Quase 80% da arrecadação vem de apenas duas regiões
Um retrato fiscal do Brasil emerge de um novo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação: Curitiba figura entre as dez cidades que mais arrecadam impostos no país, ocupando a sexta posição em um ranking dominado por São Paulo, que sozinha concentra quase um quarto da arrecadação nacional. O estudo revela que cem municípios — abrigando apenas um terço da população brasileira — respondem por quase 78% de toda a arrecadação federal, expondo uma geografia tributária que é, antes de tudo, uma geografia de escolhas históricas sobre onde investir e onde crescer.
- São Paulo arrecadou R$ 581 bilhões em 2024 — quase 30% do total das cem maiores cidades juntas —, tornando qualquer comparação com os demais municípios quase simbólica.
- Curitiba ocupa a sexta posição nacional, atrás de Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Osasco, o que evidencia a força econômica do Paraná, mas também sua distância do epicentro fiscal do país.
- Quando a arrecadação é dividida pela população, o ranking se inverte: Barueri lidera com R$ 110 mil por habitante, revelando cidades pequenas e economicamente densas que distorcem a lógica do tamanho.
- O Sudeste concentra 53 dos cem municípios do ranking e 53% da arrecadação, enquanto Norte e Nordeste somam apenas quinze cidades — uma assimetria que não é coincidência, mas herança de décadas de investimento desigual.
- O estudo mede onde os impostos foram recolhidos, não onde o dinheiro permanece — uma distinção técnica que lembra que arrecadar muito não é o mesmo que reter riqueza.
Um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação mapeou as cem cidades brasileiras que mais arrecadam impostos, revelando um retrato concentrado da economia nacional. Curitiba aparece em sexto lugar, posição que reflete a força da capital paranaense, mas que também evidencia como a riqueza tributária se distribui de forma profundamente desigual pelo território.
São Paulo domina o cenário de forma esmagadora: arrecadou R$ 581 bilhões em 2024, valor que representa quase 30% do total das cem maiores cidades e mais de um quinto da arrecadação nacional inteira. À frente de Curitiba estão Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Osasco. O top dez se completa com Barueri, Porto Alegre, Itajaí e Campinas.
Essas cem cidades abrigam pouco mais de um terço da população brasileira — 77 milhões de pessoas —, mas respondem por quase 78% de toda a arrecadação tributária federal. João Eloi Olenike, presidente-executivo do instituto, aponta que a liderança de São Paulo decorre da concentração de riqueza no Sudeste, que também abriga polos industriais em Barueri, Osasco e Campinas.
Quando a arrecadação é calculada por habitante, o ranking muda completamente: Barueri salta para o primeiro lugar, com cada residente contribuindo em média R$ 110 mil em tributos. Itajaí e Douradina aparecem logo atrás — cidades menores, mas economicamente densas, onde a atividade industrial gera arrecadação desproporcional ao tamanho da população.
A distribuição regional é reveladora: o Sudeste concentra 53 municípios do ranking, com São Paulo sozinho respondendo por 36 deles. O Sul vem em segundo com 26, o Nordeste aparece com apenas doze, e o Norte com três. Sudeste e Sul juntos respondem por 79% da arrecadação do grupo — reflexo de décadas de investimento desigual em infraestrutura e desenvolvimento econômico que ainda moldam o mapa fiscal do país.
Um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação nesta semana mapeou as cem cidades brasileiras que mais arrecadam impostos, revelando um retrato concentrado da economia nacional. Curitiba aparece em sexto lugar nesse ranking, posição respeitável que reflete a força econômica da capital paranaense, mas que também evidencia como a riqueza tributária do país se distribui de forma desigual pelo território.
São Paulo domina o cenário de forma esmagadora. A capital paulista arrecadou exatos 581 bilhões e 153 milhões de reais em 2024, valor que representa quase 30% de tudo que as cem maiores cidades coletam juntas e mais de um quinto da arrecadação nacional inteira. À frente de Curitiba no ranking estão Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Osasco, também em São Paulo. Completando o top dez aparecem Barueri, Porto Alegre, Itajaí e Campinas.
O que chama atenção é como essas cem cidades concentram poder fiscal desproporcional. Apesar de abrigarem pouco mais de um terço da população brasileira — 77 milhões de pessoas em um país de 210 milhões —, essas cidades respondem por quase 78% de toda a arrecadação tributária federal do país. Trata-se de uma concentração que reflete não apenas o tamanho das cidades, mas a localização de atividades econômicas de maior valor agregado.
João Eloi Olenike, presidente-executivo do instituto que conduziu o estudo, aponta que a liderança persistente de São Paulo decorre da concentração de riqueza na região Sudeste. O estado paulista não apenas tem a capital como maior arrecadadora, mas também abriga polos industriais significativos em Barueri, Osasco e Campinas que funcionam como motores econômicos. Essa força reflete tanto a base industrial e comercial quanto a maior densidade populacional e de atividades econômicas da região.
Quando o estudo cruza os dados de arrecadação com a população de cada município — calculando quanto cada habitante contribui em impostos —, o ranking muda completamente. Barueri salta para o primeiro lugar, com cada residente contribuindo em média 110 mil reais em tributos. Itajaí em Santa Catarina vem em segundo, seguida por Douradina no Paraná. Essa métrica revela cidades menores mas economicamente densas, onde a atividade industrial ou comercial gera arrecadação desproporcional ao tamanho da população.
A distribuição regional dos cem maiores municípios mostra claramente as disparidades. O Sudeste concentra 53 delas, com São Paulo sozinho respondendo por 36 cidades — mais de um terço do total. A região Sul vem em segundo com 26 municípios, sendo Santa Catarina particularmente forte com doze cidades no ranking. O Nordeste aparece com apenas doze, o Centro-Oeste com seis, e o Norte com apenas três municípios. Essa geografia da arrecadação reflete décadas de investimento desigual em infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Olenike observa que enquanto o Sudeste e o Sul juntos respondem por 79% da arrecadação dos cem maiores municípios, as regiões Norte e Nordeste ficam à margem apesar do desempenho de cidades como Manaus e Salvador. O executivo argumenta que além das capitais, o fortalecimento das finanças municipais depende da vitalidade de polos industriais e comerciais estratégicos — exatamente o que falta em muitas regiões. Essa distribuição desigual não é acidental, mas reflexo de escolhas históricas sobre onde investir em infraestrutura e desenvolvimento.
O estudo utilizou dados da Receita Federal sobre tributos administrados pelo governo federal, considerando onde o recolhimento ocorreu geograficamente. É importante notar que esses números refletem onde os impostos foram arrecadados, não necessariamente onde o dinheiro entrou nos cofres municipais — uma distinção técnica mas relevante para entender como funciona o sistema tributário brasileiro.
Notable Quotes
A concentração de riqueza na região Sudeste, com o estado de São Paulo exercendo liderança absoluta por meio da capital e de polos industriais como Barueri, Osasco e Campinas— João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT
O fortalecimento das finanças municipais depende diretamente da vitalidade de polos industriais e comerciais estratégicos, responsáveis por sustentar grande parte da geração de tributos no país— João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Curitiba aparece em sexto lugar? O que a coloca nessa posição?
Curitiba tem uma base econômica sólida — indústria, comércio, serviços — mas não tem a escala de São Paulo ou Rio. É uma capital regional forte, mas não um polo de concentração de riqueza como a capital paulista.
E esse ranking per capita que muda tudo? Por que Barueri fica em primeiro?
Barueri é pequena em população mas tem uma densidade econômica enorme. Muitas empresas grandes têm sede ou operações lá. Cada habitante contribui muito mais em impostos porque a cidade é um polo industrial comprimido em espaço pequeno.
Isso significa que o Norte e Nordeste estão fadados a ficar para trás?
Não é fado, é estrutura. Essas regiões não têm os mesmos polos industriais que o Sul e Sudeste desenvolveram ao longo de décadas. Sem infraestrutura e investimento, atividades econômicas de maior valor não se instalam lá.
Então a arrecadação tributária é um espelho da desigualdade econômica?
Exatamente. O imposto vai aonde está o dinheiro. Se 79% da arrecadação dos cem maiores municípios vem de duas regiões, é porque é lá que a economia está concentrada. Não é um problema de arrecadação, é um problema de desenvolvimento desigual.
E Curitiba, nesse contexto? Está crescendo ou estagnada?
Curitiba mantém sua posição como capital regional importante, mas não está entre os polos que mais crescem. Santa Catarina, por exemplo, tem doze cidades no ranking — mais que Minas Gerais. Isso sugere que o Sul está em ascensão enquanto o Sudeste, apesar de dominante, pode estar se diversificando menos.