65% do espaço em rádio e TV, tem apenas 48% de acertos entre seus eleitores, enquanto 44% não sabem seu número. Tabata e Datena enfrentam maiores dificuldades: 58% dos eleitores de Tabata não sabem seu número, enquanto 77% dos de Datena desconhecem a sequência.
A avaliação da gestão de Nunes à frente da Prefeitura permanece estável. Vinte e sete por cento aprovam seu trabalho, 23% desaprovam e 47% o consideram regular — praticamente idêntico aos 28%, 22% e 47% da semana anterior. Entre os mais pobres, aqueles que recebem até dois salários-mínimos, Nunes lidera com 32%, enquanto Boulos chega a 21% e Marçal a 15%. Entre evangélicos, que representam 22% dos entrevistados, a divisão é mais equilibrada: Marçal com 30%, Nunes com 29% e Boulos com 16%. Entre mulheres, Boulos lidera com 27%, seguido de Nunes com 26% e Marçal com 16%.
Citas Notables
Os números desta quinta corroboram que Nunes e Boulos preveem um enfrentamento no segundo turno— Análise da pesquisa Datafolha