Conheça as 85 empresas de apostas online que perderam autorização no Brasil

O que é legal hoje pode ser ilegal amanhã
A medida provisória transformou 85 empresas autorizadas em operações criminosas em uma noite.
Mark

Como uma decisão assim consegue afetar 85 empresas de uma vez? Elas não tinham nenhuma proteção legal?

Mimi

Tinham, sim. Receberam autorização oficial em dezembro de 2024. Mas uma medida provisória do presidente pode mudar as regras rapidamente. O que é legal hoje pode ser ilegal amanhã.

Luke

Mas espera — a medida provisória precisa virar lei em quatro meses. Até lá, qual é o status legal dessas empresas? Elas estão operando ilegalmente agora, ou ainda têm alguma proteção?

Mimi

Ótima pergunta. Tecnicamente, a medida provisória já as criminalizou, mas o Congresso precisa confirmar isso. É um período de incerteza total.

Mark

E quanto ao dinheiro? Essas empresas faturaram R$ 36,9 bilhões em 2025. Esse dinheiro desaparece?

Mimi

Esse é o dinheiro que os apostadores perderam. As empresas o retiveram como receita. Agora, com a ilegalidade, fica a pergunta: o que acontece com esses fundos? Com as contas bancárias? Com os funcionários?

Luke

A reportagem menciona que algumas empresas já estavam sob investigação — Pixbet teve licença suspensa, outras estão sendo investigadas por propaganda. Isso sugere que o governo já tinha preocupações antes de simplesmente banir tudo?

Mimi

Sim. Havia problemas específicos: falta de monitoramento de jogadores compulsivos, investigações sobre lavagem de dinheiro, evasão de divisas. Mas a decisão foi nuclear — não foi regulação mais rigorosa, foi proibição total.

Mark

As empresas estrangeiras têm mais a perder que as brasileiras?

Mimi

Não necessariamente. A Betano, Bet365 e Superbet têm participações de mercado enormes — 23%, 18% e 8%. Mas a Esportes da Sorte, que é brasileira, também tinha 4%. O que muda é que as estrangeiras podem absorver a perda em outras operações globais. As brasileiras não têm essa rede de segurança.

Luke

E quanto ao aviso que a Flutter deu — que a proibição vai empurrar pessoas para plataformas ilegais? Há evidência de que isso é verdade, ou é só uma empresa tentando se defender?

Mimi

É uma preocupação legítima do setor, mas a Flutter tem interesse óbvio em dizer isso. O que a reportagem não diz é se o governo tem um plano para combater o mercado ilegal que vai crescer agora.

Mark

Então basicamente o Brasil tinha um setor regulado, arrecadava impostos, tinha controles — e agora vai ter um setor completamente ilegal?

Mimi

Aparentemente, sim. A menos que o Congresso mude de ideia nos próximos quatro meses.

  • Um setor que movimentou R$ 220,6 bilhões em depósitos em 2025 foi declarado ilegal da noite para o dia, nove meses após receber autorização oficial para operar.
  • Gigantes estrangeiros como Betano, Bet365 e Superbet — com acionistas em Malta, Reino Unido e Luxemburgo — têm seus negócios brasileiros colocados em xeque por uma única assinatura presidencial.
  • Empresas alertam que a proibição pode empurrar apostadores para plataformas clandestinas, onde não há proteção ao consumidor, limites de depósito nem controle contra lavagem de dinheiro.
  • A medida provisória tem prazo de quatro meses para ser convertida em lei pelo Congresso, abrindo uma janela de incerteza jurídica e intensa disputa política.
  • O setor já estava sob pressão: a Pixbet teve licença suspensa, e Bet365, Betnacional e outras enfrentam investigações por publicidade irregular durante transmissões esportivas.

Em um movimento que reconfigurou da noite para o dia um setor movimentando centenas de bilhões de reais, o presidente Lula assinou medida provisória tornando ilegais 85 empresas de apostas online que haviam recebido licença apenas nove meses antes. A decisão revela a tensão permanente entre a velocidade com que mercados emergentes se enraízam na vida cotidiana e a capacidade do Estado de regulá-los com consistência. O Brasil se vê agora diante de uma questão que transcende o jogo: quem define as regras, e por quanto tempo elas valem?

No dia 25 de setembro, o presidente Lula assinou uma medida provisória que transformou 85 empresas de apostas online em operações ilegais. Essas empresas, responsáveis por 185 plataformas, haviam recebido suas licenças apenas em dezembro de 2024 — menos de um ano antes. A decisão atingiu um setor que havia se integrado profundamente à economia e à cultura esportiva do país.

Em 2025, as plataformas autorizadas movimentaram R$ 220,6 bilhões em depósitos. Desse total, R$ 36,9 bilhões ficaram com as empresas — o equivalente às perdas acumuladas dos apostadores convertidas em receita. O crescimento havia sido vertiginoso: as bets patrocinaram campeonatos, estamparam camisetas de clubes e seleções e se tornaram presença constante em grandes eventos nacionais.

A Betano lidera o mercado com 23% de participação, operada pelo grupo maltês Kaizen Gaming, que chegou a renomear a Copa do Brasil. A Bet365, controlada pela britânica Denise Coates — considerada a mulher mais rica do Reino Unido em 2025 —, ocupa o segundo lugar com 18%. A Superbet, com sede em Luxemburgo, foi a primeira a receber autorização legal no país. O capital por trás do setor é majoritariamente estrangeiro, embora existam exceções brasileiras notáveis, como a Esportes da Sorte, fundada em Recife, cujo fundador chegou a ser preso em investigações sobre ligações com o jogo do bicho — encerradas sem condenação.

Algumas empresas já enfrentavam turbulências antes da proibição. A Pixbet teve sua licença suspensa em agosto por falhas no monitoramento de jogadores compulsivos. Bet365, Betnacional e outras estão sob investigação por publicidade irregular em transmissões esportivas. A Pixbet também foi alvo da Polícia Federal em apuração sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

A medida provisória precisa ser convertida em lei pelo Congresso em até quatro meses. As empresas já reagem: a Flutter Brazil afirmou ter recebido a decisão com surpresa e alertou que a proibição tende a deslocar consumidores para o mercado ilegal, onde não existem proteções ao usuário. A Foggo Entertainment, detentora dos direitos da Blaze no Brasil, defendeu regras claras de fiscalização como único caminho para o desenvolvimento sustentável do setor.

No dia 25 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que transformou 85 empresas de apostas online em operações ilegais da noite para o dia. Essas empresas, que juntas administravam 185 plataformas diferentes, haviam recebido autorização para funcionar apenas nove meses antes, quando as primeiras licenças foram emitidas em 30 de dezembro de 2024. A decisão atingiu um setor que havia se enraizado profundamente na economia formal brasileira e na cultura do esporte nacional.

Em 2025, essas plataformas autorizadas movimentaram R$ 220,6 bilhões em depósitos de jogadores. Desse total, as empresas retiveram R$ 36,9 bilhões — o dinheiro que os apostadores perderam e que se converteu em receita corporativa. O setor havia crescido com velocidade notável. As bets patrocinaram campeonatos inteiros, estamparam suas marcas nas camisetas de clubes e seleções, cercaram os campos de futebol com publicidade e se tornaram presença constante em grandes eventos nacionais, do carnaval aos festivais de música.

A Betano lidera o mercado com 23% de participação, operada pela Kaizen Gaming Group, sediada em Malta. A empresa renomeou a Copa do Brasil para Copa Betano do Brasil e patrocina seleções e clubes europeus de primeira linha. A Bet365, controlada pela britânica Denise Coates — considerada em 2025 a mulher mais rica do Reino Unido com fortuna estimada em US$ 7,9 bilhões — ocupa a segunda posição com 18% do mercado. A Superbet, com 8% de participação e controlada pela SB Lux Brazil com sede em Luxemburgo, foi a primeira empresa a receber autorização legal para operar no país.

O capital por trás dessas operações é majoritariamente estrangeiro. A Sportingbet integra a Entain, empresa britânica de capital aberto, e seus acordos de patrocínio com clubes brasileiros rendem aproximadamente R$ 140 milhões fixos às agremiações. A Betnacional faz parte da Flutter, listada na New York Stock Exchange, que também controla a Betfair no Reino Unido e a Fanduel nos Estados Unidos. Mas nem todas as empresas são multinacionais. A Esportes da Sorte é brasileira, fundada em Recife por Darwin Henrique da Silva Filho. Seu fundador foi preso durante investigações sobre a relação entre a plataforma e uma banca de jogo do bicho, embora as investigações tenham sido encerradas sem condenações. A Blaze, operada de Malta, tem o Brasil como seu principal mercado e já contou com influenciadores como Virgínia Fonseca em sua divulgação.

Algumas empresas enfrentavam problemas regulatórios mesmo antes da proibição. A Pixbet teve sua licença suspensa em agosto por falta de mecanismos de monitoramento de jogadores compulsivos e pela não entrega de documentos ao Ministério da Fazenda. A Bet365, Betnacional, Esportes da Sorte e KTO estão sob investigação por propagandas veiculadas durante transmissões da CazéTV na Copa do Mundo. A Pixbet, controlada pelos primos Ernildo Junior e Diomar Tadeu Dantas de Farias, também foi alvo da Polícia Federal em investigação sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

O restante do mercado está pulverizado entre dezenas de empresas menores. A Vaidebet, com 2% de participação, patrocinou o Corinthians por poucos meses. A KTO patrocinou o festival Planeta Atlântida e assinou as camisas do Chapecoense. A Novibet patrocina o Santos, enquanto a Estrela Bet está com o Fluminense. A Boa Lion, uma joint venture entre a rede Globo e o grupo MGM que opera a BetMGM no Brasil, comprou em junho a empresa de videobingos Bingão do Brasil do apresentador Luciano Huck.

A medida provisória precisa ser convertida em lei pelo Congresso Nacional em até quatro meses para que a ilegalidade das bets seja confirmada. As empresas já começam a se posicionar. A Flutter Brazil afirmou à Folha que recebeu a medida com surpresa e alertou que a proibição tende a deslocar consumidores para plataformas ilegais, onde não existem mecanismos de identificação de usuários, limites de depósito, monitoramento de transações, autoexclusão ou prevenção à lavagem de dinheiro. A Foggo Entertainment, que possui os direitos da Blaze no Brasil, afirmou estar alinhada a associações do setor que defendem segurança jurídica e transparência, argumentando que regras claras de fiscalização são o único caminho para o desenvolvimento sustentável da indústria e o combate ao mercado ilegal.

A demanda por apostas não deixa de existir com a retirada dos operadores autorizados. Uma proibição tende a deslocar consumidores para plataformas ilegais, onde não estão assegurados mecanismos como identificação de usuários, limites de depósito, monitoramento de transações, autoexclusão e prevenção à lavagem de dinheiro.
— Flutter Brazil, em nota à Folha
A consolidação de regras claras de fiscalização é o único caminho para o desenvolvimento sustentável da indústria, a preservação de empregos e o combate ao mercado ilegal.
— Foggo Entertainment (dona dos direitos da Blaze no Brasil)
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