Congresso dos EUA acusa Huawei de contornar embargo com chips de IA da TSMC

Uma falha catastrófica nas políticas de controlo de exportações
A acusação do Congresso americano sobre chips de IA fabricados pela TSMC para a Huawei.
Mark

Como é que a Huawei conseguiu recuperar tão rapidamente depois de um embargo tão severo?

Mimi

Focou-se completamente no mercado chinês, que é enorme. Desenvolveu os seus próprios chips, o seu próprio sistema operativo, e começou a inovar em áreas onde a concorrência ocidental não estava à espera — como os ecrãs dobráveis. Mas a verdade é que não conseguiu fazer tudo sozinha.

Mark

E é aí que entra a TSMC?

Mimi

Exactamente. A TSMC é taiwanesa, não chinesa, e está sujeita a controlos americanos. Mas a Huawei encontrou uma forma de contornar isso — usando intermediários para fazer as encomendas. A TSMC fabrica os chips, recebe o dinheiro, e depois diz que apenas comunicou o facto aos reguladores.

Mark

Mas isso não é suficiente para violar o embargo?

Mimi

Aparentemente não, segundo a TSMC. Mas o Congresso americano discorda completamente. Para eles, isto é uma falha catastrófica. Se a Huawei consegue aceder a chips de IA de última geração, então o embargo não está a funcionar.

Mark

Qual é o risco real aqui?

Mimi

O risco é que a Huawei se torne independente da tecnologia americana e que a China desenvolva capacidades de IA que rivalizem com as dos EUA. Isso tem implicações de segurança nacional muito sérias.

Mark

E a TSMC fica no meio?

Mimi

Fica. Taiwan é um território disputado, e a TSMC é a empresa mais valiosa de Taiwan. Os EUA querem controlá-la, a China quer controlá-la, e a TSMC quer apenas fazer negócios. Agora está acusada de ajudar a Huawei a contornar sanções.

  • O congressista republicano John Moolenaar denuncia que chips de IA fabricados pela TSMC chegaram às mãos da Huawei, violando diretamente as sanções americanas.
  • A Huawei terá usado empresas intermediárias para encomendar chips semelhantes ao Ascend 910B, pagando centenas de milhões de dólares para contornar o embargo.
  • O Departamento de Comércio dos EUA abriu investigação após a publicação The Information revelar a suspeita de produção ilícita de chips para a empresa chinesa.
  • A TSMC afirma ter comunicado proativamente às autoridades americanas sobre as encomendas suspeitas, mas o dano à sua reputação já está instalado.
  • Washington exige respostas imediatas e medidas concretas para fechar as brechas que permitem à Huawei continuar a aceder a tecnologia proibida.

No cruzamento entre tecnologia, poder e soberania, o Congresso americano acusa a Huawei de ter encontrado caminhos ocultos para contornar o embargo que deveria tê-la silenciado. Através de empresas intermediárias e da maior fabricante de chips do mundo, a empresa chinesa terá obtido semicondutores avançados de inteligência artificial — um feito que legisladores descrevem como uma falha catastrófica no sistema de controlo de exportações dos Estados Unidos. A história revela não apenas a resiliência de uma empresa sob pressão extrema, mas também os limites do poder regulatório numa economia global profundamente interligada.

O Congresso dos Estados Unidos acusa a Huawei de ter contornado sistematicamente as sanções americanas, obtendo chips de inteligência artificial fabricados pela TSMC — o que legisladores descrevem como uma falha catastrófica nas políticas de controlo de exportações.

A Huawei chegou a ameaçar a supremacia da Samsung no mercado de smartphones antes de o embargo americano a afastar dos palcos internacionais, alegando ligações ao governo de Pequim e preocupações com a segurança nacional. Mas a empresa não desistiu: focou-se no mercado doméstico, lançou smartphones premiados como o Pura 70 e o dobrável Mate XT, e desenvolveu o seu próprio sistema operativo, HarmonyOS Next, provando que conseguia sobreviver sem o ecossistema americano.

Enquanto a tensão entre Washington e Pequim se intensificava — com os EUA a revogar licenças de exportação e a China a criar fundos para autossuficiência em semicondutores —, começaram a surgir suspeitas de que a Huawei acedia a tecnologia proibida. Em outubro, o republicano John Moolenaar denunciou que a TSMC teria produzido chips de IA para a Huawei através de empresas intermediárias, num processo de 7 nanómetros destinado a treinar modelos de linguagem, com pagamentos na ordem das centenas de milhões de dólares.

A TSMC afirmou ter comunicado proativamente ao regulador americano sobre as encomendas suspeitas, mas o dano reputacional estava feito. Moolenaar exigiu respostas imediatas do Departamento de Comércio e da TSMC, pressionando o governo americano a garantir que estas brechas não voltem a ser exploradas. A questão central permanece em aberto: conseguirá Washington apertar suficientemente o cerco para impedir que a Huawei continue a encontrar caminhos alternativos?

O Congresso dos Estados Unidos está acusando a Huawei de ter contornado sistematicamente as sanções impostas pela administração americana, obtendo chips de inteligência artificial fabricados pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Corporation (TSMC) — um movimento que legisladores descrevem como uma falha catastrófica nas políticas de controlo de exportações.

A história da Huawei é a de uma empresa que chegou a ameaçar a supremacia global da Samsung no mercado de smartphones, até que o embargo americano a derrubou. Os Estados Unidos alegaram ligações entre a fabricante chinesa e o governo de Pequim, citando preocupações com a segurança nacional. A proibição foi devastadora: impediu a Huawei de aceder a tecnologia e software americanos, cortando-a do 5G e dos serviços do Google. A empresa desapareceu dos palcos internacionais.

Mas a Huawei não desistiu. Focou-se no mercado doméstico chinês e conseguiu recuperar terreno com smartphones como o Mate 60 e o Pura 70, este último elogiado pela DXoMark como tendo a melhor câmara fotográfica do mercado. Mais recentemente, anunciou o Mate XT, descrito como o primeiro smartphone dobrável com ecrã tripartido, que registou 2,3 milhões de reservas apenas na China, apesar do preço superior a 2.400 dólares. A empresa também desenvolveu o seu próprio sistema operativo, HarmonyOS Next, demonstrando que podia funcionar sem dependência dos serviços Google.

A tensão comercial entre Washington e Pequim intensificou-se. Em maio, os Estados Unidos revogaram novas licenças de exportação de tecnologia para a Huawei. A China respondeu pedindo às operadoras de telecomunicações que removessem chips estrangeiros dos seus equipamentos e criou um fundo de investimento para alcançar autossuficiência em semicondutores. Mas enquanto a Huawei continuava a anunciar inovações e a contornar as restrições, começaram a surgir suspeitas de que estava a aceder a tecnologia proibida.

Em outubro, o republicano John Moolenaar, presidente da Comissão do Congresso dos Estados Unidos responsável por estas questões, denunciou o que chamou de "falha catastrófica" nas políticas de controlo de exportações. Segundo Moolenaar, a TSMC teria produzido chips de IA para a Huawei, contribuindo directamente para o desenvolvimento dos seus aceleradores de inteligência artificial. Estes chips, afirma, causaram danos significativos e têm consequências graves para a segurança nacional americana.

A investigação começou quando a publicação The Information revelou que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos estava a investigar se houve produção de chips de IA para a Huawei. Em causa estava uma encomenda à TSMC de chips semelhantes ao Ascend 910B da Huawei. Segundo o Financial Times, o chip foi fabricado pela TSMC usando um processo de 7 nanómetros e destina-se a treinar modelos de linguagem. Suspeita-se que a Huawei tenha utilizado empresas intermediárias para submeter as encomendas e contornar as sanções, pagando várias centenas de milhões de dólares pela produção.

A TSMC respondeu dizendo que comunicou proactivamente ao regulador americano sobre as encomendas semelhantes ao chip em questão. Mas o dano reputacional estava feito. Moolenaar exigiu respostas imediatas tanto do Departamento de Comércio como da TSMC sobre o volume e a extensão do caso, e pediu que o governo americano tome medidas para garantir que isto não volte a acontecer. A questão agora é se Washington conseguirá apertar suficientemente o cerco para impedir que a Huawei continue a encontrar caminhos alternativos.

Os chips inovadores produzidos na TSMC contribuíram para o desenvolvimento da Huawei AI, representando uma falha catastrófica nas políticas de controlo de exportação dos Estados Unidos
— John Moolenaar, presidente da Comissão do Congresso dos EUA
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