A dois anos das eleições presidenciais brasileiras, uma pesquisa Datafolha de março de 2026 oferece um retrato do campo disputado que é o eleitorado de centro: Lula lidera Flávio Bolsonaro nesse segmento, mas a vantagem se estreita à medida que o confronto se torna mais direto. O dado mais revelador talvez não seja quem está à frente, mas a proporção expressiva de eleitores que, mesmo diante de uma escolha binária, optam pelo voto em branco — sinal de um eleitorado ainda em busca de uma narrativa que o convença.
Datafolha: Lula supera Flávio Bolsonaro entre eleitores de centro
Lula mantém vantagem entre eleitores de centro, mas ela desaparece em outros segmentos
Por que a pesquisa separa especificamente os eleitores de centro? Isso não é arbitrário?
Não é. Eleitores de centro são historicamente decisivos em eleições presidenciais brasileiras. São menos ideologizados, mais voláteis, e frequentemente definem o resultado. Entender como eles se comportam em relação aos candidatos é crucial.
Mas a margem de erro é de cinco pontos. Então quando Lula tem 31% e Flávio tem 17%, a diferença real poderia ser de apenas 9 pontos, ou até 16. Isso muda a narrativa?
Muda, sim. Mas mesmo no pior cenário para Lula dentro da margem de erro, ele ainda estaria à frente. E no segundo turno, com 41% contra 32%, a vantagem é mais robusta.
O que explica aquele salto de 17% para 32% que Flávio tem do primeiro para o segundo turno entre eleitores de centro?
No segundo turno, eleitores que votariam em terceiros no primeiro turno — como Zema e Caiado — precisam escolher entre Lula e Flávio. Alguns deles migram para Flávio, reduzindo a diferença.
Mas 24% votam em branco no segundo turno. Isso é muito alto. Significa que quase um quarto dos eleitores de centro rejeita ambos?
Exatamente. Ou rejeita ambos, ou está genuinamente indeciso. É um sinal de que nem Lula nem Flávio têm consolidação total nesse grupo.
E quando você olha para o eleitorado total, Lula e Flávio empatam tecnicamente no segundo turno. Como isso se reconcilia com a vantagem dele entre eleitores de centro?
Porque em outros segmentos — bolsonaristas, petistas, eleitores mais à esquerda ou à direita — a dinâmica é diferente. Lula pode estar perdendo em outros grupos o que ganha no centro.
Isso é verdade. O dado mais importante talvez seja a rejeição: 51% dos eleitores de centro não votariam em Flávio, enquanto 45% não votariam em Lula. Flávio tem um problema de rejeição nesse segmento.
A pesquisa foi feita em março. Quanto tempo falta para a eleição?
Não sabemos a data exata da eleição a partir deste texto. Mas março é cedo. Muita coisa pode mudar entre agora e o dia da votação.
Verdade. Essas pesquisas são fotografias de um momento. Servem para entender o cenário atual, mas não predizem o futuro.
El Pulso
- Lula abre 14 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro entre eleitores de centro no primeiro turno, mas essa margem cai para nove pontos em um confronto direto.
- Um em cada quatro eleitores centristas votaria em branco ou nulo no segundo turno, revelando rejeição significativa a ambos os candidatos.
- No eleitorado total, a liderança de Lula no primeiro turno evapora no segundo, onde os dois ficam tecnicamente empatados em 46% a 43%.
- Entre eleitores que não se identificam com PT nem com bolsonarismo, Lula e Flávio empatam em ambos os turnos, com rejeição simétrica acima de 48% para cada um.
- A pesquisa, registrada no TSE sob número BR-03715/2026, aponta um eleitorado fragmentado e ainda em formação, com grande potencial de reconfiguração até o pleito.
A dois anos das eleições presidenciais brasileiras, uma pesquisa Datafolha de março de 2026 oferece um retrato do campo disputado que é o eleitorado de centro: Lula lidera Flávio Bolsonaro nesse segmento, mas a vantagem se estreita à medida que o confronto se torna mais direto. O dado mais revelador talvez não seja quem está à frente, mas a proporção expressiva de eleitores que, mesmo diante de uma escolha binária, optam pelo voto em branco — sinal de um eleitorado ainda em busca de uma narrativa que o convença.
Uma pesquisa Datafolha realizada entre 3 e 5 de março de 2026, com 2.004 entrevistados em 137 municípios, mostra o presidente Lula à frente do senador Flávio Bolsonaro entre eleitores de centro. No primeiro turno, Lula alcança 31% das intenções de voto nesse grupo contra 17% de Flávio, com Romeu Zema em terceiro lugar com 9%. Na menção espontânea, a diferença é ainda mais pronunciada: 15% citam Lula sem estímulo, enquanto apenas 2% mencionam Flávio.
No segundo turno entre os dois, a vantagem do presidente diminui — Lula vai a 41% e Flávio a 32% entre eleitores de centro. O dado que chama atenção, porém, é o volume de votos em branco ou nulos: 24% desse segmento recusaria ambos os candidatos mesmo em confronto direto, sinalizando desengajamento ou insatisfação profunda.
Quando se considera o eleitorado total, Lula lidera no primeiro turno por cinco ou seis pontos, mas no segundo turno os dois ficam tecnicamente empatados — Lula com 46% e Flávio com 43%. Entre eleitores que não se identificam com PT nem com bolsonarismo, o empate ocorre já no primeiro turno, e a proporção de votos em branco chega a 23%.
Os índices de rejeição reforçam o quadro de polarização com insatisfação: entre eleitores de centro, 45% rejeitam Lula e 51% rejeitam Flávio. Entre os não alinhados, a rejeição é quase simétrica — 48% contra 50%. O retrato que emerge é o de um eleitorado ainda em formação, onde a disputa pelo centro permanece aberta e os votos em branco funcionam como termômetro de uma insatisfação que nenhum dos dois candidatos conseguiu, até agora, dissipar.
Uma pesquisa Datafolha realizada no início de março de 2026 revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro entre eleitores que se posicionam no centro do espectro político. Os números, coletados entre 3 e 5 de março em 137 municípios com 2.004 entrevistados, mostram um cenário de primeiro turno onde Lula alcança 31% das intenções de voto entre esse grupo, enquanto Flávio fica em 17%. A margem de erro é de cinco pontos porcentuais. Romeu Zema, do Novo, aparece em terceiro com 9%, seguido por Ronaldo Caiado, do PSD, com 6%.
Quando se trata de menção espontânea — aquela em que o eleitor cita o candidato sem que nomes sejam apresentados — a diferença entre os dois se amplia ainda mais. Entre eleitores de centro, 15% mencionam Lula espontaneamente, enquanto apenas 2% citam Flávio e 2% mencionam Jair Bolsonaro. Esse dado sugere que Lula possui maior presença na mente dos eleitores centristas, mesmo sem estímulo de nomes.
O cenário muda quando se avança para um segundo turno direto entre Lula e Flávio nesse mesmo segmento. A vantagem do presidente diminui: Lula marca 41% contra 32% de Flávio, reduzindo a margem para nove pontos porcentuais. Nesse cenário, porém, emerge um dado relevante: 24% dos eleitores de centro votariam em branco ou nulo, e 3% não sabem em quem votar. Essa proporção de votos em branco é significativa e aponta para uma parcela de indecisos ou desengajados mesmo em um confronto direto.
Quando se observa o eleitorado total — não apenas os eleitores de centro — Lula mantém liderança no primeiro turno, superando Flávio por cinco ou seis pontos porcentuais. No entanto, quando o cenário avança para o segundo turno com todo o eleitorado, os dois candidatos ficam tecnicamente empatados, com Lula em 46% e Flávio em 43%. Essa redução da vantagem de Lula no segundo turno geral contrasta com o desempenho mais robusto que ele apresenta especificamente entre eleitores de centro.
A pesquisa também examinou um grupo intermediário: eleitores que não se identificam nem como bolsonaristas nem como petistas. Nesse segmento, Lula e Flávio empatam tecnicamente tanto no primeiro quanto no segundo turno. No primeiro turno, Lula marca 40% contra 35% de Flávio; no segundo, os números são praticamente idênticos. Novamente, a proporção de votos em branco é alta, chegando a 23%, indicando desengajamento ou rejeição a ambos os candidatos nesse grupo.
Em relação à rejeição — a proporção de eleitores que dizem não votariam em cada candidato — os números também revelam dinâmicas interessantes. Entre eleitores de centro, 45% rejeitam Lula enquanto 51% rejeitam Flávio, sugerindo que o senador enfrenta maior rejeição nesse segmento. Entre os eleitores não alinhados, a rejeição é praticamente simétrica: 48% rejeitam Lula e 50% rejeitam Flávio. Esses números de rejeição elevada em ambos os casos apontam para um eleitorado fragmentado e com significativa parcela de insatisfação com as opções apresentadas.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03715/2026, conferindo-lhe validade oficial. Os dados sugerem que, embora Lula mantenha vantagem entre eleitores de centro no primeiro turno, essa vantagem se reduz consideravelmente em um segundo turno, e desaparece completamente quando se considera apenas eleitores que não se identificam com as bases tradicionais de ambos os candidatos. A presença significativa de votos em branco e a rejeição elevada em múltiplos segmentos indicam um eleitorado ainda em formação, com potencial para mudanças conforme a campanha avança.
Citas Notables
Menção espontânea entre eleitores de centro: 15% citam Lula, 2% Flávio e 2% Jair Bolsonaro— Pesquisa Datafolha, março de 2026