A bolsa respirou fundo depois de uma sequência histórica de perdas
Após uma sequência histórica de perdas, o Ibovespa encontrou fôlego na semana encerrada em 12 de junho, avançando 1,25% e chegando a 171.132 pontos. O alívio veio de fora e de dentro: a distensão entre Washington e Teerã retirou peso do humor global, enquanto a privatização da Copasa por R$ 8,3 bilhões lembrou ao mercado que o Brasil ainda é capaz de movimentos estruturais de grande porte. Assim, entre a geopolítica e o noticiário corporativo, a bolsa brasileira recuperou parte do terreno perdido — ainda que o horizonte permaneça carregado de incertezas sobre juros e inflação.
- O Ibovespa vinha acumulando perdas semanais consecutivas em um padrão que começava a preocupar operadores e analistas.
- A virada veio quando Trump cancelou novos ataques ao Irã e anunciou avanço em negociações de paz, derrubando o petróleo mais de 6% e aliviando a aversão ao risco global.
- A privatização da Copasa, precificada acima do piso mínimo e movimentando R$ 8,3 bilhões, injetou confiança no mercado doméstico e reforçou o apetite por ativos brasileiros.
- A Cury liderou os ganhos após o Santander elevar seu preço-alvo e escolhê-la como principal aposta no setor de construção, enquanto a Natura puxou as perdas da semana.
- O mercado segue em compasso de espera: a assinatura do memorando EUA-Irã prevista para 14 de junho e a decisão do Copom sobre a Selic em 17 de junho definem o próximo capítulo.
A bolsa brasileira respirou na semana encerrada em 12 de junho. Depois de uma sequência histórica de quedas semanais, o Ibovespa fechou com ganho de 1,25%, a 171.132,66 pontos. O dólar recuou 1,86%, terminando a R$ 5,0615, e o alívio veio de duas frentes simultâneas: a distensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã, e um noticiário corporativo que manteve os investidores atentos.
O destaque doméstico foi a privatização da Copasa, que movimentou R$ 8,3 bilhões — a segunda maior operação de saneamento em bolsa no Brasil, superada apenas pela Sabesp em 2024. As ações foram precificadas a R$ 49,303, acima do piso estabelecido pelo Tribunal de Contas de Minas Gerais. No campo político, pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula com 44% das intenções de voto para 2026, abrindo seis pontos sobre Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno.
Na frente de preços, o IPCA registrou 0,58% em maio, desacelerando frente ao mês anterior, mas o acumulado em 12 meses chegou a 4,72% — ainda acima da meta de 3% do Banco Central. O mercado precificava 68% de probabilidade de manutenção da Selic em 14,50% ao ano para a reunião do Copom em 17 de junho.
O ponto de virada global ocorreu na quinta-feira, quando Trump cancelou novos ataques ao Irã e anunciou avanço nas negociações de paz, com apoio de uma ampla coalizão de países. Em reação imediata, o Brent recuou 6,19% na semana, encerrando a US$ 87,33 o barril. A expectativa de assinatura de um memorando entre EUA e Irã em 14 de junho sustentou o otimismo até o fechamento.
Entre as ações individuais, a Cury liderou os ganhos após o Santander elevar seu preço-alvo de R$ 49 para R$ 52 e elegê-la como principal escolha no setor de construção civil. Na ponta oposta, a Natura liderou as quedas, embora ainda acumule alta de 14,9% no ano. O mercado segue atento aos próximos capítulos — o acordo geopolítico e a decisão sobre os juros brasileiros.
A bolsa brasileira respirou fundo na semana que terminou em 12 de junho. Depois de uma sequência histórica de perdas semanais, o Ibovespa interrompeu o padrão negativo e fechou com ganho de 1,25%, acumulando 171.132,66 pontos na última sessão. O alívio veio de duas frentes: a redução nas tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, e um noticiário corporativo robusto que manteve os investidores atentos.
O dólar à vista recuou 1,86% na semana, terminando a R$ 5,0615. Mas o destaque do período foi a privatização da Copasa, que movimentou R$ 8,3 bilhões considerando o lote principal — a segunda maior operação de saneamento realizada em bolsa no Brasil, atrás apenas da Sabesp em 2024, que havia arrecadado quase R$ 15 bilhões. As ações foram precificadas a R$ 49,303 cada, acima do piso de R$ 47,23 estabelecido pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.
Na política, uma nova pesquisa de intenção de votos reforçou a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento Genial/Quaest para a eleição presidencial de 2026 mostrou Lula com 44% das intenções de voto — aumento de dois pontos em relação a maio — abrindo seis pontos porcentuais de vantagem sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O senador recuou de 41% para 38% no mesmo período. O cenário político continuou no radar dos operadores, influenciando o humor do mercado.
Na frente de preços, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo registrou alta de 0,58% em maio, uma desaceleração frente aos 0,67% do mês anterior. Porém, no acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,72% — ainda acima da meta de 3% perseguida pelo Banco Central, considerando a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Os investidores mantiveram a aposta na manutenção da Selic em 14,50% ao ano, com a curva de juros futuros precificando 68% de estabilidade para a decisão do Copom em 17 de junho.
Nos Estados Unidos, o mercado reposicionou suas expectativas sobre o Federal Reserve. A ferramenta FedWatch do CME Group indicava 98,6% de probabilidade de juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% para a reunião de quarta-feira, 17 de junho. Apenas em dezembro o mercado passou a precificar uma elevação dos juros americanos. Essa mudança de expectativa refletiu o cenário geopolítico mais tranquilo que se desenhou ao longo da semana.
O ponto de virada veio na quinta-feira, 11 de junho, quando o presidente Donald Trump cancelou novos ataques planejados contra o Irã e anunciou avanço nas negociações para um acordo de paz. Trump afirmou que as discussões e pontos finais foram aprovados pelos Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Barein, Kuweit, Jordânia, Egito e outros países. A expectativa era de que a assinatura do memorando entre EUA e Irã ocorresse no dia 14 de junho. Em reação imediata, os preços do petróleo caíram. O contrato mais líquido do Brent para agosto recuou 6,19% na semana, encerrando a última sessão a US$ 87,33 o barril na Intercontinental Exchange em Londres.
No movimento das ações individuais, a Cury liderou os ganhos do Ibovespa. Na terça-feira, 9 de junho, o Santander elevou o preço-alvo das ações CURY3 para o fim de 2026, de R$ 49 para R$ 52, e elegeu a companhia como sua principal escolha no setor de construção civil. O banco destacou em relatório um conjunto de fatores operacionais positivos: aumento de lançamentos, reajustes de preços dos imóveis, reconhecimento de receita mais forte do que o esperado e diluição de despesas com vendas, gerais e administrativas. Na ponta negativa, a Natura liderou as quedas da semana, embora suas ações ainda acumulem alta de 14,9% no ano. O mercado segue atento aos desdobramentos das negociações entre EUA e Irã e à próxima decisão do Banco Central sobre a taxa de juros.
Notable Quotes
O Santander elevou o preço-alvo das ações CURY3 para R$ 52 e elegeu a companhia como principal escolha no setor de construção civil— Santander
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o mercado respirou fundo justamente nesta semana?
Duas coisas convergiram. A geopolítica melhorou — Trump cancelou ataques ao Irã e anunciou um acordo — e isso reduziu a incerteza que vinha pesando. Ao mesmo tempo, tivemos a privatização da Copasa, um evento corporativo grande que trouxe liquidez e confiança.
A inflação ainda está acima da meta. Por que isso não derrubou o índice?
Porque o mercado já precificava isso. O que importou foi a desaceleração de maio em relação a abril — 0,58% contra 0,67%. Isso sinalizou que o Banco Central pode estar no caminho certo, mesmo que ainda haja espaço a percorrer.
E o dólar? Por que caiu tanto?
O alívio geopolítico reduz a demanda por ativos de segurança. Quando o mundo fica menos tenso, o dólar perde apelo. Além disso, o mercado começou a precificar juros americanos mais baixos por mais tempo, o que também enfraquece a moeda.
A Cury subiu porque o Santander mudou de ideia?
Não é só mudança de ideia. O banco viu dados operacionais reais — mais lançamentos, preços subindo, receita reconhecida mais forte. Isso não é opinião, é fato. Quando um banco grande muda o preço-alvo para cima, outros começam a olhar também.
E a Natura? Por que caiu se está em alta no ano?
Porque o mercado não vive de histórico. Vive do que vai acontecer. A queda semanal pode refletir realização de lucros ou preocupações específicas da companhia que não aparecem no acumulado do ano.