Há décadas, a imaginação humana projeta sobre vírus modificados o peso de seus maiores medos coletivos. O colunista Reinaldo José Lopes, da Folha de S.Paulo, examina essa projeção e encontra, entre a teoria e a prática, um abismo que a biologia guarda com rigor silencioso: conceber um supervírus é exercício de imaginação; construí-lo, um desafio que a própria natureza torna quase intransponível. Compreender essa distância não diminui a seriedade do debate sobre biossegurança — ao contrário, o torna mais honesto e mais útil.