A menos de dois anos das eleições presidenciais de 2026, o Brasil assiste a uma reconfiguração silenciosa do tabuleiro político. A pesquisa Datafolha de abril revela que Lula, ainda presidente em exercício, encontra-se tecnicamente empatado com os principais nomes da oposição em cenários de segundo turno — um contraste marcante com a vantagem confortável que detinha apenas quatro meses atrás. O que os números descrevem não é uma derrota, mas algo talvez mais revelador: a dificuldade de um governo em movimento de convencer um eleitorado que parece, ele próprio, estar em busca de algo novo.
Datafolha: Lula empata com Flávio, Caiado e Zema em cenários de 2º turno
Flávio avança enquanto Lula estagua, redefinindo a disputa
O que mais chama atenção nessa pesquisa é a queda de Lula em relação a março. Como explicar uma mudança tão rápida em apenas um mês?
A pesquisa mostra que Lula caiu de 46% para 45% contra Flávio, enquanto Flávio subiu de 43% para 46%. Mas é importante lembrar que estamos dentro da margem de erro de dois pontos. Ainda assim, a tendência é clara: Flávio avança consistentemente.
Mas qual é a causa dessa mudança? A pesquisa não nos diz isso. Pode ser movimento orgânico, pode ser efeito de campanha, pode ser resposta a algum evento político. Datafolha mede intenção, não explica motivação.
E quanto ao primeiro turno? Lula ainda lidera com 39%, mas Flávio está em 35%. Isso não contradiz o cenário de segundo turno?
Não, porque no primeiro turno há mais candidatos dividindo votos. Lula e Flávio concentram apoio, mas há dispersão. No segundo turno, forçam-se escolhas binárias, e aí Flávio cresce mais.
Exatamente. E note que Flávio avançou quatro pontos em menções espontâneas de março para abril. Isso é movimento real ou variação natural? A margem de erro não cobre tudo.
Qual é o significado da rejeição alta de Lula — 48%?
Significa que quase metade do eleitorado diz que não votaria nele sob nenhuma circunstância. Para um presidente em exercício, isso é um número pesado. Flávio tem 46%, então estão próximos.
Mas rejeição é diferente de intenção de voto. Alguém pode rejeitar Lula e ainda assim votar nele se o adversário for pior. Rejeição mede um teto, não um piso.
Caiado e Zema têm rejeição muito menor. Por que não aparecem mais nas intenções?
Porque ninguém os conhece. Cinquenta e quatro por cento não sabem quem é Caiado, 56% não sabem quem é Zema. Você não vota em quem não conhece.
E isso é um risco para eles. Quando começarem a aparecer mais na mídia, sua rejeição pode crescer. Ou pode não. Mas hoje, o desconhecimento é o fator limitante, não a rejeição.
Il Polso
- Flávio Bolsonaro avançou de 36% para 46% em cenários de segundo turno contra Lula em apenas quatro meses, transformando uma disputa previsível em um empate técnico real.
- A rejeição de Lula (48%) supera a de todos os adversários testados, criando um teto de crescimento que a estagnação nas pesquisas de primeiro turno parece confirmar.
- Caiado e Zema apresentam rejeição muito menor (16% e 17%), mas enfrentam o obstáculo do desconhecimento — menos da metade dos eleitores sabe quem eles são.
- A curva ascendente de Flávio Bolsonaro contrasta com a imobilidade de Lula, sugerindo que a base bolsonarista está se consolidando em torno de um nome enquanto o governo não consegue ampliar seu apoio.
- Com 10% dos eleitores optando por branco ou nulo e 4% ainda indecisos, há um bloco significativo de votos em disputa que pode definir o resultado em outubro de 2026.
A menos de dois anos das eleições presidenciais de 2026, o Brasil assiste a uma reconfiguração silenciosa do tabuleiro político. A pesquisa Datafolha de abril revela que Lula, ainda presidente em exercício, encontra-se tecnicamente empatado com os principais nomes da oposição em cenários de segundo turno — um contraste marcante com a vantagem confortável que detinha apenas quatro meses atrás. O que os números descrevem não é uma derrota, mas algo talvez mais revelador: a dificuldade de um governo em movimento de convencer um eleitorado que parece, ele próprio, estar em busca de algo novo.
A pesquisa Datafolha divulgada em abril desenha um cenário eleitoral em transformação acelerada. Em um possível segundo turno, Lula aparece com 45% das intenções de voto contra 46% de Flávio Bolsonaro — uma inversão em relação a março, quando o presidente liderava com 46% a 43%, e uma queda expressiva frente a dezembro, quando vencia por 51% a 36%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 7 e 9 de abril, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Contra Ronaldo Caiado e Romeu Zema, o quadro se repete: Lula com 45% e os adversários com 42% em ambos os casos. A estabilidade desse patamar em três cenários distintos revela um piso de apoio presidencial que, ao mesmo tempo, parece funcionar como teto — o presidente não avança, mas também não recua.
No primeiro turno, a tendência é ainda mais clara. Com lista apresentada, Lula lidera com 39%, mas Flávio Bolsonaro subiu de 33% para 35% em um mês. Os demais candidatos ficam muito atrás: Caiado com 5%, Zema com 4%. Dez por cento dos eleitores preferem votar em branco ou nulo.
A rejeição aprofunda o diagnóstico. Quarenta e oito por cento dos eleitores descartam Lula; 46% fazem o mesmo com Flávio Bolsonaro. Caiado e Zema têm rejeição muito menor, mas enfrentam outro problema: apenas 46% e 44% dos entrevistados os conhecem, respectivamente, contra 99% que reconhecem Lula e 93% que identificam o senador bolsonarista.
O retrato que emerge é o de um eleitorado em movimento. Flávio Bolsonaro cresce de forma consistente a cada medição, enquanto Lula permanece estático. Se essa dinâmica se mantiver até outubro, o segundo turno de 2026 pode ser muito mais disputado do que qualquer projeção recente sugeria.
A pesquisa Datafolha divulgada em abril revela um cenário eleitoral em transformação para as eleições presidenciais de 2026. Em um possível segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 45% das intenções de voto, enquanto o senador do Rio de Janeiro marca 46% — uma inversão notável em relação ao levantamento de março, quando Lula liderava com 46% contra 43% do filho do ex-presidente. Seis meses antes, em dezembro, a vantagem presidencial era ainda mais confortável: 51% para Lula e apenas 36% para Flávio. O instituto ouviu 2.004 eleitores entre 7 e 9 de abril, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Contra outros nomes da oposição, o quadro permanece semelhante. Diante de Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás que se lançou pré-candidato pelo PSD no final de março, Lula mantém 45% enquanto Caiado marca 42%. Em março, essa diferença era maior: 46% para o presidente contra 36% para o ex-governador. No confronto com Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais pela legenda Novo, os números repetem-se: Lula com 45% e Zema com 42%. A estabilidade desses percentuais em três cenários diferentes sugere um piso de apoio ao presidente em torno de 45%, enquanto seus possíveis adversários oscilam entre 42% e 46%.
No primeiro turno, a dinâmica revela uma tendência mais preocupante para o governo. Quando perguntados espontaneamente sobre seus candidatos, os eleitores mencionam Lula em 26% das respostas — uma leve oscilação em relação aos 25% de março. Flávio Bolsonaro, porém, avançou quatro pontos no mesmo período, passando de 12% para 16%. Quando a pesquisa apresenta aos entrevistados uma lista com os nomes dos pré-candidatos, Lula permanece na liderança com 39%, mas Flávio Bolsonaro subiu dois pontos, de 33% para 35%. Os demais candidatos ficam bem atrás: Caiado com 5%, Zema com 4%, Renan Santos com 2%, e Aldo Rebelo e Cabo Daciolo com 1% cada. Dez por cento dos eleitores optam por votar em branco ou nulo, e 4% ainda não sabem em quem votar.
O padrão de crescimento do senador bolsonarista contrasta com a estagnação presidencial. Enquanto a curva de Flávio Bolsonaro aponta para cima — avançando consistentemente em cada medição — a de Lula permanece praticamente imóvel. Em março, o presidente oscilava entre 38% e 39% no primeiro turno; agora, mantém-se em 39%. Essa dinâmica coloca os dois candidatos no limite de um empate técnico dentro da margem de erro, um cenário que parecia distante há apenas alguns meses.
A rejeição também marca diferenças importantes. Quarenta e oito por cento dos eleitores afirmam que não votariam em Lula em outubro, enquanto 46% descartam Flávio Bolsonaro. Caiado e Zema, por sua vez, enfrentam rejeição menor: 16% e 17%, respectivamente. Essa vantagem em rejeição baixa, porém, vem acompanhada de um problema de reconhecimento. Enquanto 99% dos entrevistados conhecem Lula e 93% conhecem Flávio Bolsonaro, apenas 46% sabem quem é Caiado e 44% conhecem Zema. O desconhecimento desses nomes pode representar tanto uma oportunidade quanto um risco: há espaço para crescimento, mas também vulnerabilidade a campanhas negativas.
Os números sugerem um eleitorado em movimento. A trajetória de Flávio Bolsonaro aponta para uma consolidação da base bolsonarista em torno de seu nome, enquanto Lula enfrenta a dificuldade de expandir seu apoio além de um patamar que se mantém estável. Se a tendência continuar até outubro, o segundo turno pode ser significativamente mais competitivo do que as sondagens de meses anteriores indicavam. A campanha que se aproxima terá como pano de fundo essa dinâmica de movimento: um candidato em ascensão e outro que, apesar de ainda à frente, não consegue avançar.
Citazioni salienti
A curva do senador é ascendente e a do presidente, estagnada— Análise do Datafolha sobre trajetórias no primeiro turno