D2 transforma João Rock em roda de samba com Rael e elogia público por não usar celular

Não tem um celular pro alto aqui, isso é muito foda rapaziada
D2 elogia o público do João Rock por estar presente e atento durante o show, sem filmar com celulares.
Mark

O que fez D2 parar o show para elogiar o público por não estar filmando?

Mimi

Acho que foi genuíno. Ele viu algo que não é comum em shows grandes — pessoas realmente presentes, curtindo a música sem mediar tudo por um celular. Para um artista que fala sobre resistência e comunidade, isso importa.

Mark

Mas por que essa mistura de samba e hip hop é tão importante para ele?

Mimi

Porque não é apenas musical. É uma forma de dizer que a periferia tem raiz, tem história, tem Pixinguinha e Seu Jorge. O hip hop é protesto, mas o samba é ancestralidade. Juntos, eles contam uma história completa.

Mark

Rael apareceu como convidado. Qual era o propósito dessa participação?

Mimi

Trazer outro artista que fala a mesma língua — a da periferia, da resistência. Quando Rael canta "O Hip Hop É Foda", ele está reforçando a mesma mensagem que D2 carrega há décadas. Não era apenas um featuring; era uma conversa.

Mark

E "Zé do Caroço" no final? Por que aquela música em particular?

Mimi

Porque ela é exatamente o que D2 sempre buscou — um samba que virou clássico, que diferentes artistas cantaram, que tem raiz. Colocar ela no palco, numa roda de samba, era concretizar o sonho que ele canta em "Até Clarear": fazer um rap com samba maneiro.

Mark

O público em Ribeirão Preto era diferente de outros shows?

Mimi

Parece que sim. D2 mesmo disse que sempre foi bom tocar lá, mas dessa vez o público estava realmente ali — não distraído, não filmando. Isso muda tudo. Muda a energia, muda o que o artista consegue entregar.

  • Marcelo D2 apresentou no palco Brasil do João Rock 2026 em Ribeirão Preto no sábado, 1º de agosto
  • Rael, cantor e compositor paulistano de 42 anos, participou como convidado especial
  • D2 estabeleceu uma roda de samba com 'Zé do Caroço', composição de 1978
  • O show começou às 21h30 com a música 'Autobiográfica 1967'

D2 recebeu Rael no palco para versão especial de 'Envolvidão' e reforçou mensagem de resistência com clássicos como 'Febre do Rato'. Rapper elogiou engajamento dos fãs ao curtir o show sem filmar, destacando a atenção real do público durante a apresentação.

Marcelo D2 apresentou show potente no João Rock 2026 em Ribeirão Preto, mesclando samba e hip hop com participação de Rael, elogiando o público por não usar celular durante a apresentação.

Marcelo D2 subiu ao palco Brasil do João Rock na noite de sábado em Ribeirão Preto com a missão que o define há décadas: fundir samba e hip hop numa só batida. Diante de milhares de pessoas, o rapper carioca começou às 21h30 com "1967", a autobiográfica que marca seu ponto de partida, e não parou de navegar entre o gingado das cordas e a força do protesto até o final da noite. Foi um show potente, construído sobre a mistura que ele persegue desde que começou a buscar, como ele mesmo canta, "a batida perfeita".

Antes mesmo do primeiro verso, D2 já havia plantado a semente do que viria. Versos de "Benguelê", a composição de Pixinguinha e Gastão Viana, ecoaram pelo palco como um aviso: isto aqui é raiz, isto aqui é história. Depois veio "Desabafo", o remix da canção de Claudya e Baden Powell que o público não parou de cantar. Com "Febre do Rato", gravada em 2018, D2 reforçou seu discurso de resistência — "Não beijo pé do patrão. Não quero o que é dos outros" — e incendiou a plateia com "Md2", um de seus clássicos.

Mas o momento que mais chamou atenção não foi apenas musical. Numa pausa entre as músicas, antes de chamar Rael ao palco, D2 fez uma observação que raramente se ouve em shows grandes: elogiou o público por estar ali curtindo a música em vez de filmando tudo com o celular. "Um prazer, uma honra tocar no João Rock. De tantas vezes que eu vim tocar aqui, sempre muito bom, sempre uma rapaziada que está a fim de ouvir música. É muito foda, não tem um celular pro alto aqui, isso é muito foda rapaziada, obrigado", disse. Era um reconhecimento da atenção real, daquela presença que não é mediada por uma tela.

Rael, o cantor e compositor paulistano de 42 anos, entrou na mistura logo depois. Trouxe "Envolvidão", seu sucesso, mas na batida que D2 consagrou ao longo dos anos, e seguiu com "O Hip Hop É Foda", reforçando a mensagem sobre a força das culturas das periferias. A performance se transformou numa conversa entre dois artistas que entendem a música como ferramenta de fala, não apenas de entretenimento.

D2 continuou sua jornada pelo repertório com "Eu Tive Um Sonho", de 2013, adaptando os versos para "Eu disse Adeus Chorão, nunca mais vou te esquecer". O gingado voltou com força em "Pode Acreditar (Meu Laiá Laiá)", que ele havia gravado com Seu Jorge, e em "Povo de Fé", uma mensagem de luta e ancestralidade: "Salve o povo que vem de Aruanda, da banda daqui e da banda de lá".

O ponto alto da noite chegou com "Até Clarear", quando D2 deixou cristalino o que sempre buscou: "o meu sonho de bamba era fazer um rap com samba maneiro por lá". E foi exatamente isso que fez ao estabelecer uma roda de samba no palco com "Zé do Caroço", a composição de 1978 que virou clássico na voz de diferentes artistas brasileiros. Não era apenas um show; era a realização de um projeto que D2 vinha perseguindo há anos.

Antes de encerrar, ainda teve tempo para "Mantenha o Respeito", saudando os colegas de "Planet Hemp", e fechou com "Eu Já Sabia" e "Qual É". O show não foi apenas uma apresentação musical — foi uma afirmação de que a música pode ser resistência, celebração e comunidade ao mesmo tempo, e que às vezes o mais revolucionário é simplesmente estar presente, ouvindo de verdade.

Um prazer, uma honra tocar no João Rock. De tantas vezes que eu vim tocar aqui, sempre muito bom, sempre uma rapaziada que está a fim de ouvir música. É muito foda, não tem um celular pro alto aqui, isso é muito foda rapaziada, obrigado
— Marcelo D2, no palco do João Rock 2026
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