Daphne e Gabi estreiam peça sobre IA e relações humanas em SP

Tem coisas que só um ser humano pode fazer pelo outro
Daphne reflete sobre o cerne da peça e sua visão sobre o papel da tecnologia nas relações humanas.
Mark

Por que vocês decidiram levar essa parceria para o teatro agora, depois de tantos anos na televisão?

Mimi

Acho que a gente sempre soube que havia algo ali que merecia ser explorado além das telas. Quando Gustavo Pinheiro chegou com a ideia de escrever uma peça para nós duas, foi como se tudo clicasse. Não era só voltar ao palco; era voltar com propósito.

Mark

E por que escolher inteligência artificial como tema central?

Mimi

A IA não é realmente o tema. É o gancho. O que nos interessa é falar sobre como estamos vivendo, como nos relacionamos, o que estamos deixando de fazer por depender demais da tecnologia. A peça questiona isso.

Mark

Vocês têm medo de que o público não entenda que não é um espetáculo interativo?

Mimi

Um pouco, sim. Mas acho que quando as pessoas entram no teatro e veem a gente ali, conversando, refletindo, elas entendem. É uma conversa que a gente quer ter com eles, não uma brincadeira.

Mark

Como é trabalhar com alguém que você já conhece tão bem?

Mimi

É libertador. Não precisa explicar nada. A gente se entende com um olhar. Mas também traz responsabilidade, porque queremos honrar essa cumplicidade que construímos.

Mark

Você mencionou que sua mãe era atriz de teatro. Isso influencia como você vê esse retorno?

Mimi

Muito. É como voltar para casa. Minha mãe me mostrou que o teatro é um lugar onde a gente se conecta de verdade com a arte, com as pessoas. Isso nunca saiu de mim.

Mark

E quanto ao seu filho? Como você pensa sobre ensinar a ele a usar tecnologia de forma crítica?

Mimi

Não dá para impedir que as crianças usem essas ferramentas. Mas a gente precisa ensinar a questionar, a fazer as perguntas certas. É exatamente isso que a peça tenta fazer com o público.

  • Após quatro produções televisivas juntas, Daphne Bozaski e Gabi Medvedovski dão um salto arriscado: levar sua parceria para o teatro, onde não há corte nem segunda tomada.
  • A inteligência artificial ocupa o centro do palco não como vilã tecnológica, mas como sintoma de uma terceirização silenciosa de pensamentos, decisões e afetos.
  • O texto foi escrito sob medida por Gustavo Pinheiro, e os ensaios começaram ainda durante as gravações da novela 'Três Graças', revelando a urgência das duas em não deixar o projeto esperar.
  • Daphne retorna ao teatro como quem volta a uma língua materna — sua mãe era atriz de palco, e ela espera que fãs televisivos descubram, através dessa peça, a irreversibilidade do ao vivo.
  • A dupla mira festivais e outras cidades, com a determinação de manter o espetáculo em cartaz mesmo quando a televisão chamar de volta.

Em São Paulo, duas atrizes que construíram laços diante das câmeras decidem testar essa cumplicidade sob a luz crua do palco — e escolhem a inteligência artificial não como tema de alarme, mas como espelho para perguntas mais antigas sobre o que os seres humanos ainda fazem uns pelos outros. 'Pergunte Alguma Coisa' estreia no Teatro Tuca como o primeiro capítulo de uma parceria que ambiciona durar tanto quanto as grandes duplas femininas que moldaram o teatro e a comédia brasileira. É um convite à plateia para sair do conforto da tela e sentar diante de algo que só acontece uma vez.

Daphne Bozaski e Gabi Medvedovski sobem ao palco do Teatro Tuca, em São Paulo, carregando uma parceria que começou em 2017 em 'Malhação - Viva a Diferença' e passou por mais três produções televisivas. 'Pergunte Alguma Coisa', escrita especialmente para elas por Gustavo Pinheiro, é o passo seguinte: um espetáculo em que as duas dividem a cena sozinhas para investigar como a inteligência artificial está transformando — e talvez esvaziando — as relações humanas.

A IA não é o destino da peça, mas a porta de entrada. O espetáculo questiona a tendência crescente de delegar à tecnologia aquilo que antes exigia presença, escuta e risco. Daphne espera que o público saia do teatro com perguntas incomodas sobre o modo como vive, não com respostas prontas.

Para Daphne, o retorno ao palco é também um retorno às origens: sua mãe era atriz de teatro, e crescer entre bastidores foi onde ela primeiro se conectou à arte. Ela vê na parceria com Gabi o potencial de seguir o caminho de duplas como Fernanda Torres e Andréa Beltrão, ou Ingrid Guimarães e Heloísa Perissé — referências que provam que mulheres podem ser parceiras e se impulsionar mutuamente sem medo da própria potência.

As leituras começaram ainda durante as gravações de 'Três Graças', e a intenção é clara: manter o espetáculo vivo mesmo quando a televisão chamar de volta, levando-o a festivais e outras cidades. Na vida pessoal, Daphne usa pouco IA e precisou estudar o tema para habitar a peça — mas é justamente essa estranheza que ela quer compartilhar com a plateia, especialmente com quem, como ela, está aprendendo a ensinar filhos a navegar um mundo onde nem tudo o que a tecnologia oferece é verdade.

Daphne Bozaski e Gabi Medvedovski levam para os palcos do Teatro Tuca, em São Paulo, nesta quinta-feira, uma parceria que já atravessou quatro produções televisivas. Desde que dividiram cenas em "Malhação - Viva a Diferença" em 2017, passando por "As Five", "Nos Tempos do Imperador" e a novela "Três Graças", as duas atrizes decidiram transformar a cumplicidade construída na frente das câmeras em um projeto de teatro. "Pergunte Alguma Coisa" marca esse novo capítulo, um espetáculo que coloca apenas as duas em cena para explorar como a inteligência artificial está mudando as relações humanas.

Daphne vê nessa dupla o potencial de seguir os passos de grandes parcerias femininas do teatro e da comédia brasileira. Ela menciona Fernanda Torres e Andréa Beltrão, assim como Ingrid Guimarães e Heloísa Perissé, como referências que inspiram o caminho que ela e Gabi querem trilhar. "Não temos que ter medo da nossa parceria, da nossa potência", afirmou em entrevista. Para ela, é raro ver mulheres atuando como parceiras e se incentivando mutuamente nas carreiras, e alcançar nem que seja uma fração do que essas veteranas conquistaram já seria uma vitória significativa.

O texto foi escrito especialmente para elas por Gustavo Pinheiro, e a proposta não é o que o título pode sugerir. Apesar de "Pergunte Alguma Coisa" soar como um convite direto à plateia para participar, a peça funciona de outra forma. A inteligência artificial serve como porta de entrada para uma reflexão mais profunda sobre como os seres humanos estão terceirizando pensamentos, decisões e interações para a tecnologia. "A IA entra como uma ferramenta. O espetáculo questiona como estão as nossas relações hoje", explica Daphne. Ela espera que o público saia do teatro com vontade de prolongar a conversa, levantando perguntas sobre o modo como vivemos.

Este é o retorno de Daphne aos palcos após o sucesso da vilã Lucélia em "Três Graças", na faixa das 21h da TV Globo. Ela sempre desejou voltar ao teatro, mas com algo relevante a dizer. Quando Gustavo Pinheiro trouxe a ideia de escrever uma peça especialmente para ela e Gabi, Daphne soube que era o momento certo. As duas começaram as leituras ainda durante as gravações da novela e aceleraram os ensaios após o fim da produção. A intenção é manter o espetáculo em cartaz mesmo quando surgirem novos trabalhos na televisão, viajando para festivais e diferentes cidades.

Para Daphne, conhecida do grande público principalmente como Benê em "Malhação - Viva a Diferença", voltar ao palco representa um retorno às origens. Sua mãe era atriz de teatro, e esse reencontro com os palcos é também um reencontro com a infância e com o lugar onde começou a se conectar com a arte. Ela espera que fãs que a acompanham na televisão descubram o teatro através desse projeto, vivenciando uma arte que acontece ao vivo, no olho no olho.

Na vida pessoal, Daphne ainda usa pouco inteligência artificial e precisou estudar o tema para se ambientar com a peça. Mãe de Caetano, de 7 anos, ela acredita que será necessário ensinar as novas gerações a usar a tecnologia de forma crítica, compreendendo que nem tudo o que aparece ali é verdade. Para ela, essa reflexão resume o principal objetivo do espetáculo: reconhecer que existem coisas que a tecnologia pode fazer muito bem, mas há coisas que apenas um ser humano pode fazer pelo outro.

Não temos que ter medo da nossa parceria, da nossa potência. Somos duas mulheres, duas atrizes, que têm muitas coisas em comum e muitas diferenças também
— Daphne Bozaski
A inteligência artificial está muito presente na peça, mas a grande chave é falar sobre as relações humanas
— Daphne Bozaski
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