Daniela Beyruti pede desculpas a Erika Hilton após fala transfóbica de Ratinho

Erika Hilton, deputada federal e mulher trans, sofreu ofensa transfóbica em programa de televisão de grande audiência.
Um telefonema privado não repara o dano público
A razão pela qual Erika Hilton prosseguiu com ações legais mesmo após receber desculpas da presidente do SBT.

Em um país onde a identidade de gênero ainda é terreno de disputa pública, uma fala de um apresentador de televisão de grande audiência tornou-se o centro de um debate que vai além do insulto individual. Quando Ratinho declarou que 'para ser mulher tem que ter útero', ao reagir à indicação da deputada federal Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher, ele não apenas ofendeu uma parlamentar — ecoou uma negação que atinge milhões. O pedido de desculpas privado da presidência do SBT e a denúncia formal ao Ministério Público revelam que, neste momento, a sociedade brasileira negocia os limites entre a palavra dita no ar e a responsabilidade que ela carrega.

  • A declaração de Ratinho — de que ser mulher exige ter útero — foi ao ar para milhões de telespectadores e negou diretamente a identidade de mulheres trans e travestis.
  • Erika Hilton, deputada federal e mulher trans, foi a alvo direto da fala, proferida em reação à sua indicação para presidir a Comissão da Mulher da Câmara.
  • A presidente do SBT, Daniela Beyruti, telefonou pessoalmente para Hilton oferecendo desculpas formais em nome da emissora — um gesto cordial que, no entanto, não encerrou o caso.
  • Hilton protocolou denúncia no Ministério Público de São Paulo, apontando possível crime de intolerância com pena de até seis anos, e pediu R$ 10 milhões em indenização por danos coletivos.
  • A indenização solicitada não seria para uso pessoal, mas destinada a projetos de defesa de mulheres trans — e Hilton exige ainda retratação pública de Ratinho em horário nobre.

Na semana passada, a deputada federal Erika Hilton formalizou uma denúncia contra o apresentador Ratinho no Ministério Público de São Paulo, após ele declarar, em seu programa no SBT, que 'para ser mulher tem que ter útero'. A fala ocorreu como reação à indicação de Hilton para presidir a Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados — e negou publicamente a identidade de gênero de mulheres trans e travestis diante de uma audiência de milhões.

Antes de acionar a Justiça, Hilton recebeu um telefonema de Daniela Beyruti, presidente do SBT e filha de Silvio Santos. A conversa durou cerca de dez minutos e foi descrita pela deputada como 'muito gentil, muito educada'. Beyruti ofereceu desculpas formais em nome da emissora, reconhecendo a gravidade do ocorrido. Hilton relatou o episódio em entrevista à LeoDias TV.

O gesto, porém, não foi suficiente para encerrar o caso. Hilton protocolou representação no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP-SP, pedindo abertura de inquérito policial. Ratinho pode responder criminalmente, com pena que pode chegar a seis anos de prisão.

Em paralelo, a deputada solicitou ao Ministério Público Federal uma indenização de R$ 10 milhões por danos coletivos — valor que seria destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, para financiar projetos em defesa das mulheres trans. A petição inclui ainda a exigência de retratação pública de Ratinho em horário nobre, com reconhecimento explícito da identidade de gênero de mulheres trans e travestis.

O episódio coloca em evidência uma tensão recorrente: o reconhecimento privado de um erro não substitui a responsabilização pública. Para Hilton, o telefonema de Beyruti foi bem-recebido, mas a palavra dita no ar — e o alcance que ela teve — exige resposta à altura.

Na quinta-feira passada, a deputada federal Erika Hilton formalizou uma denúncia contra o apresentador Ratinho junto ao Ministério Público de São Paulo, dias após uma fala que a atingiu diretamente durante seu programa na emissora SBT. O comentário ocorreu quando Ratinho reagiu à indicação de Hilton para presidir a Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados — ele declarou que "para ser mulher tem que ter útero", uma afirmação que nega a identidade de gênero de mulheres trans e travestis.

Antes de acionar a justiça, porém, Hilton recebeu um telefonema de Daniela Beyruti, presidente do SBT e filha de Silvio Santos. Segundo o relato da deputada em entrevista ao programa "Jornal dos Famosos", da LeoDias TV, a conversa durou cerca de dez minutos e foi marcada por tom cordial. Beyruti ofereceu desculpas formais em nome da emissora, reconhecendo a gravidade do ocorrido. "Ela reiterou o pedido de desculpas no nome da emissora", afirmou Hilton, descrevendo o contato como "muito gentil, muito educado".

Mas o gesto da executiva não encerrou o assunto. Hilton prosseguiu com medidas legais, protocolando representação no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP-SP. A denúncia solicita abertura de inquérito policial e aponta que Ratinho pode ser responsabilizado criminalmente, com pena que pode chegar a seis anos de prisão em caso de condenação.

Paralelamente, a deputada apresentou pedido ao Ministério Público Federal solicitando indenização de dez milhões de reais por danos coletivos. O valor não seria destinado a compensação pessoal, mas sim ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos para financiamento de projetos e organizações de defesa das mulheres. A petição inclui ainda exigência de retratação pública de Ratinho em horário nobre, com reconhecimento explícito da identidade de gênero de mulheres trans e travestis.

O caso expõe a tensão entre o reconhecimento privado de um erro — o telefonema de Beyruti — e a necessidade de consequências públicas e estruturais. Para Hilton, o pedido de desculpas da presidente do SBT, embora bem-recebido, não substitui a responsabilização do apresentador e a reparação coletiva pelos danos causados por uma fala que alcançou milhões de telespectadores. A investigação no Ministério Público agora determinará se a declaração de Ratinho configura crime de intolerância e qual será o desfecho legal do episódio.

Ela me ligou, tivemos uma conversa no telefone de 10 minutos. Foi muito gentil, muito educada. Ela reiterou o pedido de desculpas no nome da emissora
— Erika Hilton, sobre o telefonema de Daniela Beyruti
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Erika Hilton decidiu acionar o Ministério Público mesmo após receber o pedido de desculpas de Daniela Beyruti?

Model

Porque um telefonema privado, por mais cordial que seja, não repara o dano público. Milhões de pessoas ouviram aquela fala na televisão. O pedido de desculpas é importante, mas não é suficiente quando se trata de uma ofensa que nega a identidade de pessoas trans.

Inventor

A indenização de dez milhões de reais parece um valor muito alto. Como se chegou a esse número?

Model

Não é para enriquecimento pessoal. O dinheiro iria para um fundo que financia projetos de defesa de mulheres. É uma forma de transformar o dano em algo que beneficie coletivamente quem foi atingido por essa narrativa transfóbica.

Inventor

Qual é o significado da exigência de retratação pública em horário nobre?

Model

É sobre visibilidade e peso. Se a ofensa foi transmitida em horário de grande audiência, a retratação também precisa ser. Não adianta pedir desculpas em um comunicado discreto quando o dano foi feito em rede nacional.

Inventor

Você acha que Daniela Beyruti agiu corretamente ao ligar para Erika?

Model

Foi um gesto importante, mas também é o mínimo que se esperaria de uma presidente de emissora quando algo assim acontece sob seu teto. A questão agora é se a emissora vai tomar medidas estruturais para evitar que isso se repita.

Inventor

Qual é o risco legal para Ratinho neste momento?

Model

Ele pode ser investigado por crime de intolerância, com pena de até seis anos de prisão se condenado. Mas o resultado dependerá de como a justiça interpreta se suas palavras configuram realmente um crime ou apenas uma opinião ofensiva.

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