Cummins marca 70 anos de eixos no Brasil com otimismo moderado ante avanço chinês

A empresa reduziu o quadro de funcionários temporários em suas fábricas como resposta à queda nas vendas de pesados.
há muito espaço para o caminhão brasileiro porque existe um tempo longo de transição
Diretor da Cummins explica por que a empresa mantém otimismo apesar da concorrência chinesa crescente.
Mark

A Cummins está comemorando 70 anos, mas os números do mercado parecem ruins. Como a empresa consegue manter otimismo?

Mimi

Porque o crescimento que ela projeta — 1% em 2026 — é positivo em um mercado que está caindo. Caminhões caíram 7%, ônibus caíram 10,7%. Então ela está ganhando fatia de mercado, ou pelo menos não perdendo na mesma velocidade.

Luke

Mas espera aí. Ela vendeu 103 mil eixos em 2025 e projeta 104 mil em 2026. Isso é um aumento de apenas mil unidades. É realmente crescimento, ou é apenas flutuação dentro da margem de erro?

Mimi

É crescimento, mas tímido. O ponto é que ela poderia estar vendendo menos. E ela reduziu funcionários temporários — isso é um sinal de que o mercado está apertado.

Mark

Por que a Cummins acha que há espaço para o caminhão brasileiro se os chineses estão chegando?

Mimi

Porque a transição vai ser longa. Os chineses estão começando agora. Há tempo para a indústria brasileira se adaptar, se reinventar. E a Cummins está investindo em eletrificação, em novas tecnologias.

Luke

Mas ninguém confirmou ainda que as marcas chinesas vão produzir no Brasil. Isso é especulação. E quanto às exportações? Caíram 16,5% em caminhões. Isso não é um sinal de que o mercado latino-americano está fechando?

Mimi

Sim, as exportações caíram. Mas a empresa está apostando que o mercado doméstico vai se recuperar. E ela tem capacidade produtiva ampliada em 21% nos últimos seis anos — está pronta para crescer quando a demanda voltar.

Mark

Então a Cummins está basicamente esperando?

Mimi

Não. Ela está se preparando. Modernizou as fábricas, investe em eletrificação, negocia com chineses. Mas sim, há uma dose de esperança de que o mercado se recupere.

Luke

E se não se recuperar? Se os chineses realmente dominarem? A capacidade extra vira um passivo.

Mimi

Verdade. Por isso o otimismo é moderado, como o título diz. Não é confiança cega. É confiança com ressalvas.

  • As vendas de caminhões caíram 7% e as de ônibus 10,7% até julho de 2026, enquanto as exportações despencaram ainda mais — um setor inteiro sob pressão simultânea.
  • A Cummins respondeu ao recuo do mercado não renovando contratos temporários e desacelerando linhas de produção, sentindo na força de trabalho o peso das incertezas.
  • A concorrência chinesa avança na América Latina, mas a empresa aposta que o tempo de transição será longo o suficiente para preservar a relevância da indústria brasileira.
  • A empresa projeta crescimento de apenas 1% em eixos para 2026 e 2027, mas mantém capacidade instalada 21% maior do que há seis anos — potencial guardado para quando a demanda voltar.
  • Novas frentes são abertas: peças originais, possível fornecimento para marcas chinesas que queiram produzir no Brasil e investimento em soluções eletrificadas apontam para além do presente contraído.

Aos setenta anos de presença no Brasil, a Cummins atravessa um daqueles momentos em que a longevidade industrial não garante tranquilidade, mas oferece perspectiva. Enquanto caminhões e ônibus perdem vendas e a concorrência chinesa redesenha silenciosamente o mercado de veículos pesados, a empresa ajusta seu ritmo sem abandonar a aposta de que transições longas favorecem quem já está enraizado. É a história de uma indústria que aprendeu a crescer devagar quando o mundo acelera em outra direção.

Sete décadas produzindo eixos para caminhões e ônibus no Brasil — incluindo os anos da Meritor, adquirida em 2022 por US$ 3,7 bilhões — chegam em um momento de transição incerta. A concorrência chinesa começa a reescrever as regras do mercado local, e os números do setor refletem a pressão: queda de 7% nas vendas de caminhões e de 10,7% em ônibus no acumulado até julho de 2026, com exportações recuando ainda mais fortemente.

Diante desse cenário, a Cummins fez ajustes. Contratos temporários não foram renovados e o ritmo de produção foi desacelerado em algumas fábricas. Ainda assim, a empresa projeta crescimento de 1% em vendas de eixos para 2026, chegando a 104 mil unidades — avanço modesto, mas positivo diante da realidade do mercado. Para 2027, a estimativa se mantém na mesma direção, com cerca de 105 mil eixos.

Kleber Assanti, diretor-geral da divisão de eixos no Brasil, vê espaço para o caminhão brasileiro na América Latina mesmo com a presença crescente dos modelos chineses. A transição, segundo ele, será longa o suficiente para favorecer a indústria local. A empresa aposta em três frentes: crescimento no mercado de peças originais, possível fornecimento para marcas chinesas que pretendam produzir no Brasil e investimento em soluções eletrificadas.

A operação está distribuída em quatro unidades — Osasco, Barueri, Caxias do Sul e Resende —, reunindo mais de 2.800 trabalhadores. A fábrica principal, em Osasco, teve sua capacidade ampliada em 21% nos últimos seis anos e pode produzir até 140 mil eixos por ano, uma reserva de potencial à espera da recuperação da demanda. É com essa estrutura que a Cummins defende o presente e prepara o terreno para um futuro em que eletrificação e concorrência global serão as coordenadas do setor.

Sete décadas. É quanto tempo a Cummins leva produzindo eixos para caminhões e ônibus no Brasil — uma trajetória que inclui os anos de operação da Meritor, empresa que o gigante americano adquiriu em 2022 por US$ 3,7 bilhões. A marca dessa longevidade chega em um momento de transição incerta para o setor de veículos pesados, quando a concorrência chinesa começa a reescrever as regras do mercado local.

O cenário que a Cummins enfrenta é contraditório. De um lado, as vendas de caminhões caíram 7% no acumulado até julho de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os ônibus tiveram desempenho ainda pior, com queda de 10,7%. As exportações, historicamente importantes para o setor, recuaram 16,5% em caminhões e 30,6% em ônibus, segundo dados do Renavam. De outro lado, a empresa projeta um crescimento de 1% em suas vendas de eixos para 2026, atingindo 104 mil unidades — um avanço tímido, mas ainda assim positivo diante da realidade do mercado.

Essa resiliência relativa obrigou a Cummins a fazer ajustes estruturais. Nos últimos anos, a empresa reduziu seu quadro de funcionários temporários e desacelerou o ritmo de produção em algumas de suas fábricas. Kleber Assanti, diretor-geral da divisão de eixos da Cummins no Brasil, explicou que a companhia não renovou contratos de trabalhadores temporários como resposta à queda nas vendas de pesados. A reformulação começou no ano passado, quando a empresa já vislumbrava tempos difíceis. Em 2025, a Cummins vendeu 103 mil eixos de tração — números que mostram o tamanho da operação e o impacto das mudanças.

Mas Assanti não vê apenas nuvens no horizonte. Segundo ele, há espaço considerável para o caminhão brasileiro no mercado latino-americano, mesmo com a presença crescente dos modelos chineses. "O veículo chinês é uma realidade em mercados na América Latina, mas ainda há muito espaço para o caminhão brasileiro porque existe um tempo longo de transição que vai favorecer a nossa indústria", afirmou. A Cummins aposta em múltiplas frentes: crescimento no mercado de peças originais para as montadoras, possível fornecimento para marcas chinesas que pretendem produzir no Brasil — embora ainda não haja confirmação de negociações — e investimento em soluções eletrificadas.

A operação brasileira da divisão de eixos está distribuída em quatro unidades. A principal fica em Osasco, na Grande São Paulo, onde trabalham cerca de 1.200 colaboradores. Em Barueri, também na região metropolitana, a empresa mantém a estrutura de pós-venda com mais de 50 funcionários em uma área de aproximadamente 5 mil metros quadrados. Em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, a operação de freios funciona por meio de parceria com o grupo Randon, envolvendo 1.347 trabalhadores em uma área de 27 mil metros quadrados. A quarta planta fica em Resende, no Rio de Janeiro, dedicada à produção de eixos e conjuntos de chassis para a Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 272 funcionários.

A fábrica de Osasco passou por modernização nos últimos seis anos, período em que a capacidade produtiva foi ampliada em aproximadamente 21%. Com o mix atual de produtos, a unidade tem capacidade efetiva para produzir cerca de 140 mil eixos por ano — uma reserva de potencial que a empresa pode ativar conforme a demanda se recupere. A Cummins é uma das principais fornecedoras da Volkswagen Caminhões e Ônibus, montadora historicamente ligada às exportações, o que torna a empresa particularmente sensível às flutuações do mercado externo.

Para 2027, a perspectiva segue positiva. A divisão estima alcançar aproximadamente 105 mil eixos vendidos no país, mantendo o ritmo de crescimento de cerca de 1% projetado para 2026. É um crescimento modesto, mas em um contexto de mercado contraído, representa uma aposta de que a transição será longa o suficiente para que a indústria brasileira mantenha sua relevância. Assanti ressalta que todos os fornecedores têm oferta diversificada para atender também as demandas da eletrificação — um sinal de que a Cummins não está apenas defendendo o presente, mas preparando-se para um futuro em que os eixos podem ser tão importantes quanto os motores elétricos que os movem.

O veículo chinês é uma realidade em mercados na América Latina, mas ainda há muito espaço para o caminhão brasileiro porque existe um tempo longo de transição que vai favorecer a nossa indústria
— Kleber Assanti, diretor-geral da divisão de eixos da Cummins no Brasil
Nós podemos registrar crescimento no mercado de peças originais para as montadoras mesmo com o mercado em queda
— Kleber Assanti
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