Conselheiro de Trump compartilha pesquisa questionada que favorece Flávio Bolsonaro

Uma pesquisa de um instituto com credibilidade questionada ganhou visibilidade internacional
O compartilhamento por assessor de Trump amplificou pesquisa do Instituto Gerp sobre eleições de 2026.
Mark

Por que importa que um assessor de Trump compartilhe uma pesquisa brasileira? Não é só um gráfico?

Mimi

É mais do que um gráfico. É amplificação. Quando alguém próximo ao poder americano repassa uma pesquisa, ela ganha peso que não teria em circulação orgânica. E essa pesquisa vem de um instituto com histórico documentado de erros.

Luke

Mas precisamos ser precisos: Miller sabia do histórico do Gerp? O texto não diz. Ele pode ter simplesmente repassado algo que recebeu.

Mimi

Verdade. Não sabemos a intenção. Mas o efeito é o mesmo: uma pesquisa questionável ganhou circulação internacional.

Mark

E quanto ao gráfico distorcido? Como funciona isso?

Mimi

O gráfico mostra Flávio com 42% e Lula com 41%. A diferença é de um ponto percentual. Mas visualmente, a barra de Flávio parece muito maior. É uma técnica comum de manipulação visual.

Luke

Embora seja importante notar que o próprio Flávio publicou esse gráfico primeiro. Miller apenas repassou o que o senador já tinha divulgado.

Mark

Então o Instituto Gerp errou em 2022 também?

Mimi

Significativamente. Previu vitória de Bolsonaro com 52% contra 48% de Lula. Lula venceu com 50,9% contra 49,1%.

Luke

Isso é um erro grande, mas não impossível dentro de margens de erro. O que é mais preocupante é o padrão: suspensão judicial em 2024, erros em 2022, críticas públicas de políticos.

Mark

E agora essa pesquisa sobre 2026 circula como se fosse confiável?

Mimi

Exatamente. Sem contexto sobre o histórico do instituto, parece um levantamento legítimo.

  • Uma pesquisa de credibilidade contestada ganhou alcance internacional em segundos, graças ao Instagram de um conselheiro próximo ao poder americano.
  • O Instituto Gerp carrega um histórico que inclui pesquisa suspensa judicialmente em 2024 e uma projeção invertida nas eleições presidenciais de 2022, quando previu vitória de Bolsonaro e Lula venceu.
  • O gráfico compartilhado por Miller distorce visualmente a diferença entre Flávio Bolsonaro (42%) e Lula (41%), amplificando uma margem que, em si, já caberia dentro de qualquer margem de erro razoável.
  • A pergunta que fica sem resposta é se Miller agiu com conhecimento do histórico do instituto ou simplesmente repassou um conteúdo que lhe chegou — e essa ambiguidade, por si só, é parte do problema.
  • O episódio acende o debate sobre interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, ainda que de forma indireta e difusa, em um momento em que a corrida de 2026 ainda está tomando forma.

Em tempos em que a fronteira entre informação e estratégia política se torna cada vez mais porosa, um assessor do presidente americano Donald Trump amplificou, para uma audiência global, uma pesquisa eleitoral brasileira produzida por um instituto com histórico documentado de irregularidades e erros de projeção. Jason Miller compartilhou dados do Instituto Gerp que colocam Flávio Bolsonaro à frente de Lula em 2026 — números que chegaram ao mundo antes que sua procedência fosse examinada. O episódio convida a refletir sobre como a credibilidade migra, e se perde, quando atravessa fronteiras sem o peso da memória institucional.

Jason Miller, assessor do presidente Donald Trump, compartilhou nos stories do Instagram uma pesquisa do Instituto Gerp que coloca Flávio Bolsonaro à frente de Lula em um eventual segundo turno de 2026. O gráfico havia sido publicado originalmente pelo próprio senador e mostrava Flávio com 42% contra 41% de Lula — uma diferença pequena que a visualização distorcia para parecer maior.

O problema é que o Instituto Gerp não chega a esse momento com reputação intacta. Em 2024, uma pesquisa do instituto sobre a Prefeitura do Rio foi suspensa por ordem judicial, após questionamentos sobre a origem dos recursos que financiaram o levantamento. O instituto alegou erro de digitação no registro junto ao TSE; a correção foi aceita, mas a suspensão mantida, com multa diária prevista para o caso de descumprimento.

O episódio mais revelador, porém, é de 2022. Dois dias antes do segundo turno presidencial, o Gerp projetou 52% dos votos válidos para Jair Bolsonaro e 48% para Lula. As urnas disseram o contrário: Lula venceu com 50,9%, Bolsonaro obteve 49,1%. Não foi uma questão de margem de erro — foi uma inversão completa da projeção.

O compartilhamento por Miller levanta uma questão que permanece em aberto: ele sabia do histórico do instituto, ou simplesmente repassou um gráfico que lhe chegou? De qualquer forma, uma pesquisa de credibilidade questionada ganhou visibilidade internacional por um canal próximo ao poder americano — e isso aconteceu antes que qualquer contexto pudesse acompanhá-la.

Jason Miller, assessor do presidente americano Donald Trump, compartilhou na terça-feira uma pesquisa eleitoral que coloca Flávio Bolsonaro à frente de Lula em um eventual segundo turno das eleições de 2026. O levantamento veio do Instituto Gerp, uma instituição com um histórico documentado de falhas metodológicas e decisões judiciais que suspenderam seus trabalhos anteriores.

O gráfico que Miller divulgou nos stories do Instagram havia sido publicado originalmente pelo próprio senador. Na imagem, Flávio aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Lula registra 41%—uma margem que o gráfico distorce visualmente para amplificar a diferença entre os dois. A escolha de compartilhar esse material específico, vindo de um conselheiro próximo a Trump, chamou atenção por sua timing e pelo padrão de amplificação de pesquisas favoráveis a Bolsonaro.

O Instituto Gerp não é um nome desconhecido nos círculos de crítica eleitoral. Em 2024, uma pesquisa do instituto sobre a disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, que apontava Rodrigo Neves na liderança, foi suspensa por ordem judicial da juíza Simone Ramalho Novaes. O motivo: questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados para financiar o levantamento. O registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral indicava que o dinheiro viria do fundo partidário, embora a pesquisa tivesse sido encomendada pela Tribuna da Imprensa Online. O PDT alegou erro de digitação; o Instituto Gerp confirmou a falha e corrigiu para "Outros – Recursos Próprios". Mesmo com a correção, a pesquisa permaneceu suspensa, com multa diária de cinco mil reais prevista em caso de descumprimento.

Carlos Jordy, que havia questionado aquela pesquisa de 2024, já havia expressado desconfiança no instituto anos antes. Em novembro de 2020, escreveu nas redes sociais: "Não acreditem nas pesquisas, sobretudo no instituto GERP". Sua crítica não era isolada; ela refletia um padrão de imprecisão que o instituto carregava.

O caso mais emblemático ocorreu em 2022, quando o Gerp divulgou levantamento dois dias antes do segundo turno presidencial. A pesquisa atribuía 52% dos votos válidos a Jair Bolsonaro e 48% a Lula. O resultado das urnas foi diferente: Lula venceu com 50,9%, enquanto Bolsonaro obteve 49,1%. A margem de erro não explicava a inversão completa da projeção.

O compartilhamento por Miller levanta questões sobre o papel de assessores estrangeiros na amplificação de narrativas eleitorais brasileiras. Não é claro se Miller estava ciente do histórico do Instituto Gerp ou se simplesmente repassou um gráfico que lhe chegou. O que permanece documentado é que uma pesquisa de um instituto com credibilidade questionada ganhou visibilidade internacional através de um canal próximo ao poder americano, em um momento em que o debate sobre as eleições de 2026 ainda está em formação.

Não acreditem nas pesquisas, sobretudo no instituto GERP
— Carlos Jordy, novembro de 2020
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