Em Campo Grande, um menino de dois anos tornou-se o rosto humano de uma falha sistêmica: chegou ao pronto-atendimento com sinais que os médicos reconhecem como febre maculosa — febre persistente, petéquias, histórico de picada de carrapato — e passou seis horas aguardando uma vaga hospitalar sem receber a medicação indicada, que simplesmente não estava disponível na unidade. A doença, ausente dos registros confirmados do Mato Grosso do Sul desde 2018, lembra que a natureza não respeita lacunas na memória institucional, e que o tempo, nestes casos, raramente é neutro.
Criança de 2 anos aguarda vaga hospitalar com suspeita de febre maculosa em Campo Grande
As mãos estavam cheias de bolinhas vermelhas, assim como nas perninhas
Por que uma criança com suspeita de febre maculosa não recebeu medicação se a doença é considerada grave?
A unidade alegou que o remédio não estava disponível no estoque. É um problema de abastecimento que afeta diretamente o atendimento.
Mas precisamos saber: qual remédio especificamente? Qual é a política de estoque da secretaria? Uma unidade de pronto atendimento infantil deveria ter medicações para doenças potencialmente graves em falta?
E quanto ao tempo de espera — seis horas é muito para uma criança com esses sintomas?
Para uma criança pequena com febre alta e manchas na pele sugestivas de febre maculosa, sim. O protocolo deveria ser mais rápido.
Mas aqui temos que ser cuidadosos: seis horas de espera por vaga hospitalar pode ser normal em um sistema sobrecarregado. Não sabemos quantas crianças estavam na fila ou qual era a disponibilidade real de leitos.
Qual é o risco real se a medicação não for dada nos primeiros dias?
A febre maculosa é uma infecção grave. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhor o prognóstico. Atrasos podem levar a complicações.
Verdade, mas o diagnóstico ainda não foi confirmado. É uma suspeita. Não sabemos se é realmente febre maculosa ou outra infecção com sintomas semelhantes.
Então por que não dar a medicação mesmo assim, se há suspeita?
Essa é a questão que a mãe está fazendo. Se os sintomas apontam para febre maculosa, o tratamento deveria começar imediatamente, não esperar confirmação.
A questão real é: qual é o protocolo da secretaria para casos suspeitos? Ele permite tratamento empírico ou exige confirmação? Isso não está claro na reportagem.
O Pulso
- Um menino de dois anos chegou ao Pronto Atendimento Infantil do Tiradentes ao meio-dia com febre, petéquias nas mãos, pernas, lábios e garganta — quadro clínico compatível com febre maculosa após contato com carrapatos na casa da avó.
- Seis horas depois da admissão, a criança ainda não havia recebido a medicação recomendada para tratar a infecção, com a unidade alegando indisponibilidade do remédio.
- O diagnóstico definitivo depende de exame sorológico que pode levar até 14 dias para retornar, deixando médicos e família em compasso de espera enquanto a doença pode avançar.
- A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada pelo Campo Grande News, mas não havia respondido até o momento da publicação, sem previsão de transferência para leito hospitalar.
- Mato Grosso do Sul não registrava caso confirmado da doença desde 2018, o que pode ter contribuído para uma cadeia de despreparos — da falta de medicação à demora na internação.
Em Campo Grande, um menino de dois anos tornou-se o rosto humano de uma falha sistêmica: chegou ao pronto-atendimento com sinais que os médicos reconhecem como febre maculosa — febre persistente, petéquias, histórico de picada de carrapato — e passou seis horas aguardando uma vaga hospitalar sem receber a medicação indicada, que simplesmente não estava disponível na unidade. A doença, ausente dos registros confirmados do Mato Grosso do Sul desde 2018, lembra que a natureza não respeita lacunas na memória institucional, e que o tempo, nestes casos, raramente é neutro.
Na segunda-feira ao meio-dia, Dayana Cristina de Oliveira levou o filho de dois anos ao Pronto Atendimento Infantil do bairro Tiradentes, em Campo Grande. Os sintomas haviam começado no domingo à noite, após a criança ter tido contato com carrapatos na casa da avó. A febre persistiu durante todo o dia seguinte e, na madrugada, o menino acordou gritando — as mãos cobertas de pequenas manchas vermelhas que logo apareceram também nas pernas, lábios, interior das bochechas e garganta.
O padrão era reconhecível: febre, dor de cabeça, dores musculares e petéquias — os pontos vermelhos ou roxos na pele e nas mucosas que os médicos associam à febre maculosa. O caso foi formalmente registrado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação como suspeita da doença. Ainda assim, seis horas após a admissão, a criança não havia recebido a medicação indicada. A justificativa: o remédio não estava disponível na unidade. O exame sorológico que poderia confirmar o diagnóstico pode levar até duas semanas.
O contexto agrava a situação. Mato Grosso do Sul não registra um caso confirmado de febre maculosa desde 2018, quando um homem de 34 anos contraiu a doença após visitar a zona rural de Sidrolândia. Transmitida pelo carrapato-estrela, a infecção pode evoluir rapidamente para complicações graves sem tratamento precoce. Especialistas recomendam roupas claras e de manga comprida, uso de repelente e inspeção frequente do corpo após exposição a áreas de risco.
O Campo Grande News buscou a Secretaria Municipal de Saúde para saber quando a criança seria transferida para um leito hospitalar, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem. Enquanto isso, o menino seguia aguardando — sem vaga, sem medicação, e com o diagnóstico definitivo ainda a semanas de distância.
Uma criança de dois anos passou seis horas na segunda-feira aguardando uma vaga de internação no Pronto Atendimento Infantil do bairro Tiradentes, em Campo Grande, com suspeita de febre maculosa. O menino chegou à unidade por volta do meio-dia com sintomas que começaram no domingo à noite, após contato com carrapatos na casa da avó.
A mãe, Dayana Cristina de Oliveira, descreve o quadro que se desenvolveu rapidamente. A febre começou no domingo à noite e persistiu durante todo o dia seguinte. Na madrugada de segunda para terça, a criança acordou gritando e chorando. Quando Dayana foi verificar, encontrou as mãos cobertas de pequenas bolinhas vermelhas. As mesmas manchas apareceram nas pernas, lábios, interior das bochechas e garganta. O padrão de sintomas — febre, dor de cabeça, dor muscular, e especialmente as petéquias, aqueles pontos vermelhos ou roxos na pele e nas mucosas — corresponde ao que os médicos procuram em casos de febre maculosa.
O Sistema de Informação de Agravos de Notificação registrou formalmente o caso como suspeita da doença. Mas desde que a criança foi admitida na unidade, não recebeu a medicação recomendada para tratar a infecção. A justificativa oferecida foi simples: o remédio não estava disponível no local. Enquanto isso, a confirmação diagnóstica depende de um exame sorológico que pode levar até duas semanas para retornar.
O contexto amplifica a preocupação. Mato Grosso do Sul não registra um caso confirmado de febre maculosa desde 2018, quando um homem de 34 anos que morava em Campo Grande contraiu a doença após uma viagem para a zona rural de Sidrolândia. A doença é transmitida pela picada de carrapatos infectados, particularmente o carrapato-estrela, e é considerada uma infecção grave. Sem tratamento rápido, pode evoluir para complicações sérias.
Os especialistas recomendam prevenção através de medidas simples mas consistentes: usar roupas claras e de mangas compridas ao caminhar em áreas com grama ou árvores, aplicar repelente regularmente e inspecionar o corpo com frequência após exposição a ambientes de risco. Os sintomas da doença vão além das manchas de pele — incluem febre alta, mal-estar generalizado, dores de cabeça e abdominais, náusea, vômito e diarreia.
O Campo Grande News procurou a Secretaria Municipal de Saúde para obter confirmação sobre o caso e informações sobre quando a criança seria transferida para um leito hospitalar. A resposta da secretaria não foi divulgada até o momento da publicação. O que permanece claro é que uma criança pequena segue aguardando tanto uma vaga quanto o medicamento que poderia começar a tratar uma doença potencialmente grave, enquanto o tempo passa e o diagnóstico definitivo ainda está semanas distante.
Citações Notáveis
No domingo à noite começou a febre. Na segunda-feira, ele ficou com febre o dia inteiro e, de madrugada, acordou gritando e chorando. Fui ver e as mãos estavam cheias de bolinhas vermelhas— Dayana Cristina de Oliveira, mãe da criança