Cruzeiro perpétuo à volta do mundo chega ao fim com subida dos combustíveis devido à guerra no Irão

Residentes que venderam os seus bens para viver a bordo ficam sem lar permanente e sem garantia de alojamento temporário.
Isto é um lar
Sharon Lane investiu as poupanças de uma vida numa cabine do Odyssey, agora parado no Camboja.
Mark

Um navio que era casa de pessoas parou no Camboja. O que aconteceu exatamente?

Mimi

A operadora suspendeu as operações e disse que procura alojamento temporário para os residentes. O motivo é o combustível, que ficou muito mais caro com a guerra no Irão.

Mark

Quanto mais caro?

Mimi

Segundo a empresa, o custo mensal por cabine passou de cerca de 1 800 para até 8 000 dólares em algumas zonas da Ásia.

Luke

Convém notar que esses números vêm da própria operadora. A reportagem não apresenta confirmação independente.

Mark

E os residentes? Sabiam o que vinha aí?

Mimi

Holly Hennessy diz que o aviso foi dado com menos de um dia de antecedência, mas que já se esperava, porque em maio houve uma sobretaxa de combustível e cortaram a refrigeração.

Luke

Isso é o testemunho de uma residente. Não sabemos se todos viram o aviso da mesma forma.

Mark

Há esperança de o navio voltar a navegar?

Mimi

A empresa fala em reestruturação e recapitalização em dois meses, mas diz que nada está garantido.

Luke

E não sabemos ainda onde ficarão os residentes, nem se o alojamento temporário está assegurado. A fonte só diz que a empresa o procura.

  • A operadora suspendeu as operações no Camboja e os residentes foram obrigados a desembarcar com menos de um dia de aviso.
  • O custo mensal de combustível por cabine saltou de cerca de 1 800 para até 8 000 dólares em algumas regiões da Ásia.
  • Proprietários que venderam tudo para viver a bordo estão agora sem lar permanente e sem garantia de alojamento temporário.
  • A Villa Vie promete uma reestruturação e recapitalização nos próximos dois meses, mas admite que nenhum resultado está garantido.

Num porto do Camboja, a vida de um navio que era casa para centenas de pessoas chegou a um ponto de paragem. O Villa Vie Odyssey, que dava voltas ao mundo havia mais de dois anos, deixou de conseguir pagar a viagem quando o combustível, encarecido pela guerra no Irão e pelas tensões no Estreito de Ormuz, subiu a níveis que nenhum plano previa. É uma história antiga de sonhos de mobilidade e de lares flutuantes, agora interrompida pela mesma força que faz oscilar os preços da energia em todo o mundo: a dependência de recursos que ninguém controla.

Num porto do Camboja, os residentes do Villa Vie Odyssey tiveram de sair do navio que era a sua casa. Ao fim de mais de dois anos a navegar sem parar à volta do mundo, o cruzeiro residencial ficou parado porque o combustível se tornou caro demais para sustentar a viagem.

A operadora, sediada na Florida, anunciou que suspendia as operações no Camboja e procurava alojamento temporário para os residentes, muitos dos quais são proprietários de cabines e viviam a bordo em permanência. Alguns venderam tudo o que tinham para garantir o seu lugar no navio. A empresa culpa a guerra no Irão e as perturbações no Estreito de Ormuz por uma pressão financeira insustentável, apesar de ter abrandado a viagem e passado mais tempo em porto para poupar combustível.

Os números mostram a dimensão do problema: o custo mensal de combustível por cabine passou de cerca de 1 800 dólares para até 8 000 em algumas regiões asiáticas. Repassar essa subida aos residentes, segundo a empresa, não seria realista.

Holly Hennessy, que vivia a bordo com o seu gato desde a partida, diz que os residentes foram avisados em cima da hora, embora os sinais já existissem desde maio, quando surgiu a sobretaxa de combustível e a refrigeração foi reduzida. Ainda assim, guarda a experiência como algo inestimável: não era sustentável, mas as memórias e a aventura permanecem.

Sharon Lane, reformada da Califórnia, investiu as poupanças de uma vida numa cabine e disse, em junho, que aquilo era o seu lar. Agora, o destino do navio e das pessoas que nele construíram a vida continua em aberto, à espera de uma reestruturação que a própria empresa não garante.

Num porto do Camboja, os residentes do "Villa Vie Odyssey" tiveram de sair do navio que era a sua casa. O cruzeiro residencial, que navegava ininterruptamente à volta do mundo havia mais de dois anos, ficou parado porque o combustível se tornou caro demais para manter a viagem.

A operadora, a Villa Vie Residences, sediada na Florida, anunciou na terça-feira que suspendia as operações no Camboja e que procurava soluções de alojamento temporário para os residentes. Muitos deles são proprietários de cabines e viviam a bordo em permanência. Alguns venderam tudo o que tinham para comprar o seu lugar no navio.

No comunicado, a empresa explicou que, desde o início do conflito no Irão, no final de fevereiro, tomou medidas para gastar menos combustível: abrandou durante o itinerário e passou mais tempo em porto. Não bastou. Segundo a operadora, o aumento extraordinário dos custos tornou impossível continuar a suportar as perdas operacionais. A empresa aponta a guerra e as perturbações no Estreito de Ormuz como causa de uma "pressão financeira insustentável".

Os números ilustram a dimensão do problema. Segundo a Villa Vie, o custo mensal de combustível por cabine passou de cerca de 1 800 dólares para até 8 000 dólares (de 1 640 a 7 170 euros) em algumas regiões da Ásia, grande importadora de energia do Médio Oriente. Repassar o aumento total aos residentes, afirmou a empresa, "não é uma solução realista".

O Odyssey, com 640 pés (quase 200 metros), partiu de Belfast, na Irlanda do Norte, há mais de dois anos, depois de meses de atrasos. Estava programado para visitar mais de 400 destinos. Uma residência de cinco anos a bordo custa a partir de 59 999 dólares (54 mil euros), e uma cabine permanente 119 999 dólares (cerca de 108 mil euros). Os proprietários pagam ainda quotas mensais entre 3 299 e 9 500 dólares (2 960 a 8 500 euros), conforme a suíte, que cobrem alimentação, bebidas, Wi-Fi, consultas médicas e limpeza. Também havia cabines para arrendar a partir de 3 499 dólares (3 130 euros) por mês.

Holly Hennessy, a bordo com o gato Captain desde que o navio zarpou, contou que os residentes foram avisados com menos de um dia de antecedência de que tinham de desembarcar, embora a situação fosse previsível. Segundo ela, já em maio fora pedida uma sobretaxa de combustível, e a refrigeração a bordo foi reduzida para poupar energia, o que tornava a estadia desconfortável. Ainda assim, considerou a experiência "inestimável": "Não era sustentável tal como estava organizado", disse, "mas isso não diminui as memórias, a aventura".

Sharon Lane, reformada da Califórnia, investiu as poupanças de uma vida numa cabine. Em junho, disse à CNN que pretendia viver no navio enquanto este operasse: "Isto é um lar". No ano passado, a companhia estimava que o Odyssey ainda tivesse 15 anos de vida útil.

A Villa Vie diz estar a trabalhar numa reestruturação e recapitalização nos próximos dois meses, mas avisa que nenhum resultado está garantido. Até lá, o destino do navio e dos seus residentes continua em aberto.

Não era sustentável tal como estava organizado, mas isso não diminui as memórias e a aventura.
— Holly Hennessy, residente do Odyssey
Repassar o aumento total aos residentes não é uma solução realista.
— Villa Vie Residences
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