Em Pernambuco, a política de 2026 começa a tomar forma com a ambiguidade que lhe é própria: números que parecem claros escondem, dentro da margem de erro, uma disputa ainda em aberto. A primeira pesquisa Datafolha encomendada pela Rede Tribuna coloca Raquel Lyra à frente de João Campos — 48% contra 43% —, mas a diferença de cinco pontos se dissolve diante de uma margem de três, transformando a liderança em empate técnico. O que os dados revelam, acima de tudo, é que o eleitorado pernambucano ainda não fechou sua escolha, e que a campanha será decidida nos territórios incertos da rejeição, da i
Datafolha mostra disputa acirrada entre Raquel Lyra e João Campos em Pernambuco
Dois candidatos em empate técnico, um terço do eleitorado indeciso
Como assim empate técnico se Lyra tem 48% e Campos tem 43%? Cinco pontos é cinco pontos.
É verdade, mas a margem de erro de três pontos significa que Lyra pode estar entre 45% e 51%, e Campos entre 40% e 46%. Essas faixas se sobrepõem. Estatisticamente, não dá para afirmar com 95% de confiança que um está à frente do outro.
Mas na prática, ela está na frente. O intervalo de confiança dela começa mais alto. Não é a mesma coisa que estar empatado.
Tecnicamente não, mas para fins de campanha, significa que qualquer coisa pode acontecer. Um ponto percentual em uma direção ou outra muda tudo.
E o segundo turno? Lá ela fica com 51% contra 44%. Isso é diferente?
Muito. No segundo turno, a margem dela é de 48% a 54%, e a dele de 41% a 47%. Não há sobreposição. Ela ganha em qualquer cenário.
Mas isso é uma simulação. Não sabemos se vai haver segundo turno, e não sabemos como os votos de Moraes e dos indecisos se distribuirão.
Moraes tem 2%. Por que ele lidera rejeição com 59%?
Porque rejeição é diferente de intenção de voto. Muita gente que não votaria nele de jeito nenhum não significa que vota nele. É um sinal de polarização.
E 31% não sabe em quem votar na pesquisa espontânea. Esse é o verdadeiro jogo.
Exatamente. Lyra tem 35% lá, Campos 22%. Mas um terço do eleitorado está aberto.
O Pulso
- A vantagem de Lyra sobre Campos existe no papel, mas a margem de erro a torna estatisticamente ilusória — os dois candidatos disputam o mesmo espaço numérico.
- No índice de rejeição, Ivan Moraes lidera com 59%, mas Campos aparece em segundo com 29% de veto, quatro pontos acima de Lyra, o que pode pesar em uma campanha longa.
- A simulação de segundo turno muda o cenário: Lyra salta para 51% e Campos recua para 44%, sugerindo que o confronto direto favorece a governadora.
- Na pesquisa espontânea, 31% dos eleitores não souberam dizer em quem votariam — um contingente expressivo que representa o verdadeiro campo de batalha da disputa.
- A série de três pesquisas encomendadas pela Rede Tribuna acaba de estabelecer seu ponto de partida: uma corrida em que cada ponto percentual terá peso real.
Em Pernambuco, a política de 2026 começa a tomar forma com a ambiguidade que lhe é própria: números que parecem claros escondem, dentro da margem de erro, uma disputa ainda em aberto. A primeira pesquisa Datafolha encomendada pela Rede Tribuna coloca Raquel Lyra à frente de João Campos — 48% contra 43% —, mas a diferença de cinco pontos se dissolve diante de uma margem de três, transformando a liderança em empate técnico. O que os dados revelam, acima de tudo, é que o eleitorado pernambucano ainda não fechou sua escolha, e que a campanha será decidida nos territórios incertos da rejeição, da indecisão e do confronto direto.
A primeira pesquisa Datafolha para o governo de Pernambuco em 2026, encomendada pela Rede Tribuna e realizada entre 25 e 27 de maio, mostra Raquel Lyra com 48% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 43% de João Campos, ex-prefeito do Recife pelo PSB. A diferença de cinco pontos, porém, é absorvida pela margem de erro de três pontos percentuais, colocando os dois candidatos em empate técnico. A sondagem ouviu 1.022 eleitores em 48 municípios, com 95% de confiança, e está registrada no TSE.
O índice de rejeição acrescenta uma camada de complexidade à leitura. Ivan Moraes, do PSOL, lidera com 59% de veto apesar de registrar apenas 2% das intenções de voto. Campos aparece em segundo lugar, com 29% de rejeição, contra 25% de Lyra — uma diferença que, dentro da margem de erro, ainda configura empate, mas que aponta um caminho ligeiramente mais difícil para o ex-prefeito.
Na simulação de segundo turno, o quadro se altera de forma mais nítida: Lyra sobe para 51% e Campos recua para 44%, com apenas 1% de indecisos. O dado sugere que a governadora tende a se sair melhor em um confronto direto do que no cenário com múltiplos candidatos.
A pesquisa espontânea reforça a liderança de Lyra — 35% contra 22% de Campos —, mas revela também que 31% dos eleitores ainda não sabem em quem votarão. É nesse território de indecisão que a disputa será, em grande medida, resolvida. A série de três pesquisas da Rede Tribuna acaba de registrar seu ponto de partida: uma corrida acirrada, sem conforto para nenhum dos lados.
A primeira pesquisa Datafolha encomendada pela Rede Tribuna para a corrida pelo governo de Pernambuco em 2026 revela uma disputa muito mais próxima do que os números iniciais sugerem. Realizada entre 25 e 27 de maio, a sondagem aponta Raquel Lyra com 48% das intenções de voto no cenário estimulado — aquele em que o eleitor recebe uma lista de candidatos — enquanto João Campos, ex-prefeito do Recife pelo PSB, aparece na sequência com 43%. À primeira vista, uma vantagem de cinco pontos. Mas a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos transforma essa diferença em algo muito mais ambíguo: Lyra oscila entre 45% e 51%, Campos entre 40% e 46%. Os dois candidatos estão, tecnicamente, empatados.
A pesquisa ouviu 1.022 eleitores distribuídos em 48 municípios de Pernambuco, com confiança de 95%. Ivan Moraes, do PSOL, registra apenas 2% das intenções de voto, enquanto 4% dos entrevistados declararam voto em branco ou nulo, e 2% não souberam responder. Os números estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral sob os códigos PE-07888/2026 e BR-04242/2026.
Mas há um detalhe que complica a leitura para Campos: quando o Datafolha perguntou em qual candidato o eleitor não votaria de jeito nenhum, Moraes liderou disparado o índice de rejeição com 59%. Campos apareceu na segunda posição com 29% de veto, enquanto Lyra registrou 25%. Novamente, a margem de erro coloca Campos e Lyra em empate técnico neste quesito, mas a diferença de quatro pontos sugere que a governadora tem um caminho ligeiramente menos acidentado.
Quando o instituto simulou um segundo turno direto entre os dois nomes que dominam o cenário estadual, o quadro se alterou significativamente. Nessa projeção, Lyra ampliou sua vantagem para 51% das intenções de voto, com oscilação entre 48% e 54% pela margem de erro. Campos caiu para 44%, variando entre 41% e 47%. Brancos ou nulos somaram 4%, e apenas 1% permaneceu indeciso. A simulação sugere que Lyra teria melhor desempenho em um confronto direto contra o ex-prefeito do que no cenário de múltiplos candidatos.
A pesquisa espontânea — aquela em que o eleitor não recebe uma lista prévia — oferece uma perspectiva diferente, mas ainda favorável à governadora. Sem sugestões, Lyra alcançou 35% das intenções de voto, enquanto Campos apareceu com 22%. Respostas fragmentadas completaram o quadro: 1% mencionou o atual governador, 1% o filho de Eduardo Campos, 1% o próprio Eduardo Campos. Mas 31% dos entrevistados não souberam responder em quem votariam, 5% optaram por branco ou nulo, e 4% deram outras respostas. Esse contingente de indecisos e de eleitores sem preferência clara representa um território ainda em disputa.
Os dados revelam uma campanha que será decidida nas margens. A vantagem de Lyra existe, mas não é confortável. Campos tem espaço para crescimento, especialmente se conseguir reduzir sua rejeição ou consolidar o voto dos indecisos. A primeira pesquisa da série de três encomendadas pela Rede Tribuna estabelece o ponto de partida: uma disputa acirrada em que cada ponto percentual importa.
Citações Notáveis
Os dois candidatos encontram-se em situação de empate técnico da margem de erro— Instituto Datafolha