A três dias do primeiro turno de uma eleição presidencial marcada pela polarização, o Datafolha registra Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 38% das intenções de voto — ambos em ascensão, cada um consolidando bases distintas do tecido social brasileiro. A margem estreita e o eleitorado dividido ao meio na avaliação do governo revelam uma democracia em que nenhum campo conquistou hegemonia, apenas territórios. O que se decide agora não é apenas um nome, mas qual visão de país conseguirá reunir, no limite, um voto a mais.
Datafolha: Lula lidera com 42% e Flávio Bolsonaro tem 38% a três dias do pleito
Lula avança entre idosos e no Sudeste; Flávio cresce entre evangélicos
Como entender essa oscilação de dois pontos para ambos os candidatos ao mesmo tempo? Parece incomum que líderes e segundo colocado avancem juntos.
Não é tão raro quanto parece. Quando há movimento geral no eleitorado — mudança de clima, evento que mobiliza — candidatos já conhecidos e com base consolidada podem crescer simultaneamente. Lula avançou em grupos específicos como idosos e no Sudeste; Flávio cresceu entre evangélicos e classe média baixa. São públicos diferentes respondendo a dinâmicas diferentes.
Mas a margem de erro é de dois pontos. Então tecnicamente, essa oscilação está dentro da margem. Não sabemos se realmente cresceram ou se é variação natural da amostra.
E quanto aos indecisos? Dois por cento parece muito baixo para três dias antes da eleição.
É realmente baixo. Significa que a maioria das pessoas já sabe em quem vai votar. Mas 19% dizem que ainda podem mudar — isso é diferente de indeciso. São pessoas com voto provisório, não definido.
Exatamente. Então há 19% de volatilidade potencial, não 2%. Isso é bem diferente e muda a leitura da corrida.
Os cenários de segundo turno mostram Lula vencendo todos. Mas a margem contra Flávio é apertada — 48 a 45. Isso é confortável?
Três pontos em um segundo turno é margem de trabalho, não é confortável. E considerando a margem de erro de dois pontos, a diferença fica ainda mais fina. Mas Lula vence em todos os cenários testados, o que é significativo.
Importante notar que esses cenários de segundo turno são simulações, não previsões. Dependem de como os votos dos candidatos menores migram. Se Flávio absorver a maioria dos votos de Caiado ou Zema, a dinâmica muda completamente.
A aprovação do governo está praticamente empatada — 48% aprovam, 49% desaprovam. Como Lula lidera se seu governo tem aprovação tão baixa?
Porque nem todo eleitor que desaprova o governo rejeita o presidente como candidato. Alguns desaprovam a gestão mas acreditam que ele é o melhor para continuar. E há eleitores que aprovam mas consideram votar em outro candidato. São dimensões diferentes.
O Pulso
- Com apenas três dias para o primeiro turno, a diferença de quatro pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro mantém a disputa dentro da margem de erro e o resultado em aberto.
- Os dois líderes cresceram simultaneamente, mas em campos opostos: Lula avança entre idosos, no Sudeste e entre católicos; Flávio consolida evangélicos e a classe média baixa.
- Os demais candidatos somados não chegam a 15% e nenhum deles ameaça o segundo turno, tornando a corrida essencialmente uma batalha de dois.
- Em simulações de segundo turno, Lula vence todos os adversários testados, mas a margem mais apertada é justamente contra Flávio — 48% a 45% —, sinalizando uma final disputada.
- Com 78% dos eleitores totalmente decididos e aprovação do governo tecnicamente empatada entre aprovação e reprovação, o espaço para viradas de última hora existe, mas é estreito.
A três dias do primeiro turno de uma eleição presidencial marcada pela polarização, o Datafolha registra Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 38% das intenções de voto — ambos em ascensão, cada um consolidando bases distintas do tecido social brasileiro. A margem estreita e o eleitorado dividido ao meio na avaliação do governo revelam uma democracia em que nenhum campo conquistou hegemonia, apenas territórios. O que se decide agora não é apenas um nome, mas qual visão de país conseguirá reunir, no limite, um voto a mais.
A três dias do primeiro turno, o Datafolha mostra Lula com 42% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 38% — ambos avançando dois pontos percentuais em relação à semana anterior, quando o presidente tinha 40% e o candidato do PL, 36%.
O crescimento simultâneo ocorre em bases eleitorais distintas. Lula ganhou força entre eleitores com 60 anos ou mais, saltando de 42% para 49%, avançou no Sudeste e ampliou seu apoio entre católicos, chegando a 50%. Flávio Bolsonaro, por sua vez, subiu de 47% para 52% entre evangélicos e de 40% para 47% entre eleitores com renda de dois a cinco salários mínimos.
Os demais candidatos permanecem muito distantes: Augusto Cury aparece com 4%, Ronaldo Caiado e Renan Santos com 3% cada, e Romeu Zema com 1%. Leonardo Avalanche, do PRTB, renunciou à candidatura na véspera. Considerando apenas os votos válidos, Lula sobe para 45% e Flávio para 40%.
A pesquisa, realizada com 2.506 pessoas entre 28 e 30 de setembro e margem de erro de dois pontos, revela ainda que 78% dos eleitores estão totalmente decididos — 88% entre os apoiadores de Lula e 85% entre os de Flávio —, o que limita, sem eliminar, as possibilidades de virada.
Em cenários de segundo turno, Lula vence todos os adversários testados. A margem mais apertada é contra Flávio Bolsonaro, 48% a 45%; a mais folgada, contra Romeu Zema, 49% a 40%. A aprovação do governo permanece dividida: 48% aprovam e 49% desaprovam, retrato de um eleitorado polarizado em que a liderança nas pesquisas coexiste com uma rejeição quase equivalente.
A três dias do primeiro turno, a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra Lula com 42% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 38%, ambos registrando avanço de dois pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. O presidente mantém a liderança, mas a margem permanece estreita em um cenário que ainda oferece espaço para movimentações.
Os dois principais candidatos cresceram simultaneamente na comparação com a semana passada, quando Lula tinha 40% e Flávio 36%. Esse movimento ascendente ocorre em segmentos eleitorais distintos. Lula avançou com mais força entre eleitores com 60 anos ou mais, saltando de 42% para 49%, e no Sudeste, onde passou de 35% para 40%. Entre os católicos, seu apoio cresceu de 45% para 50%. Flávio Bolsonaro, por sua vez, consolidou apoio entre evangélicos, que passaram de 47% para 52% de intenção de voto nele, e entre eleitores com renda de dois a cinco salários mínimos, onde avançou de 40% para 47%.
Os demais candidatos ocupam posições muito mais distantes. Augusto Cury, do Avante, aparece com 4% (queda de um ponto), Ronaldo Caiado com 3% (queda de um ponto), e Renan Santos com 3% (mantendo o mesmo patamar). Romeu Zema, Samara Martins e Wilson Grassi ficam em 1% cada. Cinco por cento dos eleitores optam por branco, nulo ou nenhum, e 2% ainda se declaram indecisos. Vale notar que Leonardo Avalanche, do PRTB, renunciou à candidatura na quarta-feira, o que explica sua ausência efetiva da disputa.
Quando se considera apenas os votos válidos — excluindo brancos, nulos e indecisos — Lula sobe para 45% e Flávio para 40%, ampliando ligeiramente a distância entre eles. O instituto ouviu 2.506 pessoas de 16 anos ou mais entre 28 e 30 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, em nível de confiança de 95%.
A pesquisa também revela que 78% dos eleitores estão totalmente decididos sobre sua escolha presidencial, enquanto 19% ainda podem mudar o voto. Entre os apoiadores de Lula, 88% afirmam estar completamente decididos; entre os de Flávio, esse índice é de 85%. Essa firmeza de voto sugere que as movimentações de última hora tendem a ser limitadas, embora não negligenciáveis.
Em simulações de segundo turno, Lula vence todos os principais adversários testados. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente obtém 48% contra 45% do candidato do PL. Contra Ronaldo Caiado, a vantagem é maior: 48% a 42%. Romeu Zema é o adversário que ofereceria menor resistência a Lula em um segundo turno, com o presidente chegando a 49% contra 40% do candidato do Novo. Contra Renan Santos e Augusto Cury, Lula também sai vitorioso em ambos os cenários.
A aprovação do governo Lula, que completou três anos e oito meses, permanece praticamente dividida. Quarenta e oito por cento aprovam a gestão, enquanto 49% desaprovam — uma melhora de um ponto para o governo em relação à pesquisa anterior. Na avaliação qualitativa, 35% consideram o governo ótimo ou bom, 41% o avaliam como ruim ou péssimo, e 23% o veem como regular. Esses números sugerem um eleitorado polarizado, onde a aprovação pessoal do presidente não se traduz automaticamente em rejeição aos seus adversários principais.
Citações Notáveis
Lula avançou com mais intensidade entre eleitores com 60 anos ou mais, passando de 42% para 49%, e no Sudeste, onde cresceu de 35% para 40%— Datafolha
Flávio Bolsonaro avançou mais entre eleitores com renda de 2 a 5 salários mínimos, de 40% para 47%, e entre evangélicos, de 47% para 52%— Datafolha