A dezessete dias do primeiro turno, o Brasil eleitoral permanece suspenso num equilíbrio quase perfeito: Lula e Flávio Bolsonaro seguem tecnicamente empatados tanto no primeiro quanto no segundo turno, com rejeições idênticas de 47% — um espelho da polarização que divide o país há anos. O Datafolha, ao ouvir dois mil eleitores em meio a turbulências no STF e revelações sobre investigações, encontrou um eleitorado que, por ora, resiste a se mover. O que ainda não foi medido é o peso do aumento de 15% no Bolsa Família, anunciado horas depois do encerramento da pesquisa.
Datafolha: Lula e Flávio empatam em 46% e 44% no segundo turno
Ambos empatados em rejeição: 47% não votariam em nenhum dos dois
Como assim um empate técnico se Lula tem 46% e Flávio tem 44%? Não é Lula na frente?
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Então Lula poderia estar em 44% e Flávio em 46%, ou qualquer combinação dentro desse intervalo. Por isso é empate técnico — a diferença de dois pontos cai dentro da incerteza da pesquisa.
Mas vale lembrar que isso é uma simulação de segundo turno. Ninguém sabe ainda se vai ser Lula contra Flávio no segundo turno. Pode ser que Cury ou outro candidato chegue lá.
E no primeiro turno, como está?
Lula com 39%, Flávio com 36%, também empate técnico. Mas há mais fragmentação — Cury tem 6%, Caiado tem 4%, e outros candidatos menores.
E Pablo Marçal? Ele não estava na pesquisa?
Estava, mas a pesquisa foi feita antes da Justiça Eleitoral negar a candidatura dele. O partido trocou por Leonardo Avalanche, mas isso ainda precisa de aprovação oficial.
O que mais chama atenção aqui?
A rejeição. Ambos têm 47% de rejeição — exatamente o mesmo. Significa que metade do eleitorado não quer votar em nenhum dos dois.
Isso é um ponto importante, mas a pesquisa não explica por que a rejeição é tão alta nos dois lados. É polarização? É desgaste? Não sabemos.
E esse aumento do Bolsa Família que foi anunciado?
Saiu depois que a pesquisa foi concluída. Então os números que temos aqui não refletem esse movimento. A pesquisa foi feita a 17 dias do primeiro turno, e o anúncio foi no fim da manhã de quinta.
Exatamente. Então qualquer análise sobre o impacto do Bolsa Família nas intenções de voto é especulação. Precisamos de uma nova pesquisa para saber.
Le Pouls
- Pela terceira pesquisa consecutiva, Lula e Flávio repetem os mesmos percentuais — 46% a 44% no segundo turno —, sinalizando um eleitorado cristalizado e resistente a eventos da semana.
- Ambos os candidatos carregam rejeição idêntica de 47%, revelando uma polarização tão simétrica que nenhum dos dois consegue abrir vantagem decisiva sobre o outro.
- A pesquisa foi realizada durante uma semana de ruídos políticos intensos: sessão conturbada no STF e a revelação de que Flávio é investigado por suposto financiamento irregular do filme 'Dark Horse' — e ainda assim os números não oscilaram.
- O anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família, feito horas após o fechamento do levantamento, é a grande variável não capturada e pode redesenhar o tabuleiro a menos de três semanas do primeiro turno.
A dezessete dias do primeiro turno, o Brasil eleitoral permanece suspenso num equilíbrio quase perfeito: Lula e Flávio Bolsonaro seguem tecnicamente empatados tanto no primeiro quanto no segundo turno, com rejeições idênticas de 47% — um espelho da polarização que divide o país há anos. O Datafolha, ao ouvir dois mil eleitores em meio a turbulências no STF e revelações sobre investigações, encontrou um eleitorado que, por ora, resiste a se mover. O que ainda não foi medido é o peso do aumento de 15% no Bolsa Família, anunciado horas depois do encerramento da pesquisa.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (17 de setembro) confirma o que os dois levantamentos anteriores já apontavam: o duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro está congelado. No segundo turno hipotético, o presidente marca 46% e o senador do PL, 44% — diferença dentro da margem de erro de dois pontos. No primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio com 36%, também em empate técnico. O instituto ouviu 2.002 eleitores entre terça e quinta-feira, período que incluiu uma sessão turbulenta no STF e a revelação de que Flávio é alvo de investigação ligada ao financiamento do filme 'Dark Horse' pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O dado mais revelador talvez seja o da rejeição: 47% dos eleitores dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum — exatamente o mesmo percentual que rejeita Flávio. A simetria é quase cirúrgica e traduz uma polarização bem distribuída entre os dois polos. No campo espontâneo, sem apresentação de nomes, Lula subiu de 33% para 35% e Flávio de 25% para 26%, ambas as variações dentro da margem de erro.
O cenário de primeiro turno é mais fragmentado, com Augusto Cury em 6%, Ronaldo Caiado em 4%, Renan Santos em 3% e Romeu Zema em 2%. Pablo Marçal, que ainda constava da pesquisa quando ela foi realizada, foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral; o PRTB o substituiu por Leonardo Avalanche, decisão que aguarda aprovação colegiada. Nas simulações de segundo turno contra outros adversários, Lula abre margens maiores — chegando a 49% contra Zema —, o que sugere que Flávio é, de longe, o rival mais competitivo.
A grande incógnita permanece fora dos números: o aumento de 15% no Bolsa Família, que elevará o benefício de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, foi anunciado no fim da manhã desta quinta, horas depois do encerramento da coleta. Com custo adicional de R$ 22,7 bilhões ao Orçamento de 2027 e apenas 17 dias até o primeiro turno, seus efeitos sobre as intenções de voto ainda são uma página em branco.
A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17 de setembro) apresenta um cenário de estabilidade nas intenções de voto para a eleição presidencial: no segundo turno hipotético entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 46% enquanto o senador do PL marca 44%, uma diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O resultado repete exatamente os números obtidos nos dois levantamentos anteriores do instituto, sugerindo que o eleitorado mantém suas preferências relativamente fixas neste momento da campanha.
No primeiro turno, o quadro também permanece praticamente inalterado. Lula segue com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 36%. A oscilação do candidato do PL em relação à semana anterior — quando tinha 35% — ocorreu dentro da margem de erro, assim como a manutenção dos 39% do presidente. O instituto ouviu 2.002 eleitores entre terça e quinta-feira, período que incluiu uma sessão conturbada do Supremo Tribunal Federal para discutir a investigação do ministro Alexandre de Moraes, além da revelação de que Flávio é alvo de investigação relacionada ao financiamento do filme "Dark Horse" pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
No quesito rejeição, ambos os candidatos estão igualmente vulneráveis. Quarenta e sete por cento dos eleitores afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, exatamente o mesmo percentual que rejeita Flávio. Este índice permaneceu estável em relação à pesquisa anterior, quando ambos também registravam 46% de rejeição. A simetria na rejeição sugere que a polarização está bem distribuída entre os dois polos da disputa.
O cenário de primeiro turno é mais fragmentado. Augusto Cury (Avante) aparece com 6%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, Renan Santos (Missão) com 3% e Romeu Zema (Novo) com 2%. Samara (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) registram 1% cada. Votos em branco ou nulos somam 6%, enquanto 3% dos entrevistados se declaram indecisos. A pesquisa ainda incluía Pablo Marçal (PRTB) quando foi realizada, mas o candidato foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral; o partido substituiu Marçal por Leonardo Avalanche, presidente da sigla, em uma movimentação que ainda aguarda aprovação colegiada para se tornar oficial.
Quando perguntados espontaneamente, sem que os nomes dos candidatos fossem apresentados, Lula passou de 33% na semana anterior para 35% nesta semana — variação dentro da margem de erro. Flávio oscilou de 25% para 26%, também dentro da margem. Cury foi citado por 3% dos entrevistados (mesmo percentual da semana anterior) e Caiado por 2% (era 1%). Estes números sugerem que o reconhecimento espontâneo dos candidatos permanece relativamente estável.
O Datafolha testou outras simulações de segundo turno. Em um embate entre Lula e Cury, ambos empatam com 44%. Contra Caiado, Lula marca 46% enquanto o ex-governador de Goiás alcança 42%. Num confronto com Santos, Lula vai a 47% ante 38% do líder do Movimento Brasil Livre. Contra Zema, Lula marca 49% enquanto o ex-governador de Minas Gerais registra 39%. Estas simulações indicam que Lula teria melhor desempenho contra candidatos fora do eixo Bolsonaro.
Importante notar que a pesquisa foi concluída antes do anúncio do aumento de 15% do Bolsa Família, que passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, com custo adicional de R$ 22,7 bilhões para o Orçamento de 2027. O anúncio foi feito no fim da manhã desta quinta-feira, a apenas 17 dias do primeiro turno das eleições. Como a pesquisa não capturou este movimento, seus efeitos nas intenções de voto ainda são desconhecidos. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-04029/2026.
Citations marquantes
O cenário de empate técnico repete os percentuais alcançados por ambos nos dois levantamentos anteriores do instituto— Datafolha