Pesquisas mostram cenários variados: alguns estados com lideranças consolidadas (Piauí, Roraima, Santa Catarina) e outros tecnicamente empatados (Alagoas, Pernambuco, Espírito Santo). Datafolha e Quaest utilizaram amostras de 1.600 a 2.500 eleitores com margem de erro de dois pontos percentuais, colhidas entre 2 e 3 de outubro.
Datafolha e Quaest divulgam pesquisas sobre corridas aos governos estaduais em 2026
Alguns estados já parecem decididos; outros permanecerão em suspense
Por que alguns estados aparecem tecnicamente empatados enquanto outros mostram lideranças claras? Há um padrão?
A margem de erro de dois pontos percentuais é a chave. Quando dois candidatos diferem por menos disso, tecnicamente estão empatados. Mas há também diferenças reais: alguns governadores construíram apoio mais consolidado, enquanto em outros estados a campanha permanece aberta.
Mas precisamos ser cuidadosos. Esses números são de 2 e 3 de outubro—colhidos dois dias antes da votação. Muita coisa pode mudar em 48 horas. E a pesquisa mede intenção de voto, não voto garantido.
O que explica a diferença entre votos totais e votos válidos? Por que alguns candidatos ganham mais pontos quando se excluem brancos e nulos?
Quando você remove brancos, nulos e abstenções, está olhando apenas para quem realmente votou em alguém. Se há muita abstenção ou voto branco em um estado, os percentuais dos candidatos crescem proporcionalmente.
Exatamente. E isso importa porque o segundo turno, se houver, será decidido apenas por votos válidos. Então em Pernambuco, por exemplo, a disputa que parece empatada em 46% versus 45% fica ainda mais apertada em votos válidos: 49% versus 48%.
Como sabemos que essas pesquisas são confiáveis? Qual é o padrão de qualidade?
Todas foram registradas na Justiça Eleitoral, todas usaram amostras entre 1.600 e 2.500 eleitores, todas têm margem de erro de dois pontos percentuais. Foram encomendadas por emissoras de TV e jornais estabelecidos. Isso oferece alguma garantia de rigor metodológico.
Mas há limites. A margem de erro de dois pontos é o intervalo de confiança estatístico—significa que em 95% das vezes, o resultado real estará dentro desse intervalo. Não é garantia de acerto. E todas essas pesquisas foram colhidas nos mesmos dois dias, então capturam um momento específico, não uma tendência.
Alguns estados como Piauí e Roraima parecem já decididos. Faz sentido investir em campanha lá?
Numericamente, sim, parecem decididos. Fonteles tem 58% no Piauí, Arthur Henrique tem 59% em Roraima. Mas a campanha continua porque votos podem migrar, e porque segundo turno ainda é possível em alguns cenários.
E porque pesquisa não é resultado. Há margem de erro, há eleitores indecisos, há abstenção. No Piauí, 7% estão indecisos e 6% votarão em branco ou nulo. Isso é 13% do eleitorado que ainda pode se mover.
O Pulso
- Primeiro turno em 4 de outubro; segundo turno em 25 de outubro se necessário
- Datafolha e Quaest ouviram entre 1.600 e 2.500 eleitores com margem de erro de dois pontos percentuais
- Estados como Piauí (58%), Roraima (59%) e Santa Catarina (57%) mostram lideranças consolidadas
- Alagoas, Pernambuco e Espírito Santo apresentam disputas tecnicamente empatadas
Pesquisas mostram cenários variados: alguns estados com lideranças consolidadas (Piauí, Roraima, Santa Catarina) e outros tecnicamente empatados (Alagoas, Pernambuco, Espírito Santo). Datafolha e Quaest utilizaram amostras de 1.600 a 2.500 eleitores com margem de erro de dois pontos percentuais, colhidas entre 2 e 3 de outubro.
Institutos Datafolha e Quaest divulgam pesquisas sobre as disputas pelos governos dos 27 estados nas eleições de 2026, com primeiro turno marcado para 4 de outubro.
Dois grandes institutos de pesquisa divulgaram seus levantamentos sobre as corridas estaduais que definem o mapa político do Brasil neste 4 de outubro de 2026. O primeiro turno das eleições para governador acontece hoje; se nenhum candidato alcançar a maioria dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro. Os números revelam um país politicamente fragmentado: alguns estados mostram lideranças sólidas e praticamente decididas, enquanto outros permanecem em disputa acirrada até o último dia de campanha.
O quadro geral aponta para continuidades e rupturas. No Piauí, o governador Rafael Fonteles lidera com 58% das intenções de voto, uma margem que o coloca praticamente fora do alcance. Em Santa Catarina, Jorginho Mello aparece com 57%. Em Roraima, Arthur Henrique tem 59%. Esses números sugerem reeleições praticamente consolidadas. Mas em outros estados, a incerteza persiste até o fim. Em Alagoas, o ex-governador Renan Filho marca 43% enquanto o ex-prefeito JHC tem 42%—uma diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais que caracteriza todas essas pesquisas. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra tem 46% contra 45% de João Campos. No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini aparece com 34% e Ricardo Ferraço com 31%, tecnicamente empatados.
Os institutos Datafolha e Quaest utilizaram metodologias similares para este levantamento. Ouviram entre 1.600 e 2.500 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 2 e 3 de outubro, todos com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. As pesquisas foram registradas na Justiça Eleitoral e encomendadas por emissoras de televisão e jornais em cada estado. Essa padronização permite comparações entre os estados, embora cada pesquisa tenha suas particularidades.
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas lidera com 55% das intenções de voto contra 32% de Fernando Haddad. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes tem 43% enquanto Douglas Ruas marca 35%. Em Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo aparece com 44%, seguido por Patrus Ananias com 18%. Esses números sugerem que os três maiores colégios eleitorais do país caminham para decisões no primeiro turno, embora com dinâmicas distintas. No Ceará, a disputa é mais apertada: Elmano de Freitas tem 42% e Ciro Gomes marca 41%, uma diferença mínima que pode se resolver apenas com a votação real.
Os números de votos válidos—aqueles que excluem brancos, nulos e abstenções—frequentemente pintam quadros diferentes dos totais. Em Pernambuco, por exemplo, Raquel Lyra sobe para 49% e João Campos para 48% quando se consideram apenas votos válidos. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes chega a 49% e Douglas Ruas a 40%. Essa diferença importa porque o segundo turno, se houver, será decidido apenas por votos válidos. Estados como Bahia, Paraná e Rio Grande do Norte mostram disputas que podem se definir apenas na segunda votação.
Algumas campanhas enfrentam desafios específicos. No Rio de Janeiro, o Datafolha perguntou aos eleitores como votariam se o ex-governador Garotinho estivesse na disputa—sua candidatura foi indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral. Nesse cenário hipotético, Eduardo Paes manteria 41%, Douglas Ruas teria 34% e Garotinho receberia 6%. A pergunta reflete a fluidez do eleitorado carioca e a possibilidade de mudanças se circunstâncias legais se alterassem.
Os estados da região Norte mostram padrões próprios. No Amazonas, o senador Omar Aziz lidera com 34%, seguido por Maria do Carmo Seffair com 21% e o governador Roberto Cidade com 20%. No Pará, o ex-prefeito Dr. Daniel tem 44% contra 31% da governadora Hana Ghassan. Em Rondônia, o senador Marcos Rogério marca 39% contra 19% de Adailton Fúria. Esses números sugerem que a região segue dinâmicas políticas próprias, com figuras de projeção nacional e estadual disputando espaço.
O que esses levantamentos capturam é um momento de definição. Alguns governadores buscam reeleição com números que sugerem êxito. Outros enfrentam desafios de candidatos que crescem nas últimas semanas. Alguns estados já parecem decididos; outros permanecerão em suspense até que as urnas falem. Os números de hoje são o último retrato antes da votação real, e como toda pesquisa, carregam margens de incerteza que podem ser decisivas em disputas apertadas.
Citações Notáveis
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra tem 46% das intenções de voto, enquanto João Campos aparece com 45%— Datafolha
No Piauí, o governador Rafael Fonteles lidera isoladamente com 58% das intenções de voto— Datafolha