A dois anos das eleições presidenciais brasileiras, uma nova pesquisa Datafolha confirma que Luiz Inácio Lula da Silva mantém posição de favorito com 41% das intenções de voto, dez pontos à frente de Flávio Bolsonaro. O levantamento, realizado em junho de 2026 com mais de dois mil eleitores, revela uma polarização persistente e profunda no eleitorado brasileiro, onde ambos os líderes concentram altos índices tanto de apoio quanto de rejeição. Escândalos, medidas econômicas e embates simbólicos já moldam o campo de batalha, mas nenhum dos dois campos conseguiu ainda romper o equilíbrio estrutur
Datafolha confirma liderança de Lula no primeiro e segundo turno de 2026
Ambos concentram altos índices de rejeição, mantendo a eleição marcada por forte antagonismo
Por que essa pesquisa importa agora, seis meses antes da campanha oficial começar?
Porque ela estabelece a linha de base. Mostra onde estão os candidatos quando ainda há tempo para as coisas mudarem. Lula tem vantagem, mas não é esmagadora.
Espera — a margem de erro é dois pontos. Lula tem dez de vantagem no primeiro turno. Isso é real ou é só que ele está bem à frente?
É real. Dez pontos é mais que cinco vezes a margem de erro. Mas no segundo turno contra Flávio, é 47 a 43 — aí sim, é mais apertado.
E esse caso Dark Horse? Quanto impactou?
Flávio estava empatado com Lula em segundo turno em abril. Depois da revelação sobre o pedido de dinheiro para o filme, Lula abriu quatro pontos. Agora está em quatro de novo.
Mas a pesquisa foi feita nos dias 17 e 18. A operação contra Jaques Wagner foi no dia 18. Então esse efeito não está totalmente capturado aqui.
Exato. O levantamento é um retrato de um momento específico. As coisas estão se movendo.
Lula está ganhando com mulheres, pobres, Nordeste. Flávio ganha com empresários, evangélicos, Sul. Isso é novo?
Não, são padrões que já existem. Mas o detalhe importante é que Flávio está procurando uma vice mulher justamente porque está perdendo com mulheres — 52% para 37% em segundo turno.
E quanto àquele pacote de 140 bilhões e o fim da escala 6x1? O governo não conseguiu ampliar a vantagem com isso?
Não ainda. A pesquisa é a primeira depois que a Câmara aprovou o fim da escala, mas não mostra um salto nas intenções de voto de Lula.
Então o que muda daqui para frente?
Tudo. Campanha oficial, mais escândalos, mais propostas. Essa pesquisa é um ponto de partida, não uma previsão.
E a polarização é tão forte que ambos têm rejeição alta — 48% não votariam em Flávio, 46% não votariam em Lula. Isso pode manter a eleição muito acirrada.
Le Pouls
- O escândalo Dark Horse — envolvendo o suposto financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro com recursos do Banco Master — freou o avanço de Flávio Bolsonaro, que chegara a empatar com Lula em abril.
- O Banco Master agora ameaça o próprio campo governista, com a Polícia Federal operando contra Jaques Wagner, líder do governo no Senado, complicando a narrativa do Palácio do Planalto.
- Lula vence todas as simulações de segundo turno, mas o pacote de 140 bilhões de reais em créditos e o fim da escala 6x1 ainda não produziram salto expressivo nas suas intenções de voto.
- A rejeição permanece tecnicamente empatada — 48% não votariam em Flávio e 46% não votariam em Lula —, revelando que a disputa será decidida nas margens e nos grupos ainda disputados.
- Recortes regionais e demográficos mostram dois Brasis distintos: Lula domina o Nordeste com 61% e lidera entre mulheres, enquanto Flávio concentra 54% no Sul e 69% entre empresários.
A dois anos das eleições presidenciais brasileiras, uma nova pesquisa Datafolha confirma que Luiz Inácio Lula da Silva mantém posição de favorito com 41% das intenções de voto, dez pontos à frente de Flávio Bolsonaro. O levantamento, realizado em junho de 2026 com mais de dois mil eleitores, revela uma polarização persistente e profunda no eleitorado brasileiro, onde ambos os líderes concentram altos índices tanto de apoio quanto de rejeição. Escândalos, medidas econômicas e embates simbólicos já moldam o campo de batalha, mas nenhum dos dois campos conseguiu ainda romper o equilíbrio estrutural que define a política nacional.
A pesquisa Datafolha divulgada em junho de 2026 coloca Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno estimulado, dez pontos à frente de Flávio Bolsonaro, que marca 31%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 139 cidades e apresenta estabilidade em relação à rodada anterior, confirmando o presidente como favorito na disputa de 2026. Os demais pré-candidatos ficam muito atrás, com Caiado e Renan Santos em 3% cada.
Nas simulações de segundo turno, Lula mantém vantagem em todos os cenários testados: 47% a 43% contra Flávio Bolsonaro, 47% a 41% contra Caiado e 48% a 39% contra Zema. A estabilidade do placar contra Flávio ocorre após o impacto inicial do caso Dark Horse — o filme sobre Jair Bolsonaro que o senador teria tentado financiar com recursos de Daniel Vorcaro, do Banco Master. O escândalo havia ampliado a vantagem de Lula na rodada anterior; agora, a contenção de danos de Flávio é lida como relativa estabilização.
A situação se tornou mais complexa para o governo quando o escândalo do Banco Master passou a atingir figuras próximas ao Palácio do Planalto, como Jaques Wagner, alvo de operação da Polícia Federal em 18 de junho. Ao mesmo tempo, iniciativas como o pacote de mais de 140 bilhões de reais em créditos e a aprovação do fim da escala 6x1 na Câmara ainda não produziram salto expressivo nas intenções de voto do presidente.
Os recortes demográficos reforçam a polarização estrutural. Lula lidera entre mulheres, eleitores mais pobres, pretos e no Nordeste, onde alcança 61%. Flávio se destaca entre empresários — com 69% contra 25% de Lula —, evangélicos, brancos e no Sul, com 54%. A rejeição permanece tecnicamente empatada: 48% não votariam em Flávio e 46% não votariam em Lula. Entre os eleitores de 2022, a fidelidade é alta nos dois campos — 91% dos que votaram em Lula e 93% dos que votaram em Bolsonaro dizem não se arrepender. O quadro aponta para uma disputa ainda polarizada, com Lula em vantagem, mas sem espaço para acomodação.
A pesquisa Datafolha divulgada no sábado coloca Luiz Inácio Lula da Silva com 41% das intenções de voto para a eleição presidencial de 2026, mantendo uma vantagem de dez pontos sobre Flávio Bolsonaro, que aparece com 31%. O levantamento, que ouviu 2.004 eleitores em 139 cidades nos dias 17 e 18 de junho, mostra estabilidade em relação à rodada anterior, quando Lula tinha 40% e Flávio permanecia nos 31%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. O resultado confirma a posição do presidente como favorito na disputa que se desenha para daqui a dois anos, em um cenário que permanece fortemente polarizado entre os dois principais nomes.
No primeiro turno estimulado, os demais pré-candidatos ficam bem atrás. Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com 3% cada. Romeu Zema, Aécio Neves, Samara Martins e Augusto Cury registram 2%. Joaquim Barbosa, Cabo Daciolo e Rui Costa Pimenta marcam 1% cada. Hertz Dias e Edmilson Costa não pontuam. Brancos e nulos somam 7%, enquanto 4% não sabem em quem votar. A pesquisa também trouxe mudanças na composição do cenário, com a entrada de Aécio Neves pelo PSDB e a substituição de Aldo Rebelo por Joaquim Barbosa no DC.
Nas simulações de segundo turno, Lula consolida sua vantagem. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente mantém o mesmo placar de um mês atrás: 47% para Lula e 43% para o senador, com 8% de brancos e nulos e 1% que não sabe. Essa estabilidade ocorre após o impacto inicial do caso Dark Horse, o filme sobre Jair Bolsonaro que Flávio teria tentado financiar com recursos de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Na rodada anterior, realizada logo após a revelação do pedido de dinheiro, a diferença entre os dois havia chegado a quatro pontos. Contra Ronaldo Caiado, Lula aparece com 47% ante 41% do ex-governador de Goiás, uma redução de três pontos em relação à pesquisa anterior. Contra Romeu Zema, o presidente marca 48% contra 39% do ex-governador de Minas Gerais, mantendo a mesma diferença da rodada passada.
Na pesquisa espontânea, em que os nomes não são apresentados aos entrevistados, Lula também lidera com 30% das menções, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 17%. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos registram 1% cada. Quando perguntados em qual candidato não votariam de jeito nenhum, 48% citaram Flávio Bolsonaro e 46% mencionaram Lula, tecnicamente empatados dentro da margem de erro. Aécio Neves aparece em terceiro lugar no índice de rejeição com 23%, seguido por Romeu Zema com 17% e Ronaldo Caiado com 14%. Os dados reforçam que a disputa permanece fortemente polarizada, com ambos os principais candidatos concentrando altos índices de rejeição.
O escândalo do Dark Horse teve impacto relevante na trajetória de Flávio Bolsonaro. Em abril, o senador havia conseguido empatar com Lula na simulação de segundo turno. Depois da revelação sobre o pedido de dinheiro para financiar o filme, a diferença voltou a favorecer o presidente. No primeiro turno, a vantagem de Lula, que era de três pontos, chegou a nove pontos na rodada anterior e agora está em dez. Para Flávio, a estabilidade do novo levantamento pode ser lida como contenção de danos. Para Lula, porém, o resultado indica que o governo ainda não conseguiu ampliar sua vantagem de forma significativa. A situação se tornou mais complexa para o Palácio do Planalto quando o escândalo do Banco Master passou a atingir também figuras próximas ao governo, como Jaques Wagner, líder do governo no Senado, que foi alvo de operação da Polícia Federal no dia 18 de junho.
Os recortes do Datafolha reforçam tendências já conhecidas. Lula tem desempenho superior entre mulheres, donas de casa, estudantes, eleitores mais pobres, menos escolarizados, pretos, homossexuais e bissexuais, além de liderar com ampla vantagem no Nordeste, onde chega a 61%. Flávio Bolsonaro apresenta melhor desempenho entre empresários, eleitores de renda mais alta, evangélicos, brancos e moradores do Sul, alcançando 54% na região. Em uma eventual disputa de segundo turno, Lula marca 52% entre mulheres contra 37% de Flávio, e 56% entre donas de casa contra 38% do senador. Entre empresários, Flávio lidera com 69% enquanto Lula registra 25%. O desempenho mais fraco entre mulheres ajuda a explicar a busca de Flávio por uma vice mulher.
O Datafolha é o primeiro levantamento divulgado após a Câmara dos Deputados aprovar o fim da escala 6x1, uma das principais apostas do governo Lula para ampliar seu apoio popular. A proposta, porém, está travada no Senado e corre o risco de ficar para depois de outubro. O governo também tenta capitalizar um pacote de medidas de mais de 140 bilhões de reais em créditos e subsídios. Até o momento, a pesquisa indica que essas iniciativas ainda não produziram um salto expressivo nas intenções de voto do presidente. A menos de dois meses do início oficial da campanha, Lula e Flávio Bolsonaro têm travado embates em temas como soberania, Pix e segurança pública. Depois de um encontro com Donald Trump, Flávio conseguiu que facções criminosas fossem consideradas terroristas pelos EUA e apresentou propostas de linha dura. Em resposta, Lula prometeu um programa contra roubo de celulares e cobrou a presença de ministros em inaugurações de obras.
Quanto à fidelidade eleitoral, entre os que votaram em Lula em 2022, 91% afirmam não se arrepender, enquanto 9% dizem se arrepender. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 93% dizem não se arrepender, e 7% afirmam que se arrependem. O dado reforça a persistência da polarização política brasileira e mostra que os dois campos preservam alto grau de fidelidade entre seus eleitores originais. O quadro geral aponta para uma disputa ainda polarizada, mas com Lula em posição de vantagem, liderando no primeiro turno, vencendo todas as simulações de segundo turno e mantendo vantagem sobre Flávio Bolsonaro, seu principal adversário na corrida presidencial de 2026.
Citations marquantes
A pesquisa indica que essas iniciativas ainda não produziram um salto expressivo nas intenções de voto do presidente— Análise do Datafolha sobre o impacto do pacote econômico e fim da escala 6x1