Crime, saúde e imigração lideram buscas antes das midterms nos EUA

O crime lidera as buscas, mas a economia pesa mais no voto
Google Trends mostra crime à frente, enquanto o Pew aponta 84% dos eleitores priorizando a economia.
Mark

Crime lidera as buscas, mas a economia é a maior preocupação. Como isso se explica?

Mimi

São medidas diferentes. O Google Trends mostra o que as pessoas procuram na semana; o Pew pergunta o que é muito importante para o voto. Na pesquisa, 84% citam a economia.

Luke

E convém não misturar os dois. Busca não é intenção de voto, e o texto não diz por que crime lidera. Pode ser curiosidade, notícia do momento, qualquer coisa.

Mark

E o recorde de buscas por cadastro?

Mimi

Aponta para interesse em votar. A Vote.org registrou 230,4 mil cadastros no primeiro semestre, mais que o dobro de 2022.

Luke

Dado da plataforma, não do país inteiro. Mostra tendência naquela organização; não prova sozinho que a participação vai subir.

Mark

A gasolina entra nessa conta?

Mimi

Entra. Segundo a AAA, estava em US$ 4,27 por galão em 22 de outubro, cerca de US$ 1,20 acima do ano anterior, após os ataques contra o Irã em fevereiro.

Luke

O texto liga a alta aos ataques, mas não quantifica quanto da alta se deve a eles.

Mark

E a aprovação de Trump em 32%?

Mimi

É baixa, perto do recorde negativo de 31%. Mas o resultado dependerá de cada disputa, não só do índice nacional.

Luke

Exato. Nada aqui projeta quem vence; só descreve o clima antes da votação.

  • Crime lidera as buscas políticas dos americanos na última semana antes das midterms, à frente de saúde, imigração e economia.
  • A economia é a preocupação central para 84% dos eleitores registrados, pressionada por gasolina a US$ 4,27 o galão.
  • Os cadastros para votar bateram recorde no ciclo, com Texas à frente das buscas e mais que o dobro do registro de 2022.
  • Com aprovação de Trump em 32%, perto do piso histórico, o Partido Republicano disputa o controle da Câmara e do Senado na terça-feira, 3 de novembro.

Às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, os americanos voltaram sua atenção ao que lhes toca no cotidiano: o crime lidera as buscas políticas, seguido por saúde, imigração, economia e o conflito com o Irã. Essa lista revela o que as pessoas querem entender, nem sempre o que pesará mais na urna, já que a economia, pressionada por combustíveis e custo de vida, segue como a preocupação central de quase todos os eleitores. Em um país onde o voto não é obrigatório, o movimento para se cadastrar atingiu níveis inéditos neste ciclo, sinal de que a disputa pelo Congresso e pelos governos de 36 estados desperta um engajamento raro. Resta saber se essa inquietação se converterá em participação nas urnas.

Na última semana antes das eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, o tema político mais buscado no Google foi crime. Logo atrás vieram assistência médica, imigração, economia e o conflito com o Irã. A lista mostra o que as pessoas querem entender, mas nem sempre o que pesa mais na hora de votar.

Há também um sinal claro de mobilização. As buscas por "register to vote" estão no ponto mais alto da série histórica do Google Trends, com Texas na liderança. A Vote.org registrou 230,4 mil novos cadastros no primeiro semestre de 2026, mais que o dobro de 2022.

Em jogo estão os 435 assentos da Câmara, 35 do Senado e os governos de 36 estados. Pesquisa Reuters/Ipsos mostrou Trump com 32% de aprovação. Ainda assim, a economia aparece como principal preocupação: 84% dos eleitores registrados a consideram muito importante, com combustíveis e custo de vida pressionando as famílias. A saúde, com subsídios do Obamacare expirados, e a imigração, em meio a operações federais e críticas democratas, completam o quadro.

Na terça-feira, as urnas mostrarão se o interesse por se cadastrar se converte em comparecimento e quem controlará o Congresso.

Na última semana antes das eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, o assunto político mais buscado pelos americanos no Google foi crime. Na sequência, segundo o Google Trends, vieram assistência médica, imigração, economia e o conflito com o Irã. A lista dá uma fotografia do que as pessoas procuram saber, e nem sempre coincide com aquilo que dizem pesar mais na hora de votar.

Há também um sinal de interesse prático pela votação em si. As buscas pela expressão "register to vote" (cadastro para votar) estão mais altas neste ciclo do que em qualquer outro período da série histórica do Trends. O Texas lidera as consultas, seguido por Idaho, Arizona, Geórgia e Indiana. A Vote.org, organização sem fins lucrativos que facilita o cadastro de eleitores, contabilizou 230,4 mil novos cadastros em sua plataforma no primeiro semestre de 2026, mais que o dobro do mesmo período de 2022 e o maior número para um semestre de ano de midterms desde o início de sua série.

O voto não é obrigatório nos EUA, mas a participação cresceu nas últimas décadas. Segundo o Departamento do Censo, 52,2% votaram em 2022, abaixo dos 53,4% de 2018. Os dois índices superam os de midterms anteriores, como a de 2014, quando votou 41,9% da população.

Estão em jogo os 435 assentos da Câmara dos Representantes, 35 das 100 cadeiras do Senado e os governos de 36 estados. O resultado dirá se o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, mantém o controle das duas Casas ou se os democratas ganham espaço. O cenário não é confortável para o presidente: pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro mostrou aprovação de 32%, apenas um ponto acima do piso histórico de 31% medido na semana anterior.

Apesar de crime liderar as buscas, a economia aparece como a principal preocupação. Levantamento do Pew Research Center, feito entre 28 de setembro e 4 de outubro, indica que 84% dos eleitores registrados consideram a situação econômica muito importante para o voto: 88% entre os que preferem candidatos democratas e 82% entre os que apoiam republicanos. Custo de vida, gasolina, alimentação, moradia e serviços de saúde pressionam o orçamento das famílias. Os combustíveis subiram após os ataques militares de EUA e Israel contra o Irã, em fevereiro. Em 22 de outubro, o galão da gasolina custava em média US$ 4,27 (cerca de R$ 23), segundo a AAA, aproximadamente US$ 1,20 a mais que um ano antes.

A saúde é muito importante para o voto de 68% dos eleitores registrados, de acordo com o Pew: 82% entre os que preferem democratas e 53% entre os que apoiam republicanos. O tema envolve o preço de planos e medicamentos e o financiamento de programas públicos. No ano passado, expiraram os subsídios ampliados do Affordable Care Act, o Obamacare, o que elevou os valores pagos por milhões de americanos. O pacote tributário aprovado pelos republicanos também reduziu o financiamento federal do Medicaid, programa voltado a pessoas de baixa renda e outros grupos elegíveis.

Já a imigração pesa para 59% dos eleitores registrados, com mais força entre republicanos (72%) do que entre democratas (53%). O governo Trump afirma ter reduzido drasticamente as detenções na fronteira com o México. Ao mesmo tempo, operações de agentes federais de imigração e mortes em confrontos com autoridades ampliaram as críticas à política migratória, sobretudo entre democratas.

Na terça-feira, 3 de novembro, as urnas mostrarão se o interesse recorde por cadastro se converte em comparecimento e quem controlará o Congresso.

O governo Trump afirma ter reduzido drasticamente as detenções de migrantes na fronteira com o México.
— Governo Trump, conforme relatado pela Folha de S.Paulo
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