No cruzamento entre tecnologia, poder e soberania, o Congresso americano acusa a Huawei de ter encontrado caminhos ocultos para contornar o embargo que deveria tê-la silenciado. Através de empresas intermediárias e da maior fabricante de chips do mundo, a empresa chinesa terá obtido semicondutores avançados de inteligência artificial — um feito que legisladores descrevem como uma falha catastrófica no sistema de controlo de exportações dos Estados Unidos. A história revela não apenas a resiliência de uma empresa sob pressão extrema, mas também os limites do poder regulatório numa economia glob
Congresso dos EUA acusa Huawei de contornar embargo com chips de IA da TSMC
Uma falha catastrófica nas políticas de controlo de exportações
Como é que a Huawei conseguiu recuperar tão rapidamente depois de um embargo tão severo?
Focou-se completamente no mercado chinês, que é enorme. Desenvolveu os seus próprios chips, o seu próprio sistema operativo, e começou a inovar em áreas onde a concorrência ocidental não estava à espera — como os ecrãs dobráveis. Mas a verdade é que não conseguiu fazer tudo sozinha.
E é aí que entra a TSMC?
Exactamente. A TSMC é taiwanesa, não chinesa, e está sujeita a controlos americanos. Mas a Huawei encontrou uma forma de contornar isso — usando intermediários para fazer as encomendas. A TSMC fabrica os chips, recebe o dinheiro, e depois diz que apenas comunicou o facto aos reguladores.
Mas isso não é suficiente para violar o embargo?
Aparentemente não, segundo a TSMC. Mas o Congresso americano discorda completamente. Para eles, isto é uma falha catastrófica. Se a Huawei consegue aceder a chips de IA de última geração, então o embargo não está a funcionar.
Qual é o risco real aqui?
O risco é que a Huawei se torne independente da tecnologia americana e que a China desenvolva capacidades de IA que rivalizem com as dos EUA. Isso tem implicações de segurança nacional muito sérias.
E a TSMC fica no meio?
Fica. Taiwan é um território disputado, e a TSMC é a empresa mais valiosa de Taiwan. Os EUA querem controlá-la, a China quer controlá-la, e a TSMC quer apenas fazer negócios. Agora está acusada de ajudar a Huawei a contornar sanções.
O Pulso
- O congressista republicano John Moolenaar denuncia que chips de IA fabricados pela TSMC chegaram às mãos da Huawei, violando diretamente as sanções americanas.
- A Huawei terá usado empresas intermediárias para encomendar chips semelhantes ao Ascend 910B, pagando centenas de milhões de dólares para contornar o embargo.
- O Departamento de Comércio dos EUA abriu investigação após a publicação The Information revelar a suspeita de produção ilícita de chips para a empresa chinesa.
- A TSMC afirma ter comunicado proativamente às autoridades americanas sobre as encomendas suspeitas, mas o dano à sua reputação já está instalado.
- Washington exige respostas imediatas e medidas concretas para fechar as brechas que permitem à Huawei continuar a aceder a tecnologia proibida.
No cruzamento entre tecnologia, poder e soberania, o Congresso americano acusa a Huawei de ter encontrado caminhos ocultos para contornar o embargo que deveria tê-la silenciado. Através de empresas intermediárias e da maior fabricante de chips do mundo, a empresa chinesa terá obtido semicondutores avançados de inteligência artificial — um feito que legisladores descrevem como uma falha catastrófica no sistema de controlo de exportações dos Estados Unidos. A história revela não apenas a resiliência de uma empresa sob pressão extrema, mas também os limites do poder regulatório numa economia global profundamente interligada.
O Congresso dos Estados Unidos acusa a Huawei de ter contornado sistematicamente as sanções americanas, obtendo chips de inteligência artificial fabricados pela TSMC — o que legisladores descrevem como uma falha catastrófica nas políticas de controlo de exportações.
A Huawei chegou a ameaçar a supremacia da Samsung no mercado de smartphones antes de o embargo americano a afastar dos palcos internacionais, alegando ligações ao governo de Pequim e preocupações com a segurança nacional. Mas a empresa não desistiu: focou-se no mercado doméstico, lançou smartphones premiados como o Pura 70 e o dobrável Mate XT, e desenvolveu o seu próprio sistema operativo, HarmonyOS Next, provando que conseguia sobreviver sem o ecossistema americano.
Enquanto a tensão entre Washington e Pequim se intensificava — com os EUA a revogar licenças de exportação e a China a criar fundos para autossuficiência em semicondutores —, começaram a surgir suspeitas de que a Huawei acedia a tecnologia proibida. Em outubro, o republicano John Moolenaar denunciou que a TSMC teria produzido chips de IA para a Huawei através de empresas intermediárias, num processo de 7 nanómetros destinado a treinar modelos de linguagem, com pagamentos na ordem das centenas de milhões de dólares.
A TSMC afirmou ter comunicado proativamente ao regulador americano sobre as encomendas suspeitas, mas o dano reputacional estava feito. Moolenaar exigiu respostas imediatas do Departamento de Comércio e da TSMC, pressionando o governo americano a garantir que estas brechas não voltem a ser exploradas. A questão central permanece em aberto: conseguirá Washington apertar suficientemente o cerco para impedir que a Huawei continue a encontrar caminhos alternativos?
O Congresso dos Estados Unidos está acusando a Huawei de ter contornado sistematicamente as sanções impostas pela administração americana, obtendo chips de inteligência artificial fabricados pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Corporation (TSMC) — um movimento que legisladores descrevem como uma falha catastrófica nas políticas de controlo de exportações.
A história da Huawei é a de uma empresa que chegou a ameaçar a supremacia global da Samsung no mercado de smartphones, até que o embargo americano a derrubou. Os Estados Unidos alegaram ligações entre a fabricante chinesa e o governo de Pequim, citando preocupações com a segurança nacional. A proibição foi devastadora: impediu a Huawei de aceder a tecnologia e software americanos, cortando-a do 5G e dos serviços do Google. A empresa desapareceu dos palcos internacionais.
Mas a Huawei não desistiu. Focou-se no mercado doméstico chinês e conseguiu recuperar terreno com smartphones como o Mate 60 e o Pura 70, este último elogiado pela DXoMark como tendo a melhor câmara fotográfica do mercado. Mais recentemente, anunciou o Mate XT, descrito como o primeiro smartphone dobrável com ecrã tripartido, que registou 2,3 milhões de reservas apenas na China, apesar do preço superior a 2.400 dólares. A empresa também desenvolveu o seu próprio sistema operativo, HarmonyOS Next, demonstrando que podia funcionar sem dependência dos serviços Google.
A tensão comercial entre Washington e Pequim intensificou-se. Em maio, os Estados Unidos revogaram novas licenças de exportação de tecnologia para a Huawei. A China respondeu pedindo às operadoras de telecomunicações que removessem chips estrangeiros dos seus equipamentos e criou um fundo de investimento para alcançar autossuficiência em semicondutores. Mas enquanto a Huawei continuava a anunciar inovações e a contornar as restrições, começaram a surgir suspeitas de que estava a aceder a tecnologia proibida.
Em outubro, o republicano John Moolenaar, presidente da Comissão do Congresso dos Estados Unidos responsável por estas questões, denunciou o que chamou de "falha catastrófica" nas políticas de controlo de exportações. Segundo Moolenaar, a TSMC teria produzido chips de IA para a Huawei, contribuindo directamente para o desenvolvimento dos seus aceleradores de inteligência artificial. Estes chips, afirma, causaram danos significativos e têm consequências graves para a segurança nacional americana.
A investigação começou quando a publicação The Information revelou que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos estava a investigar se houve produção de chips de IA para a Huawei. Em causa estava uma encomenda à TSMC de chips semelhantes ao Ascend 910B da Huawei. Segundo o Financial Times, o chip foi fabricado pela TSMC usando um processo de 7 nanómetros e destina-se a treinar modelos de linguagem. Suspeita-se que a Huawei tenha utilizado empresas intermediárias para submeter as encomendas e contornar as sanções, pagando várias centenas de milhões de dólares pela produção.
A TSMC respondeu dizendo que comunicou proactivamente ao regulador americano sobre as encomendas semelhantes ao chip em questão. Mas o dano reputacional estava feito. Moolenaar exigiu respostas imediatas tanto do Departamento de Comércio como da TSMC sobre o volume e a extensão do caso, e pediu que o governo americano tome medidas para garantir que isto não volte a acontecer. A questão agora é se Washington conseguirá apertar suficientemente o cerco para impedir que a Huawei continue a encontrar caminhos alternativos.
Citações Notáveis
Os chips inovadores produzidos na TSMC contribuíram para o desenvolvimento da Huawei AI, representando uma falha catastrófica nas políticas de controlo de exportação dos Estados Unidos— John Moolenaar, presidente da Comissão do Congresso dos EUA