Quando o frio desce sobre Portugal, a rede elétrica responde com uma pressão que já não cabe nos registos históricos. Esta semana, o país quebrou três vezes consecutivas o seu próprio máximo de consumo diário, culminando em 192,3 GWh na quinta-feira — um número que revela não apenas o peso do inverno, mas a transformação estrutural de uma economia que consome cada vez mais energia. O sistema cresce, as renováveis acompanham, mas os picos extremos pedem uma infraestrutura à altura do futuro.
Consumo diário de eletricidade bate recorde histórico em Portugal com 192,3 GWh
Três recordes em três dias, uma sequência sem precedentes
Porque é que este recorde de consumo importa? Parece apenas um número num gráfico.
Porque mostra que o sistema está a ser testado de formas que nunca tinha sido antes. Três recordes em três dias significa que a infraestrutura tem de estar preparada para picos cada vez mais altos.
Mas é importante notar que isto aconteceu durante frio extremo. Sem as temperaturas baixas, o consumo seria diferente. Não sabemos se este é um novo normal ou uma anomalia sazonal.
E a produção renovável consegue acompanhar?
Em 2025, as renováveis cobriram 68% do consumo total, um máximo histórico. Mas durante estes picos de frio, é provável que o sistema tenha dependido mais de outras fontes.
Exatamente. Os dados de 2025 são anuais. Não temos informação sobre qual foi a composição da energia durante estes três dias específicos de recorde.
Então o sistema está vulnerável?
Não diria vulnerável. Mas está claramente sob pressão. O apagão de abril mostrou que há fragilidades, e agora o sistema está a lidar com recordes de consumo enquanto tenta manter restrições de segurança.
É importante ser preciso: as restrições foram impostas após o apagão, não antes. Portanto, o sistema está a funcionar com limitações deliberadas enquanto a procura atinge máximos históricos.
O que vem a seguir?
Provavelmente mais períodos de frio este inverno, o que significa mais picos de consumo. A questão é se a produção renovável consegue acompanhar ou se o sistema terá de recorrer mais a outras fontes.
E não sabemos ainda qual foi o impacto real deste pico na estabilidade da rede. Apenas temos o número de consumo.
Il Polso
- Três dias seguidos, três recordes históricos: Portugal nunca tinha vivido uma sequência assim no seu sistema elétrico nacional.
- O frio intenso em nove distritos sob aviso amarelo funcionou como gatilho imediato, disparando a procura de aquecimento elétrico em todo o país.
- O consumo diário saltou de 186,2 GWh na terça-feira para 192,3 GWh na quinta-feira, superando em larga margem o máximo que resistia desde 2021.
- O crescimento não é apenas sazonal: o consumo anual de 2025 atingiu 53,1 TWh, o valor mais alto de sempre, com uma subida de 3,2% face ao ano anterior.
- As renováveis cobriram 68% do consumo em 2025, mas os picos extremos de inverno expõem os limites de um sistema que precisa de se preparar para uma procura cada vez mais intensa.
Quando o frio desce sobre Portugal, a rede elétrica responde com uma pressão que já não cabe nos registos históricos. Esta semana, o país quebrou três vezes consecutivas o seu próprio máximo de consumo diário, culminando em 192,3 GWh na quinta-feira — um número que revela não apenas o peso do inverno, mas a transformação estrutural de uma economia que consome cada vez mais energia. O sistema cresce, as renováveis acompanham, mas os picos extremos pedem uma infraestrutura à altura do futuro.
Portugal atravessou esta semana uma sequência sem precedentes: três recordes consecutivos de consumo diário de eletricidade, com o pico a chegar na quinta-feira, 8 de janeiro, quando o Sistema Elétrico Nacional registou 192,3 GWh — superando o máximo anterior de 185,1 GWh que resistia desde janeiro de 2021. Os dados foram divulgados pela REN na sexta-feira.
O crescimento foi progressivo e implacável. Na terça-feira, o consumo atingiu 186,2 GWh, já acima do recorde histórico. Na quarta-feira subiu para 188,1 GWh. No dia seguinte, chegou aos 192,3 GWh. Três dias, três máximos — um padrão inédito na história do sistema elétrico português.
O frio foi o catalisador imediato. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou nove distritos continentais sob aviso amarelo, e as temperaturas baixas empurraram famílias e empresas para os sistemas de aquecimento elétrico, pressionando toda a rede. O padrão é estrutural: quando o termómetro cai, o consumo sobe.
Este pico insere-se num contexto de crescimento consistente. Em 2025, o consumo total atingiu 53,1 TWh, o valor mais elevado de sempre, representando um aumento de 3,2% face a 2024. Do lado da produção, as renováveis geraram 37 TWh — também um máximo histórico — cobrindo 68% do consumo total, num resultado notável mesmo após as restrições técnicas impostas na sequência do apagão de 28 de abril.
O que esta semana revelou é um sistema sob pressão crescente: o consumo sobe por razões económicas e climáticas, as renováveis acompanham, mas os picos de procura tornam-se mais altos e mais frequentes. A sequência de recordes é um aviso claro de que a infraestrutura elétrica portuguesa terá de estar preparada para um futuro de exigência crescente.
Portugal viveu esta semana uma sequência sem precedentes de recordes de consumo de eletricidade, com o pico a chegar na quinta-feira, 8 de janeiro, quando o Sistema Elétrico Nacional registou um consumo diário de 192,3 Gigawatt-hora. Os dados, divulgados pela REN na sexta-feira, marcam um novo máximo histórico para o país, superando o recorde anterior de 185,1 GWh, que tinha permanecido desde janeiro de 2021.
O crescimento começou na terça-feira, 6 de janeiro, quando o consumo atingiu 186,2 GWh, já ultrapassando o máximo que se mantinha há cinco anos. A tendência não abrandou. Na quarta-feira, o país consumiu 188,1 GWh, e no dia seguinte chegou aos 192,3 GWh. Três dias, três recordes consecutivos — um padrão que nunca tinha ocorrido antes no sistema elétrico português.
O timing não é coincidência. Durante este período, Portugal enfrentou temperaturas muito baixas, com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera a colocar nove distritos da região continental sob aviso amarelo no domingo. Embora esses avisos tenham sido posteriormente retirados, o frio manteve-se intenso o suficiente para impulsionar a procura de aquecimento e, consequentemente, o consumo de eletricidade. O padrão é claro: quando as temperaturas caem, as famílias e as empresas aumentam o uso de sistemas de aquecimento elétrico, pressionando toda a rede.
Este pico semanal insere-se num contexto mais amplo de pressão crescente sobre o sistema. Em 2025, o consumo total de energia elétrica em Portugal atingiu 53,1 Terawatt-hora, o valor mais elevado de sempre registado no Sistema Elétrico Nacional. Isto representa um aumento de 3,2% face a 2024, ou 2,3% quando ajustado para variações de temperatura e número de dias úteis. O crescimento é consistente e estrutural, não apenas uma flutuação sazonal.
O lado positivo da equação reside na produção renovável. Em 2025, as fontes renováveis geraram 37 TWh, também um novo máximo histórico, correspondendo a 68% do consumo total. Este resultado mantém-se praticamente alinhado com os 70% de 2024, apesar das restrições técnicas que foram impostas ao sistema logo após o apagão de 28 de abril, quando o país enfrentou uma falha generalizada de eletricidade. A REN sublinhou que estas limitações foram necessárias para salvaguardar a segurança do abastecimento.
O que estes números revelam é um sistema elétrico português sob pressão crescente. O consumo sobe, impulsionado tanto pelo crescimento económico como pelos períodos de frio extremo. A produção renovável cresce também, mantendo uma proporção elevada da energia total, mas o sistema precisa de estar preparado para picos cada vez mais altos. A sequência de recordes desta semana é um sinal de que os períodos de procura máxima estão a tornar-se mais intensos e mais frequentes.
Citazioni salienti
Sequência inédita de recordes consecutivos de consumo diário de energia elétrica em Portugal, numa altura em que o país tem registado temperaturas muito baixas— REN (Redes Energéticas Nacionais)