A poucos dias do segundo turno presidencial brasileiro, o país se encontrava diante de um contraste revelador: enquanto as pesquisas apontavam consistentemente para uma vantagem de Lula, Bolsonaro direcionava suas energias não para propostas, mas para ataques ao Tribunal Superior Eleitoral, alegando irregularidades sem provas nas inserções de rádio de sua campanha. O TSE respondeu com firmeza institucional, encaminhando o caso ao Ministério Público Eleitoral. Nesse momento, a eleição revelava não apenas uma disputa entre dois candidatos, mas entre duas visões distintas de como o poder deve se
Datafolha divulga nova pesquisa enquanto Bolsonaro ataca TSE e Lula fala a rádios
Um candidato liderando nas pesquisas e falando sobre economia, outro questionando instituições
Por que Bolsonaro está atacando o TSE especificamente sobre inserções de rádio? Isso é um problema real ou uma estratégia?
Ele alegou irregularidades na veiculação das inserções de sua campanha no rádio. O TSE rejeitou a denúncia por falta de provas e encaminhou tudo para investigação. O que vemos é um candidato questionando a integridade do processo eleitoral dias antes do segundo turno.
Mas precisamos ser claros: Moraes rejeitou a denúncia porque não havia provas. Não sabemos ainda se houve ou não irregularidade real. O que sabemos é que Bolsonaro fez acusações sem fundamentação e o tribunal respondeu encaminhando para investigação.
E Lula, o que estava fazendo enquanto isso?
Falando sobre economia. Ele concedeu entrevista a rádios de vários estados e disse que seu ministro da Economia teria responsabilidade fiscal e social. Enquanto Bolsonaro atacava instituições, Lula apresentava visão de governo.
Isso é verdade, mas também é campanha. Lula estava em posição confortável nas pesquisas e podia se dar ao luxo de falar sobre o futuro. A pergunta é: essas promessas sobre o ministério da Economia significam algo específico ou são genéricas?
As pesquisas mostram Lula à frente em todos os levantamentos?
Praticamente todos. Genial/Quaest tinha 48% para Lula e 42% para Bolsonaro. Poder Data mostrava 49% e 44%. Ipespe indicava 50% e 44%. AtlasIntel, a mais favorável ao PT, registrava 52% e 46,2%. Até a pesquisa Datafolha de uma semana antes apontava 49% e 45%.
Sim, mas as margens de erro variam. Algumas têm 2 pontos, outras 1,5, outras 3. Dentro de algumas margens de erro, a diferença é menor do que parece. E ainda há indecisos em todas as pesquisas. Nenhuma delas coloca a eleição decidida.
Minas Gerais importa?
Muito. É o segundo maior colégio eleitoral do país. Lula venceu lá no primeiro turno com 563 mil votos de diferença. A pesquisa mostrava 45% para ele contra 40% de Bolsonaro. E historicamente, desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos venceram em Minas.
Mas essa pesquisa em Minas é de um único instituto, Genial/Quaest. Seria bom ter confirmação de outros levantamentos antes de tirar conclusões definitivas sobre o estado.
O Pulso
- Bolsonaro atacou o TSE sem apresentar provas, alegando irregularidades nas transmissões de rádio de sua campanha — uma acusação rejeitada pelo presidente do tribunal, Alexandre de Moraes.
- A resposta institucional foi imediata e triplicada: o caso foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, ao corregedor eleitoral e anexado a um inquérito no Supremo sobre organização criminosa digital contra a democracia.
- Lula, em posição mais confortável, concedeu entrevistas a emissoras de rádio e delineou sua visão econômica — um ministro com responsabilidade fiscal e social — chamando os ataques de Bolsonaro de puro 'desespero'.
- Todas as pesquisas disponíveis apontavam na mesma direção: vantagem consistente de Lula, variando entre 48% e 52%, contra 42% a 46% de Bolsonaro, com Minas Gerais — termômetro histórico das eleições — confirmando a tendência.
- O sábado prometia uma enxurrada de novos levantamentos — CNT/MDA, AtlasIntel, Genial/Quaest, Datafolha e Ipec — enquanto o país se aproximava do momento decisivo com o cenário político já bastante delineado.
A poucos dias do segundo turno presidencial brasileiro, o país se encontrava diante de um contraste revelador: enquanto as pesquisas apontavam consistentemente para uma vantagem de Lula, Bolsonaro direcionava suas energias não para propostas, mas para ataques ao Tribunal Superior Eleitoral, alegando irregularidades sem provas nas inserções de rádio de sua campanha. O TSE respondeu com firmeza institucional, encaminhando o caso ao Ministério Público Eleitoral. Nesse momento, a eleição revelava não apenas uma disputa entre dois candidatos, mas entre duas visões distintas de como o poder deve se relacionar com as instituições democráticas.
A quinta-feira pré-eleitoral começou com o Datafolha pronto para divulgar mais um levantamento do segundo turno, enquanto a campanha fervia com acusações e promessas. Bolsonaro havia passado a noite atacando o TSE, alegando irregularidades não comprovadas nas inserções de rádio de sua campanha e prometendo ir 'até as últimas consequências'. O presidente do tribunal, Alexandre de Moraes, rejeitou a denúncia por falta de provas, e a resposta institucional foi rápida: o caso foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, ao corregedor eleitoral e anexado a um inquérito no Supremo que investiga organização criminosa atuando digitalmente contra a democracia.
Lula, por sua vez, começava o dia em terreno mais estável. Em entrevista a emissoras de rádio de vários estados, delineou sua visão econômica — um ministro com responsabilidade fiscal e social — e descartou os ataques do adversário como 'desespero'. O contraste entre os dois candidatos era nítido: um falava sobre planos, o outro questionava as instituições que organizavam a própria eleição.
Os números reforçavam essa assimetria. A pesquisa Genial/Quaest mostrava Lula com 48% contra 42% de Bolsonaro. Poder Data, Ipespe, Ipec e AtlasIntel apontavam na mesma direção, com o petista variando entre 49% e 52%. Em Minas Gerais — segundo maior colégio eleitoral e termômetro histórico desde a redemocratização — Lula mantinha a vantagem de 45% a 40%, ampliando a margem de 563 mil votos obtida no primeiro turno.
O calendário dos dias seguintes estava repleto de novos levantamentos, e Bolsonaro seguiria sua agenda na Baixada Fluminense. Mas o retrato político já estava formado: de um lado, um candidato liderando com consistência e falando de futuro; do outro, um presidente em campanha que escolheu como palco principal o ataque às próprias regras do jogo democrático.
A quinta-feira amanheceu com o Datafolha pronto para divulgar mais um levantamento sobre o segundo turno presidencial, enquanto a campanha se aquecia com acusações, promessas econômicas e a contagem regressiva para o domingo. Bolsonaro havia passado a noite anterior atacando o Tribunal Superior Eleitoral, alegando irregularidades não comprovadas na transmissão das inserções de rádio de sua campanha. O presidente e candidato à reeleição prometeu ir "até as últimas consequências, dentro da Constituição" contra o que chamava de supostas falhas, mas o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, havia rejeitado a denúncia por falta de provas. A resposta institucional foi rápida: o tribunal encaminhou o caso ao Ministério Público Eleitoral para investigar possível crime, ao corregedor eleitoral para apurar mau uso de recursos do fundo partidário, e anexou tudo a um inquérito no Supremo que examina a existência de organização criminosa atuando digitalmente contra a democracia.
Enquanto isso, Lula começava o dia em uma posição mais confortável nas pesquisas. O petista concedeu entrevista a um grupo de emissoras de rádio de vários estados e aproveitou para delinear sua visão para a economia caso vencesse no domingo: um ministro da Economia com responsabilidade fiscal, mas também social. Ele descartou as acusações de Bolsonaro como "desespero" e chamou de inaceitável qualquer discussão sobre adiar o segundo turno. A diferença entre os dois candidatos estava clara não apenas nas pesquisas, mas no tom: enquanto um atacava instituições, o outro falava sobre planos.
Os números confirmavam a tendência. A mais recente sondagem Genial/Quaest, divulgada naquela manhã, mostrava Lula com 48% contra 42% de Bolsonaro, com 8% indecisos e 5% votando branco ou nulo. Outras pesquisas recentes apontavam na mesma direção: Poder Data tinha o petista em 49% e o presidente em 44%; Ipespe mostrava 50% para Lula e 44% para Bolsonaro; Ipec indicava 50% e 43%, respectivamente; e AtlasIntel, a mais favorável ao candidato do PT, registrava 52% para Lula contra 46,2% para Bolsonaro. Mesmo a pesquisa Datafolha de uma semana antes, de 19 de outubro, apontava 49% para o petista e 45% para o presidente.
Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, oferecia um termômetro particularmente revelador. Lula havia vencido o primeiro turno no estado com uma margem de 563 mil votos, e a sondagem Genial/Quaest mostrava que mantinha a vantagem: 45% contra 40% de Bolsonaro, com 8% indecisos e 7% votando branco ou nulo. A importância de Minas não era apenas numérica. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos haviam vencido no estado. Perder ali seria um sinal de ruptura histórica.
O calendário dos próximos dias estava repleto de novos levantamentos. Naquela quinta-feira, além do Datafolha, sairia uma pesquisa AtlasIntel. No sábado, viriam mais cinco: CNT/MDA, AtlasIntel novamente, Genial/Quaest, Datafolha e Ipec. Cada uma delas ofereceria um instantâneo do eleitorado a poucos dias da votação final. Bolsonaro, por sua vez, seguiria sua agenda de campanha no Rio de Janeiro, visitando Belfort Roxo e São José de Meriti na Baixada Fluminense, com um comício em Campo Grande no final da tarde. Mas o cenário político já estava desenhado: um candidato liderando consistentemente nas pesquisas e falando sobre economia, outro questionando a legitimidade das instituições que organizavam a eleição.
Citações Notáveis
Se vencer o segundo turno, seu ministro da Economia será alguém com responsabilidade fiscal, mas também com responsabilidade social— Lula, em entrevista a emissoras de rádio
Irá até as últimas consequências, dentro da Constituição, contra as supostas irregularidades na veiculação de inserções de rádio— Bolsonaro, sobre suas acusações ao TSE