Em pleno voo sobre o Oriente Médio, um copiloto escolheu seu posto não para voar, mas para matar — e o que parecia ser uma crise súbita revelou-se, segundo investigadores, um plano construído com meses de antecedência. O ataque ao comandante indiano da flydubai, contido por passageiros e tripulantes, expõe uma vulnerabilidade que vai além da segurança de cabine: a possibilidade de que a intenção terrorista possa se disfarçar de currículo. A sobrevivência das mais de 170 pessoas a bordo dependeu de coragem improvisada; a pergunta que fica é por que os sistemas existentes não viram o que, em ret
Copiloto planejou ataque antes de ser contratado, diz investigação
Pesquisou companhias que voavam para Tel Aviv, depois se candidatou
Como é possível que alguém com intenções tão claras tenha conseguido ser contratado por uma companhia aérea internacional?
Segundo as fontes, ele pesquisou deliberadamente companhias que voavam para Tel Aviv e se candidatou à flydubai. Mas não sabemos quais verificações de antecedentes foram feitas ou se havia sinais de alerta que foram perdidos.
Aí está o problema — estamos falando de fontes anônimas israelenses sobre o que o copiloto supostamente disse aos interrogadores. Não temos confirmação independente de como ele foi contratado ou quais foram os procedimentos de segurança.
E quanto à tentativa anterior no início do ano? Por que ele abandonou aquele plano?
As fontes dizem que ele conhecia alguém a bordo daquele voo, mas o motivo real para abandonar o plano permanece obscuro. Ele pode ter recuado por razões pessoais ou práticas.
Exatamente — estamos especulando. Tudo o que sabemos é que ele voou para Tel Aviv antes e depois tentou novamente. O resto é interpretação.
O que sabemos sobre seus vínculos com a Austrália?
Ele estudou na Universidade RMIT em Melbourne há cerca de dez anos. Uma unidade antiterrorista australiana está investigando esses vínculos, mas não há detalhes públicos sobre o que encontraram.
Dez anos é muito tempo. Não sabemos se ele manteve contatos lá, se foi radicalizado durante ou depois dos estudos, ou se a Austrália tem qualquer informação relevante. Tudo isso ainda está sendo investigado.
Netanyahu disse que pilotos de países sem relações diplomáticas com Israel não podem operar voos para lá. Como isso muda as coisas?
Ele ordenou uma revisão das companhias estrangeiras que operam rotas para Israel. A questão agora é como um omanita conseguiu ser escalado para um voo para Tel Aviv em primeiro lugar.
Mas não sabemos ainda se houve uma falha de segurança real ou se foi um caso isolado que passou pelos procedimentos existentes. Netanyahu está respondendo politicamente, mas a investigação ainda está em andamento.
Il Polso
- Um copiloto omanita atacou o comandante com um machado de emergência a bordo de um voo da flydubai para Tel Aviv, colocando 170 vidas em risco a dezenas de milhares de pés de altitude.
- Investigadores israelenses afirmam que o ataque foi premeditado: o suspeito teria se candidatado à companhia aérea especificamente após pesquisar rotas para Israel, com a intenção de lançar o avião contra o aeroporto Ben-Gurion.
- Passageiros e tripulantes dominaram o atacante; um piloto reserva que viajava como passageiro assumiu os controles e pousou a aeronave no noroeste da Arábia Saudita, evitando o colapso total da situação.
- O procurador-geral dos Emirados classificou o incidente como ataque terrorista, e uma unidade antiterrorista australiana investiga vínculos do suspeito com o país, onde ele teria estudado há cerca de dez anos.
- Netanyahu ordenou revisão das companhias estrangeiras que operam voos para Israel e questionou publicamente como um piloto de nação sem relações diplomáticas com o país foi escalado para essa rota.
Em pleno voo sobre o Oriente Médio, um copiloto escolheu seu posto não para voar, mas para matar — e o que parecia ser uma crise súbita revelou-se, segundo investigadores, um plano construído com meses de antecedência. O ataque ao comandante indiano da flydubai, contido por passageiros e tripulantes, expõe uma vulnerabilidade que vai além da segurança de cabine: a possibilidade de que a intenção terrorista possa se disfarçar de currículo. A sobrevivência das mais de 170 pessoas a bordo dependeu de coragem improvisada; a pergunta que fica é por que os sistemas existentes não viram o que, em retrospecto, parece ter sido visível.
Na tarde de 30 de setembro, em pleno voo da flydubai com destino a Tel Aviv, o copiloto sacou um machado de emergência e atacou o comandante indiano Smit Machchhar. O capitão sobreviveu ao abrir a porta da cabine; passageiros e tripulantes imobilizaram o agressor. Um piloto reserva que viajava entre os mais de 170 passageiros — maioria israelenses — assumiu os controles e pousou no noroeste da Arábia Saudita, onde o copiloto foi detido.
O que veio à tona depois foi mais perturbador do que o próprio ataque. Segundo dois funcionários israelenses que acompanham a investigação conduzida pelos Emirados, citados pelo Haaretz, o copiloto — identificado por fontes como Hamam al-Hammami, de nacionalidade omanita — planejou a ação antes mesmo de ser contratado. Ele teria pesquisado companhias com rotas para Tel Aviv e se candidatado deliberadamente à flydubai. Seu objetivo, segundo uma terceira fonte, era lançar a aeronave contra o aeroporto Ben-Gurion. O Corriere della Sera acrescentou que o plano incluía desligar os motores e atingir prédios na cidade antes de ser interceptado por caças israelenses.
A investigação revelou ainda que o suspeito havia voado para Tel Aviv no início do ano com intenção similar, mas abandonou o plano por razões ainda obscuras — uma fonte sugeriu que ele conhecia alguém a bordo naquela ocasião. O procurador-geral dos Emirados classificou o incidente como ataque terrorista. Uma investigação preliminar israelense concluiu que ele agiu sozinho.
O caso levantou questões institucionais graves. Netanyahu questionou como um piloto de Omã — país sem relações diplomáticas com Israel — foi escalado para operar essa rota, e ordenou revisão das companhias estrangeiras que voam para o país. Uma unidade antiterrorista australiana também investiga o suspeito, que teria estudado na Universidade RMIT, em Melbourne, há cerca de dez anos. Os Emirados não anunciaram acusação formal, e Omã não se manifestou publicamente.
No meio do voo para Tel Aviv na quarta-feira, 30 de setembro, um copiloto da flydubai atacou o comandante com um machado de emergência. O capitão Smit Machchhar, piloto indiano, conseguiu sobreviver abrindo a porta da cabine. Passageiros e tripulantes dominaram o atacante. Um piloto reserva que viajava entre os mais de 170 passageiros a bordo — a maioria israelenses — assumiu os controles e pousou no noroeste da Arábia Saudita, onde o copiloto foi detido.
O que emergiu depois da contenção da crise foi uma história de intenção premeditada. Segundo dois funcionários israelenses que acompanham a investigação dos Emirados Árabes Unidos, citados pelo jornal Haaretz, o copiloto planejou o ataque antes mesmo de ser contratado pela companhia aérea. Uma terceira fonte revelou que o homem, de nacionalidade omanita, pretendia lançar o avião contra o aeroporto Ben-Gurion. Duas fontes identificaram o suspeito como Hamam al-Hammami, embora as autoridades israelenses, os Emirados e a flydubai não tenham divulgado o nome oficialmente.
A investigação traçou um padrão de intenção que se estende meses para trás. De acordo com os relatos, o copiloto já havia voado para Tel Aviv no início do ano com a intenção de sequestrar a aeronave, mas abandonou o plano — o motivo permanece obscuro. Uma fonte afirmou que ele conhecia alguém a bordo daquele voo anterior. Os dois funcionários israelenses disseram que, durante os interrogatórios, o copiloto confessou ter se candidatado à flydubai depois de pesquisar especificamente companhias que operavam rotas para Tel Aviv. Ele havia escolhido deliberadamente uma empresa que voava para seu alvo.
O jornal italiano Corriere della Sera forneceu detalhes adicionais sobre o plano. Segundo a publicação, o copiloto pretendia desligar os motores e lançar o avião contra prédios em Tel Aviv. Ele planejava matar o capitão sem alertar as autoridades e chegar à cidade antes de ser interceptado por caças israelenses. O procurador-geral dos Emirados classificou o incidente como ataque terrorista. A CBS News informou que uma investigação preliminar de Israel concluiu que ele agiu sozinho.
O que permanece sem resposta é como um piloto de um país sem relações diplomáticas com Israel foi escalado para operar uma rota para Tel Aviv. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que pilotos de nações como Omã, que não mantêm relações diplomáticas com Israel, não podem operar voos para o país. Netanyahu ordenou uma revisão das companhias aéreas estrangeiras que voam para Israel. Os Emirados não anunciaram acusação formal contra o copiloto, e não se sabe se ele tem advogado. Omã não se manifestou publicamente sobre o caso.
Uma unidade antiterrorista da Austrália também está investigando os vínculos do copiloto com o país. Uma quarta fonte revelou que ele estudou na Universidade RMIT, em Melbourne, há cerca de dez anos. As fontes que forneceram informações ao Haaretz falaram sob anonimato, e os governos dos dois países envolvidos, bem como a flydubai, não responderam aos pedidos de comentário. O copiloto foi levado aos Emirados na quinta-feira, 1º de outubro, um dia após sua detenção na Arábia Saudita.
Citazioni salienti
Pilotos de países sem relações diplomáticas com Israel, como Omã, não podem operar voos para o país— Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu
O copiloto atacou o comandante com um machado de emergência e o caso foi classificado como ataque terrorista— Procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos