Amigos próximos passaram de 36% para 43% de influência; redes sociais, de 32% para 39%; líderes religiosos, de 23% para 30%. Imprensa também ganhou peso, subindo de 38% para 42%. Influência familiar pouco mudou: cônjuge mantém 41% e filhos, 37%.
Datafolha: amigos, redes sociais e igreja ganham peso na decisão de voto
Amigos e redes sociais cresceram no mesmo ritmo
O que essa pesquisa está realmente medindo? Quando alguém diz que a opinião de um amigo tem influência, isso significa que vai mudar seu voto?
A pesquisa pergunta se a pessoa considera a opinião desses grupos, mas não mede se ela realmente muda de ideia. É uma declaração de abertura, não necessariamente de mudança.
Exato. E aqui está o ponto: 55% dos eleitores ainda dizem que amigos não têm nenhuma influência. Então mesmo com o crescimento de 7 pontos, a maioria ainda nega qualquer efeito.
Mas por que redes sociais e amigos cresceram exatamente o mesmo? Sete pontos cada um?
Provavelmente porque muitos amigos se comunicam através de redes sociais agora. A influência interpessoal e a digital estão entrelaçadas.
Verdade, mas a pesquisa não pergunta se a pessoa viu o conteúdo de um amigo nas redes ou se conversou pessoalmente. Essas são duas coisas diferentes.
E quanto aos líderes religiosos? Trinta por cento é muito ou pouco?
Depende do contexto. Entre evangélicos, é 39%. Entre católicos, 31%. Então há segmentos onde é bastante relevante.
Mas 61% do eleitorado geral ainda diz que líderes religiosos não têm nenhuma influência. E 7% nem frequentam igreja. Então estamos falando de um grupo específico, não do eleitorado como um todo.
A diferença entre homens e mulheres me chamou atenção. Por que os homens dizem ser mais influenciados?
Pode ser que homens sejam mais abertos a admitir influência, ou que realmente conversem mais sobre política com amigos e cônjuges.
Ou pode ser que a pergunta capture algo sobre como homens e mulheres relatam suas decisões, não necessariamente como elas realmente tomam decisões. Isso é um viés de resposta possível.
O Pulso
- Amigos próximos: 36% para 43% (crescimento de 7 pontos)
- Redes sociais: 32% para 39% (crescimento de 7 pontos)
- Líderes religiosos: 23% para 30% (crescimento de 7 pontos)
- 2.506 entrevistas em 152 municípios, margem de erro de 2 pontos percentuais
- Homens: 48% influenciados por amigos; Mulheres: 39%
Amigos próximos passaram de 36% para 43% de influência; redes sociais, de 32% para 39%; líderes religiosos, de 23% para 30%. Imprensa também ganhou peso, subindo de 38% para 42%. Influência familiar pouco mudou: cônjuge mantém 41% e filhos, 37%.
Pesquisa Datafolha mostra que influência de amigos, redes sociais e líderes religiosos no voto para presidente cresceu 7 pontos percentuais em relação a julho, às vésperas do primeiro turno.
Nos últimos dois meses que antecederam o primeiro turno das eleições presidenciais, o eleitorado brasileiro passou a dar mais peso a vozes próximas e digitais na hora de decidir em quem votar. Uma pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (2) de outubro mapeou essa mudança, revelando que amigos, perfis de redes sociais e líderes religiosos ganharam influência de forma consistente entre julho e o fim de setembro.
O crescimento foi uniforme nesses três grupos: cada um deles subiu exatamente 7 pontos percentuais. Amigos próximos passaram de 36% para 43% de eleitores que dizem considerar muito ou pouco a opinião deles. Nas redes sociais, o índice saltou de 32% para 39%. Líderes religiosos, embora ainda o grupo com menor peso relativo, cresceram de 23% para 30%. A imprensa também ganhou terreno, mas de forma mais modesta: subiu de 38% para 42%, uma variação dentro da margem de erro da pesquisa.
O instituto ouviu 2.506 pessoas em 152 municípios, perguntando especificamente sobre a influência de seis grupos na decisão presidencial: amigos próximos, cônjuge ou namorado, filhos, pessoas seguidas nas redes sociais, jornalistas e líderes da igreja. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais. Apesar dos avanços, a maioria dos eleitores ainda afirma que nenhum desses grupos terá influência real em sua escolha. Entre amigos próximos, por exemplo, 55% descartam qualquer efeito, queda em relação aos 62% de julho. Nas redes sociais, 54% negam influência, ante 62% dois meses antes.
A família manteve-se relativamente estável. O cônjuge ou namorado pesa na decisão de 41% dos eleitores em relacionamento estável, praticamente o mesmo que os 38% de julho. Entre pais de filhos com 16 anos ou mais, 37% consideram a opinião deles, índice praticamente idêntico ao anterior. Quando se olha para católicos especificamente, 31% dizem que líderes religiosos têm muita ou alguma influência. Entre evangélicos, esse número sobe para 39%, refletindo a maior relevância que essas lideranças têm para esse segmento.
Uma diferença notável emerge quando se comparam homens e mulheres. Os homens relatam ser mais influenciados do que as mulheres, e a lacuna é particularmente ampla quando se trata de pessoas próximas. Entre os homens, 48% afirmam que a opinião de amigos próximos terá influência no voto, contra 39% entre as mulheres. A diferença é ainda maior no caso do cônjuge: 46% dos homens em relacionamento estável dizem considerar a opinião do parceiro ou da parceira, ante 36% das mulheres, uma diferença de 10 pontos percentuais. Nos demais grupos testados, a vantagem masculina fica menor. Redes sociais mostram 6 pontos de diferença (42% contra 36%), assim como a imprensa (45% contra 39%). Filhos e líderes religiosos registram praticamente empate técnico entre os gêneros.
O quadro que emerge é o de um eleitorado que, conforme a eleição se aproximava, começava a dar mais ouvidos ao círculo social imediato e aos espaços digitais onde passa tempo. Amigos e redes sociais cresceram no mesmo ritmo, sugerindo que a influência interpessoal e a mediada por plataformas digitais caminham juntas. Líderes religiosos, embora ainda minoritários em termos de influência declarada, também ganharam relevância, especialmente entre evangélicos. A imprensa, por sua vez, manteve-se como um fator divisor: exatamente 21% dos eleitores dizem que jornalistas têm muita influência, e outros 21% dizem que têm um pouco, deixando mais da metade indiferente.
Citações Notáveis
A maioria ainda diz, em todos os seis grupos testados pelo instituto, que a opinião deles não terá nenhuma influência na escolha— Datafolha