Cornell impõe punições leves a acusados de estupro; expulsão e redação são sanções

Uma aluna foi submetida a abuso sexual por sete integrantes de fraternidade, deixando-a devastada e com incerteza sobre sua capacidade de concluir a faculdade e retomar uma vida normal.
Todos poderão se formar e viver suas vidas colhendo os benefícios desse título
O advogado da vítima contrasta o futuro dos acusados com a incerteza que ela enfrenta sobre sua própria permanência na universidade.
Mark

Como é que uma universidade chega a conclusões tão diferentes sobre sete pessoas envolvidas no mesmo incidente?

Mimi

O painel considerou o grau de participação de cada um. Alguns foram acusados de atos específicos — Ingalls de agressão sexual, Newell de estupro. Outros foram acusados de entrar no quarto depois de receber a mensagem de Newell. Isso importou para as decisões.

Luke

Mas o painel não concluiu que Jane Doe havia sido assediada sexualmente por todos os sete, segundo os resumos. Então em que base exatamente cada um foi julgado culpado ou não culpado?

Mark

Dois foram expulsos, dois suspensos, e os outros receberam basicamente tarefas de casa. Isso parece proporcional?

Mimi

O advogado de Jane Doe diz que não. Ele aponta que cinco dos sete poderão se formar e levar suas vidas normalmente, enquanto ela enfrenta incerteza sobre se conseguirá sequer terminar a faculdade.

Luke

Verdade. Mas também é importante notar que nenhum deles foi acusado criminalmente. O promotor público decidiu não apresentar denúncia. Então a universidade estava operando com um padrão diferente — não "além de qualquer dúvida razoável", mas "preponderância das provas".

Mark

E quanto ao cara que foi expulso — Ingalls — ele realmente fez algo diferente dos outros?

Mimi

Segundo os documentos, o painel concluiu que ele estava disposto a manipular, explorar e colocar a jovem em risco para seu benefício e de seus colegas. Isso foi diferente de apenas estar presente.

Luke

Mas Newell, que foi expulso junto com ele, foi acusado de estupro e de bater nela com força suficiente para deixar hematomas. Então por que ambos receberam a mesma punição se as acusações eram diferentes em gravidade?

Mark

Qual é o próximo passo agora?

Mimi

A governadora nomeou uma procuradora especial com poder para apresentar acusações criminais. Então isso pode sair do âmbito disciplinar da universidade e entrar no sistema de justiça criminal.

Luke

Mas isso também é incerto. O promotor local já decidiu não processar em 2024. Uma procuradora especial pode chegar a conclusão diferente, mas não é garantido. E mesmo que haja acusações criminais, isso não muda o que a universidade já decidiu.

  • Uma aluna foi abusada sexualmente por sete homens em uma noite de outubro de 2024, enquanto estava incapacitada por álcool e cetamina — e a universidade levou meses para concluir sua investigação sigilosa.
  • As punições aplicadas variaram de expulsão a simples redações sobre assédio sexual, criando uma hierarquia de responsabilidade que revoltou a vítima, seu advogado e o público.
  • Nenhum dos sete acusados enfrentou processo criminal, pois o promotor do condado optou por não apresentar denúncia em 2024, deixando Jane Doe sem resposta penal por quase dois anos.
  • A ação judicial tornada pública em setembro de 2026 rompeu o silêncio institucional e desencadeou indignação nacional sobre como universidades lidam com violência sexual em seus campi.
  • A governadora Kathy Hochul reagiu nomeando a procuradora-geral Letitia James como promotora especial, abrindo caminho para possíveis acusações criminais contra os envolvidos.

Na interseção entre poder institucional e justiça individual, a Universidade Cornell se vê diante de uma questão que transcende seus muros: até onde vai a responsabilidade de uma instituição de ensino quando o sofrimento de uma pessoa é medido em redações reflexivas e proibições de contato? O caso de Jane Doe, agredida sexualmente por sete integrantes de uma fraternidade em outubro de 2024, emergiu do silêncio burocrático para o escrutínio público em setembro de 2026, revelando a distância entre o que as normas permitem punir e o que a consciência coletiva considera justo. A governadora de Nova York, ao nomear uma procuradora especial com poderes criminais, sinalizou que o Estado não aceita que o diploma universitário sirva de escudo para a impunidade.

Na noite de 19 de outubro de 2024, uma aluna da Universidade Cornell foi até a casa da fraternidade Chi Phi encontrar um colega. O que se seguiu, segundo seu relato aos investigadores, foi uma sequência de abusos sexuais praticados por sete homens enquanto ela estava incapacitada por álcool e cetamina. A mulher, identificada como Jane Doe, descreveu ter chegado ao local já com algum grau de embriaguez, ter recebido substâncias durante o encontro e, progressivamente, ter perdido o controle sobre o que acontecia com seu corpo.

A universidade instaurou um processo sigiloso. Um painel de três reitores reuniu-se por videoconferência durante 12 dias em maio de 2025 para avaliar a responsabilidade de cada acusado. O resultado foi uma distribuição desigual de sanções: dois homens foram expulsos, dois receberam suspensões com obrigação de estudar sobre assédio sexual, um foi declarado persona non grata no campus, e os dois últimos foram apenas proibidos de contatar Jane Doe e obrigados a escrever redações reflexivas. Um deles nem sequer foi considerado responsável por assédio sexual, mas por uma infração classificada como menos grave.

Todos os sete negaram irregularidades. O promotor do condado optou por não apresentar denúncia criminal em 2024. A fraternidade Chi Phi foi banida do campus, mas os homens, em sua maioria, seguiram suas vidas acadêmicas. O advogado de Jane Doe resumiu a assimetria com precisão: enquanto seus clientes colherão os benefícios de um diploma de Cornell, é incerto se ela conseguirá sequer concluir a faculdade.

O caso permaneceu encoberto por quase dois anos até que uma ação judicial, tornada pública em setembro de 2026, expôs os detalhes ao escrutínio coletivo. A indignação foi imediata. A governadora Kathy Hochul ordenou uma análise independente da conduta da universidade e nomeou a procuradora-geral Letitia James como promotora especial, com autoridade para apresentar acusações criminais. O que a instituição tentou resolver internamente agora enfrenta o peso da lei e da opinião pública.

Na noite de 19 de outubro de 2024, uma aluna da Universidade Cornell em Nova York foi até a casa da fraternidade Chi Phi para encontrar um colega chamado Matthew Ingalls. O que aconteceu naquela noite — segundo seu relato aos investigadores — a deixaria devastada e humilhada, e desencadearia meses de investigação sigilosa dentro da universidade, seguida de punições que variariam dramaticamente entre os sete homens envolvidos.

A mulher, identificada nos documentos como Jane Doe, havia saído de um bar e caminhado sozinha até a fraternidade por volta das 23 horas. Ela disse aos investigadores que seu nível de embriaguez estava em torno de 5 numa escala de 0 a 10 quando chegou. Ingalls perguntou se ela queria fazer sexo a três com outro integrante, Jonathan Newell. Durante o encontro, segundo seu relato, os homens lhe ofereceram cetamina e álcool. Mais tarde, outros homens entraram no quarto e praticaram atos sexuais com ela enquanto estava incapacitada. Perto do final da noite, quando estava à beira de alucinações, houve mais abusos.

A Universidade Cornell instaurou um procedimento sigiloso para investigar as acusações. Um painel de três reitores se reuniu pelo Zoom durante 12 dias em maio de 2025 para aplicar as normas federais de direitos civis e determinar a responsabilidade de cada homem. Os resumos detalhados das punições, obtidos pelo The New York Times, revelam como a instituição distribuiu essa responsabilidade de forma desigual. Matthew Ingalls e Jonathan Newell foram expulsos. Newell havia enviado uma mensagem pelo Snapchat a outros integrantes da fraternidade, incentivando-os a entrar no quarto onde Jane Doe estava. Winston Lee e Gillio Lopes receberam suspensões — Lee por dois anos, Lopes por três semestres — ambos também obrigados a estudar sobre assédio sexual e escrever trabalhos de reflexão. Diego Sarabia, que já havia se formado, recebeu uma ordem de persona non grata e foi proibido de entrar no campus por três anos. Scott Norris e Scott Kretzschmar foram proibidos de entrar em contato com Jane Doe e obrigados a estudar assédio sexual, uso de redes sociais e intervenção de testemunhas, além de escrever redações sobre o que aprenderam. Kretzschmar não foi considerado responsável por assédio sexual, mas por "tentativa de exploração sexual", uma infração menos grave.

Todos os sete homens negaram qualquer irregularidade. O promotor público do Condado de Tompkins decidiu não apresentar denúncia em 2024, e nenhum deles foi acusado criminalmente. A fraternidade Chi Phi foi banida do campus. Mas quando as acusações de Jane Doe vieram à tona em uma ação judicial em 16 de setembro de 2026, desencadearam intensa indignação sobre os abusos sexuais no campus e a falta de medidas mais firmes para punir os responsáveis.

Thomas Giuffra, advogado de Jane Doe, afirmou que as punições não refletiram a gravidade das acusações. "Com exceção de dois desses homens, todos poderão se formar, receber um diploma e viver suas vidas colhendo os benefícios desse cobiçado título", disse Giuffra. "Em contrapartida, até hoje, é incerto se a Sra. Doe conseguirá sequer concluir a faculdade ou voltar a ter uma vida normal devido ao que esses homens fizeram com ela." Jeremy Saland, advogado de Kretzschmar, argumentou que seu cliente nunca foi acusado de estupro nem considerado responsável por isso, e que nem sequer estava presente durante qualquer atividade sexual.

A resposta institucional foi mínima. Um porta-voz da Universidade Cornell recusou comentários, citando leis federais de proteção à privacidade dos estudantes. A universidade também contestou a caracterização feita por Jane Doe em sua ação judicial, afirmando que sua descrição de que todos os réus "tiveram a oportunidade de atenuar sua conduta apresentando suas versões a Cornell" não retratava com precisão o que ocorreu.

Após a ação judicial se tornar pública, a governadora de Nova York, Kathy Hochul, determinou uma análise independente de como Cornell conduziu o caso. Na quinta-feira anterior ao fim de setembro de 2026, ela nomeou a procuradora-geral do estado, Letitia James, como promotora especial, com poder para apresentar acusações criminais. O caso, que permaneceu em sigilo por quase dois anos dentro da universidade, agora enfrenta escrutínio público e possível ação penal.

Com exceção de dois desses homens, todos poderão se formar, receber um diploma e viver suas vidas colhendo os benefícios desse cobiçado título. Em contrapartida, até hoje, é incerto se a Sra. Doe conseguirá sequer concluir a faculdade ou voltar a ter uma vida normal.
— Thomas Giuffra, advogado de Jane Doe
Ele nunca foi acusado de estupro nem considerado responsável por isso. Ele nem sequer estava presente durante qualquer atividade sexual.
— Jeremy Saland, advogado de Scott Kretzschmar
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