Contra evidências, Musk questiona 'matemática' da eleição brasileira e vitória de Lula

A virada foi inédita: Lula saiu 2,2 milhões atrás e venceu por 4,43 milhões
Os números do segundo turno explicam a virada que Musk contestou sem apresentar provas.
Mark

Por que a fala de Musk pesa mais do que um comentário qualquer?

Mimi

Ele é dono do X, onde o debate acontece, e foi integrado ao governo americano. Além disso, compartilhou o post de um advogado de Trump.

Mark

Ele diz que a conta não fecha. Como fecha, então?

Mimi

Lula ganhou 10,38 milhões de votos entre os turnos e Flávio, 3,72 milhões. A abstenção caiu e brancos e nulos diminuíram em 1,83 milhão.

Luke

Um ponto: a divisão dos 9,3 milhões de votos dos eliminados, 3,8 milhões para Lula e 5,5 milhões para Flávio, vem de uma simulação que circula nas redes. É estimativa, não dado oficial.

Mark

Então o argumento de Musk tem alguma base?

Mimi

Só em parte. Flávio cresceu menos que os 9,3 milhões, mas Lula captou eleitores que antes votaram nulo ou não compareceram.

Luke

E ele não apresentou prova de fraude. Dúvida não é evidência.

Mark

E Trump?

Mimi

Segue em silêncio sobre o resultado.

Luke

Até agora, o que existe é a postura de Musk e de um advogado de Trump, não uma posição oficial do governo americano.

  • Elon Musk escreveu no X que "a conta não fecha", lançando dúvida sobre a vitória de Lula logo no dia seguinte ao segundo turno.
  • Uma postagem de Martin de Luca, advogado de Donald Trump, sugerindo roubo eleitoral foi compartilhada, e a repercussão ganha tração sem nenhuma prova apresentada.
  • Os dados oficiais mostram Lula com 51,79% dos votos válidos e 4,43 milhões de votos de vantagem, uma virada inédita sobre um primeiro turno em que ele estava atrás.
  • A abstenção caiu de 21,08% para 19,21% e Lula ganhou 10,38 milhões de votos entre os turnos, enquanto o silêncio de Trump e o novo papel de Musk no governo americano deixam a narrativa de fraude em aberto.

Num dia em que o eco de uma eleição ainda se espalha, um dos homens mais poderosos do mundo digital põe em dúvida a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro. A vitória, inédita na história brasileira, tem números que a sustentam: mais eleitores foram às urnas, menos votos foram perdidos em brancos e nulos, e ambos os candidatos cresceram entre os turnos, mas Lula cresceu mais. Ainda assim, a dúvida lançada de longe encontra terreno fértil onde a desconfiança já se acomoda, e a pergunta que fica é se a ferramenta da suspeita terá mais força do que a aritmética da urna.

Na segunda-feira, 26, um dia depois do segundo turno, Elon Musk foi ao X, plataforma que controla, para questionar o resultado da eleição brasileira. Escreveu que "a conta não fecha" na vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro. Antes, havia compartilhado uma postagem de Martin de Luca, advogado de Donald Trump, que sugeria roubo eleitoral sem apresentar qualquer prova.

O resultado oficial aponta Lula com 51,79% dos votos válidos, diferença de 4,43 milhões. A virada é inédita: no primeiro turno, em 4 de outubro, o petista estava cerca de 2,2 milhões de votos atrás. Entre os turnos, Lula somou 10,38 milhões de votos a mais, enquanto Flávio ganhou 3,72 milhões.

Parte da explicação está no comparecimento. A abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, e os brancos e nulos recuaram em 1,83 milhão. Dos cerca de 14,1 milhões de votos adicionais, 73,6% foram para Lula. Uma simulação que circula nas redes estima que eleitores dos candidatos eliminados se dividiram de forma desigual, mas Lula compensou com outras fontes.

A questão que resta é se Trump seguirá em silêncio e se a voz de Musk, agora integrado ao governo americano, dará força à narrativa de fraude além das fronteiras do Brasil.

Na segunda-feira, 26, um dia depois do segundo turno, Elon Musk foi ao X, plataforma da qual é dono, para pôr em dúvida o resultado da eleição brasileira. O bilionário, que também comanda a Tesla e a SpaceX, escreveu que "a conta não fecha" na vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O resultado oficial é este: Lula teve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma diferença de 4,43 milhões de votos. A virada foi inédita na história brasileira. No primeiro turno, em 4 de outubro, o petista terminou atrás do rival por cerca de 2,2 milhões de votos.

Musk não agiu sozinho nas redes. Mais cedo, compartilhou uma postagem de Martin de Luca, um dos advogados de Donald Trump. O texto perguntava se o domingo havia sido o dia em que "Lula se transformou em Nicolas Maduro", falava em suposto roubo e indicava que "ninguém reconheceria" a eleição. Musk comentou apenas: "Uou." Depois, republicou um resumo de quantos votos cada candidato ganhou entre os dois turnos e fez a afirmação sobre a conta. Não apresentou provas de fraude. O presidente americano, por sua vez, mantinha silêncio sobre o resultado, e Musk, amigo de Trump, foi recentemente integrado ao governo dele.

Os números, porém, explicam a virada. Entre os turnos, Lula ganhou 10,38 milhões de votos, alta de 19,26%. Flávio somou 3,72 milhões, crescimento de 6,63%.

Parte dessa diferença vem do comparecimento. A abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, e o número de eleitores que votaram subiu de 125,28 milhões para 128,11 milhões, um acréscimo de 2,83 milhões de pessoas. Os votos brancos e nulos também recuaram, de cerca de 5,98 milhões para 4,15 milhões, queda de 1,83 milhão.

Somando o que os dois candidatos receberam a mais, foram cerca de 14,1 milhões de votos adicionais. Desses, 73,6% foram para Lula e 26,4% para Flávio.

Há ainda os eleitores dos candidatos eliminados no primeiro turno, que somavam 9,3 milhões de votos. O crescimento de Flávio foi menor que essa soma, o que alimenta o argumento de Musk. Mas uma simulação estatística que circula bastante nas redes estima que 3,8 milhões desses votos migraram para Lula e 5,5 milhões para Flávio. Mesmo recebendo parcela menor desse grupo, Lula compensou com outras fontes, como eleitores que haviam votado nulo no primeiro turno.

A questão agora é se o silêncio de Trump se mantém e se a voz de Musk, hoje dentro do governo americano, dará força à narrativa de fraude fora do Brasil.

A conta não fecha.
— Elon Musk, no X
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