Consumo diário de eletricidade bate recorde histórico em Portugal com 192,3 GWh

Três recordes em três dias, uma sequência sem precedentes
Portugal registou máximos históricos de consumo diário de eletricidade na terça, quarta e quinta-feira desta semana.
Mark

Porque é que este recorde de consumo importa? Parece apenas um número num gráfico.

Mimi

Porque mostra que o sistema está a ser testado de formas que nunca tinha sido antes. Três recordes em três dias significa que a infraestrutura tem de estar preparada para picos cada vez mais altos.

Luke

Mas é importante notar que isto aconteceu durante frio extremo. Sem as temperaturas baixas, o consumo seria diferente. Não sabemos se este é um novo normal ou uma anomalia sazonal.

Mark

E a produção renovável consegue acompanhar?

Mimi

Em 2025, as renováveis cobriram 68% do consumo total, um máximo histórico. Mas durante estes picos de frio, é provável que o sistema tenha dependido mais de outras fontes.

Luke

Exatamente. Os dados de 2025 são anuais. Não temos informação sobre qual foi a composição da energia durante estes três dias específicos de recorde.

Mark

Então o sistema está vulnerável?

Mimi

Não diria vulnerável. Mas está claramente sob pressão. O apagão de abril mostrou que há fragilidades, e agora o sistema está a lidar com recordes de consumo enquanto tenta manter restrições de segurança.

Luke

É importante ser preciso: as restrições foram impostas após o apagão, não antes. Portanto, o sistema está a funcionar com limitações deliberadas enquanto a procura atinge máximos históricos.

Mark

O que vem a seguir?

Mimi

Provavelmente mais períodos de frio este inverno, o que significa mais picos de consumo. A questão é se a produção renovável consegue acompanhar ou se o sistema terá de recorrer mais a outras fontes.

Luke

E não sabemos ainda qual foi o impacto real deste pico na estabilidade da rede. Apenas temos o número de consumo.

  • Três dias seguidos, três recordes históricos: Portugal nunca tinha vivido uma sequência assim no seu sistema elétrico nacional.
  • O frio intenso em nove distritos sob aviso amarelo funcionou como gatilho imediato, disparando a procura de aquecimento elétrico em todo o país.
  • O consumo diário saltou de 186,2 GWh na terça-feira para 192,3 GWh na quinta-feira, superando em larga margem o máximo que resistia desde 2021.
  • O crescimento não é apenas sazonal: o consumo anual de 2025 atingiu 53,1 TWh, o valor mais alto de sempre, com uma subida de 3,2% face ao ano anterior.
  • As renováveis cobriram 68% do consumo em 2025, mas os picos extremos de inverno expõem os limites de um sistema que precisa de se preparar para uma procura cada vez mais intensa.

Quando o frio desce sobre Portugal, a rede elétrica responde com uma pressão que já não cabe nos registos históricos. Esta semana, o país quebrou três vezes consecutivas o seu próprio máximo de consumo diário, culminando em 192,3 GWh na quinta-feira — um número que revela não apenas o peso do inverno, mas a transformação estrutural de uma economia que consome cada vez mais energia. O sistema cresce, as renováveis acompanham, mas os picos extremos pedem uma infraestrutura à altura do futuro.

Portugal atravessou esta semana uma sequência sem precedentes: três recordes consecutivos de consumo diário de eletricidade, com o pico a chegar na quinta-feira, 8 de janeiro, quando o Sistema Elétrico Nacional registou 192,3 GWh — superando o máximo anterior de 185,1 GWh que resistia desde janeiro de 2021. Os dados foram divulgados pela REN na sexta-feira.

O crescimento foi progressivo e implacável. Na terça-feira, o consumo atingiu 186,2 GWh, já acima do recorde histórico. Na quarta-feira subiu para 188,1 GWh. No dia seguinte, chegou aos 192,3 GWh. Três dias, três máximos — um padrão inédito na história do sistema elétrico português.

O frio foi o catalisador imediato. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou nove distritos continentais sob aviso amarelo, e as temperaturas baixas empurraram famílias e empresas para os sistemas de aquecimento elétrico, pressionando toda a rede. O padrão é estrutural: quando o termómetro cai, o consumo sobe.

Este pico insere-se num contexto de crescimento consistente. Em 2025, o consumo total atingiu 53,1 TWh, o valor mais elevado de sempre, representando um aumento de 3,2% face a 2024. Do lado da produção, as renováveis geraram 37 TWh — também um máximo histórico — cobrindo 68% do consumo total, num resultado notável mesmo após as restrições técnicas impostas na sequência do apagão de 28 de abril.

O que esta semana revelou é um sistema sob pressão crescente: o consumo sobe por razões económicas e climáticas, as renováveis acompanham, mas os picos de procura tornam-se mais altos e mais frequentes. A sequência de recordes é um aviso claro de que a infraestrutura elétrica portuguesa terá de estar preparada para um futuro de exigência crescente.

Portugal viveu esta semana uma sequência sem precedentes de recordes de consumo de eletricidade, com o pico a chegar na quinta-feira, 8 de janeiro, quando o Sistema Elétrico Nacional registou um consumo diário de 192,3 Gigawatt-hora. Os dados, divulgados pela REN na sexta-feira, marcam um novo máximo histórico para o país, superando o recorde anterior de 185,1 GWh, que tinha permanecido desde janeiro de 2021.

O crescimento começou na terça-feira, 6 de janeiro, quando o consumo atingiu 186,2 GWh, já ultrapassando o máximo que se mantinha há cinco anos. A tendência não abrandou. Na quarta-feira, o país consumiu 188,1 GWh, e no dia seguinte chegou aos 192,3 GWh. Três dias, três recordes consecutivos — um padrão que nunca tinha ocorrido antes no sistema elétrico português.

O timing não é coincidência. Durante este período, Portugal enfrentou temperaturas muito baixas, com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera a colocar nove distritos da região continental sob aviso amarelo no domingo. Embora esses avisos tenham sido posteriormente retirados, o frio manteve-se intenso o suficiente para impulsionar a procura de aquecimento e, consequentemente, o consumo de eletricidade. O padrão é claro: quando as temperaturas caem, as famílias e as empresas aumentam o uso de sistemas de aquecimento elétrico, pressionando toda a rede.

Este pico semanal insere-se num contexto mais amplo de pressão crescente sobre o sistema. Em 2025, o consumo total de energia elétrica em Portugal atingiu 53,1 Terawatt-hora, o valor mais elevado de sempre registado no Sistema Elétrico Nacional. Isto representa um aumento de 3,2% face a 2024, ou 2,3% quando ajustado para variações de temperatura e número de dias úteis. O crescimento é consistente e estrutural, não apenas uma flutuação sazonal.

O lado positivo da equação reside na produção renovável. Em 2025, as fontes renováveis geraram 37 TWh, também um novo máximo histórico, correspondendo a 68% do consumo total. Este resultado mantém-se praticamente alinhado com os 70% de 2024, apesar das restrições técnicas que foram impostas ao sistema logo após o apagão de 28 de abril, quando o país enfrentou uma falha generalizada de eletricidade. A REN sublinhou que estas limitações foram necessárias para salvaguardar a segurança do abastecimento.

O que estes números revelam é um sistema elétrico português sob pressão crescente. O consumo sobe, impulsionado tanto pelo crescimento económico como pelos períodos de frio extremo. A produção renovável cresce também, mantendo uma proporção elevada da energia total, mas o sistema precisa de estar preparado para picos cada vez mais altos. A sequência de recordes desta semana é um sinal de que os períodos de procura máxima estão a tornar-se mais intensos e mais frequentes.

Sequência inédita de recordes consecutivos de consumo diário de energia elétrica em Portugal, numa altura em que o país tem registado temperaturas muito baixas
— REN (Redes Energéticas Nacionais)
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