Nem sequer os funcionários da própria empresa conseguem aceder
Numa era em que a inteligência artificial se tornou simultaneamente ferramenta e campo de batalha geopolítica, a Administração Trump proibiu que cidadãos estrangeiros acedessem aos modelos mais avançados da Anthropic — o Claude Fable 5 e o Mythos 5 —, forçando a empresa a desligar ambos globalmente em junho de 2026. A decisão nasce de uma ruptura entre a Casa Branca e a Anthropic, depois de a empresa recusar colaborar com fins militares, e revela como o impulso regulatório pode inverter-se com a mesma velocidade com que surgiu. O que começou como uma disputa sobre armas autónomas e vigilância transforma-se agora numa questão mais vasta: quem controla o acesso ao conhecimento mais poderoso da nossa época, e em nome de quê.
- A Anthropic desligou abruptamente os seus dois modelos de IA mais potentes a nível mundial, afectando clientes, parceiros e até os seus próprios funcionários estrangeiros sem aviso prévio suficiente.
- A tensão entre a empresa e a Casa Branca escalou depois de a Anthropic recusar que o Pentágono usasse os seus modelos para desenvolver armas autónomas e programas de vigilância em massa.
- As autoridades norte-americanas argumentam que as barreiras de segurança do Fable 5 e do Mythos 5 podem ser contornadas, tornando o acesso estrangeiro uma ameaça à segurança nacional.
- A Anthropic pediu desculpas aos clientes, classificou a situação como um 'mal-entendido' e trabalha para demonstrar a segurança dos modelos e recuperar o serviço.
- A crise ameaça os planos de IPO da empresa e impulsiona na Europa um debate urgente sobre soberania tecnológica independente dos Estados Unidos.
A Anthropic desligou globalmente o acesso ao Claude Fable 5 e ao Mythos 5 — os seus modelos de inteligência artificial mais avançados — depois de a Administração Trump proibir que qualquer cidadão estrangeiro os utilizasse, dentro ou fora dos EUA. Sem forma de verificar nacionalidades em tempo real numa base de dados global, a empresa não encontrou alternativa viável e cortou o serviço de forma abrupta. Até funcionários da própria Anthropic com passaportes não americanos perderam acesso. Os modelos mais antigos continuam disponíveis, mas os dois mais potentes desapareceram da circulação pública.
A proibição é tanto mais surpreendente quanto vem de uma administração que até recentemente defendia a desregulação quase total da IA. A deterioração das relações com a Casa Branca acelerou quando a Anthropic recusou permitir que o Pentágono utilizasse os seus modelos para desenvolver armas completamente autónomas e programas de vigilância em massa. Em março, o governo já tinha restringido o uso da empresa por agências federais. A justificação oficial centra-se agora em cibersegurança: o Mythos 5 revelou capacidades sem precedentes para detectar e explorar falhas em grandes sistemas operativos, e as autoridades argumentam que as barreiras de protecção do Fable 5 — uma versão modificada com salvaguardas adicionais — podem ser contornadas por utilizadores determinados.
A Anthropic pediu desculpas aos clientes, descreveu a situação como um 'mal-entendido' e afirmou trabalhar activamente com as autoridades para restaurar o serviço. Dario Amodei, CEO historicamente favorável à regulação estatal da IA, vê agora esse mesmo Estado ameaçar os planos de entrada em bolsa da empresa. Do outro lado do Atlântico, a Comissão Europeia reagiu com clareza: o porta-voz Thomas Regnier declarou que o incidente 'reforça ainda mais a necessidade da soberania tecnológica da Europa', sinalizando que a crise está a acelerar conversas sobre independência digital europeia face aos Estados Unidos.
A Anthropic desligou completamente o acesso global aos seus dois modelos de inteligência artificial mais potentes — o Claude Fable 5 e o Mythos 5 — depois que a Administração Trump proibiu que qualquer cidadão estrangeiro utilizasse estas ferramentas, dentro ou fora do território norte-americano. A decisão, anunciada pela empresa numa declaração oficial, marca uma escalada significativa na forma como os governos intervêm no sector da inteligência artificial.
A empresa explicou que não teve alternativa viável. As restrições federais eram tão abrangentes que até funcionários da própria Anthropic com nacionalidade diferente da dos EUA perderam acesso aos modelos. Sem mecanismos imediatos para verificar a nacionalidade de cada utilizador numa base de dados global em tempo real, a empresa optou por desligar completamente o serviço de forma abrupta. Os modelos mais antigos e menos potentes do ecossistema Claude continuam disponíveis, mas os dois mais avançados desapareceram da circulação pública.
O que torna esta situação particularmente notável é que a proibição vem de uma administração que, até recentemente, defendia uma abordagem de quase total desregulação da inteligência artificial. A mudança de postura reflete uma deterioração acelerada nas relações entre a Casa Branca e a Anthropic. O ponto de ruptura ocorreu quando a empresa recusou permitir que o Pentágono utilizasse os seus modelos para fins específicos, nomeadamente o desenvolvimento de armas completamente autónomas e programas de vigilância em massa de cidadãos norte-americanos. Em Março, o governo já tinha limitado o uso da Anthropic por agências federais.
A justificação oficial para a proibição actual centra-se em preocupações de cibersegurança. Quando a Anthropic lançou o Mythos 5, revelou que o modelo tinha uma capacidade sem precedentes para detectar e explorar falhas de segurança em grandes sistemas operativos — razão pela qual não o disponibilizou publicamente, partilhando-o apenas com empresas de segurança informática. Na quinta-feira passada, a empresa lançou o Fable 5, uma versão modificada do Mythos 5 com barreiras de protecção adicionais desenhadas para bloquear respostas em áreas sensíveis como cibersegurança, biologia e outros tópicos críticos.
Mas as autoridades norte-americanas não se deixaram convencer. Identificaram o que descrevem como risco real de utilizadores conseguirem contornar as barreiras éticas e de segurança do software. Por essa razão, argumentam que permitir que estrangeiros utilizem estes modelos constitui um problema de segurança nacional. A Anthropic pediu desculpas aos seus clientes, descrevendo a medida como resultado de um "mal-entendido", e afirmou estar a trabalhar activamente com as autoridades para demonstrar a segurança dos modelos e restaurar o serviço.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, tem sido historicamente um defensor de maior regulação estatal da inteligência artificial. Agora, porém, enfrenta um conflito cada vez mais intenso com a Administração Trump que ameaça prejudicar os planos da empresa de entrar em bolsa. A Comissão Europeia também reagiu ao anúncio. Através do porta-voz Thomas Regnier, declarou que a suspensão de serviços pela Anthropic "reforça ainda mais a necessidade da soberania tecnológica da Europa", sinalizando que o incidente está a acelerar conversas sobre independência tecnológica europeia face aos EUA.
Notable Quotes
A decisão governamental é o resultado de um mal-entendido, e a empresa está a trabalhar activamente com as autoridades para demonstrar a segurança dos modelos— Anthropic, em comunicado oficial
A suspensão reforça ainda mais a necessidade da soberania tecnológica da Europa— Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia
The Hearth Conversation Another angle on the story
Porque é que a Anthropic não conseguiu simplesmente bloquear os utilizadores estrangeiros em vez de desligar tudo?
Porque não têm sistemas em tempo real para verificar a nacionalidade de cada pessoa que acede aos modelos. Seria preciso construir essa infraestrutura do zero, e o governo não lhes deu tempo para o fazer.
Isto parece uma punição pela recusa de trabalhar com o Pentágono.
É claramente uma escalada. A empresa disse não a armas autónomas e vigilância em massa. Agora o governo está a usar a segurança cibernética como justificação, mas o timing sugere que há mais em jogo.
O Mythos 5 é realmente perigoso?
Tem capacidades reais para encontrar falhas de segurança. A Anthropic foi cautelosa e só o partilhou com especialistas. Mas o governo diz que mesmo as barreiras do Fable 5 podem ser contornadas.
E os funcionários da Anthropic que são estrangeiros?
Perderam acesso também. Isso mostra como a proibição é absoluta — não há exceções, nem sequer para a própria empresa.
Isto prejudica os planos de IPO?
Muito. Quando estás a tentar entrar em bolsa, conflitos públicos com o governo são exactamente o que não queres. E isto é muito público.