Convenções de PT e PL devem oficializar Lula e Flávio Bolsonaro na disputa presidencial

As surpresas deverão ficar nas escolhas para vice
Analista avalia que a chapa presidencial está definida e que o vice do PL é a principal incógnita.
Mark

Se os candidatos já são dados como certos, por que as convenções importam?

Mimi

Porque são o ato formal que encerra as disputas internas e abre o prazo de registro no TSE, até 15 de agosto. Também servem de vitrine de unidade.

Mark

E onde mora a incerteza?

Mimi

Principalmente no vice do PL, que pode ampliar alianças regionais, e nos palanques estaduais, sobretudo em Minas Gerais.

Luke

Vale notar que a avaliação de que não haverá mudança nos candidatos vem de cientistas políticos. É leitura de analistas, não fato consumado.

Mark

A escolha de São Paulo pelo PL é só logística?

Mimi

O texto aponta um cálculo político: o estado é o maior colégio eleitoral e é governado por Tarcísio de Freitas, ativo da direita.

Luke

Mas a reportagem não diz que Tarcísio estará no palco nem qual será o papel dele. Isso segue em aberto.

Mark

E os problemas de Flávio com Michelle Bolsonaro?

Mimi

Ela anunciou a saída da presidência do PL Mulher. A direção tentou reconciliar, e Flávio passou a se reunir com lideranças femininas conservadoras.

Luke

Não há dado sobre o efeito disso no eleitorado feminino. A reportagem descreve a tentativa de reduzir danos, não o resultado.

Mark

E o caso Master?

Mimi

Cada lado promete usá-lo contra o outro, com o PT baiano de um lado e o financiamento do filme Dark Horse do outro.

  • As convenções nacionais do PL (25 de julho) e do PT (2 de agosto) abrem a fase final de definição das candidaturas presidenciais.
  • A escolha do vice do PL é a incógnita que pode surpreender o tabuleiro, numa disputa por alianças regionais.
  • Minas Gerais permanece em aberto, com impasses sobre governo estadual, Senado e os palanques de Lula e Flávio.
  • O caso Master e a ruptura de Michelle Bolsonaro com o PL Mulher ameaçam abrir feridas antes mesmo do início da campanha em 16 de agosto.

Num calendário que já corre em contagem regressiva, duas grandes legendas brasileiras preparam-se para selar, em São Paulo, os nomes que disputarão a Presidência em outubro. O PL reúne-se primeiro, em 25 de julho, para confirmar Flávio Bolsonaro, e o PT, em 2 de agosto, para reconduzir Lula à disputa. A decisão sobre quem encabeça as chapas parece firmada; o que ainda oscila é o entorno, sobretudo o vice e os acordos de Minas Gerais, território onde a política nacional costuma encontrar sua prova mais dura.

O PL marcou para 25 de julho, em São Paulo, a convenção que deve confirmar o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. Uma semana depois, em 2 de agosto, o PT fará a sua para homologar a reeleição de Lula. As datas já estão fixadas e marcam o início da contagem regressiva para a campanha.

As convenções devem ocorrer até 5 de agosto, e os registros no TSE até 15 de agosto. Analistas ouvidos pelo jornal avaliam que dificilmente haverá mudança nos cabeças de chapa. As surpresas devem vir da escolha do vice do PL, estratégica para ampliar alianças, e de estados como Minas Gerais, onde ainda há grande indefinição sobre candidaturas e palanques.

O caso Master deve pautar a oposição, que quer explorar investigações ligadas a lideranças do PT baiano. Os petistas respondem lembrando o financiamento do filme Dark Horse, ligado a Flávio. Ao mesmo tempo, Flávio tenta conter o desgaste da ruptura com Michelle Bolsonaro, enquanto Lula administra atritos com os Estados Unidos.

Dirigentes reconhecem, em conversas reservadas, que mostrar coesão interna pode pesar tanto quanto apresentar propostas. As convenções foram pensadas exatamente para isso.

O PL marcou para 25 de julho, em São Paulo, a convenção nacional que deve confirmar o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. Uma semana depois, em 2 de agosto, também na capital paulista, o PT fará a sua para homologar a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. As duas datas já estão definidas e marcam o início da contagem regressiva para a campanha eleitoral.

O calendário eleitoral prevê convenções entre 20 de julho e 5 de agosto. Depois da homologação, os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha oficial começa em 16 de agosto. Segundo a reportagem, as convenções tendem a encerrar meses de disputas internas e consolidar os nomes para a votação de outubro, apesar das turbulências que cercam os dois campos.

Para cientistas políticos ouvidos pelo jornal, dificilmente haverá mudança nos candidatos à Presidência. A principal incógnita está na escolha do vice na chapa do PL, vista como estratégica para ampliar alianças regionais e eleitorais. Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, resume: as surpresas ficarão nas escolhas para vice, pois quem precisava encontrar partido para disputar já encontrou ou desistiu.

A escolha de São Paulo pelo PL tem peso político. O estado é o maior colégio eleitoral do país e é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais ativos eleitorais da direita. O formato do evento também simboliza uma nova estratégia da legenda em relação às campanhas anteriores. Já o PT aprovou o uso do teto legal de gastos para o primeiro turno e acelera a organização financeira e logística da disputa.

O mapa estadual é mais nebuloso. O cientista político Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, avalia que as maiores indefinições estão nos estados. Em São Paulo, diz ele, o cenário ficou bem mais claro, enquanto em Minas Gerais ainda há grande indefinição. PT e PL enfrentam impasses sobre candidaturas ao governo estadual e ao Senado e sobre os palanques de Lula e Flávio no estado, considerado um dos mais decisivos para o resultado nacional. Estratégias equivocadas em estados-chave podem afetar diretamente o desempenho das chapas.

O caso Master deve atravessar a campanha. A oposição pretende explorar os desdobramentos das investigações envolvendo lideranças ligadas ao PT baiano. Os petistas prometem responder lembrando episódios que envolvem Flávio Bolsonaro e o financiamento do filme Dark Horse, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro.

Flávio ainda precisa lidar com as críticas públicas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. A direção nacional tentou promover uma reconciliação e, em paralelo, o senador intensificou encontros com lideranças femininas conservadoras para reduzir o impacto da ruptura junto ao eleitorado feminino.

A política externa também entra na disputa. Lula tenta administrar o desgaste de atritos recentes com os Estados Unidos, enquanto Flávio busca transformar a aproximação com Washington em diferencial. Economia, segurança pública, relações internacionais e soberania nacional devem alimentar uma polarização já em construção.

Dirigentes das duas legendas reconhecem, reservadamente, que demonstrar unidade interna pode pesar tanto quanto apresentar propostas, e as convenções foram planejadas para dar essa demonstração pública de coesão. Resta acompanhar o nome do vice do PL e o desenho das alianças em Minas Gerais até 15 de agosto.

As surpresas deverão ficar nas escolhas para vice; quem precisava encontrar partido já encontrou ou desistiu.
— Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos
Em São Paulo o cenário ficou mais claro, enquanto em Minas há ainda grande indefinição.
— Adriano Cerqueira, cientista político do Ibmec-BH
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